Criminal

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Olá a todos voltei, a fanfic nem ficou tanto tempo em Hiatus rsrsrs, mas já vou avisando minhas provas ainda não acabaram então não tenho data certa para postar ( nunca tive mais srsrsrsr) E quem diria em 2 histórias em 1 dia é o meu novo recorde kkkkk . Aqui vai pessoinhas espero que gostem do capítulo e desculpem os erros....

Eram quase dez horas quando Elsa chegou a entrada de sua garagem, o portão branco abriu com um leve ruido e ela entrou, o portão se fechou deixando a garagem que acomodava perfeitamente dois carros escura, desligou sua mercedes benz recostando no estofado de couro, pegou a bolsa que estava ao lado abrindo a porta, sua mão foi direto ao interruptor, a luz brilhou iluminando a garagem bem arrumada com apenas algumas caixas a um canto, nenhum material de construção, nenhuma ferramenta, como para lhe lembrar que não existia ninguém para compartilhar aquele local com ela,era sempre essa visão que tinha e já estava acostumada, abriu a pequena porta entrando direto em sua cozinha, as luzes se acenderão automaticamente por conta do mecanismo que comprara assim que se mudou para casa, fechou a porta atrás de si a trancando, desligou o sensor de movimento permitindo que a luz não se apagasse quando saísse do cômodo, andou a passos preguiçosos em direção a sala, os saltos ecoando pelo piso laminado, pendurou a bolsa no armário que havia no hall e retirou o blazer azul marinho que combinava perfeitamente com seu vestido, retirou os sapatos agradecendo mentalmente quando pisou com os pés desnudos no chão, os dias estavam cada vez mais quentes naquele verão em Atlanta, ligou o ar condicionado.

Fazia apenas seis meses que se mudara para Atlanta e nesse tempo havia passado ocupada, conhecendo o local que iria trabalhar, sua nova rotina, a nova cidade e mobiliando seu novo lar, cada móvel havia sido escolhido cuidadosamente por ela, desde o sofá branco de estofado macio decorado com almofadas de cores escuras, a TV de tela plana, a lareira a gás que no inicio achara que nunca iria usar e o divã colocado abaixo da janela da sala para lhe proporcionar uma bela visão de seu quinta.

Andou a passos lentos em direção cozinha, abriu um dos armários retirando uma garrafa de wisky, a colocou sobre a mesa e abriu a geladeira retirando a garrafa de suco de laranja, colocou mais que a metade do copo de suco e o completou com um pouco de wisky e mais dois cubos de gelo, os gelos racharam fazendo um suave barulho no local silencioso, voltou em direção a sala se sentando no divã, as pernas relaxadas sobre o estofado macio.

Deu o primeiro gole enquanto observava a vizinhança pacata e monótona que escolhera, ficava a pouco mais de trinta minutos de seu local de trabalho mas não se importara, assim que a corretora lhe mostrou o local aceitara na hora não querendo ver as próximas opções, o local era silencioso e seus vizinhos eram bastante gentis, assim que se mudara foram lhe dar as boas vindas lhe levando alguns petiscos, ela não os convidara para entrar, os atendera ainda na porta, trocarão poucas palavras e ela se despediu, mas isso fez que começassem a serem rudes com ela, pelo contrario, sempre quando chegava em casa ou quando saia de manhã para pegar as correspondências a senhora Moore sempre a cumprimentava com um sorriso no rosto, seu vizinho da frente sempre tentava puxar conversa com ela, até já a chamara para um jantar algumas vezes mas ela sempre recusara.

Agora de sua janela podia ver as luzes das casas ainda acesas, uma criança passou correndo pela rua atrás de um cachorro e ela sorriu, sentia o corpo doer e o cheiro de carne fria e formol impregnado em seu vestido, se levantou, colocou o copo vazio sobre a mesinha no centro da sala e subiu as escadas, entrou em seu quarto enquanto abaixava o zíper do vestido o deixando deslizar pelo seu corpo, retirou a langerie e foi em direção ao banheiro, abriu a torneira para que a banheira enchesse e se olhou no espelho, viu um rosto cansado, uma pequena coloração arroxeada abaixo dos olhos mais nada que uma maquiagem não resolvesse, havia passado o dia inteiro trabalhando, digitando os relatórios de suas autopsias e os relendo antes de assina-los, os cabelos continuavam presos em um alto rabo de cavalo, os soltou passando os dedos pelos fios, pegou um pote de sais de banho o jogando na água quente, o cheiro floral inundou o local, desligou a torneira e colocou os pés na água quente antes de se sentar e afundar até a altura dos ombros, fechou os olhos sentindo o corpo relaxar.

' Até a rainha dos mortos precisa de um descanso ' pensou enquanto respirava fundo se lembrando do apelido maldoso no qual era reconhecida.

(...)

Jack abriu a porta de seu apartamento, em uma das mãos equilibrava cuidadosamente uma caixa de pizza, andou em direção a pequena cozinha a colocando sobre o balcão, retirou o blazer que usava o jogando sobre uma cadeira a um canto, levantou as mangas da camisa social abrindo a caixa, retirou o primeiro pedaço de pizza o levando a boca sentindo o gosto do queijo derretido e os pedaços crocantes de bacon, abriu a geladeira retirando uma garrafa de cerveja, a colocou sobre o balcão a abrindo antes de ir em direção a sala e se sentar em seu velho sofá desbotado, ligou a televisão pronto para começar a relaxar depois de um dia estressante e assustador, a primeira matéria que aparecera o fez desligar a televisão, nas letras abaixo do jornal mostrava uma nova série de assassinatos e ele o conhecia, fora ele quem o vira de manhã, se encostou no sofá dando mais uma mordida na pizza e um longo gole na cerveja.

Esse seria mais um dos casos complicados que demoraria meses para ser resolvido, terminou o pedaço de pizza e deu o último gole na cerveja enquanto escutava os barulhos dos carros que estavam na rua, olhou ao redor da sala, seu apartamento podia ser descrito como um apartamento de um solteiro, nenhum enfeite, as paredes nuas de retratos, poucos móveis, parou o olhar sobre o mapa de atlanta pendurado em uma de suas paredes, se levantou indo em direção a ele, desde que ingressara na policia pendurara aquele mapa para ele próprio fazer suas anotações, o estudou com calma, os olhos claros atento a qualquer detalhe, pegou um alfinete na cor vermelha o colocando sobre o local onde marcava o Atlanta Medical Center e outro na rua onde Jane Potter morava, por enquanto essa era sua única pista so novo assassino.

O som de seu celular o fez se virar rapidamente, andou em direção a cozinha remexendo no bolso interno de seu blazer retirando o celular, o atendeu no mesmo instante.

— Detetive Frost

— Olá detetive — uma voz feminina soou do outro lado — Aqui é Bella do laboratório, a Dra. Snow me mandou algumas lâminas para observar, não foi encontrado nenhum sêmen na vítima embora tenha tido um ato sexual segundo a Dra. — ela falou e Jack franziu a testa, isso não era bom, o individuo fora esperto o suficiente a ponto de não deixar nenhum tipo de material biológico.

— Tem certeza? — ele perguntou e sua voz saiu um pouco mais sombria.

— Absoluta — ela o respondeu, ele apenas agradeceu pela ligação antes de a encerrar, pousou o celular sobre a mesa e passou a mão no rosto, só queria um belo banho e dormir algumas horas, andou em direção ao quarto desafivelando o coldre o pousando sobre a cama, retirou a roupa ali mesmo e andou em direção ao banheiro.

(...)

Todos os detetives estavam reunidos na abafada e pequena sala de reuniões, Jack olhou ao redor vendo o rosto de Hiccup que permanecia em silêncio, ao seu lado Hans girava uma caneta esferográfica na mesa parecendo absolutamente concentrado naquilo que fazia, ao seu lado uma mulher ruiva cabelos revoltos — Merida era a única mulher que trabalhava como detetive, durona e cabeça quente já fora processada algumas vezes por civis que alegaram que ela abusara de sua autoridade — ela e Jack eram bons amigos, por mais que ela fosse atraente e já estivessem flertado um com o outro, nada ocorrera, tudo era uma grande brincadeira entre eles.

A porta se abriu e um homem grande entrou, a camisa social apertada mostrava a barriga saliente, a barba branca e olhos incrivelmente azuis o fazia lembrar o bom velhinho do natal, todos se ajeitaram na cadeira enquanto Norte se acomodava na imensa cadeira giratória, ao seu lado um homem já na meia idade, cabelos claros e ralos e um rosto bondoso sendo emoldurado pelo par de óculos de meia lua, Jack franziu a testa não o reconhecendo e pode ver pela expressão dos companheiros que todos se perguntavam o mesmo que ele.

— Bom pessoal esse é o Dr. Sandman, ele é médico psiquiatra na universidade Westwood, eu o convoquei pessoalmente para nos ajudar a entender esse novo assassino que você está lidando Jack — Norte falou com os olhos em direção ao loiro que confirmou com a cabeça.

— Olá a todos — o Dr. Sandman falou e todos o encararam, a voz sussurrante e sinistra provocando arrepios — O tenente Norte me contou algumas coisas sobre o caso, poderia me detalhar ainda mais? — ele perguntou e Jack empurrou uma pasta em sua direção.

— O laudo médico está nesse envelope, junto a cena do crime e as fotos da autópsia — Jack falou e o viu concordar com a cabeça enquanto abria o envelope e retirava algumas folhas, a sala ficou em um incrivel silêncio enquanto o médico observava o relatório e as imagens com calma, Jack sentiu o suor escorrendo de sua testa e levantou os olhos para confirmar se o ar condicionado realmente estava ligado.

— O assassino usou um bisturi? — a voz sussurrante se elevou na sala e Jack o encarou antes de confirmar com a cabeça — O ato de se usar um objeto cortante para o trabalho é capaz de trazer uma sensação de prazer para o assassino, estudos já comprovaram que muitos deles usam objetos como faca para substituir o ato sexual, a cada contato com o objeto cortante na carne é uma sensação de prazer, misturado com dor e sofrimento — ele falou encarando cada um, quando seus olhos claros como mel pousaram em Jack ele sentiu um leve arrepio em sua espinha.

— Pode deduzir isso apenas lendo um relatório? — a voz sarcástica de Merida ecoou e todos a encararam, ela se encolheu na cadeira quando os olhos claros do tenente Norte pararam sobre ela.

— Sei que é difícil de acreditar — o homem sussurrou em um suspiro cansado — Temos alguns detalhes que foram descritos, o individuo invade o quarto de suas vitimas no período da noite, quando todas estão dormindo, as dopa e as amarra na cama, não antes de a despi-la e a deixar totalmente exposta para ele, então depois a prende na cama, ela está indefesa, mesmo que depois acorde não conseguira se mexer nem gritar já que sua boca estará tampada — enquanto a voz de Sandman descrevia o ato Jack podia o imaginar em sua mente, cada detalhe como em um filme.

Todos estavam em silêncio prestando atenção na descrição de Sandman.

— E então enquanto ela está totalmente vulnerável a estupra, não sabemos a qual momento pode ocorrer isso, com a vitima desacordada ou não, isso pode ser capaz de o levar a loucura, ter uma mulher totalmente submissa a ele e então a pior parte, ele começa a cortar a carne quente, segundo o relatório da autopsia os cortes são precisos sem pressa nenhuma, ele corta o abdômen inferior camada por camada — ele parou para respirar um segundo — Primeiro a pele, a camada subcutânea, a fáscia e o músculo, depois de abrir o abdômen retira o útero em meio ao rio de sangue, o corta e retira o feto que estava se desenvolvendo.

Ele passou os olhos pela mesa, observando cada um dos rostos, seus olhos claros pararam sobre Merida, seu rosto já possuía a coloração quase semelhante a seu cabelo e ele não sabia explicar se era pela sua descrição ou não mais pelo olhar um pouco mais arregalado dela podia considerar a primeira opção, aliás ela era a única mulher naquela sala.

— O que podemos entender em relação a ele? — a voz de Sandman soou um pouco mais sombria.

— Ele odeia as mulheres, ou o fato de reproduzirem — a voz baixa de Merida ecoou e todos a encararam — É um doente.

Ele concordou com a cabeça — Pode ser um ponto a se levar em conta, mas temos outras opções, enquanto a mulher está lá acordada sendo afogada em uma poça de sangue o que ele faz durante esse tempo?

— Observa — a voz de Norte soou grave — Fica a vendo morrer e se diverte com aquilo.

— Sério? — a voz de Hans saiu quase em um riso — Tipo ele fica tocando uma punheta enquanto a vê morrendo? Mas ele já a estrupo antes — ele falou e Merida que estava ao seu lado rolou os olhos irritada.

— Não necessariamente um ato desses — Sandman falou e Jack o viu respirar como se estivesse cansado enquanto encarava uma fotografia de Jane a sua frente — Ele foi inteligente o suficiente a ponto de não deixar sêmen no local, mesmo havendo o ato de estupro, ele é esperto e controlado, depois se aproxima da vítima e corta o pescoço de um modo preciso e correto, após tudo isso pega a roupa de dormir e a dobra colocando uma chupeta dentro, o que confirma perfeitamente que ele tinha tudo em mente e não apenas um ato psicótico que o levou a isso.

— Por que ele fez isso? — Hiccup falou pela primeira vez — Digo por que se dar ao trabalho de dobrar a camisola?

Sandman balançou os ombros — Controle talvez, para mostrar que pode fazer o que quiser, desde invadir o quarto da vítima a mexer em suas coisas deixando uma marca de que esteve lá.

— E se algo desse errado? Se alguém aparecesse? — Jack perguntou.

Sandman levou o dedo frente a boca pensativo — Provavelmente ficaria furioso, ele iria perder o controle de sua cena, acredito que por isso usou uma mulher solteira, sem alguém para atrapalhar.

— Mas e se isso acontecesse? — Jack tornou a perguntar.

— E então tudo pode acontecer, pode acabar se descontrolando, fugindo ou formando uma nova vítima sem que de fato queira, estamos lidando com alguém esperto, não deixou nenhuma digital, sêmen ou fechaduras arrombadas, ele não é insano, alguém que age por instinto assassino, é meticuloso e estuda seus casos antes de concretizá-lo, apostaria que ele tem uma aparência perfeitamente normal, na casa dos trinta talvez, sem chamar atenção de vizinhos ou familiares. Como possui conhecimento anatômico assim como habilidade cirúrgica podemos estar lidando com um profissional de medicina.

Jack e Hiccup se entreolharam, Atlanta possuía diversos hospitais, desde pequenos consultórios a hospitais de grandes portes, diversos residentes e internos.

— Ainda não posso confirmar nada por esse ser apenas o primeiro assassinato, mas é apenas uma prévia, sendo assim não posso falar o local onde poderia atuar — Sandman sussurrou.

— Quando podemos ter certeza? — Jack perguntou e o viu organizar as fotos com calma.

— Precisamos de mais quatro pontos de atuação.

— Em outras palavras mais quatro assassinatos?

— Infelizmente — Sandaman respondeu enquanto estendia a pasta a Jack — Precisamos ter certeza de como ele as escolhe? Um sorriso? Um olhar? Seu cheiro? Todas morenas como a senhorita Potter? Ou podem mudar para loiras, ruivas? Baixas — ele falou enquanto se inclinava na mesa — Ele pode seguir uma linha segura que nos faça o encontrar mais rápido ou não e o mais importante por que ele as escolhe? Por que uma mulher grávida? — ele perguntou e todos ficaram em silêncio, os olhos claros foi em direção ao relógio — Santo Deus já está na hora de eu ir, me desculpem ter de sair assim, qualquer informação me avise Norte- o homem falou enquanto se levantava, assim que a porta se fechou o silêncio continuou.

— Acho que terminamos a reunião — Norte falou e todos se levantaram, Jack pegou a pasta e se levantou.

— Norte posso falar com você ? — Jack perguntou e o senhor concordou, os outros sairão e o homem de cabelos grisalhos o encarou — Sei que Hans é novo na corporação mais gostaria de conversar sobre sua atitude ontem — ele falou calmo, não queria levar aquela conversa adiante, se sentia traindo um colega mas podia se lembrar da raiva nos olhos claros de Elsa ao lhe dar o último aviso — O que acha de colocá-lo como parceiro de outra pessoa? Eu e Hiccup trabalhamos a anos juntos e não tenho mais paciência para auxiliar um novato, e ontem houve uma desavença entre ele e a Dra. Snow.

— Que tipo de desavença? — Norte perguntou cruzando os braços.

— Bem, dígamos que ele deu em cima dela e ela não gostou, me avisou que da próxima vez não iria mais permitir — ele falou, não era totalmente isso que ela dissera mas ele havia entendido, viu Norte suspirar.

— Posso colocá-lo como parceiro de Merida, o Liam ainda vai ficar um tempo de molho em casa depois daquele tiro — ele falou e Jack concordou com a cabeça, se despediram com um aceno e o loiro saiu da sala sabendo que mais tarde teria de aguentar os gritos de Merida.

(...)

Elsa desceu de seu carro, atravessou o estacionamento com passos calmos, os olhos sendo protegidos por um par de óculos que emolduravam perfeitamente em seu rosto, entrou pela porta de vidro do Hospital Atlanta Medical Center, embora não trabalhasse em um hospital desde seus tempos de interna, a alguns anos, podia reviver as memórias de seus plantões na UTI, momentos no qual seu corpo se movia apenas por cafeina, dos códigos azuis que a faziam correr pelos corredores frios, dos pacientes que morrera em suas mãos e do desespero que sentira ao constatar que ela não podia fazer mais nada.

Andou pelos corredores com calma, pessoas andavam para um lado e outro, enfermeiras conversavam em grupos, internos andando com pastas embaixo do braços e com feições orgulhosas enquanto usavam o jaleco branco que lhes permitia um respeito de um Deus, apertou o quinto andar e se encostou em um canto enquanto o elevador lotava, um grupo de internos ao seu lado conversavam animadamente.

A alguns anos atrás eu era assim — pensou consigo mesma, levantou o olhar vendo que estava chegando, voltou o olhar para o grupo de internos e viu que um dos rapazes a encarava com um sorriso de lado, rolou os olhos, homens, será que todos viam apenas um pedaço de carne pronto para comerem? O elevador parou no quinto andar e ela se esgueirou meio as pessoas saindo, o andar estava calmo, as paredes eram de cores claras e alguns desenhos infantis enfeitava o local, algumas mãos com crianças no colo aguardavam pacientemente, andou em direção a pequena recepção onde uma jovem de cabelos perfeitamente presos a encarou com um sorriso.

— A Dra. Toothiana está ? — ela perguntou e a garota a encarou intrigada.

— Ela está com um paciente agora, acho que é seu último se quiser aguardar? — ela concordou com a cabeça indo em direção a uma cadeira e se sentando, observou as crianças a sua frente brincando com algumas peças no chão, sorriu, assim como a maioria das mulheres sonhava em construir uma família, afinal era um ciclo biológico onde os genes se sentiam desesperados para procriação, querendo ou não somos escravos de nosso DNA, toda mulher possui um reloginho materno pronto para ser cronometrado.

Suspirou quando uma das crianças começou a chorar, um choro alto e estridente, fez uma careta, talvez ela fosse uma exceção que pudesse contornar essa vontade apenas ao se imaginar tendo de acalmar uma criança aos berros.

— Elsa — uma voz alegre soou próxima a ela e ela levantou a cabeça encarando uma mulher de cabelos castanhos com algumas luzes que lhe davam um brilho no cabelo, se levantou indo em direção a mulher e a abraçando — Podia ter me avisado que viria e eu tiraria o resto do dia de folga — ela falou e Elsa sorriu.

— Não precisa, passei apenas para lhe dar um oi, tenho de voltar para o trabalho.

— Ora os mortos podem esperar — Tooth falou e ela riu, a seguiu por um corredor entrando em seu consultório, estava ali a algumas semanas atrás para uma visita, o local era aconchegante, alguns ursinhos de pelúcia a um canto, a mesa bem arrumada e o carimbo no formato de uma fada estava deitado entre alguns papéis, Elsa a encarou, Tooth parecia a mesma garota que conhecera quando eram internas, haviam estudado juntas em Arendell e a dois anos atrás a morena recebera uma proposta para morar em Atlanta e ela aceitara, ficaram um tempo sem se ver, mas assim que se mudou Elsa lhe telefonou, eram grandes confidentes, se ajudavam desda época em que eram internas onde uma cobria o turno da outra quando tinham algum encontro.

— Como você está? — Elsa perguntou.

— Ótima — ela falou e Elsa sorriu, a amiga estava grávida de quatro meses e estava cada vez mais ansiosa pela chegada do filho, assim como seu marido Bunny que era cirurgião no mesmo hospital, haviam se conhecido pelos corredores e logo depois começaram um romance — Veio aqui apenas para me visitar? — ela perguntou um tanto duvidosa e Elsa riu.

— Apenas para isso, tive uns minutos a mais no trabalho e resolvi saber do meu afilhado — ela falou e a mulher sorriu contente.

— Céus como aguenta trabalhar naquele local?

Elsa deu de ombros — Você se acostuma, acredite é melhor do que trabalhar com os vivos, eles não reclamam de nada e são bom ouvintes — ela falou e a risada divertida de Tooth ecoou pelo local.

(...)

Hoje assisti novamente a reportagem sobre o misterioso assassinato de uma mulher grávida que teve o útero arrancado, estava sentado tomando meu café quando a repórter de seios avantajados anunciou novamente o assunto.

Me perguntava como aquilo estava sendo investigado, a câmera do repórter passou pela frente da casa e eu vi diversos policiais no local, era incrível como eu ainda conseguia sentir cada sensação daquela noite, o grito de dor, o sangue quente em minhas mãos, seu rosto banhado de suor e lágrimas profundas enquanto eu a invadia deliciosamente.

Voltei a atenção para o elevador, as pessoas ao meu redor não ficavam quietas, olhei novamente para os laudos em minha mão, Marie Lilyan 5 anos suspeita de meningite, olhei para o grupo de garotas que estavam a um canto, portando jalecos e com olhares superiores, a se elas soubessem o quão eu detesto esses olhares, todos eles me fazem lembrar dela, sorrio me lembrando da última vez que nos vimos a alguns anos atrás.

As portas dos elevadores se abrem e eu saio, vou em direção a recepcionista que abre um sorriso para mim, Elena era linda, uma verdadeira boneca, já havíamos tido alguns encontros fora do hospital e eles sempre acabavam da melhor forma possível.

— Pode entregar esse exame a Dra. Toothyana? — falei e ela confirmou, sorri piscando em sua direção e a vi corar, pude sentir minha pulsação aumentar, seu sangue quente e vermelho fora capaz de a fazer corar dessa maneira, era incrível as propriedades que ele possuía.

Escutei vozes e reconheci uma delas, virei a cabeça vendo duas mulheres andando em minha direção, meus olhos pararam sobre a morena que andava com as mãos nos bolsos do jaleco, um sorriso confortante em direção a outra mulher, a encarei por um segundo, loira, linda, uma mulher notável.

— Dra. os resultados que a senhora pediu — escutei a voz de Elena atrás de mim, vi a Dra. Thootyane a encarar, aqueles olhos de um verde diferente, ah Doutora se você soubesse o que passa pela minha mente quando a vejo ficaria assustada, ela passou ao meu lado como se eu não existisse e pegou os exames, meus olhos cairão sobre a loira que me encarava, encontrei seus olhos azuis e ela os desviou indo em direção a Toothy parando ao seu lado para ver o exame.

Observei as duas em silêncio, antes de me virar e ir em direção ao elevador, minha mente já trabalhava em meu próximo plano, sentia minha mão coçar apenas de me imaginar segurando o bisturi, firme e forte, ri comigo mesmo, hoje escutei a repórter perguntar que tipo de louco faria aquilo, eu não me acho louco, apenas vou atrás daquilo que tinha de ser meu.

Notas finais
E ai vocês dormiram? Estava mto chato? Bjs e não esqueçam de comentar...