Criminal Ways
30 30. Segunda Chance
Notas iniciais
— Parece que faz séculos desde que passamos o feriado juntos — Katherine murmurou parando ao meu lado.
— Eu nem consigo acreditar que há um ano eu nem conhecia vocês.
— Verdade — Ela sorriu — Ah, e... Eu soube do que houve com você. E eu sinto muito.
— Eu também — Tentei sorrir de volta — Foi no início do mês passado, mas ainda estou me acostumando com a idéia.
— Elena, eu preciso falar sobre antes, o que eu te disse na casa do Damon, naquele dia...
— Não, Katherine, olha... — Suspirei — Eu não me importo mesmo, com o que aconteceu antes e todo o drama, mas o Jeremy é importante para mim. Você é importante para mim. Essa coisa com o dinheiro e o resto...
— Nunca foi pelo dinheiro — Ela baixou o olhar para os próprios pés — Nunca foi... Eu acho que só me acostumei com as pessoas pensando o pior de mim.
— Você tinha razão — Desviei o olhar para a mesa, onde todos estavam, Nic e a esposa estavam rindo junto a Josette e Kai. Bonnie e Damon tinham a atenção voltada para Sara que disputava pelo bolo com Nadia, as gêmeas louras estavam conversando com Jeremy e elas ainda me assustavam, todos os outros pareciam distraídos observando o quão era estranho estar juntos outra vez — Eu sempre vou amar meu irmão, e sempre fiz e vou fazer o que for preciso por ele, mas eu não sou boa cuidando dele, tá? Eu sei disso. Eu falhei com o Jeremy antes, mas nós duas podemos tentar fazer melhor dessa vez, juntas.
— Uma segunda chance para nós duas?
— Isso mesmo — Sorri e Katherine assentiu lentamente por fim me abraçando.
— É bom finalmente ter a família unida.
— Vocês vêm ou não? — Kai chamou erguendo a estrela às nossas vistas — Temos uma árvore para decorar.
— Eu adoro o Natal — Katherine riu e fomos para junto dos outros.
…
— É muito bom estar em casa outra vez — Nik disse depois de uma longa fala, e entregou uma xícara de café para mim, outra para Damon.
— Foi um longo ano — Elijah disse — Mas eu acho que não poderia ser melhor. É o fim do qual precisávamos
— Não é um fim — Damon disse passando os braços à minha volta — É um recomeço — E me beijou.
Um recomeço. Isso era justo, mais do que justo.
— Eu não poderia descrever melhor — Concordei, desviando os olhos para a janela larga que dava uma vista maravilhosa do céu enquanto as primeiras estrelas surgiam e a luz alaranjada se ia aos poucos.
A campainha tocou, e Nik foi até lá enquanto Elijah e Damon se provocavam.
— E então, Elijah, como vai a aposentadoria?
— Me diga você — Ele riu — Essa calmaria deve ser a coisa mais estranha que enfrentamos por todos esses anos, irmão.
— Mas está tudo bem agora — Katherine interrompeu ergueu a taça que segurava como num brinde — Vocês vão ficar longe de confusão e todos nós vamos continuar sendo essa grande e problemática estranha família feliz.
— Isso é verdade — Klaus disse voltando para a Sala — Mas talvez amanhã — E exibiu uma expressão preocupada que aderiu à um sorriso aos poucos — Tem um policial lá fora chamado Frederick Martin que parece ter jurado enfiar todos vocês na cadeia pela morte de um tal de Alarick Saltzman.
— Oh, droga — Kath escondeu o rosto entre as nãos — Eu havia me esquecido completamente dele!
— Isso foi o Jeremy, ou o Tyler?
— Ambos, eu acho. Realmente havia esquecido de toda essa história.
— Eu também — Elijah franziu a testa — Deve ser por isso que o Kai cuida dos negócios agora.
— Tudo bem, tudo bem — Damon beijou minha mão e ficou de pé — Que tal uma última rodada para nós, irmãos?
— Eu acho muito justo — Klaus sorriu e Elijah passou as mãos pelo terno, antes de encarar Kai com um ar superior.
— Aprenda com quem sabe, garoto.
— Acha que devíamos ajudá-los? — Perguntei quando os três se afastaram.
— Não — Katherine sorriu sentando ao lado de Kai — Deixe-os alguma diversão. O Kai vai ter muito tempo para por as coisas nos trilhos depois.
— Recomeço — Kai repetiu — É do que todos nós precisamos, não é?
— É — Sorri — É do que todos nós precisamos.
…
Cinco anos mais tarde;
Sara estava correndo pela sala com os gêmeos, as louras e Nadia. Kai estava rindo enquanto segurava uma daquelas xícaras de chá das que Nic costumava beber. Ele também estava vestido como Elijah costumava se vestir, puramente formal, mas ainda era essencialmente mais parecido com Damon.
— Você está feliz? — perguntei e não sei dizer bem o motivo. Talvez só achasse absurdo o quão bem ele se adequava àquela vida, melhor do que qualquer um de nós. Nem mesmo Tyler vivia tão bem em meio ao caos, mas Kai? Ele parecia naturalmente predestinado.
Recebi um sorriso como resposta. Um calmo, manso, mas ainda intenso, que trazia um ar opaco à clareza de seus olhos. E foi nesse instante que Bonnie se juntou à nós. Eles deram as mãos e minha atenção foi desviada à aliança em seu dedo.
— Eu tenho motivos para não estar? — Foi o que ele disse. Eu quis dizer que uma pergunta usada como resposta nunca é o suficiente, mas foi. Retribuí seu sorriso, ignorando a porção de armas que sabia haver sob seu paletó.
— Vocês precisavam se mudar para tão longe, não é? — Katherine caiu no sofá com um olhar revoltado e por incrível que pareça do curto espaço entre a cozinha e a sala ela já tinha uma taça em mãos — Uma casa com quintal? É sério? Você transformou o Damon numa garota mimada e rica dos anos noventa.
— Nem todo mundo precisa de uma cobertura em Bel-Air.
— Todo mundo precisa de uma cobertura em qualquer lugar — Ela revirou os olhos — E ainda assim, é culpa da campanha eleitoral do Elijah. Mas nós não falamos de negócios em casa, não é Kai?
— Como minhas tias preferidas quiserem.
— Finalmente, o Zack dormiu — Damon veio até mim e me abraçou. E então eu soube, que não. Ninguém precisa de uma cobertura em qualquer lugar, ou uma casa com quintal de qualquer modo. “Lar” É qualquer lugar onde quem quer que você ame esteja. E onde quer que eu estivesse se Damon estava do meu lado eu me sentia em casa.
— Eu desisto de contar quantos filhos vocês já têm.
— Talvez a próxima geração seja tão grande problemática quanto essa essa.
— Eu juro que mato a maioria antes de darem a metade dos problemas que vocês causaram — Kai disse e por instante todos nos calamos e o encaramos tentando decidir se ele estava mesmo brincando, mas acho que nunca saberemos.
No fim todos rimos.
— O importante é estarmos em casa — Disse erguendo os olhos pra Damon,com a certeza de que uma eternidade de aflição valeria à pena por aqueles instantes de plena alegria — Sempre estaremos.
— Sempre — Bonnie assentiu encarando o Kai.
— E para sempre — Damon sorriu, e se inclinou para me beijar.
E sabia que estávamos longe do fim. E coisas ruins e sombras sempre voltariam para nos assombrar. Eu sabia que aqueles momentos de felicidade plena eram exceções. Mas são as exceções que fazem a dor de todo o resto valer à pena.
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