Criminal
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Ela viu os faróis do automóvel através da janela, ele dirigia lentamente procurando o endereço, e parou diante da entrada da garagem.Os faróis foram apagados.
Ela se afastou da janela e ficou em pé na sala, sentia o coração disparado e suas mãos estavam suadas, as secou na calça legue que colocara após um breve banho, a campainha a assustou a fazendo encarar a porta rapidamente, o estômago parecera dar uma volta completa de 360 graus. Não estava preparada para uma conversa depois de tanto tempo, mas lá estava ele, do outro lado da porta a esperando abrir, e a culpada era dela pois ela o chamara.
A campainha soou novamente e ela se aproximou tocando a pontas dos dedos na maçaneta fria, suspirou fechando os olhos, abriu a porta deixando uma breve brisa de verão entrar, e lá estava ele, lindo como sempre, o olhar dele procurou o rosto perfeito da mulher e quando se encararam ele sorriu.
— Entre — ela falou dando passagem a ele, nenhum beijo, sorriso ou abraço de sua parte.
Ela estendeu as mãos pegando os sacos que ele carregava enquanto ele retirava a fina jaqueta que usava, esse simples movimento a fez sentir o cheiro amadeirado dele.
Andou em direção a cozinha colocando os sacos contendo a comida sobre a mesa, escutou passos e se virou o vendo com as mãos nos bolsos da calça.
— Posso lhe servir algum drinque?
— Claro
— O que prefere? — ela perguntou ainda o encarando.
— O que tiver — ele falou sorrindo de lado.
— Acho que vai se arrepender de não ter escolhido — ela falou sorrindo, talvez o melhor fosse relaxar, o viu se encostar no balcão e cruzar os braços.
Abriu a geladeira, pegou o suco de uva e algumas amoras que estavam perfeitamente lavadas e guardadas dentro de um recipiente de vidro, andou em direção ao balcão parando ao lado dele enquanto pegava a coqueteleira elétrica, adicionou uma quantidade de vodca e os ingredientes que pegara, bateu a mistura com gelo, sentindo o recipiente começar a gelar.
Virou o rosto o encarando vendo o perfil perfeito.
— Pode retirar as coisas da sacola por favor — ela falou e o viu concordar com a cabeça.
— Vamos comer na sala pode ser? — ele perguntou e ela concordou em silêncio.
Enquanto o via se afastar pensou nas possibilidades daquela noite, ela iria apenas se magoar novamente? Despejou o conteúdo em dois copos de martíni que havia sobre o balcão e andou em direção a sala, o viu arrumando diversas quentinhas de alumínio sobre a mesinha de café no centro da sala, se aproximou pousando ambos os drinques sobre a mesinha.
Se sentou ao lado dele no chão.
— O que temos? — ela perguntou enquanto o via dar um longo gole em seu drinque. Queria ficar bêbado Joshua? Seria tão ruim assim se encontrar comigo novamente? Ela pensou enquanto o via abrir uma das quentinhas.
— Batatas assadas, manteiga derretida, milho na espiga e o prato principal — ele sorriu em sua direção enquanto abria um grande recipiente de isopor, revelando duas lagosta vermelho vivo ainda fumegante — Se lembra como come? — ele perguntou e ela riu.
Sim ela se lembrava, em uma de suas primeiras noites juntos ele a levara para comer lagosta, nunca havia provado e ao tentar rachar uma das garras da lagosta com o quebra nozes o alimento voara e cairá a alguns centímetros no chão o que os fez se encarar e ambos ter uma crise de risos dentro do restaurante parcialmente cheio, ele apenas a encarou e disse: Imagina você em uma cirurgia. E ela riu.
— Está com uma bela casa — ele comentou olhando ao redor da sala bem decorada.
Ela o encarou em silêncio, não sabia o que esperar daquela noite, e também não sabia o que ele esperava. Tudo nele era desconcertantemente familiar, seu cheiro, sua voz, o modo como seu cabelo negro estava perfeitamente penteado, e os pequenos detalhes que ela sempre adorou, o sorriso de lado, a camisa um pouco amassada como sempre ficava ao final de um dia e o rosto que nunca parecia cansado, mesmo após um dia de plantão.
Haviam se conhecido em uma conferência sobre medicina no terceiro mundo, ela apresentara documentos sobre a taxa de autópsia no exterior e ele sobre as diversas doenças que acometiam regiões mais pobres, já o havia visto nos corredores do hospital onde trabalhava e lá estava ele, vestido de forma elegante em pé na frente de todos, explicando com uma calma e serenidade impressionante.
Sentada no meio da platéia Elsa apenas o encarava, tocada pelo modo calmo com o qual ele falava, indiciando que países avançados poderiam ajudar os menos afortunados, onde doenças como Hanseníase ainda eram encontradas com frequência e mortes de crianças subnutridas.
Não era esse seu tema, mas não poderia deixar de falar a todos o que pensava, por mais que usasse uma quantia de seu dinheiro para próprio luxo, outra ele a doava para um hospital na África. Quando as luzes se acenderam e a palestra acabou ela andou em direção a ele pronta para iniciar uma conversa.
Ela o encarou entre a fumaça que saia da lagosta e quebrou o silêncio.
— O que queria falar comigo?
— Podemos jantar antes? — ele perguntou enquanto lhe estendia um quebrador de nozes.
— Gostaria de saber Joshua, estamos a meses sem nos falar ... — e agora você apareceu ela completou em pensamentos.
Ele suspirou e ela levou o drink já morno aos lábios o bebendo.
— Como vai o trabalho? — ele perguntou.
Ela deu de ombros antes de o responder: — Me mantem ocupada.
— Mais divertido do que trabalhar no hospital de Arendell?
— Digamos que as coisas mudam bastante quando tenho apenas de fazer autópsia de pacientes que morreram em UTI e de pessoas que foram brutalmente assassinadas.
Ele apenas balançou a cabeça.
— Como consegue lidar com isso? Por que deixou de fazer autópsias em hospitais limpos e normais para fazer algo assim?
— Eles não eram tão limpos — ela falou fazendo uma leve careta e ele riu.
Ela encheu novamente os dois copos com o restante que sobrara dentro da coqueteleira, voltou o olhar para ele.
— E você? Continua no hospital ? — ela perguntou e o viu concordar com a cabeça enquanto massageava a nuca de forma cansativa.
— Gosto de lá, recebi uma proposta para trabalhar em Quebec mas recusei.
— Por que? — ela perguntou juntando as perfeitas sobrancelhas.
— Gosto daquele lugar, não conseguiria apenas pegar minhas coisas e ir embora deixando todas as amizades que fiz para trás — ele falou a encarando e ela sentiu uma pequena pontada no peito, sabia que ele estava falando dela, mas o que ele queria?
Joshua esticou a mão pegando uma batata entre os dedos e a passando na manteiga derretida, ela apenas o imitou, começaram a comer em silêncio, ela pegou o quebra nozes e quando estava prestes a tentar quebrar a garra o escutou rir.
— O que foi? — ela perguntou o encarando.
— Me avise se eu precisar me abaixar — ele falou e ela riu, secou os dedos repletos de manteiga derretida no guardanapo que ele levara antes de segurar o quebra nozes com a firmeza de um cirurgião — Minha mãe ainda fala de você — ele falou e ela apenas concordou com a cabeça, a Sra. Green fora uma das pessoas que mais gostara de conhecer em sua vida e se sentia um tanto mal consigo mesma por ter se distanciado da senhora.
Ficaram em silêncio, duas pessoas que se amaram e que agora não sabiam o que fazer, em que pensar enquanto comiam a carne adocicada.
— Como vai Rachel? — ela perguntou levantando o olhar para ele.
— Não sei.
— Ela ainda trabalha no hospital ?
—Não, foi embora a alguns meses, decidiu desistir da enfermagem e agora trabalha em um escritório de RH — ele falou enquanto secava os dedos com calma no guardanapo.
— Ainda se falam?
Ele suspirou.
— Eu a vi alguns dias atrás mas só.
— Continuaram com os encontros depois que fui embora? — ela perguntou e sua voz soou fria.
— Elsa — ele sussurrou balançando a cabeça — Algum dia vai deixar de se enfurecer por causa disso?
— Não sei, qual seria sua reação se entrasse na minha sala e me visse agarrada com um de seus colegas de trabalho?- ela perguntou enquanto se levantava com a taça de martíni vazia, a colocou dentro da pia e se virou o vendo parado na entrada da cozinha.
— Foi um deslize — ele se defendeu e ela riu com desdém — Já se passou um ano.
— E nesse um ano a raiva que senti foi forte o bastante para me permitir afastar de você, assinar aqueles papéis e seguir minha vida.
O silêncio reinou por alguns segundos, ela viu o moreno andar em sua direção.
— Ainda sente raiva de mim? — ele perguntou e ela suspirou, não sabia o que sentia naquele momento, se era raiva, angústia ou esperança de algo se formar entre eles, algo concreto e duradouro — O que mais me incomodou foi o fato de você simplesmente ter ido embora. Que parecesse tão fria quanto a nossa separação — ele pousou uma mão em seu ombro, um toque quente e íntimo.
Era o único modo de sobreviver a tudo aquilo, ela pensou enquanto era abraçada, o hálito quente de Joshua aquecia seu cabelo, o único modo de fingir que nada daquilo havia ocorrido, de tentar lhe esquecer, mas agora você está aqui.
O moreno se separou do abraço com calma, segurou o queixo deliciado com os dedos o levantando e antes mesmo que um dos dois pudesse falar algo as bocas se encontraram, gostos conhecidos, ele a puxou de encontro a seu corpo e eles se encaixaram como antigamente, ao se separarem para recuperar o fôlego a loira se afastou, não podia ceder, aquele homem a magoara e ela sofrera por tempo suficiente para ficar cravado em sua memória.
Joshua se aproximou para mais um beijo quando ela se afastou.
— Não — ela falou enquanto se distanciava um pouco mais — O que está acontecendo aqui?
Ele a encarou com as sobrancelhas juntas.
— Elsa, foi apenas um beijo, você parecia abalada, não pensei ...- ele suspirou passando as mãos no cabelo — Apenas relaxe, esta fazendo parecer que sou um estranho.
— Estou relaxada, e além do mais, o que esperava? Que você aparecesse aqui conversássemos e após isso transássemos como se nada estivesse acontecido? Como se esse um ano que passou não significasse nada? — ela perguntou se virando em direção a janela da cozinha lhe dando as costas.
— Não era esse meu plano, achei que poderíamos ser amigos.
— Acha realmente que conseguiríamos? — ela perguntou ainda encarando a noite escura pela janela.
— Me dê um motivo para não tentarmos — ele falou e sua voz soou calma.
Ela suspirou, passou a mão no rosto cansada, depois de um dia exaustivo a única coisa que queria era uma companhia agradável e não uma discussão — Há muita história entre nós e você sabe disso — ela sussurrou.
— Isso não muda nada Elsa, eu lhe conheço, sei quem você é de verdade, quando não está com a fachada séria e fria que sempre demonstra em seu trabalho.
— Esse é o problema nos conhecemos bem até demais para tentarmos uma amizade, sempre vai haver atração — ela falou se voltando para ele.
Joshua riu balançando a cabeça.
— É isso que te incomoda?
Sim, era isso, atração, sexo, e era essas lembranças que tinha ao encará-lo de frente, das noites de prazer que tiveram após um longo dia de trabalho, ou até mesmo quando voltaram de uma visita da casa da Sra. Green e começaram a se agarrar em frente a casa, ambos desesperados, assim que a porta se abriu começaram a tirar a roupa um do outro, no escuro, ali mesmo na sala da antiga casa, um sexo brutal e frenético, sem se importarem com o chão de madeira.
— Podemos tentar novamente não? Já lhe disse que foi um erro — ele falou.
Ela respirou fundo abraçando o próprio corpo, o silêncio preencheu o local, ambos não sabiam o que falar, o toque do celular de Joshua assustou os dois, ele o pegou rapidamente finalizando a ligação.
— Quem era? — ela perguntou em um sussurro.
— Minha mãe, depois ligo para ela — ele sussurrou, ambos desconfortáveis para continuarem uma conversa.
— Deve ser algo importante, deveria ir para lá.
— Precisamos conversar.
— Acho que hoje não iriamos conseguir continuar uma conversa — ela falou abaixando o olhar.
Um longo suspiro preencheu o silêncio e ela levantou os olhos encarando os azuis cansados de Joshua e apenas agora ela viu as linhas cansadas ao redor dos olhos dele.
— Está bem, amanhã te ligo — ele falou se aproximando e depositando um beijo terno na testa dela, por um segundo a breve sensação de estender as mãos e o agarrar apareceu em sua mente, se manteve firme no mesmo local enquanto ele lhe dava as costas, escutou a porta da sala batendo e suspirou se segurando na pia.
(...)
Jack estava sentado no sofá, a sua frente na pequena mesinha de centro suas anotações sobre o caso, pousou a caneta sobre a mesinha observando a foto das duas mulheres, ambas médicas e grávidas, mas trabalhavam em locais diferentes, franziu a testa tentando conectar as duas, viviam em locais diferentes, como esse assassino as escolhera?
A batida na porta o fez se virar, se levantou com um suspiro e andou em direção a porta, a abriu vendo um homem moreno a sua frente, em uma das mãos um engradado de cerveja, Jack levantou uma sobrancelha antes de dar espaço para o moreno entrar.
— Oi — Hiccup falou dando um sorriso — Vim lhe fazer companhia — ele disse enquanto levantava o engradado de cerveja.
— Me fazer companhia, ou Astridd desmarcou o encontro? — Jack perguntou com um sorriso, viu o moreno suspirar.
— Ela precisou levar a mãe para o médico, não queria ficar em casa sozinho então lembrei que você nunca tem nada para fazer — ele falou enquanto andava em direção ao sofá, abriu o engradado de cerveja retirando uma — Ainda está gelada — ele apontou para as outras garrafas.
Jack se aproximou se jogando no sofá ao lado de Hiccup, pegou uma das cerveja a abrindo com as mãos, deu o primeiro gole com calma.
— Assisti o noticiário de final da tarde, belo show você e a doutora deram — Hiccup comentou quebrando o silêncio e Jack o encarou.
— Havia comentando.
— Não sabia que havia sido tão intenso — ele falou rindo, pousou os olhos sobre as diversas anotações que preenchiam a mesinha junto a foto das duas vitimas — É um dos piores casos que já pegamos — Hiccup sussurrou e Jack concordou com a cabeça.
— Merida quase desmaiou quando chegou — Jack comentou e o moreno o encarou — Ela se faz de durona mas foi um choque a todos, fiquei sabendo que o marido dela e a filha vão passar uns dias fora, a criança vai ter de passar com psiquiatra.
O silênico reinou sobre eles por alguns segundos.
— Estou pensando em chamar Astridd para morar comigo — o comentário do moreno fez Jack se engasgar com o gole que tomava.
— Como?
— Ora Jack, não somos mais tão jovens, sei o que quero da minha vida, quero me casar e ter filhos — Hiccup falou enquanto se encostava no sofá — E você ? O que quer?
— Não tenho o que reclamar da minha vida.
— Sério? — o moreno perguntou enquanto pousava a garrafa sobre a mesinha com cuidado para não sujar os papéis — Qual é Jack? Daqui uns anos vamos nos aposentar, não estaremos mais tão charmosos — ele falou rindo logo em seguida — e você ainda quer continuar sozinho nesse apartamento.
— Você está parecendo minha mãe falando — Jack o respondeu sorrindo.
— Você e Merida não deram certo? — ele perguntou levantando uma sobrancelha e Jack riu.
— Desde quando tivemos algo? Apenas brincamos, considero Merida uma irmã — Jack o respondeu enquanto terminava o último gole de cerveja.
—Ninguém? Eu vi a novata te encarando hoje, ela é bem gostosa — o moreno falou e Jack suspirou,
Havia reparado sim na novata, Charlotte a garota que fora aceita na policia de Atlanta a
alguns dias, era uma garota bonita, aparente um pouco mais nova que ele, loira de cabelos curtos.
— E a Doutora? — Hiccup perguntou e Jack o encarou saindo de seus pensamentos.
— A Rainha dos Mortos? — ele perguntou e Hiccup riu.
— Qual é cara, até eu que estou com a Astridd arrastaria um caminhão por aquela mulher — ele comentou logo em seguida ficando em silêncio — Não conta pra Astridd — ele falou e Jack riu alto.
Ele se encostou no sofá enquanto escutava Hiccup falar novamente as mesmas coisas que ele havia comentado de manhã. Reconhecia a beleza de uma mulher quando a via e de fato Elsa era geneticamente abençoada e poderia atrair qualquer homem apenas com um olhar e ele entre tantos não estaria imune, suspirou voltando a prestar atenção em Hiccup, era uma pena a Rainha dos Mortos ter construído uma barreira de gelo em torno de si.
— Sabia que ela era casada? — Jack falou impedindo que Hiccup continuasse sua explicação.
— Quem? — ele perguntou confuso.
— Elsa — Jack respondeu enquanto se esticava e pegava outra cerveja.
— Como ficou sabendo?
— Fiquei sabendo ontem, por incrível que pareça temos um amigo em comum, almoçamos juntos.
— Por quê ela se separou? — Hiccup perguntou visivelmente curioso. Hiccup comentava tudo que acontecia dentro da delegacia para o loiro que apenas fingia escutar na maioria das vezes, essa atitude lhe fazia lembrar de uma senhora fofoqueira, Jack riu com esse pensamento.
— Parece que ele a traiu — ele comentou como se fosse algo sem muita importância.
O moreno ficou em silêncio por uns segundos — Acho que por isso ela é daquele jeito — ele comentou e Jack concordou minimamente com a cabeça.
Uma pessoa ferida era capaz de se fechar em seu próprio casulo, ele já escutara essa frase uma vez e agora fazia sentido, muitas pessoas preferem conviver com a solidão ao medo de se magoar.
(...)
A morena adentrou a sala onde atendia, estava cansada e sua barriga de cinco meses já lhe causava um pequeno desconforto, acendeu as luzes com calma olhando ao redor, como havia sido capaz de esquecer os documentos, andou em direção a mesa abrindo a gaveta e pegando alguns envelopes, se levantou e seus olhos pararam sobre um embrulho sobre sua mesa, uniu as sobrancelhas confusa, o pegou o abrindo, retirou o tecido de um verde oliva, uma camisola de verão extremamente linda — a seda escorregava entre seus dedos — ela sentiu algo dentro da sacolinha e enfiou a mão dentro retirando uma chupeta azul, a um canto pendurado na alça da sacola um pequeno bilhete.
" Parabéns pelo bebê Doutora, de sua equipe de trabalho"
Ela sorriu contente pelo ato de seus colegas, colocou os presentes novamente na sacolinha e saiu da sala apagando a luz atrás de si.
Fale com o autor