Criminal

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Oláaa a todos :) Obrigada a cada comentário do capítulo passado, foi o que mais tive comentários e isso me deixou super feliz em cima da minha nuvem cor de rosa rsrsrs... Um obrigada especial a linda da Thaty que super me apoiou com esse capítulo... Boa leitura a todos .... Espero que gostem

Embora não tivesse necropsias marcadas para aquele dia, às 10 horas Elsa desceu e vestiu o uniforme, o vestiário estava vazio e ela se permitiu demorar enquanto dobrava a roupa que usava antes, amarrou a calça folgada com força e o tecido roçou em sua pele, prendeu o cabelo em um coque apertado, colocando a touca logo em seguida. Olhou para o espelho, seu reflexo tão frio quanto o de um estranho, todas as emoções escondidas, fechou o pequeno armário do vestiário e seguiu pelo corredor entrando na sala de necropsia.

Jack e Hiccup já estavam junto à mesa, ambos com toucas e luvas, as costas obstruindo a visão que Elsa teria da vítima. O olhar de Breu se levantou da vítima parando em Elsa, ela o encarou, ele havia aceitado fazer a necropsia no lugar dela — já que não se pode fazer a necropsia de conhecidos — ele franziu as sobrancelhas e ela viu a pergunta em seu olhar.

— Vou apenas assistir — ela falou tentando se demonstrar o mais calma possível.

Agora, Jack se voltara para olhá-la, ele também franziu as sobrancelhas enquanto se aproximava dela.

— Tem certeza de que quer ficar aqui? — a pergunta dele saiu em uma voz tão calma que ela quase sentiu a vontade de desistir aos ver os olhos azuis preocupados sobre si.

— Estou bem — ela sussurrou e ele pousou a mão em seu braço o apertando com calma — Tudo bem para você eu assistir Breu?

Breu deu de ombros.

— Você não me atrapalha, Elsa.

Ela foi para o lado da mesa onde estava Breu e ficou com a garganta seca, ela já havia visto diversos horrores naquele laboratório, vira carne em todos os processos de decomposição, corpos danificados pelo fogo ou trauma, que os restos mal podiam ser classificados como humanos. Sempre observara tudo isso com uma frieza implacável. Mas agora, a mulher sobre a mesa conseguia a deixar com o estômago embrulhado, agora com o corpo sem vestígios de sangue a pele lhe parecia ainda mais pálida do que ela se lembrava, o abdômen aberto.

— Já tiraram as digitais? — ela perguntou em uma voz tão calma que lhe pareceu estranha.

— Sim — Breu a respondeu enquanto fazia anotações no fichário. Abertura no abdômen, corte profundo, sendo capaz de dilacerar a carótida, uma cicatriz no braço direito. Ele colocou o fichário na mesa ao lado e andou em direção as pernas para recolher as amostras vaginais, quando ele e Anna seguraram as coxas femininas Elsa preferiu se concentrar nos cabelos curtos e negros.

Após entregar as amostras para Anna, Breu foi em direção a mesa de instrumentos e pegou o bisturi, o primeiro corte a fez se afastar um pouco, ela levou a mão ao peito, agora percebera que acompanhar a autópsia tinha sido um erro, ela não aguentaria até o final, mas havia prometido a si mesma que devia isso a amiga. Breu continuou fazendo a incisão em Y, aleio a figura de Elsa ao seu lado, Breu terminou a incisão e afastou a pele da parede torácica, puxando-a com rapidez, como se tirasse a pele de um animal de caça. Elsa o encarou horrorizada, nunca vira Breu trabalhar, e nesse momento ele lhe lembrava vagamente um açougueiro.

A pele do peito já estava aberta, os seios ocultos pela carne virada do avesso, costelas e músculos expostos. Anna se aproximou cortando as costelas, o som foi alto o suficiente a fazendo sentir um leve arrepio, ela olhou para os órgãos a mostra no tórax aberto, todos pareciam normais, sem sinais óbvios de patologia, Breu retirou os pulmões com uma maestria de dar inveja a qualquer um, anos de prática era capaz de fazer isso, os observou logo colocando na bacia de inox ao lado, fazendo um breve comentário de que era um tecido bastante saudável. Logo voltou para o corpo retirando o coração. Elsa o encarou percebendo que o coração de Thooty cabia perfeitamente na mão de Breu. Ao ver aquele coração tão exposto sentiu o próprio peito vazio, inspirou com dificuldade e o cheiro de sangue piorou a sua náusea.

Afastou o olhar do cadáver e topo com o olhar de Jack, os olhos azuis a observava e a estudava, e ela sabia que ele certamente via que ela estava a ponto de sair correndo dali, Elsa simplesmente desviou o olhar dos de Jack. Ele já havia visto seu lado fraco no dia anterior, havia mostrado que até mesmo a Rainha dos Mortos pode cair.

Voltou o olhar para o cadáver de Thooty, enquanto Breu continuava a retirada dos órgãos, se sentiu em um estado de transe, enquanto observava Breu trabalha, como se estivesse distante daquele lugar, observando tudo por trás de uma grossa cortina. Se sentia extremamente cansada por conta da noite em claro, ela se afastou da mesa parando ao lado das radiografias que estavam a um canto mais afastado.

Breu retirou o estômago indo em direção a mesa de corte e o abrindo, esvaziou seu conteúdo em uma bacia menos, o cheiro de comida não digerida fez Jack e Hiccup virarem o rosto com uma careta de nojo.

— Restos de um jantar, o corpo não teve nem tempo de digerir tudo — a voz de Breu soou alta — Diria que tem restos de macarrão.

—Quanto tempo antes da morte foi a refeição? — Jack perguntou, a voz soando abafada enquanto ele tampava o nariz com a mão.

— Talvez duas horas. Sabemos a causa da morte, a carótida foi totalmente dilacerada, um corte profundo de cinco centímetros — ele levantou o olhar para Elsa que estava a um canto com os braços cruzados e encostada em uma das mesas, a luz da caixa de raio-x lhe dava um ar fantasmagórico — Concorda.

Ela meneou a cabeça mecanicamente sem dizer nada, se virou em direção as radiografias quando os três pares de olhos foram em sua direção.

— Sem surpresa até agora — a voz de Breu soou e ela permaneceu observando a radiografia dentária de Toothy.

— Vai fazer um exame toxicológico? — a voz de Hiccup soou.

— Podemos pedir, mas não acho necessário.

Um silêncio reinou enquanto Breu terminava de retirar o último órgão.

— Vi a criança essa manhã, estava com peso e tamanho ótimos, seria um menino bastante saudável — ele comento naturalmente.

Elsa sentiu o coração se apertar, respirou fundo, se virou indo em direção a saída, desamarrou e arrancou a máscara com um puxão, ela abriu o lixo jogando a máscara dentro começando a retirar o avental.

— Já vai Elsa? — a voz de Breu soou e ela não se virou para o encarar.

— Estou cansada — ela falou enquanto tirava a touca.

Ela saiu o mais rápido que conseguia respirando fundo quando chegou no final do corredor, o peito doía e sentia os olhos arderem, passou a mão nos olhos limpando as primeiras lágrimas, não iria desmoronar novamente.

Os três continuaram encarando a porta, Jack suspirou, desde o momento em que a vira entrando na sala de necropsia soube que não seira uma boa ideia.

— Esqueci que elas se conheciam — o sussurro de Breu o fez voltar o olhar para o homem a sua frente, viu os olhos negros se abaixarem.

— Como está Bunny? — Hiccup perguntou enquanto Breu continuava seu trabalho.

— Como você estaria? — ele sussurrou e o moreno concordou com a cabeça.

(...)

Ela estava parada em frente a cova, observando o caixão negro descer com cuidado, em uma das mãos apertava o caule de uma rosa branca, uma flor de beleza incomum, demonstrava paz, pureza e inocência, assim como ela se lembrava de Thooty, uma mulher que sempre procurava o melhor nas pessoas. Elsa se inclinou jogando a rosa que desapareceu, a terra começou a ser jogada e ela levantou o olhar vendo a imagem de Bunny do outro lado, ele estava com a cabeça baixa, impedindo que todos vissem seu rosto, ao lado segurando sua mão com força estava sua mãe, a Senhora Bunny levantou o olhar e Elsa viu o quão vermelho estavam seus olhos.

Com o canto do olho ela viu a imagem de Jack se aproximar parando ao seu lado, ele não falou nada, muito menos ela. Jack suspirou se aproximando mais, os braços encostaram e ele estendeu a mão apertando a de Elsa com força, e ela devolveu o aperto quando a dor inconsciente no peito a preencheu.

(...)

Jack estava sentado em sua mesa, os telefones tocavam e vozes se misturavam ao seu redor, ele estava inclinado para frente, sobre a mesa as fotos do quarto de Thooty, pouco mais de uma semana que ele estivera naquele quarto, agora olhando as fotos a sua frente fazia com que as lembranças voltassem como um flashblack, abriu a gaveta retirando uma lente de aumentou, a colocou sobre a foto onde tinha a camisola e a chupeta ao lado.

Concentrou-se na camisola, especificamente no ponto dourado quase imperceptível, esse detalhe havia lhe escapado anteriormente, a imagem pareceu um pouco distorcida, mas ele arregalou os olhos com a nova descoberta, um pequeno número três estava bordado cuidadosamente na barra da camisola. Ele jogou a foto sobre a mesa enquanto remexia em seus arquivos, pegou as fotos do quarto de Ariel e Jane, retirando as fotos que foram tiradas das camisolas, levou a lupa e examinou cuidadosamente, seu coração disparou quando confirmou o que suspeitava, elas estavam igualmente numeradas, se encostou na cadeira passando a mão no cabelo o bagunçando, ele estava numerando suas vitimas.

Se levantou em um sobressalto indo em direção a mesa de Hiccup, o moreno levantou o olhar ao ver Jack se aproximar, a boca suja de maionese, ele pousou o sanduíche de Peru na mesa e limpou as mãos e a boca enquanto Jack colocava as fotos sobre sua mesa.

— A reunião é só daqui uma hora — ele falou com a boca cheia.

— Quero que veja isso — ele falou enquanto empurrava a lupa para Hiccup.

Alguns segundos de silêncio e o moreno levantou o olhar surpreso.

— Isso são...

— Ele está enumerando suas vítimas — falou Jack e logo juntou as sobrancelhas — Como se fossem troféus.

(...)

— Percebi isso hoje de manhã — Jack falou, da cabeceira da mesa ele fitava Elsa, os outros três detetives e o Dr. Sandy que o observava com o olhar calmo de sempre.

— Entendo — Sandyman sussurrou com uma voz tão penetrante que Elsa sentiu um arrepio em sua espinha — Isso pode nos indicar alguém organizado. Qual foi a estimativa do horário da morte?

— Por volta das 22:00.

— Isso não é possível — disse Elsa, já não conseguia mais se manter calada. Ela não era nem policial, nem psicóloga, por isso se sentia uma intrusa na reunião. Estava ali a convite de Jack, quando todos viraram em sua direção ela sentiu a muralha de questionamento direcionada a si — Ela me mandou uma mensagem próximo a meia noite.

— O Dr. Black confirmou o horário, Doutora — Hiccup falou calmo.

— Acho que a senhorita estava falando com o assassino Doutora — o Dr. Sandy a respondeu e ela sentiu novamente o arrepio cruzar seu corpo, como o movimento gelado da língua de um lagarto.

Ela se remexeu desconfortável na cadeira enquanto todos a encarava, mexeu no cabelo tentando não pensar nos pares de olhos parado sobre si a observando.

— Conseguiram as entrevistas? — Sandy perguntou e os quatro detetives negaram com a cabeça.

— O hospital ficou de nos enviar uma lista com os funcionários que estavam de folga.

— Entendo.

O psicólogo se encostou na cadeira com calma, respirou fundo tirando os óculos meia lua e os limpando, levantou os olhos para o relógio a um canto e suspirou.

— Podemos continuar amanhã.

Todos se levantaram, Jack recolheu os arquivos sobre a mesa enquanto observava a imagem da loira sair pela porta.

Elsa andou a passos calmos em direção a saída, cabeça erguida e postura majestosa, parou quando escutou seu nome, observou sobre o ombro a imagem de Jack se aproximar.

— Espero que já não esteja indo embora.

Eles se encararam, a última vezes que se viram foram no enterro de Toothy, quando ele a deixara em casa.

— Pretendia — ela sussurrou e ele permaneceu a sua frente.

— Como você está?

Ela respirou fundo, como para reunir forças : — Bem.

— Isso não soou muito convincente — ele falou a observando — Gostaria de conversar?

Ela olhou para as portas dos fundos, como se pensasse em escapar. Então suspirou.

—Sim, acho que sim.

Uma policial passou ao lado deles o encarando, ela a reconheceu como a policial Charlotte, ela lhe lançou um olhar irritado e Elsa se perguntou o que ela estaria vendo? Um homem e uma mulher atraentes aos sussurros.

— Vamos — ele sussurrou e ela o seguiu.

(...)

Entraram no parque Piedmont Park, seguindo um caminho sombreado pelas árvores que ladeavam o rio. Naquela tarde de outono, compartilhavam o parque com corredores, ciclistas e mães empurrando carrinhos de bebês. O silêncio era palpável entre eles, ambos perdidos em pensamentos enquanto se curvavam para passar sob os galhos de um salgueiro.

— Faz dias que não nos vemos — ele sussurrou.

— Foi uma semana dificil.

Ela parou e olhou para o rio que fazia leves ondulações com a força do vento. O barulho alto do tráfego ali perto abafava o som da água em movimento.

— Nunca me senti tão vulnerável. O que vi na necropsia...

— Elsa

— Não podia ter ficado abalada, devia estar acostumada, faço isso todos os dias, empunho o bisturi e corto, nunca me incomodou. Talvez isso queira dizer que perdi contato com a humanidade, me tornei tão fria que nem me dou conta de que estou cortando carne humana. Mas naquele dia, vendo aquilo, tudo se tornou muito pessoal. Eu olhei para ela. Agora não consigo pegar um bisturi sem me lembrar, me perguntar, como teria sido sua vida? O que sentiu? O que estava pensando quando...

Elsa parou de falar e suspirou : — Tem sido difícil voltar ao trabalho.

— Você tem mesmo de voltar?

Perplexa com a pergunta ela olhou para ele.

— Tenho escolha?

— Todos temos.

— É meu trabalho, aquilo que faço bem.

— Isso não é uma razão para fazê-lo.

— Por que você é detetive?

Foi a vez dele parecer perplexo. Pensou naquilo um instante, levantou o olhar observando o lago, o azul de seus olhos ocultos pela sombra do salgueiro.

— Foi uma escolha minha.

— O mesmo ocorreu comigo.

Ela começou a caminha, ao longo de um caminho começando a ser preenchido pelas folhas de cor alaranjadas. Ela afundou em um banco de madeira de frente para o rio, a luz do dia se esvaía, e a água fluía negra em meio às sombras que se adensavam. Ele também se sentou, estavam próximos o suficiente para que ela conseguisse sentir seu cheiro.

— Passei a semana pensando em como você estaria — ele falou enquanto voltava o olhar para o rio sem a encarar.

Ambos ficaram em silêncio, diante deles fluía um rio de águas escuras e atrás um rio de carros, ela respirou fundo fechando os olhos e imediatamente identificou o cheiro de Jack.

— Quer jantar comigo esta noite? — ela perguntou de repente.

Ele não a respondeu de imediato, e sua hesitação a fez enrubescer. Que pergunta idiota. Ela queria retirar o que dissera, voltar os últimos sessenta segundos. Teria sido tão bom apenas dizer adeus e ir embora. Em vez disso, deixara escapar aquele convite precipitado que agora lhe parecia algo totalmente errado.

— Desculpe — murmurou — Não tinha ....

— Sim — ele a interrompeu — Adoraria.

(...)

Ela estava em sua cozinha, picando tomates para a salada, sua mão estava trêmula enquanto empunhava a faca. No fogão, uma panela de carne à bourguignonne espalhava uma fragrância de carne e vinho tinto pelo ambiente. Um prato fácil, que ela conhecia e podia fazer sem consultar sua receita, sem ter de parar para pensar. Não seria capaz de fazer uma comida mais complicada. Sua mente estava completamente concentrada no homem que agora servia duas taças de vinho. Estendeu uma taça em sua direção e ela o agradeceu.

— O que mais posso fazer?

— Nada

— Sabe que sou capaz de te ajudar pelo menos com a salada — ele falou e ela sorriu.

— Te convidei para jantar e não para você trabalhar — ela falou antes de pegar a taça dando um pequeno gole.

— O que acha de fazermos o jantar juntos? — ele perguntou enquanto se aproximava e pousava a mão sobre a dela lhe tirando a faca logo tomando seu posto cortando os tomates. Ela sentiu-se corar e desviou o olhar quando ele a encarou.

Ela o observou por um instante, e o único som que se ouvia era o da lâmina da faca contra a tábua de carne. Jack permanecia atento ao que fazia, a camisa social dobrada até o antebraço e o cabelo bagunçado como se estivesse acabado de acordar, ela se virou em direção a panela a abrindo e o vapor subiu preenchendo o local com o cheiro. Ele colocou os tomates picados em uma saladeira onde já havia algumas folhas de alface, pegou o azeite que estava sobre o balcão.

— Pode deixar — Elsa falou enquanto pegava o azeite de sua mão.

— Sei temperar uma salada — ele falou rindo.

— Não é isso, é que estou acostumada com meu tempero.

— Filha única?

Ela o encarou enquanto pegava o vinagre balsâmico.

— Como sabe?

— Intuição — ele a respondeu sorrindo.

— E você?

— Segundo de três, bem no meio. O que, de acordo com os psicólogos, torna-se um mediador nato. Aquele que está sempre tentando promover a paz — ele a encarou com um sorriso — Também quer dizer que sei tomar banho bem rápido.

Ela sorriu de lado enquanto pegava a taça dando mais um gole, enquanto a de Jack ainda estava quase intocada.

— E como você passou do título de o mais rápido do banho para detetive?

Ele não a respondeu de imediato, ao invés disso pegou a taça dando um gole, o franzir do nariz não passou despercebido a Elsa que o observava, pelo jeito ele não era um bom apreciador de vinhos. Ele a encarou .

— Meu pai era policial, ele morreu quando foi chamado para atender a um chamado.

Pega de surpresa, ela não sabia oque dizer, até um ' sinto muito' não lhe parecia apropriado, ao invés disso ela apenas permaneceu em silencio,

— Eu tinha dez anos, na época estava ocorrendo um assassinato em massa de policiais e meus pais viviam discutindo pois minha mãe queria que ele largasse o emprego — ele deu um suspiro e ela se aproximou um pouco mais — Ela tinha razão, então eu fiz uma promessa que iria me tornar detetive — ele levantou a cabeça sorrindo em sua direção — Portanto aqui estou eu.

— Detetive Frost — ela sussurrou e ele concordou com a cabeça.

Eles voltaram a encher suas taças. Ela acrescentou croutins á salada e colocou a carne à bourguignonne fumegante em uma travessa. O melhor caminho para conquistar o coração de um homem é pelo estômago. Era isso que ela estava tentando fazer?

Ambos brindaram, as taças fazendo um pequeno som no silêncio e sorrisos trocados, o jantar seguiu com uma conversa calma e as vezes ambos procuravam assuntos em suas mentes, como dois adolescentes em um primeiro encontro.

— E o que a trouxe a Atlanta ?

— Acho que precisava mudar de vida

— Cansou da antiga vida?

Ela levantou o olhar em sua direção enquanto empurrava um pedaço de carne para lá e para cá.

— Acho que imagina a resposta.

Jack ficou mudo, havia se esquecido completamente da história que escutara na casa de Thooty, abaixou o olhar envergonhado, pronto ali estavam eles com um jantar totalmente arruinado por sua culpa.

— Não se preocupe — ela falou o observando — Tudo o que podia me magoar com esse assunto já ficou no passado — Elsa sorriu tentando lhe passar sinceridade, afinal essa era a verdade, fazia um mês que não tinha mais notícias de Joshua e nem se quer pensara nele nesse tempo.

Jack suspirou procurando seguir a conversa por um caminho que sabia ser mais saudável.

— Você pode ter tido um pouco de sorte por não ter irmãos — ele comentou e ela levantou uma das sobrancelhas — Acredite, quando são em três o irmão do meio é sempre aquele que leva a culpa, Sophie por ser a mais nova era a princesinha da casa, e eu sempre fui o fazedor de favores, tudo que qualquer um dos dois precisavam me chamavam, as vezes me gritavam para pegar um copo de água — ele comentou e ela sorriu.

Terminaram o jantar e ele se ofereceu a ajudá-la com a louça, ela começou a lavar a louça e Jack a enxugá-la e Elsa lhe falava onde guardar, ela teve de se concentrar para que a ideia de que pareciam um casal comum não se fixasse em sua mente, balançou a cabeça expulsando qualquer ideia.

— Elsa ? — ele a chamou e ela virou-se para ele no momento em que o braço do mesmo estava estendido para pegar o prato molhado, os corpos se chocaram e ambos se encararam atentamente. Não conseguiam desviar o olhar. Ela se pegou respirando fundo, inalando o cheiro de menta e vinho tinto que exalava da respiração de Jack, ela viu coisas no rosto dele que não havia notado antes, as mechas louras de seu cabelo parecia ainda mais claras, uma pequena cicatriz no queixo, o modo como a íris fazia um contraste negro em um azul tão claro que lhe lembrava o céu. A mão de Jack se moveu sozinha e ele tocou a cintura de Elsa, ela sentiu a pele esquentar mesmo que não estivesse diretamente em contato com a de Jack, o coração de ambos acelerados. Ela o encarou, ambos eram adultos, dependendo do que ocorresse a culpa não seria apenas de um e sim dos dois, e seu quarto estava próximo.

Os corpos se aproximaram ainda mais e ela pousou a mão no braço de Jack, sentindo a pele se arrepiar com seu toque, parecia tudo natural de mais e isso a assustava.

Jack encarou os lábios de Elsa, então ele acabou com a distância, capturando os lábios de Elsa, as línguas se encontraram e ela se sentiu suspirar, ela levantou as mãos as perdendo nos cabelos dele, e ele a prensou na bancada da cozinha, as mãos apertavam a cintura feminina enquanto as dela descia em direção a sua nuca. Ambos sentiam a necessidade do ar, mas nenhum dos dois queria desmanchar aquele contato.

Ao longe ouviu o celular tocar na sala mas não quis atendê-lo. Deixou-o tocar até silenciar. Se separaram e ambos se encararam, e o que ela viu nos olhos de Jack não foi apenas desejo mas algo que não via a muito tempo, ele a olhava como nenhum homem a olhara antes. Antes que qualquer um dos dois dissesse algo ela o puxou pela gravata para mais um beijo, não queria mais pensar em nada, apenas no homem que estava a sua frente. O celular voltou a tocar. Desta vez, a urgência daquele som por fim chamou sua atenção, ela não podia mais ignorá-lo, relutante interrompeu o beijo e seguiu em direção a sala.

Quando chegou na sala o pegou o atendendo, sentia as pernas trêmulas e o rosto corado.

— Dra. Snow

— Dra. aqui é o Detetive Hans, precisamos da senhora aqui — ela suspirou derrotada, se a ligação não a estivesse interrompido saberia como a noite iria acabar, mas agora se perguntava como olhar para Jack e se despedir sem se lembrar do ocorrido.

—Tudo bem, me passe o endereço.

Enquanto anotava ela percebeu a aproximação de Jack, desligou o celular virando em direção a ele sentindo-se como uma adolescente encabulada.

— Preciso ir — ela murmurou.

— Eu sei.

Ele se aproximou, e acariciou o rosto dela colocando uma mecha do cabelo de Elsa atrás de sua orelha.

— Nos vemos amanhã — ele sussurrou e ela concordou com a cabeça. Mais um beijo e ele lhe deu as costas. Quando a porta da sala se fechou ela respirou fundo se perguntando se aquilo realmente era o certo.

Notas finais
Aehhhhhhhh Jelsa aconteceu ♥ Batendo palmas rsrsrsrs.... Espero que tenham gostado e não esqueçam de comentar, cada comentário é muito importante para essa escritora, prometo responder rsrsrsrs.... Beijos meus amores.