Criminal Monsters: One Case to Solve
4 Capítulo 4 - I'm gonna get you
Notas iniciais
POV da Autora:
As irmãs dormiam tranquilamente, pouco mais que suas habituais 4 horas de sono, quando ouviram batidas insistentes à porta. Resolveram ignorar, pensando que iriam desistir, porém as batidas continuaram. Mais insistentes. Mais chatas.
— Giulia, abre a porta. – Gio resmungou com a cara enfiada no travesseiro.
— Vai você. Você é a mais nova. – Giu rebateu com a voz sonolenta.
— E você ta mais perto. – A caçula puxou as cobertas até a cabeça. – Eu vou te bater se você não levantar a sua bunda da cama e abrir a desgraça da porta.
— Que medo. – Giulia não tinha forças nem para revirar os olhos direito, mas mesmo assim levantou para abrir para as criaturas chatas que interrompiam seu sono, sabendo que a irmã era capaz de bater com sua cabeça no batente da porta se a incomodasse demais.
— Que foi? – A delicadeza em pessoa abriu a porta com tudo, encarando as quatro pessoas que se encontravam ali. Ela semicerrou os olhos ao ver que o Winchester mais velho tinha um sorriso enorme estampado em seu rosto e encarava a moça. Também pudera, usava um shorts bem curto e uma regata apertada.
— Bom dia para você também. – Ele continuava com aquele sorriso. Os quatro entraram no quarto: Sam, Dean, Reid e JJ. – E para o burrito humano deitado na cama.
— Vai se ferrar, Winchester. – Giovanna o xingou da maçaroca dos cobertores e Giu deixou escapar um riso.
— Então, o que querem fazer hoje? – JJ perguntou.
— Acho melhor todos nos encontrarmos em uma lanchonete aqui perto. – Giulia sugeriu. – Podemos trocar idéias enquanto comemos.
— E depois eu que sou a faminta. – Gio riu, arrancando uma risada da irmã. – É uma boa sugestão.
— Conhecendo o burrito humano aqui, já sei que vai demorar séculos para se arrumar, então é melhor irem na frente. – Giulia observou, pegando as roupas que estavam separadas na cadeira. A irmã nem reagiu, só ficou lá, enrolada nas cobertas, cumprindo a função de um burrito humano. – Pode ser na lanchonete aqui do lado.
— Ok. – Os quatro saíram, deixando as duas irmãs sozinhas novamente.
Após alguns instantes, Giovanna resolveu acordar definitivamente. A moça ostentava uma juba enorme e o pijama totalmente amassado, mas pouco se importava, agora era só sua irmã que estava presente no quarto. Se trocou ali mesmo, fechando as janelas e trancando a porta para ninguém indesejado entrar. Vestiu uma camiseta mais larga branca, de ombro caído, jeans, botas pretas longas e sua inseparável jaqueta de couro.
— Como estou? – Giulia saiu do banheiro usando uma blusa rosa salmão e uma saia florida combinando. Era apropriado, já que iriam apenas tomar café/almoçar e depois se encontrariam para caçar à noite.
— Parece que você vai dar um passeio pelo parque. – Gio riu. Giulia deu uma risadinha e revirou os olhos. – Eu gostei, ficou bem.
— Parece que você vai para uma festa. – Giulia devolveu e atirou uma almofada na irmã. – Mas também está ótima.
— Quero estar pronta para mais tarde. – Giovanna deu de ombros. – Só quero ver como vai ser hoje à noite.
— Tenho certeza de que vamos nos divertir muito. – Giulia falou para si mesma. – Ok, agora vamos logo, já demoramos demais com toda essa função!
Elas saíram rapidamente do hotel, indo direto para a lanchonete que haviam combinado de se encontrar. Encontraram facilmente o Impala dos Winchesters e as caminhonetes pretas dos agentes estacionadas ali.
— Demoramos? – Giulia perguntou jogando a bolsa em cima de uma das mesas. Haviam pegado duas mesas para acomodar tanta gente ali.
— Não muito. – Blake respondeu. – Chegamos aqui agora também.
— Ainda nem deu tempo de pedir a torta. – Dean deu um meio-sorriso olhando para Giulia.
— Vou fazer os pedidos. – Giovanna se levantou olhando para todos. – Socializem.
— Sabe, ela é uma garota legal. – Giulia sentou ao lado de Spencer, os dois olhando a mais nova no balcão conversando com uma garçonete. – Giovanna pode ser uma baita chata de vez em quando, mas só não está acostumada a trabalhar com qualquer outra pessoa, ainda mais com o FBI.
— Por que isso? – Ele perguntou.
— Gio não confia em mais ninguém além de mim, eu sou a pessoa mais próxima dela no momento. – Giulia deu um sorriso fraco. – Não estou tentando parecer pretensiosa ou importante demais, estou dizendo algo que não devia. Depois de termos passado por tanta coisa, acabamos por desenvolver alguns problemas de confiança.
— Deve ser difícil para vocês. – Ele disse após algum tempo e ela ficou sem entender. – Não ter para onde ir, sobreviver de cartões de crédito falsos, passarem por tanta coisa com tão pouca idade...
— Já nos acostumamos com isso. – Giu suspirou. – É a nossa vida, não tem como parar agora.
— Vocês poderiam se quisessem. – Reid falou. – Poderiam arranjar um emprego, começar uma família e esquecer tudo isso.
— Já tentamos e não deu certo. – A moça fitou-o nos olhos. – Naquela vez, Gio quase morreu e não estou disposta a repetir isso. Eu faço o meu melhor para proteger a minha família. – Ela respondeu secamente. – Você não entenderia. – Giulia se inclinou para frente e baixou a voz para um sussurro. – Você pode trabalhar no FBI e já ter alguma experiência em perdas, mas eu tenho certeza absoluta de que não entende nada sobre a dor que é ver um ente querido quase morrer por uma decisão estúpida. Eu sei o que é melhor para nós e não vou aceitar a opinião de um burocrata metido à besta que não sabe nada sobre caçar.
— Eu só quis ajudar. – Ele baixou os olhos, claramente arrependido de ter incomodado a caçadora.
— Voltei! – Gio chegou um pouco mais animada que antes. – Trouxe sanduíches e tortas para todos, agora vocês decidam quem vai pagar.
Giulia vestiu um enorme sorriso, rindo da irmã, porém deixando bem claro para que o federal mais novo não se metesse mais em seus assuntos. Seu celular começou a tocar, pegou-o e sorriu ao ver quem era.
— Hey, Bobby! – Giulia atendeu. – Ficou sabendo da...
— Que ideia foi essa de ajudar o FBI? – O homem interrompeu.
— Nossa, quanta irritação. – A moça falou surpresa. – Antes que você diga que ficamos malucas, os Winchesters estão aqui também e eles concordaram em nos ajudar.
Giulia não podia ver, mas do outro lado da linha Bobby estava quase tendo um enfarte.
— Desde que vocês não fiquem com problemas. – Ele disse ainda meio desconfiado. – Tratem de voltar vivas, não quero que sejam presas ou mortas.
— Qualquer coisa, nós temos um anjo em nosso favor. – Ela cutucou Gio que conversava animadamente com Sam e fez menção para que esta pegasse o aparelho. – Quer falar com a minha irmã esfomeada? Ela está aqui do meu lado.
Giulia riu e Giovanna mostrou a língua, tomando o celular das mãos da mais velha.
— Oi Bobby. – A moça o cumprimentou. Ela pôde ver os Winchesters e os federais virarem em sua direção. – Não posso falar muito, mas tem um pessoal que quer falar com você. Só tenta não xingar demais, porque são eles que estão aqui.
— Vou tentar me controlar. – Bobby resmungou, entendendo a indireta. Já estava sendo complicado as moças estarem trabalhando com federais, e agora teria que falar com eles?
— Tudo bem. – Ela disse um pouco aliviada. Não queria arranjar mais problemas com eles. – Ok pessoal, vou colocar no viva-voz.
— Conheçam Bobby Singer. – Giulia disse sorrindo. – O nosso velho rabugento favorito.
— Vai se catar. – Ele resmungou.
— Viram? Um amor de pessoa. – Giovanna comentou rindo.
— Enfim, Bobby, tem alguma coisa para nós? – Sam interrompeu, voltando ao assunto.
— Acho que sim. É provável que tenha sido um vampiro, pelas fotos que vocês mandaram. Tenho certeza disso. – Ele fez uma pausa. – Obviamente os agentes não sabem como matar um vampiro, então vou explicar curto e grosso: cortem a cabeça do desgraçado. Simples assim.
— E você ficou sabendo que a dona Giovanna é amiguinha de um vampiro? – Giulia perguntou com um sorrisinho minúsculo no rosto, enquanto a irmã a encarava incrédula.
— Giovanna Marie Brooks, que história é essa? – Bobby inquiriu. Giovanna fuzilou a irmã com os olhos, enquanto esta dava risada da situação da caçula.
— Agora se vira. – Giu sussurrou para a irmã.
Enquanto Giovanna tentava explicar para Bobby o que era aquela amizade (já fora do viva-voz, claro), Giulia conversava com os outros.
— Marie? – Sam perguntou.
— Pois é. – A moça começou a explicar. – É mais uma homenagem às famílias de nossos pais. Meu nome, por exemplo, é Giulia Laurie Brooks, em homenagem à nossa avó paterna e o de Gio é em homenagem à nossa avó materna.
— Interessante...
— Toma a droga do seu telefone, Giulia. – Giovanna interrompeu, atirando o aparelho para a mais velha, com uma falsa irritação.
— O que ele disse?
— Teve um ataque, mas eu consegui explicar tudo. – A moça riu. – Aliás, ele ainda ta na linha.
Giu colocou a ligação no viva-voz novamente.
— A sua irmã vai acabar fazendo uma idiotice extrema, é melhor que vocês cuidem dela. – Bobby falou rabugento. – O vampiro pode estar enganando ela.
“Considerando as pessoas com quem estão andando no momento... Elas devem ficar bem.”, O homem concluiu.
— Mas e se...
— Ai, Hotch, cala a boca por um segundo! Não aguento mais ouvir você reclamando de que não possa ser uma criatura. Aceita que é e pronto. – Giovanna esbravejou e o agente ficou quieto, com os olhos do tamanho de um pires. Todos seguravam o riso, até mesmo Bobby que ouvia tudo do outro lado do telefone. – Pode falar agora, Bobby.
— Winchesters, agentes, cuidem das meninas com a vida de vocês. – Ele mandou. – Não quero que elas morram nessa empreitada maluca. Sam, Dean, cuidem-se também. Agentes, fiquem sabendo que esses quatro idiotas são muito impulsivos, acabam fazendo qualquer besteira do nada, então quero que vocês não deixem isso acontecer de jeito nenhum. Até mais.
E desligou.
— Agora que vocês já sabem como fazer tudo, nos vemos à noite. – Giulia disse. Elas levantaram, mas Sam agarrou a mão de Gio.
— Ei, ei. Ainda não decidimos aonde vamos nos encontrar. – Ele falou. Justamente naquele momento um garçom parou na frente de sua mesa.
— Com licença, mas um rapaz me pediu para entregar isso para “Bonham”. – Ele falou um pouco confuso. – Disse que estava nessa mesa.
— Sou eu! – Giovanna soltou a mão de Sam e foi até o garçom, curiosa. Ele entregou um papel a ela e então saiu.
Central Park, perto do lago, às onze da noite. Esteja lá, Brooks, não me deixe esperando.
– S
Era isso que dizia o bilhete.
— Filho da mãe. – Ela murmurou com diversão. – Bom, agora já sabemos aonde ir. – Ela sorriu. – Lago do Central Park às onze. Até mais.
***
— Giulia, eu te disse para deixar a jaqueta aí! – Gio gritou para a irmã que estava trancada no banheiro.
— Eu não vou sair do hotel sem essa jaqueta. – Giu gritou de volta. – Eu nunca saio sem ela em uma caçada!
— Bom, agora vai ter que aprender a sair, nós estamos demorando demais. – Giovanna sentou na cama e começou a calçar as botas. – Aposto que todos já vão estar lá quando chegarmos.
— Dá pra calar a boca?
— Depois eu que sou a lerda. – Gio murmurou.
— Eu ouvi isso!
Alguém começou a bater no quarto delas.
— Já vai! – Gio gritou. Levantou-se e abriu a porta, encontrando exatamente quem esperava.
— Prontas? – Dean perguntou com um facão apoiado no ombro, assim como Sam.
— Eu tô, agora a lesma que está no banheiro, obviamente não. – A moça ergueu a voz no fim da frase, mandando uma indireta bem direta à irmã.
— Giovanna Brooks, calada. – A mais velha finalmente estava pronta. Estava com uma camiseta xadrez, jeans e botas pretas com sua jaqueta no ombro. Dean ficou besta ao ver a aparência da moça. – Eu vou levar e fim de papo.
— Como quiser. – A mais nova bufou. – Agora anda logo, você já demorou demais!
— Fecha a boca que se não entra mosca, Dean. – Giulia brincou tocando levemente no queixo do homem.
— Vamos nos encontrar com os federais no lago? – Sam perguntou.
— Já resolvi isso. Reid, JJ e Rossi vêm conosco enquanto Morgan, Blake e Hotch ficam no hotel pesquisando. – Giovanna respondeu parando na porta. – Vamos logo, estamos atrasados.
***
Giovanna, Giulia, Sam, Dean, Rossi, JJ e Spencer chegaram ao Central Park, prontos para encontrar o vampiro, enquanto o resto da equipe ficava no hotel pesquisando.
— Logo mais ele aparece. – Giovanna garantiu depois de algum tempo, dando uma mordida no algodão-doce que comia. – Ele sempre cumpre as promessas que faz.
Estavam quase desistindo, quando um rapaz se aproximou. Era idêntico a foto que Giovanna havia mostrado há alguns dias atrás, mas pouca coisa mudava. Os cabelos castanhos estavam mais escuros, os cachos caindo sobre seus olhos, a pele era pálida e parecia fria, os olhos azuis e observadores analisavam tudo ao seu redor, mas logo pararam fixos na Brooks mais nova. Ele abriu um meio-sorriso, deixando uma das presas à mostra.
— Sentiu minha falta? – Ele perguntou com os braços abertos.
— Mas é claro, imbecil! – A moça correu na direção do vampiro, rindo, abraçando-o logo em seguida. Ele retribuiu o abraço, ainda mantendo o sorriso. – Esse é Sebastian, que me abandonou depois de dois anos. – Ela deu um tapa de leve no braço dele.
— Mais respeito comigo, Brooks. – Ele advertiu, debochando. – E esses quem são? – Sebastian perguntou se referindo aos outros seis acompanhantes.
— Ah, essa é Giulia, minha irmã, Sam e Dean Winchester – ela apontou para os dois irmãos. O vampiro estreitou os olhos quando olhou para eles, porém ninguém percebeu. – Agentes David Rossi e Jennifer Jareau e o Dr. Spencer Reid. O resto do pessoal ficou no hotel.
— Antes que me pergunte, não fui eu que matei aquelas mulheres. – Sebastian disse, percebendo a ansiedade da moça. – Eu, por acaso, fiquei sabendo que você estava na cidade e tive que dar um “oi”.
— Você tem alguma ideia de quem possa ter feito isso? – Giulia interrompeu o “momento reencontro” dos dois.
Ele pareceu pensar um pouco.
— As cabeças foram arrancadas e as entranhas retiradas... Vocês viram alguma outra marca nos corpos? – O vampiro perguntou diretamente aos caçadores, sabendo que eles certamente haviam ido ao necrotério.
Os quatro se entreolharam.
— Ficamos de ir ver os corpos novamente amanhã para analisá-los melhor. – Sam respondeu hesitante.
— Não vai ser preciso. – Spencer deu um passo à frente e os olhares de todos se voltaram para ele. – Blake me mandou as fotos que ela tirou no necrotério. E ainda tem esse bilhete estranho. – Ele estendeu o celular e o papelzinho para Sebastian.
Ele pareceu ficar ainda mais pálido do que já era. Algo o incomodava, porém não demonstrou preocupação.
— Acho que seria melhor se não se envolvessem nesse caso. – Ele falou sério, jogando o celular para Giovanna e os caçadores verem as fotos e então amassou o bilhete, guardando-o no bolso. – É muito perigoso.
A moça deu uma risada sem muito humor.
— E o que tem de tão perigoso nesse caso?
Sebastian e Giulia sabiam que Giovanna não ia desistir daquilo tão fácil.
— Vocês não perceberam o “V” nos braços de cada vítima, não é? Essa é a marca de Vladimir Vasily, o próprio Estripador de Londres. O que vocês chamam de “Jack, o Estripador”. Ele é um monstro sanguinário, que não tem um pingo de misericórdia para com suas vítimas. A letra no papel é dele também, e pelo que vejo, ele não parece ser muito amigável. Duvido que saiam vivos dessa.
Os agentes ficaram surpresos com aquela revelação, já que ninguém nunca conseguiu pegar o bandido, nem ao menos vê-lo uma única vez.
— Que fofo, ele se preocupa com o meu bem-estar. – A moça foi em sua direção. – Você sabe que eu já me meti em coisa bem pior que isso, não estou com medo.
— Mas deveria estar. Você pensa que vai ser mais um daqueles casos fáceis de matar um monstro e sair da cidade, porém é algo completamente diferente. Ele vai procurá-los e vai matá-los.
— Eu estou acompanhada dos melhores caçadores de meu conhecimento e da melhor unidade do FBI. Não tenho porque me preocupar. Eu confio a minha vida a eles.
A distância entre eles diminuía.
— Você se lançar de cabeça no desconhecido e vai sair machucada. – Ele advertiu, se divertindo com a conversa. – Eu temo que não saia viva dessa vez. Como eu disse, é perigoso demais.
— Então eu convido vossa senhoria a nos acompanhar nessa caçada. – Giovanna sussurrou, arrancando um sorriso de Sebastian. – Já que se preocupa tanto, tenho certeza de que vai adorar cada segundo cuidando de mim. O que me diz?
— Eu aceito. – Ele respondeu ainda sorrindo e os dois se afastaram.
— E então? – Dean perguntou. – Como vai ser?
— Temos mais um em nosso favor. – Gio disse vitoriosamente.
— Vai ser bom finalmente acabar com aquele desgraçado. – Sebastian disse com um sorriso sarcástico. – Ele dizimou milhares de outros vampiros além dessas quatro.
— Esse é o espírito. – Giu sorriu.
— Caso estejam se perguntando, aquelas primeiras vítimas de Vlad, as prostitutas de Londres, eram todas vampiras. – Sebastian suspirou. – Deu para notar que ele realmente odeia vampiros.
— Sabe se tem alguma informação sobre ele em algum lugar? – Sam perguntou, folheando o diário de John na esperança de achar alguma coisa.
— Provavelmente na biblioteca, Sam. – O vampiro continuou com o sorriso sarcástico. – Podem não saber muito de Vlad, mas ele tem outras identidades. Ele seria burro em revelar seu verdadeiro nome às pessoas, sabem como é. Encontro vocês amanhã, duas da tarde na biblioteca.
E desapareceu nas sombras.
— Muito bem, vamos voltar para o hotel, precisamos estar bem acordados amanhã. – Giulia começou a caminhar em direção ao portão de entrada, porém parou na frente de Dean. – Ah, e Dean, não faça mais nenhum barulho hoje à noite, a menos que queira dormir com um olho aberto esta noite.
— E por que eu deveria obedecer? – Ele provocou.
— Digamos que eu tenha uma grande habilidade com facas... – Ela rapidamente pegou uma pequena faca de prata e apontou para Dean. – Tenho certeza de que não vai querer ser um alvo.
Giovanna e Sam esconderam o riso ao ver a cara que Dean fizera.
— Tudo bem, delicadeza, vamos voltar. – Ele respondeu sem discutir e a moça guardou o objeto.
— Eu te devo uma. – Giovanna disse alcançando a irmã, que já estava entrando no Caprice. – Eu realmente preciso de uma boa noite de sono.
— Eu sei que sou demais! – Ela brincou, jogando o cabelo para trás e fazendo a caçula rir.
— Ta, convencida, vamos dormir que o dia vai ser cheio amanhã. – Gio se espreguiçou no banco do passageiro.
Antes que Giulia pudesse dar partida no carro, a porta dos bancos de trás foi aberta.
— Olá. Vou voltar com vocês para o hotel. – O vampiro fechou a porta.
— Tem certeza disso? – Giulia perguntou finalmente dando partida. – Estamos com caçadores e agentes, não acho que seja uma boa ideia.
— Não ligo. – Ele abriu um sorriso divertido e sarcástico.
As irmãs Brooks se entreolharam e deram de ombros, cansadas demais para argumentar com o vampiro, então apenas foram ao hotel a fim de descansar um pouco.
— Ei, ei, ei, o quê você está fazendo aqui? – Giovanna protestou quando Sebastian entrou junto com elas no quarto.
— Vou ficar aqui com vocês. – Sebastian deu de ombros. – Ou você não gosta da minha companhia?
— Nada contra, eu até acho ótimo, mas pelo menos tenha a decência de pedir um quarto só para você. – A moça rebateu.
— Já está tarde, não vou pedir um quarto agora. – Ele replicou.
— Então vai dormir no chão, não quero nem saber. – A caçula apontou para o carpete. – Ou no sofá, tanto faz.
Giulia ainda não havia dito nada. Parecia estar concentrada em alguma outra coisa.
— Vocês podem me ajudar nisso? – Giu chamou a atenção da irmã e do vampiro. – Uma simples vingancinha.
Giovanna e Giulia trocaram olhares de cumplicidade e abriram sorrisos um tanto... Maléficos, por assim dizer. Sebastian as encarou confuso.
— Nós deixamos você ficar aqui se nos ajudar em algo. – Giulia começou.
— Os Winchesters nos sacanearam e, veja bem, ninguém sai vivo se faz isso conosco. – Giovanna continuou.
— E para fazer a pegadinha perfeita, precisamos da sua ajuda. – Elas falaram juntas. Ele aderiu ao sorriso maléfico das duas irmãs, finalmente entendendo do que se tratava. Ele já tinha feito uma pegadinha com Gio e acabou careca por causa do creme de depilação que a moça havia colocado no xampu como vingança. Demorara muito tempo para seu cabelo voltar para o comprimento normal.
— Eu preciso de tinta rosa. Rosa choque de preferência. – Giu levantou animada, procurando por um balde para colocar a tinta.
— Sebastian, eu preciso que você pegue a chave do quarto 16. Já tenho tudo em mente. – Giovanna empurrou o vampiro para fora do quarto e começou a procurar cordas e a tinta rosa que a irmã pedira.
— O que você vai fazer? – Giu perguntou divertidamente.
— Nós vamos fazer o seguinte: Enquanto eu coloco o balde em cima da porta, você entra lá e bota os alarmes para despertar no meio da noite. Eles vão acordar e desligar os alarmes, mas vão tropeçar na corda que eu vou ter amarrado na cômoda e na mesa. Vão cair em cima da maçaneta e a porta vai abrir, derrubando o balde com a tinta em cima deles. – Gio explicou triunfante. – E nós teremos a nossa vingança.
— Você é demais. – Elas bateram as mãos em um cumprimento.
— Eu sei. – Giovanna sorriu com falsa arrogância e jogou os cabelos para trás.
— Convencida. – Giu revirou os olhos rindo.
— Peguei a chave. – Sebastian entrou correndo com um sorriso travesso no rosto. – E o número da recepcionista.
— Arrasando corações. – Gio provocou. Ele só mostrou a língua, enquanto Giulia os puxava para fora do quarto.
O vampiro abriu a porta lentamente e deu passagem para as moças entrarem. O quarto estava escuro e silencioso, apenas a respiração dos irmãos podia ser escutada e, vez ou outra um deles se mexia na cama. Tentando fazer o mínimo de barulho possível, Gio armou todos os alarmes (relógios, celulares, etc.) para tocarem às três da manhã e Giulia amarrou a corda na mesa, fazendo uma armadilha. No fim foi Sebastian que colocou o balde em cima da porta.
— Giu, vem me ajudar! – Gio sussurrou. A mais velha foi até a caçula e percebeu o que esta queria fazer: roubar as malas dos Winchesters.
— Jura que você quer roubar as malas deles? – Giulia perguntou incrédula. – Você é louca!
— Eles colocaram pó de mico nas nossas roupas. – Giovanna rebateu. – Eles merecem.
E assim aconteceu, os três voltaram para o quarto e dormiram... Até que começou a barulheira. Os alarmes tocaram, a porta foi aberta com violência e então...
— Mas que... – Eles conseguiram ouvir Dean falar, mas um barulho de metal se chocando contra o chão foi ouvido e eles sabiam o que havia acontecido: o balde de tinta rosa havia caído em cima dos Winchesters.
— Gio, finge que está dormindo, eles vão desconfiar de nós. – Giulia apressou a irmã, que já estava vermelha de tanto rir, a se deitar na cama. Sebastian apagou as luzes e se atirou no sofá da salinha, Giu pulou na cama e se cobriu até o pescoço e Gio deitou o mais rápido que conseguiu. Na hora que conseguiram fechar os olhos, alguém bateu violentamente na porta. Giu bagunçou os cabelos, amassou o pijama e fez cara de sono para parecer que já estava dormindo há bastante tempo.
— O que foi? – Ela perguntou esforçando-se ao máximo para não rir. Em sua frente haviam dois seres completamente pintados de rosa e furiosos.
— O que vocês fizeram? – Dean inquiriu cruzando os braços.
— Não fizemos nada. – Giulia se fez de desentendida. – Estávamos dormindo até vocês nos acordarem.
— Então os alarmes simplesmente dispararam sozinhos e o balde apareceu em cima da porta? – Ele ironizou.
— Não teríamos como ter feito isso, nem tínhamos como entrar no seu quarto! – A moça se defendeu, agradecendo mentalmente a Deus por Sebastian ter devolvido a chave logo depois de terem aberto a porta.
— O quê vocês estão discutindo aí? – Giovanna apareceu, esfregando os olhos.
— Sobre vocês terem nos pintado de rosa. – Sam respondeu claramente irritado.
— Não fizemos nada. – Gio deu a mesma resposta da irmã. – Parem de nos encher o saco, estão tomando o tempo que poderíamos estar usando para dormir.
— Admitam que foram vocês. – Dean mandou. – Ou não sairemos daqui.
— Fiquem parados aí na porta até o sol nascer, por mim tudo bem. – Giulia deu de ombros e voltou para a cama. – Gio, fecha a porta, está começando a ficar frio.
— É pra já. – Giovanna fechou a porta na cara dos Winchesters e voltou para a cama com um sorriso no rosto. Finalmente haviam se vingado pelo pó de mico.
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