Crimson Day.
14 Capítulo 14.
September, 25th.
Geral’s P.O.V.
Molly não tinha do que reclamar de seus aposentos e muito menos de seus tios e até mesmo de James. As duas últimas semanas haviam passado bem rápido e a ruiva podia jurar que seus filhos já não eram os mesmos pelo tanto que haviam crescido. Talvez nem fosse para tanto, mas era a impressão que ela tinha. Depois de tantos meses, ela finalmente se sentia próxima de seu primo outra vez. Já não tinha tempo de ter vergonha de amamentar as crianças perto dele, ou de falar com elas com vozes infantis: essa segunda atitude, ele também tomava. Era exatamente isso o que James estava fazendo naquele momento, com Hector no colo:
— Quem é o campeão do titio? Quem é?
E ao mesmo tempo, Molls terminava de dar banho em Meghara. Ela já se sentia mais tranquila agora que o umbigo deles já havia caído, porque antes tinha muito medo de machucá-los ou de fazer algo errado. Estava colocando nela um body branco e por cima, um macacãozinho cor-de-rosa de veludo. Sua tia havia aconselhado-a a colocar uma roupinha fina, depois o macacãozinho e então a manta, porque recém-nascidos sentiam muito frio. Enquanto vestia Megg, a mãe sentia calor pela pequena, mas obedeceria às instruções dadas pelas mais velhas. Victoire havia avisado que chegaria apenas na parte da noite e pediu a James que ajudasse Molly com as crianças. E foi exatamente isso que fez os primos estranharem a batida na campainha. Os olhos azuis da menina seguiram até o ex-namorado, que sorriu.
— Pode deixar que eu vou lá. — Disse enquanto deitava Hector no berço que os gêmeos dividiam. Molly assentiu e continuou o que iria fazer com a garotinha, que já dava seus primeiros sinais de fome.
Depois de tantos dias amamentando dois, ela nem sentia mais as dores no seio que lembrava de ter sentido nos primeiros dias. A garota havia se acostumado a ter de dar banho e alimentar Hector primeiro, afinal o garotinho tinha uma fome de leão. Megg era mais comportada, e ao que via, não se importava de esperar. Até começar a chorar, porque aí a coisa ficava feia também. Por isso, quis evitar que ela chorasse e logo se ajeitou na cama recostada nos travesseiros e encaixou logo a boca da neném em seu seio. Estava entretida com a pequena e nem escutou a voz do visitante lá embaixo.
Naquele mesmo momento, no andar inferior, James abrira a porta e deu de cara com Seth von Russell. Arqueou uma sobrancelha e por um segundo, se esqueceu de que Molly atualmente morava ali.
— Posso ajudar? — Perguntou, cínico.
— A Moll tá aí, Potter? Vim dar a ela o prazer da minha presença.
— A Molly está, sim. Prazer? — Sibilou, e corrigiu o nome dela, desaprovando o apelido que ele usara.
— Não tenho culpa se alguns não sabem aproveitar as maravilhas da vida. Posso entrar? — Perguntou Seth, numa falsa educação. James bufou e deu passagem ao loiro, logo ultrapassando-o para subir em sua frente.
Quando Molly deu por si, James já anunciava o garoto com uma cara não muito boa.
— Molls, o Seth-Maravilha da Vida-Russo veio vê-la. — Revirou os olhos e então deixou o loiro adentrar o quarto.
— SEEEEE! — A ruiva exclamou em um tom mais alto que o normal, sorrindo. O loiro veio até a cama abraçá-la, mas parou subitamente quando viu o seio dela exposto.
— Woooow! Gata, isso aí tá bem turbinado, hein? — Comentou divertido e ao mesmo tempo confuso por não saber como agir naquela situação, mas James sabia, e pigarreou alto. Seth ignorou o barulho proveniente do moreno, e assentou-se perto da amiga. — Cara, tem certeza de que é o mesmo bebê? — Perguntou o corvino no mesmo tom que antes.
— É claro! Isso é porque você não viu o Hector. — Respondeu Molly, apontando com a cabeça para onde o filho estava. Por algum motivo que a ruiva não entendeu, James o tinha nos braços de maneira protetora, como se Seth alguma vez tivesse cogitado roubá-lo. E na realidade, era a vontade que James tinha de abraçar Molly e recuperá-la de Seth junto às crianças. Afinal de contas… ele era mais presente do que o “rival” na vida dos gêmeos, mesmo que ainda fosse breve.
— Céus! E essas bochechas desse tamanho, Hector Ryan? — Continuou o padrinho das crianças. A mãe assentiu rindo.
— Pra você ver. Ele tem o sangue Weasley bem forte nas veias. — E após consentir, a ruiva desceu os olhos para a sua miniatura que ainda mamava. Com a mão livre, rapidamente tirou o seio esquerdo dos lábios dela e a trocou para o direito, cobrindo o anterior no mesmo segundo, sendo contestada por Meghara que reclamou um pouco. — Pronto, amor. — Disse baixinho, sorrindo. Seth — e também James, do outro lado do quarto — contemplava a pose extremamente maternal de Molly com um sorriso.
— Você nasceu pra isso, ruiva. — E o sorriso de Molly se alargou com o comentário, enquanto ela olhou nos olhos do amigo.
— Obrigada. — E James pensava, “Grande merda, eu sempre soube disso.” Sua expressão era meio brava. — Um dos dois cavalheiros pode pegar água pra mim? — Pediu Molls, afinal todas as vezes em que amamentava, sentia uma sede inexplicável. James já sabia disso, e então se prontificou.
— Eu vou lá, Molls. — Mas então lembrou-se que tinha Hector nos braços. Torceu os lábios até se aproximar da cama em que os outros dois estavam assentados e no meio de alguns travesseiros, colocou o bebê que estava sonolento.
— Obrigada, Jay. — E só depois de chamá-lo assim é que ambos perceberam que era a primeira vez depois de tantos meses em que a ruiva usara o apelido novamente. Assim, o rapaz os deixou com um esboço de sorriso nos lábios.
O que aconteceu depois deixou Molly meio confusa. Seth a olhava fixamente desde seu comentário sobre sua facilidade com a maternidade e nem mesmo se pronunciou sobre a água, mas quando percebeu estarem sozinhos no quarto, tirou uma mecha de seus cabelos do rosto da ruiva, deixando-a atrás de sua orelha. Meio sem jeito, Molly resolveu que era melhor quebrar aquele clima.
— Como está o seu pai, Se? — Perguntou a ruiva. Notou que Megg havia parado de mamar e dormido, desta forma a colocou deitada ao lado de Hector, já que dormindo talvez não arrotasse. Vestiu-se adequadamente no mesmo instante, e arrumou os cabelos num coque frouxo. Tinha completa atenção para o amigo agora.
— Está melhorando, mas ainda é dependente de mim e Annelise. — Respondeu o garoto, automaticamente. Seth era grato pela preocupação da garota com seu pai, e tudo o que o loiro conseguia pensar era no quanto havia sido burro em não perceber que era com ela que deveria estar desde o princípio. Ou pelo menos, era o que aquela visão de Molly e Meghara havia lhe feito pensar.
— Você sempre diz isso, Se… pode desabafar comigo, se quiser. — E contente com aquela frase, ele insistiu no clima peculiar entre os dois e acariciou o rosto da garota com as costas dos dedos esguios.
— Posso? Então ok. — Dito isso, Seth aproximou os lábios dos de Molly e roçou-os ali, sobre os dela, sentindo a textura macia que tinham. A garota não sabia exatamente como reagir, mas essa era a maior demonstração amorosa que recebia em pelo menos dez meses. Mesmo vinda de seu melhor amigo, a situação a envolveu de um jeito tão ímpar que esqueceu-se até mesmo de onde estava e entregou-se aos lábios receptivos do garoto. Ele segurou sua nuca enquanto a massageava e Molly abraçou a do rapaz com uma das mãos também. Definitivamente, ela não estava pensando no território que estava adentrando.
Enquanto isso, no andar de baixo, James estava servindo num copo grande a água que sua prima pedira. Estava acostumado com aquilo, já que em todas as vezes em que amamentava, o tal favor lhe era designado. Foi quando ouviu a coruja de Lily chegando e então abriu a janela da sala rapidamente, fazendo-a pousar em seu braço.
— Hey, garota! Deixe eu ver isso aqui. — Pediu acariciando a cabeça da coruja e pegando a carta da irmã. Abriu-a e deu um sorriso com a caligrafia dela no pergaminho. Sua gnoma fazia falta.
“Hey, pessoal! Como estão as coisas por aí?
Lucy, Hugo, Louis e eu amamos a foto dos pimpolhos, dêem parabéns de novo à Molls! Mas diga a ela que mande fotos todos os dias, hunf, como madrinha tenho direito! No Natal estaremos todos aí para mimá-los. Ah, sim, Lucy está mandando um beijo. Já vou, pois as aulas de Herbologia estão para começar. Fiquem bem, amo vocês!
P.S.: Molls, eu AMEI o nome dos meus sobrinhos.
Com amor, Lils.”
As mãos de Seth acariciavam os cabelos ruivos e a nuca da garota, que parecia estar absorta na emoção de estar sendo beijada depois de tanto tempo. Sua insegurança parecia momentaneamente sumir, assim como toda a sua carência — a qual não tinha tempo de demonstrar. De repente, Seth parou o beijo e a olhou no fundo dos olhos.
— James já sabe? — Perguntou contra os lábios dela.
— Não.
— Então não conta… eu dou conta disso. — Respondeu o loiro antes de voltar a tomá-la num beijo. Seus lábios eram acolhedores e quentes, de maneira que a ruiva se sentia confortável e até mesmo amada — embora não da maneira que James a amava. Sua distração pelo que fazia era tanta que Molly nem ouviu passos na escada, só o que teve tempo de ouvir foi o barulho de vidro estilhaçando-se. Separou-se rapidamente de Seth com os olhos arregalados e encontrou James parado com uma carranca que a ruiva não lembrava-se de ter visto alguma vez, e o copo não havia quebrado no chão, mas sim na mão direita do garoto. Algumas gotas de sangue pingavam da mão dele, mas honestamente James não parecia se importar.
— QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO AQUI? — Perguntou, nervoso. Seu tom de voz era alto e acabou incomodando as crianças, que abriram os olhos assustados.
— James, calma, eu… — Começou Molly, e ele a interrompeu.
— CALE A BOCA, VADIA! EU SABIA QUE VOCÊ NUNCA IA MUDAR. — Retrucou o moreno. Dessa vez, Seth levantou e foi até ele.
— Escuta aqui, playboyzinho, cuidado como fala com ela.
— Quem você pensa que é pra falar comigo assim dentro da minha própria casa, seu idiota? Saia já daqui!
— Eu não vou deixar você sozinho com ela! Ou você já se esqueceu do que causou na minha Molly?
— SUA Molly? SAI DAQUI AGORA, SEU IDIOTA. AGORA!
James e Seth já estavam se enfrentando fisicamente e nenhum sentia a necessidade da magia, queriam acabar um com o outro em porradas. Molly tinha lágrimas nos olhos, e estava dividida. Tentou separar os garotos, mas Seth a pediu pra ficar fora disso. Continuou pedindo a eles que parassem, mas agora seus filhos já choravam e já havia virado um fuzuê. Os garotos ameaçaram se bater com socos, e foi quando Gina chegou para impedi-los, enfiando-se no meio dos rapazes.
— O que é que está acontecendo nessa casa?
— Essa vadia e esse idiota estavam se agarrando aqui, é isso o que aconteceu! — James disse, nervoso, e Gina olhou-o.
— Não fale assim, James. — E então virou os olhos para a sobrinha, que tentava acalmar as crianças mas também estava em meio às lágrimas. — James, seu quarto, AGORA! Seth, eu vou pedir que nos dê licença e vá para sua casa também, a situação não está boa. — James saiu pisando duro feito criança e bateu a porta do quarto, arrancando uma careta de Ginny.
— Certo. — Bufou o loiro, mas foi até Molls e beijou a testa dela antes de aparatar. Completamente envergonhada pelo que havia feito com o filho de sua tia Ginny morando na casa deles, Molls não a olhou. Seu choro era silencioso, e seus olhos estavam fixos nos pequenos bebês. Hector já havia dormido de novo, mas Megg estava agitada. A ruiva trouxe a menininha para seus braços e a abraçou como se buscasse perdão naquele aperto. Gina fechou a porta atrás de si e suspirou baixo antes de aproximar-se da sobrinha.
— Minha querida, o que aconteceu? — a mais velha perguntou, assentando-se de frente a ela e levantando o rosto de Molly pelo queixo levemente.
— Tia, eu prometo que vou arrumar um lugar pra nós três morarmos. Juro que não vou mais incomodar e muito menos ser ingrata do jeito que fui e… — A sobrinha disparou e parou quando soluçou alto, baixando novamente o olhar para Meghara, que parecia estar se acalmando. Ginny puxou a sobrinha delicadamente para um abraço, e afagou-lhe os cabelos.
— Molls, não se preocupe com isso, meu anjo… James só ficou com ciumes e… estourou. Você namorou com ele… sabe do que estou falando.
— Sim, eu sei….
— Não queria que vocês tivessem terminado. Vocês se faziam tão bem. — Molly assentiu, com mais uma dolorosa lágrima escorrendo por seu rosto. Depois de toda a ingratidão do dia, ela sentia que tinha que dar alguma explicação à tia sobre isso. Suspirou e então tomou coragem para continuar.
— Tia… quem é que o Hector te lembra?
— Hector? Ele tem traços parecidos com os do Jay quando pequeno, e até alguns de… — E então Ginny pareceu entender, levando os olhos arregalados à sobrinha.
— Exatamente… mas não acho que ele fosse entender, não é mesmo? — Sussurrou a mais nova, antes de suspirar.
— Tem razão… mas ele não tem que entender, Molls! Isso muda muito as coisas, você não vai sair daqui. Merlin! Eu sou avó! — Murmurou Gina, e as bochechas de Molly queimaram como nunca.
— Eu faço questão, tia. James me odeia e ele tem razão, não posso ficar. Eu agradeço de coração o que fez por mim e as crianças, mas… ele é seu filho, e agora eu entendo os sacrifícios que fazemos por essas criaturinhas.
— Mas Molls, pra onde você vai? Seu pai já não podia nem sonhar com um, são dois. Pior ainda… são do seu primo! Percy Weasley não vai deixar isso barato.
— Não vai contar a ninguém, não é, tia?
— Molls, James é o pai dessas crianças, ele precisa saber! Precisa participar, ajudar em todas as maneiras possíveis e assumí-los!
— Por favor, tia! Eu consigo fazer isso.
— Então me deixa ajudar! Harry e eu temos uma propriedade aqui em Godric’s Hollow, que compramos antes de virmos pra cá. Está inabitada, a não ser pela elfa que toma conta de lá por nós. Imóveis são caros e você não tem condições de adquirir um agora. Principalmente se não contar ao James! — Comentou a mais velha, e Molly suspirou.
— Eu sei. Tem certeza de que não vou atrapalhar em nada, tia? — Perguntou a adolescente, incerta.
— Claro que não, Molls. É o mínimo que podemos fazer pelas crianças e por você!
— Então está certo. Eu… poso me mudar hoje ainda?
— Hoje? — A mulher pareceu surpresa, e até um pouco desapontada.
— Vicky vem aí… posso pedir a ela que me ajude.
— Tudo bem, minha querida, se for melhor assim… — Respondeu a tia, que limpou as lágrimas dela e ergueu o rosto da mais nova. — Tem certeza de que não quer contar a ele?
— Absoluta. — Respondeu Molly de imediato.
— Então está certo. Quando for começar a juntar tudo me avise que eu ajudarei.
— Pode deixar. Obrigada, tia Ginny, muito obrigada por tudo. — Disse a garota, realmente agradecida, e a mais velha deixou os aposentos.
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