Criminal

11 Capítulo 11


Notas iniciais
Aqui estou eu com um capítulo fresquinho para vocês, espero muito que gostem de verdade ♥ Boa leitura a todos

Luzes azuis brilhavam através da noite escura. Estacionou atrás de um carro de polícia e um patrulheiro se aproximou, ela abaixou a janela e foi ofuscada pelo brilho de sua lanterna.

— Dra. Snow, instituto médico legal — ela se apresentou.

— Tudo bem, a senhora vai ter que deixar o carro estacionado aqui — ele falou e ela concordou com a cabeça.

— Onde está o corpo?

— Lá dentro- e acenou com a lanterna para um prédio do outro lado da rua. — A porta da frente está trancada com cadeado. Tem que entrar pelos fundos, a eletricidade foi cortada, portanto tenha cuidado onde pisa. A senhora vai precisar levar a lanterna, se quiser posso te acompanhar até lá.

—Não tem necessidade, obrigada.

Ele apenas concordou com a cabeça saindo de frente da porta. Ela saiu do carro, o vento veio forte a fazendo abraçar o próprio corpo, as noites de outono conseguiam ser frias, ela andou em direção ao prédio.

Na entrada do beco, acendeu a lanterna, e viu uma fita de isolamento policial, se abaixou passando por ela, o beco estava obstruído por diversas pilhas de caixas, suas botas chocaram-se com algo sólido e ela o retinir de garrafas. O beco vinha sendo usado como lixeira e ela imaginou que coisas desagradáveis estariam sendo cobertas pelo escuro. Bateu a porta de ferro entreaberta.

— Aqui é do instituto médico legal — ela gritou.

A porta se abriu e uma lanterna iluminou o seu rosto. Não podia ver o homem segurando a lanterna mas reconheceu a voz do detetive Hans.

— Oi Doutora, bem vinda a cidade das baratas, espero que não tenha medo. — ele falou em tom de brincadeira.

— Pode por favor virar a lanterna para o outro lado? — ela perguntou enquanto colocava a mão frente ao rosto.

A luz abaixou e ela pode ver-lhe a silhueta, ombros largos e vagamente ameaçadores. Ela ainda não se simpatizava com ele desde o primeiro encontro de ambos, para ela ele ainda continuava um homem de apenas aparências, e uma atitude que combinava com arrogância e convencimento. Sempre que ele estava presente ela o tratava com o frio profissionalismo, a máscara de Rainha dos Mortos estava sempre a sua frente. As barreiras tinham de ser mantidas, limites definidos ou ele encontraria algum meio de a irritar novamente.

Calçou as luvas, cobriu os sapatos e entrou no prédio, iluminando o ambiente com a lanterna, viu superfícies metálicas brilhando, um grande refrigerador, um fogão e um forno industrial.

— Aqui era um restaurante japonês- disse Hans — até eles falirem, o edificio foi condenado há dois anos, e as entradas foram fechadas com cadeado. A porta que dá para o beco parece ter sido forçada há algum tempo. Não sei o que essas coisas ainda fazem aqui — ele falou enquanto iluminava o fogão, na qual anos parado se tinha pontos de ferrugem, baratas fugiam da luz a cada movimentação que ele fazia. — O local está repleto de baratas.

— Quem encontrou o corpo?

— Um dos nossos colegas, estavam vigiando um grupo para fazerem apreensão de usuários,na hora um dos suspeitos fugiu e acharam que ele tinha se metido neste beco. Viram a porta aberta, entraram procurando pelo criminoso e surpresa — Hans iluminou o outro extremo da cozinha — O corpo está lá, teremos de atravessar o salão.

— Já fizeram alguma filmagem do local?

— Sim, tivemos de usar pacotes de baterias para ter luz, mas todos já acabaram, então vai estar um pouco escuro lá dentro, se a senhora quiser pode se segurar no meu braço para não tropeçar em nada.

Ela rolou os olhos com a frase dele, por conta da escuridão ele não a viu, e ela não o respondeu. O seguiu até a porta da cozinha, mantendo os braços junto ao corpo, uma precaução para não encostar em nada, ouvia pequenos sons ao seu redor e imaginou milhares de pernas de insetos caminhando sobre as paredes ao seu lado e no teto sobre sua cabeça, ratos andando ao seu redor. Se sentiu arrepiar como se uma mão gelada pousasse em seu ombro.

Ao entrar no salão uma mistura de aromas chamou sua atenção, um cheiro de lixo e cerveja azeda. E um novo cheiro se colocava acima desses, um odor horripilante e familiar que fez seu pulso acelerar, ali estava o motivo de sua visita naquele lugar.

— Está logo ali — exclamou Hans, caminhando com confiança atlética ao lado de mesas e cadeiras empilhadas — Mantenha-se a esse lado, alguém pisou no sangue do cadáver. As pegadas desapareceram bem ali.

Conduziu-a através de um pequeno corredor, a mão pousada em seu ombro e isso já a estava irritando. Remexeu o ombro de maneira nervosa e a mão a deixou, havia uma luz saindo de uma pequena porta. Que ela julgou ser o banheiro.

— A doutora chegou — anunciou Hans.

Outra lanterna apareceu. Merida DunBroch, parceira de Hans a encarou enquanto saia do banheiro e encarou Elsa a cumprimentando com um movimento de cabeça, a última cena de crime em que estiveram as coisas haviam saído do controle e ambas se exaltaram.

— Agradeça pelo verão ter acabado, nem quero pensar no cheiro caso não estivesse fresco aqui dentro — Merida falou tentando quebrar o gelo entre ambas.

— É todo seu doutora — Hans falou.

Ela foi até a porta e sua lanterna iluminou um chão sujo de ladrilhos pretos e brancos padrão xadrez, estava marcado de pegadas e sangue ressecado.

— Fique junto à parede — a voz de Merida soou firme.

Ela entrou no lugar e imediatamente recuou, assustada com algo que se moveu junto ao seu pé:

— Meu Deus — Elsa falou alto e logo soltou uma risada nervosa, o escuro era capaz de deixar tudo mais aterrorizante.

— Esses ratos são enormes, Merida quase fez um escândalo — ele comentou rindo e ela imaginou o rosto corado de raiva da detetive.

Passou o facho de luz pelo local, sua lanterna iluminou duas pias e um mictório cheio de restos de latas e bitucas de cigarro dentro. O faixo de luz abaixou até o corpo nu deitado de lado sob o mictório, sangue seco se acumulara em dois orifícios de bala, Elsa se ajoelhou ao lado do cadáver, o estudou com o brilho da lanterna atentamente, nas pontas dos dedos dos pés faltavam pedaços de carne e nas pernas se tinha mordidas de ratos, um dos tiros havia acertado a queima roupa no olho, era possível ver um esfumaçamento de pólvora no local. Ela pegou o lençol descartável de dentro de sua maleta e o estendeu no chão ao lado do cadáver, Hans se aproximou o empurrando, deixando as costas voltadas para cima, o corpo não apresentou nenhuma rigidez com a mudança de local.

— O corpo não apresenta rigor mortis, provavelmente está aqui a mais de 36 horas, os ratos ainda não conseguiram fazer nenhum estrago plausível.

— Achamos que possa ter sido algum assalto, não encontramos nenhuma carteira.

Ela abaixou os olhos para o homem, devia estar na casa de seus 40 anos, corpo atlético, poderia se defender facilmente.

— Pode ter sido, ou alguma armadilha — ela falou enquanto se levantava — Não tem como identificar muita coisa, vou precisar de radiografias e uma iluminação melhor.

Elsa se levantou e encarou a imagem de Hans, na penumbra ele parecia ainda maior, pegou sua maleta saindo do pequeno banheiro, Merida apenas a encarou.

— Nos vemos amanhã — Elsa falou com a voz calma antes de dar as costas aos dois detetives seguindo pelo corredor escuro.

(...)

Eles estão aqui, os dois detetives passaram a manhã em uma salinha conversando com alguns médicos, de minutos em minutos um saia e outro entrava, agora tudo acabou, eles saem da sala parecendo derrotados, o loiro bagunça os cabelos, eu me lembro dele ao lado da Doutora, seu nome já apareceu nos jornais, acho que é Detetive Frost, o homem moreno ao seu lado pergunta algo e ele não o responde, ao invés disso começa a andar em minha direção, continuo com os papéis nas mãos e o encaro quando ele passa ao meu lado, ele também me encara e o que eu vejo são olhos azuis cansados.

Sou eu quem você procura detetive, estou aqui, pare de me encarar e faça algo.

Ele desvia o olhar para o grupo de enfermeiras que fofocava a um canto, os vejo sair pela porta de vidro e volto para meu caminho.

Pego um dos tubos de sangue que estavam perfeitamente separados e leio o nome, Nina Susan, começo a preparação do procedimento.Como é poderoso o significado do sangue, mesmo que entenda que ele é meramente um fluido biológico, uma suspensão de células em plasma. O material com que trabalho todos os dias.

A maquina atrás de mim bipa, um sinal de que a análise está completa, e um laudo é emitido pela impressora.

— Desculpa a demora — escuto uma voz e me viro, minha companheira de trabalho acaba de entrar no nosso espaço, ela é morena com cabelos platinados que chegam a ser brancos — Hoje é seu último dia o que vai fazer nas suas férias?

Eu a encaro, não havia parado para pensar sobre o que fazer nas minhas férias, não havia pensado em nada ultimamente.

— Ficou sabendo que hoje a polícia apareceu aqui? — ela falou novamente e eu me virei voltando a atenção para o laudo que havia saído — Fiquei sabendo que eles acham que aquele assassino trabalha aqui, que horror né?

Eu a encarei com um súbito interesse, sempre quando o assunto era as novas mortes que estavam ocorrendo eles mudavam suas feições para nojo e horror.

— A Doutora não merecia aquilo, fiquei sabendo que o Doutor Bunny pediu demissão, parece que ele vai se mudar para Washington.

Continuo em silêncio enquanto ela conta as novidades ao meu lado, talvez eu vá visitar minha família nessas férias.

(...)

Novamente caiu na caixa postal e Jack suspirou, era a segunda vez que tentava ligar para Elsa nesse dia e ela não atendia, ela havia lhe ligado noite passada para contar o motivo do telefonema, a conversa havia sido embaraçosa no começo, ele sabia que o lado racional dela iria aparecer, mas logo depois ela rira e se despediram. Havia passado boa parte de sua noite relembrando o jantar e já não procurava mais caminhos para negar a si mesmo que sentia algo mais que atração pela doutora.

— É quase impossível todos eles terem álibi — Hiccup falou ao seu lado.

— Nenhum deles me pareceu suspeito — ele comentou.

— Já estou ficando cansado desse joguinho de esconde esconde.

Ele não o respondeu, ao invés disso, voltou o olhar para a rua onde pessoas caminhavam despreocupadas. Nem ele estava mais aguentando essa brincadeira de esconde esconde, nada mais ocorrera após o assassinato de Toothy, nenhuma pista, nenhum sinal, se sentia um cego perdido entre uma multidão, não sabendo para onde ir.

— Já passou das 16:00, o que acha de almoçarmos no Sj' Doyle? — Hiccup perguntou enquanto mudava a marcha e virava a direita.

— Podemos ir.

Era uma tarde de sexta-feira, não havia para onde se virar no bar sem topar com alguma pessoa. Quando Jack e Hiccup entraram no Doyle para almoçar, se depararam com Merida e Hans a um canto, ambos conversando amigavelmente e bebendo uma cerveja. Ambos se entreolharam tentando entender aquela paz entre os dois, isso sim era algo de se duvidar, Merida vivia reclamando do parceiro.

Entraram na área de não-fumante, onde o ar ali era um pouco mais limpo, eles se aproximaram da mesa onde os dois estavam, um reservado sob uma bandeira da Jamaica. Na parede havia recortes emoldurados e amarelados do jornal de Atlanta, artigos sobre antigos ex-prefeitos, políticos vivos e mortos.

— O que estão fazendo aqui? — Hiccup perguntou enquanto se sentava ao lado de Hans que deu espaço para ele, Jack se sentou a sua frente.

— Acabamos de sair de uma necropsia — Hans falou e Jack levantou o olhar o encarando.

— Conseguiram um novo caso? — Hiccup perguntou enquanto olhava pelo local procurando alguma garçonete.

— Encontramos um corpo ontem. A Doutora acabou de fazer a biópsia — Jack o observou dar um gole na cerveja. Queria perguntar como ela estava essa manhã, mas sabia que se falasse algo iriam querer saber o por que.

Uma garçonete se aproximou e reconheceu Jack:

— Jack, quanto tempo que você não vem aqui, o de sempre?

Jack a encarou com um sorriso, haviam ficado algumas vezes a anos atrás, quando ele ainda era novo entre os policiais.

— Hoje vou querer uma Sam Adams — ele estendeu a mão pegando o menu e o abrindo — Peixes e fritas.

A garçonete olhou para Hiccup.

— E o senhor?

— Pode mandar o mesmo, mas eu também quero uma porção de cebola fritas.

Quando a garçonete se afastou Merida os encarou.

— Fiquei sabendo que iriam no hospital hoje, alguma novidade?

— Nenhuma — Hiccup a respondeu enquanto se afundava no estofado.

O celular de Jack tocou, violando o silêncio entre eles, ele atendeu rapidamente.

— Detetive Frost.

— Me desculpe, vi suas ligações agora.

Ele sorriu sozinho, se levantou se afastando um pouco da mesa onde estava com os três pares de olhos sobre si.

— Como você está, Elsa? — Jack perguntou e escutou um suspiro cansado.

— Cheia de trabalho, ainda nem almocei. Espero que não tenha pensado que estava lhe ignorando.

— Na verdade, pensei sim — Jack falou em tom brincalhão e uma suave risada ecoou do outro lado da linha. — Podemos nos ver hoje?

Ela ficou em silêncio e ele temeu sua resposta, subitamente dando-se conta de que os outros o observava, também notava a ansiedade que sentia pela espera de uma resposta.

— Vou sair tarde do trabalho.

— Podemos conversar sobre como foi seu dia durante o jantar.

— Estarei em casa por volta das oito, peça a metade da pizza de pepperoni — ela falou e ele riu.

Jack encerrou a ligação após uma breve despedida e se voltou em direção ao grupo, onde seu pedido já estava sobre a mesa.

— Encontro quente? — Hiccup perguntou visivelmente curioso.

— Quem é a próxima coitada?– Merida falou divertida.

— Cuidem da vida de vocês — ele falou e a ruiva riu, enquanto Hiccup continuava o encarando com uma sobrancelha levantada.

(...)

— Você e a Doutora? — disse Hiccup enquanto ele e Jack voltavam de carro para o distrito policial — Quando isso aconteceu?

— Ontem anoite, ela me chamou para jantar na casa dela — explicou Jack.

— Ela desfez a parede de gelo?

Jack freou diante de um sinal, enquanto esperava que ficasse verde, pensou em quantas vezes vira aquela mulher colocar uma máscara escondendo seus sentimentos, até mesmo quando ela estava totalmente abalada preferira agir com a razão a emoção. E na noite passada ambos passara por cima da razão se entregando a algo que queriam.

— Astridd está querendo mudar toda a decoração do apartamento, eu ainda acho que é mais fácil vendermos e comprarmos uma casa.

— Já está pensando em uma família?

— Sinceramente, sim, ela ainda acha que é cedo.

Pelo espelho retrovisor, Jack podia ver a fila de carro que fizera atrás de si, ele nem ao menos parara para pensar nisso alguma vez, mas era certo que queria constituir uma família mais para frente. O sinal ficou verde e ele voltou a andar enquanto Hiccup continuava falando sobre a decisão dele e Astridd. Ambos olharam para o rádio quando a Central se pronunciou:

— Temos uma requisição de verificação na Rua West Lys, escutaram tiros em uma casa. Alguma unidade na área?

Hiccup se esticou pegando o microfone e apertou o botão de trasmitir.

— Aqui é vigia três, estamos situados próximo a vizinhança.

— Entendido vigia três, a casa é o número 300, final da rua.

Jack apertou o volante com força, tudo o que precisava agora era de algo para o atrasar, olhou para o relógio de pulso, era pouco mais sete horas, Elsa sairia em apenas alguns minutos. Quinze minutos depois, Jack parava o carro em frente a residência indicada. Os dois sairam do carro. Ouviu-se o barulho das portas batendo ao mesmo tempo, na casa de dois andares, as luzes estavam acesas, mas quando Hiccup tocou a campainha ninguém atendeu. Ele tocou de novo e bateu na janela.

— Aqui é da polícia. — anunciou Hiccup, se aproximou tentando espiar pelas janelas, nada.

— Vamos dar a volta.

Ele e Hiccup deram a volta na casa. O caminho estreito entre as casas estava escuro e cheio de mato. Jack sentia o cheiro de folhas úmidas, os pés afundando na grama fofa, por uma janela vislumbrou o brilho azulado de uma televisão ligada.

— A janela está destrancada — Hiccup falou — Posso entrar por ela. Devo?

Eles se entreolharam na penumbra, ambos considerando as consequências de entrar numa casa sem permissão ou mandado. Jack afirmou com a cabeça e Hiccup abriu a janela, com um pouco de dificuldade ele entrou no local.

— Aqui é do departamento de polícia — Jack escutava a voz de Hiccup ecoar dentro da casa.

Jack continuou do lado de fora, enquanto observava ao redor, sendo encoberto pelo começo da escuridão.

— Jack, encontrei uma mulher, está abatida.

O grito de Hiccup o fez se mexer, agarrou o parapeito e já estava para pegar impulso e se lançar pela janela quando ouviu um barulho no mato e o som de passos na escuridão.

Suspeito em fuga.

Ele saiu em seu encalço e chegou à parte de trás da residência, a tempo de ver uma sombra escalando a cerca e caindo do outro lado.

— Hiccup, preciso de cobertura — gritou ele, sabendo ou não se o parceiro ouviria, enquanto corria em direção a cerca.

A adrenalina o fez subir e pular, deixando-lhe farpas na mão. Aterrissou do outro lado, e o impacto dos sapatos batendo com força na calçada subiu pelas suas pernas. Ouviu alguém escalando a cerca atrás dele, e ele sabia que era Hiccup. Mantinha-se concentrado na figura à sua frente. Estava quase o alcançando, aproximando-se bastante para ver que estava todo de preto.

Quem vinha atrás ficou longe, mas ele não diminuiu a velocidade, sem dar à presa qualquer chance de escapar. Já estavam a cerca de 10 metros um do outro e ele sentia o suor escorrer pela sua testa.

— Polícia — gritou — Pare.

O sujeito disparou para a direita, escapando entre as casas, Jack dobrou a esquina correndo e se viu em um beco. Estava escuro ali, bem escuro, seus passos produziam um eco enquanto avançava mais, ele diminuiu a velocidade parando. Sacou a arma, com o coração disparado saindo pela boca olhou ao redor.

A bala atingiu-lhe as costas, bem entre os ombros. O impacto o fez voar e cair de barriga no chão, arranhando as palmas da mão na calçada, a arma voou para a frente. O colete a prova de balas o salvara, mas a força do impacto tirou-lhe o ar dos pulmões, deixou-o atordoado. Sua pistola estava em algum lugar fora de seu alcance.

Passos se aproximaram e ele pôs-se de joelhos tateando em volta, buscando a arma, os passos pararam bem atrás dele.

Jack se virou e encarou a silhueta de um homem parado. A escuridão escondia-lhe o rosto, mas havia luz suficiente no beco, vinda de um poste distante, para que o visse erguer a arma. Vislumbrou o ligeiro brilho da pistola que apontava para sua cabeça. Iria ser um fim rápido e eficiente, sem assassino e vítima encarando-se nos olhos. Pensou em sua família, em sua mãe, seus irmãos, em seu pai que morrera do mesmo modo e o último rosto que passou pela sua mente foi o de Elsa sorrindo para ele.

Ouviu a morte sussurrando ao seu lado. Um disparo e algo lhe borrifou o rosto e ele piscou, quando abriu os olhos outra vez a silhueta que estava acima já estava se inclinando para a frente. Caiu sobre suas pernas como uma árvore derrubada. Preso sobre o corpo do homem Jack sentiu um líquido morno impregnando-lhe as roupas. Reconheceu imediatamente o cheiro de cobre.

Empurrou o corpo para o lado sem ar.

— Jack — a silhueta atrás que salvara sua vida agora tinha um dono, Hiccup.

A luz de uma lanterna iluminou o local parando sobre ele.

— Cheguei na hora certa — Hiccup falou enquanto se aproximava e o ajudava a levantar — Você está ferido? — ele perguntou enquanto iluminava o corpo de Jack mostrando a roupa manchada de sangue fresco.

— Não, isso foi dele.

Hiccup apontou o feixe da lanterna para o corpo caído de bruços, o tiro o acertara na nuca, os olhos estavam fixos neles. Era para eu estar morto, pensou. Caído com uma bala na cabeça.

— O colete te salvou — Hiccup comentou e ele respirou fundo sentindo uma dor nas costelas.

— Minha mãe vai ficar orgulhosa quando eu falar que o presente que ela me deu salvou minha vida — ele falou e Hiccup riu baixo.

(...)

Ao estacionar o carro, Elsa viu três policiais de pé ao lado da fita que isolava a cena do crime. Todos olharam em sua direção sabendo que a patologista havia chegado, ela caminhou em direção a eles, todos ainda a encarava atentamente.

— O detetive Frost está na casa? — ela perguntou, havia chego em casa tomado um banho e logo recebera a ligação de Hiccup.

— Sim, senhora — respondeu um dos patrulheiros.

Ao abaixar-se para passar sob a fita e caminhar em direção à porta os escutou voltar a uma conversa qualquer. Ela se deteve diante da porta para colocar os protetores de sapatos, com cuidado para não perder o equilibrio, ao endireita-se, a porta se abriu e o detetive Hiccup parou, olhando para ela.

— Dra. Snow, como está?

— Bem — ela o respondeu rapidamente — As duas vítimas estão aqui, na casa?

— A mulher está na cozinha, o homem a alguns quarteirões daqui, num beco.

— Como o segundo acabou tão longe?

— O homem estava tentando fugir de Jack.

Hiccup conduziu Elsa pela sala, passando pelo corredor, os pés arrastando com os protetores, seguiu-o até a cozinha e observou a vítima que estava caída de lado sobre o piso frio, o rosto descansando sobre uma poça de sangue que já começava a coagular. Era uma mulher jovem, branca, corpo pequeno e magro, devia estar na casa dos 30 anos, vestia calças bege e uma camisa de tricô. O ferimento a bala, na têmpora esquerda deixava pouca dúvida quanto à causa da morte. Ela não se aproximou imediatamente, permaneceu por um momento onde estava, vasculhando o chão à procura de arma. Não viu nenhuma perto do cadáver. Não era suicídio.

— A encontramos assim — disse Jack, em voz baixa.

Elsa não o tinha visto aproximar-se, deu meia-volta e contemplou a blusa manchada de sangue, sua pulsação acelerou junto as batidas de seu coração.

— Meu Deus, Jack — ela falou desesperada pronta para andar em sua direção e se jogar em seus braços, mas os múltiplos pares de olhos a fez permanecer no mesmo local — Você está bem?

Jack fez que sim com a cabeça e olhou para a mulher morta.

— Quando chegamos a encontramos assim, os vizinhos falaram que escutaram uma discussão antes dos tiros.

— Entendi, tem uma segunda vítima.

— O assassino dela — Jack falou — Eu o persegui por alguns quarteirões.

— Você mesmo o liquidou?

— Não, Hiccup nos encontrou a tempo. — Jack suspirou — Eu te levo até lá.

Eles saíram para a rua, onde já havia uma multidão reunida, hipnotizada pela invasão de policiais no bairro. Jack abriu caminho em meio aos curiosos e dobrou a esquina com Elsa, até uma transversal tranquila. Embora caminhasse em seu habitual passo rápido, ele parecia cansado, ombros caídos, como se a noite o tivesse abatido e lhe roubado a confiança.

Elsa o seguia atenta a todo momento em sua postura, se aproximou mais pousando a mão gentilmente em seu braço.

— Tem certeza de que está bem?

— Estou ótimo.

— Você não parece ótimo Jack, por favor fala comigo — Elsa murmurou.

Jack diminuiu o passo e parou. Olhava para a rua como se tivesse medo de encarar Elsa, receoso de revelar o quão vulnerável se sentia naquele momento, ele não falou nada, ao invés disso a puxou para um abraço apertado, Elsa se assustou no primeiro momento mas logo se aconchegou no peito de Jack, sentindo não o cheiro dele, mas sim o de sangue que manchara sua camisa social.

— Eu não devia estar aqui — ele sussurrou em seu ouvido e ela o apertou ainda mais, enquanto sua pulsação acelerava — Devia estar morto como aquela mulher. Caído no beco com uma bala na cabeça.

Elsa se distanciou com calma, o encarou atentamente, ele parecia cansado, totalmente diferente da noite anterior, o rosto sendo iluminado pela luz do poste próximo ao beco, levantou a mão acariciando sua bochecha com cuidado sentindo o começo de uma barba.

— Mas você está aqui, comigo — ela sussurrou e ele concordou com a cabeça, ela se aproximou pronta para capturar os lábios de Jack quando uma voz soou atrás dos dois, ela o soltou dando um passo para trás se distanciando enquanto a imagem de um dos policiais se aproximava.

— Atrapalhei algo? — ele perguntou parecendo desconfiado e ela negou com a cabeça enquanto sua máscara de profissionalismo voltava — Detetive Frost, o detetive Hiccup está te chamando.

Jack concordou com a cabeça antes de lançar um último olhar em direção a Elsa que se distanciava indo para o fundo do beco o iluminando com uma pequena lanterna.

— Eu faço companhia para a doutora — o policial avisou enquanto seguia a imagem de Elsa. Jack suspirou colocando as mãos nos bolsos enquanto seguia o caminho em direção a casa.

(...)

Elsa acordou assustada com a campainha tocando, respirou fundo tentando acalmar o coração disparado, olhou pela janela vendo o céus escuro, uniu as sobrancelhas confusa enquanto via o horário, quem em sã consciência iria a incomodar ás três da manhã.

Desceu as escadas descalça, o tecido da camisola roçando a pele, parou na sala ascendendo a luz da varanda, espiou pela janela com cuidado vendo a imagem de Jack — não haviam se reencontrado desde o momento em que o policial os atrapalhara — confusa abriu a porta o encarando.

— Jack... — Elsa conseguiu falar apenas seu nome, antes de ter os lábios cobertos pelo dele, um beijo urgente e necessitado, ele entrou na casa ainda a beijando e empurrou a porta com o pé que bateu com força, ela mergulhou as mãos em seu cabelo enquanto as línguas se deliciavam.

— Não fala nada — ele sussurrou separando minimamente os lábios e ela concordou com a cabeça.

Jack a beijou de novo, acariciando seu lábio inferior com a língua: — Eu só conseguia pensar em você.

Ela gemeu enquanto acariciava a nuca de Jack, ele trilhava uma linha de beijos em seu pescoço, em um movimento rápido a segurou pela cintura a levantando, Elsa rodeou as pernas ao redor de seu quadril, Jack alternava a atenção no pescoço entre mordidas e beijos cálidos.

— Seu quarto — ele sussurrou em seu ouvido antes de passar a língua pelo local a fazendo estremecer.

— Sobe a escada.

Ele fez o que ela mandou, segurando as coxas de Elsa com firmeza subiu os degraus da escada com cuidado, Ela capturou seus lábios em um beijo urgente enquanto juntava ainda mais os corpos abraçando suas costas, a camisola se encontrava acima das coxas e o sexo coberto sentiu a excitação de Jack a fazendo tremer em seus braços.

A porta do quarto estava aberta e ele entrou, separaram os lábios, ele a colocou no chão, Elsa esticou as mãos a prendendo na camisa dele a levantando e a tirando com a ajuda de Jack, se aproximou dele distribuindo beijos pelo peito dele subindo em direção ao pescoço, ele gemeu quando sua língua percorreu um caminho quente.

Ele agarrou a camisola fina a levantando, deixando os seios desnudos, ela não fez nenhuma objeção de os esconder.

Um novo beijo urgente, Jack a puxou para perto colando os seios de proporção média em seu peito, enquanto os dedos se enroscavam no cabelo claro, Elsa agarrou os fios claros de Jack os puxando, segurou uma das coxas dela a levantando enquanto a mão deslizava pela pele macia, ele a levantou novamente andando em direção a cama a colocando no colchão, separaram os lábios e a mão de Elsa foi direto em direção ao fecho da calça de Jack o abrindo, não era mais nenhuma adolescente para se sentir envergonhada ao tomar essa atitude. Ele a entendeu e a retirou junto a cueca.

As mãos dela percorreram suas costas, descendo pelos braços, descobrindo músculos definidos, Jack gemeu quando ela encontrou uma área sensível. Ele fechou os olhos, com os braços suportando seu peso acima dela, permitindo que ela o explorasse como quisesse. Sua ereção ficou maior. Gemendo ele abaixou a cabeça e seus cabelos sedosos rasparam nos seios dela.

Beijando a barriga lisa e pálida, contornou o umbigo com a língua a escutando gemer baixo o que o fez sorrir, a boca foi de encontro ao bico já rígido do seio — sorriu ao constatar que o tamanho era perfeito e cabia em sua boca — Elsa gemeu fazendo seu membro já rígido pulsar, subiu os beijos em direção ao pescoço claro o saboreando, e ela arqueou as costas juntando os corpos sentindo seus seios irem de encontro ao peitoral quente de Jack, ele sorriu mordendo a pele clara com calma logo a sugando tirando um gemido alto de Elsa, desceu os beijos entre os seios logo os tomando novamente, mordendo o mamilo rígido com força suficiente para a fazer gritar se agarrando ao lençol, ela sentia o corpo tremer em favor a língua de Jack, enquanto a mão tratava de dar a devida atenção ao outro seio, apertando o bico rosado entre o polegar e o indicador, Jack soltou os seios descendo os lábios pela barriga lisa enquanto as mãos passeavam pela lateral do corpo.

— Elsa — ele sussurrou contra a pele pálida, os dedos de Jack foram de encontro a calcinha, Elsa arfou prendendo a respiração quando os dedos de Jack passearam sobre o fino tecido, escutou uma risada baixa e sentiu a respiração ainda em sua pele, Jack subiu os lábios novamente a capturando lábios rosados enquanto um dos dedos adentrava a intimidade quente e úmida a fazendo fechar os olhos e gemer entre o beijo, Elsa abriu um pouco mais as pernas involuntariamente, Jack mordeu o lábio feminino com calma logo o sugando, o que a fez grunhir, Jack introduziu mais um dedo com força e Elsa arqueou o quadril.

Ela gemeu próximo ao ouvido dele logo mordendo o lóbulo com calma.

— Deliciosa — Jack sussurrou enquanto seu dedo se movimentava rapidamente na intimidade úmida da loira, retirou os dedos e Elsa gemeu de frustração, se arrastou na cama, o rosto parou rente a intimidade e ele sorriu de lado puxando o fino tecido, os lábios pararam sobre sua intimidade e ela fechou os olhos, gemeu alto quando sentiu a língua quente e úmida a invadir, a pele sendo acariciada e sugada ao mesmo tempo.

Jack se sentia embriagado pelas reações de Elsa, ela segurava seu cabeço com força forçando ainda mais sua cabeça contra seu sexo. Jack sorriu e sua língua foi mais fundo, fazendo Elsa arquear o corpo, a língua deixou sua cavidade logo encontrando o clitóris, o contornando com calma, os movimentos circulares a fazia rebolar ainda de olhos fechados, introduziu dois dedos de uma vez e ela gritou sentindo o corpo tremer, Jack se afastou apenas quando os tremores em seu corpo haviam parado. Limpou a boca sobre o olhar de Elsa.

Se posicionou entre as pernas de Elsa roçando o membro na intimidade ainda sensível e a viu fechar os olhos enquanto uma das mãos se agarrava ao lençol já bagunçado, a invadiu de uma vez, rápido, a sentindo, quente, apertada e molhada, um gemido rouco saiu de seus lábios queimando sua garganta, as estocadas firmes, Elsa soltou o lençol rodeando as pernas ao redor de Jack se agarrando a ele, as unhas pressionaram a pele clara quando os movimentos foram mais fortes e rápidas, os corpos se chocavam com intensidade, os gemidos de Elsa eram cada vez mais altos, ele por sua vez apertava cada vez mais a pele macia das nádegas de Elsa, enquanto seu membro a invadia em movimentos constantes.

Ele gemeu de uma forma rouca quando sentiu a intimidade dela se contrair ao redor de seu membro, intensificando as estocadas, o segundo orgasmo de Elsa a fez gemer ainda mais alto, mordeu o ombro de Jack tentando conter mais um gemido, Jack continuou se movendo dentro do corpo pequeno e logo gozou com jatos quentes a invadindo, ele abaixou o rosto o escondendo na curva do pescoço de Elsa enquanto respirava fundo, os braços tremendo para se manter sobre ela, saiu de dentro dela sentindo seu membro ser envolvido pelo vento frio, se deitou ao lado de Elsa que respirava fundo com uma das mãos sobre o seio, Jack a puxou a trazendo para cima dele, ela deitou confortavelmente em seu peito enquanto ele acariciava seus cabelos.

— Desculpe ter lhe acordado — ele sussurrou e ela sorriu.

— Valeu a pena — ela falou levantando a cabeça capturando seus lábio em um novo beijo enquanto sua mão descia pelo tórax dele parando sobre seu membro que já voltava a ficar rígido.

Notas finais
E então gostaram? Espero que sim hahaha, agora sim um relacionamento Jelsa, Não esqueçam de comentar isso me ajuda muitooooo mesmo, leitores fantasmas apareçam onde quer que estejam rssrsrsrsrs.... Beijos meus amoressssss Aos leitores de a nova babá estou escrevendo o capitulo