Criminal
14 Can you feel my heart?
Notas iniciais
Você consegue ouvir o silêncio?
Você consegue ver a escuridão?
Você consegue restaurar o que foi destruído?
Você consegue sentir, você consegue sentir meu coração?
Você consegue ajudar o desesperado?
Bem, eu estou implorando de joelhos
Você consegue salvar minha alma condenada?
Você vai esperar por mim?
Me desculpem, irmãos
Me desculpe, amor
Me perdoe, pai
Eu te amo, mãe
Você consegue ouvir o silêncio?
Você consegue ver a escuridão?
Você consegue restaurar o que foi destruído?
Você consegue sentir meu coração?
Tenho medo de me aproximar e odeio estar só
Anseio por aquele sentimento de não sentir nada
Quanto mais alto me elevo, mais baixo afundarei
Não posso afogar meus demônios, eles sabem nadar
Tenho medo de me aproximar e odeio estar só
Anseio por aquele sentimento de não sentir nada
Quanto mais alto me elevo, mais baixo afundarei
Não posso afogar meus demônios, eles sabem nadar
Tenho medo de me aproximar e odeio estar só
Anseio por aquele sentimento de não sentir nada
Quanto mais alto me elevo, mais baixo afundarei
Não posso afogar meus demônios, eles sabem nadar
Você consegue sentir meu coração?
Você consegue ouvir o silêncio?
Você consegue ver a escuridão?
Você consegue restaurar o que foi destruído?
Você consegue sentir, você consegue sentir meu coração?
Acredito que o tipo mais forte de amor seja o de uma mãe por um filho. Existe um elo invisível entre a mãe que carrega o filho e o forma, um elo tão forte quanto o aço mais puro. Um sentimento tão forte e tão verdadeiro, que uma mãe não pensa duas vezes para dar a sua vida pela do seu filho. E o pior de tudo, é provavelmente uma mãe que tenha que ver o seu filho ser enterrado. Não existe lógica, afinal de contas, são os filhos que deveriam enterrar os pais, correto? Vivemos em um mundo sem lógica, onde as mães enterram os filhos.
O som da porta se abrindo matou uma parte da alma de Esther. A mulher caiu de joelhos aos pés do filho, aos prantos ela gritava o mais alto que conseguia, implorando, rezando, se humilhando. O filho não parecia ouvir, simplesmente preferia ignorá-la. Sorrindo e gargalhando na cara da morte, sua risada ecoava por uma sala que cheirava a gasolina. A cada segundo a morte ficava mais perto, vindo lenta e dolorosamente para buscar o que ela tinha de mais importante.
― Meu filho! Meu filho! ― Ela gritou aos seus pés, chorando e soluçando. ― Vá embora. Saia daqui! ― Esther tentou empurrá-lo para longe mas ele não moveu um músculo.
O sorriso em seu rosto, o sorriso era o que mais a assustava. Ele exibia o esqueiro acesso diante do rosto e olhava para a porta, esperando para quem estivesse vindo pegá-lo.
― Eles vão queimar, eles vão queimar quando chegarem aqui! ― Alaric continuou gritando e gargalhando.
― Por favor! Eu lhe imploro! Por favor! Vá embora, meu filho. Vá embora, desista dessa loucura. Salva-se, salve-se e viva por mais um dia para vingar-se.
― Eu não vou morrer! Eu vou matar todos! ― Ele gritou com todo o fôlego de seus pulmões, seus gritos ecoavam por toda a casa.
A mãe soltou um grito apavorado, sabendo que lá longe eles escutavam o seu filho. Ela queria que ele fosse um bebê novamente, queria poder pegá-lo no colo, aninhá-lo em seus braços e correr com o filho para longe dali. Os passos cada vez mais próximos eram como música para os seus ouvidos. Uma mãe nunca havia sentido tanto medo e desespero por um filho como ela estava sentindo naquele momento.
Em um último ato pelo amor que ela nutria pelo filho, não ia deixar isso passar em branco. Usou toda a força que lhe restava e se levantou do chão.
Seus olhos captaram o objeto de prata brilhante sobre a mesa no canto da sala. Os olhos assustados das garotas reféns seguiram os seus passos enquanto o filho continuava gritando e olhando fixamente para a porta, apenas esperando pela morte.
― Eu não serei a única a perder o meu filho hoje. ― Falou em tom baixo, dando coragem a si mesma para o que estava prestes a fazer.
Apanhou a faca e a segurou com força, viu a garota do outro lado da sala que era a que lhe olhava com mais atenção. Hayley olhou para a faca em sua mão e depois para o seu rosto.
― Não! ― Ela falou entrando em desespero e colocando as duas mãos sobre a barriga, tentando de alguma forma protegê-la. ― Não! ― Gritou dando um passo para trás e tremendo pela vida do filho.
Esther começou a caminhar em sua direção, com passos longos e rápido. Alcançou Hayley antes que pudesse esperar, a garota levou os braços para lutar mas já se sentia fraca após o que Alaric havia feito com ela.
― Não toque no meu filho! ― Hayley gritou.
Todos os olhos na sala se viraram para as duas, inclusive Alaric, que estava tão atento com as garotas amarradas nos seus pés e esperando o momento certo para soltar o esqueiro acesso sobre elas. Hayley tentou lutar com Esther, batendo os braços e as mãos contra a faca, abrindo cortes nos meus mesmos. Mas em uma questão de segundos, ela conseguiu acertar o seu alvo. Apunhalando Hayley pelo menos três vezes seguidas no ventre com a faca.
A garota gritou e levou as mãos a barriga, o sangue jorrava feito água em uma cachoeira. Ela deu três passos para o lado e desabou no chão. Uma poça de sangue se formando onde ela estava.
As garotas soltaram gritos abafados por trás da fita em sua boca mas o grito mais alto que se ouvia era o de Hayley, o desespero em sua voz era agoniante.
Alaric olhou surpreso para a mãe e quando ela foi seguir adiante para apunhar Davina e Henrik que estavam amarrados no canto da sala, algo a impediu de continuar.
As portas duplas da sala se abriram com um estrondo e em seguida veio o som de um tiro. Klaus passou pela porta primeiro, apontando a arma diretamente para Alaric. O esqueiro caiu da sua mão próximo aos pés de Rebekah, que mesmo amarrados, conseguiu chutar o esqueiro para longe.
― Alaric! ― Esther gritou e correu quando percebeu que o tiro havia atingido o filho no pulso.
Niklaus correu na mesma direção e empurrou Esther para longe antes que ela pudesse tocar no filho, fazendo-a cair de costas no chão. Ele segurou Alaric pelo pescoço lhe dando um mata leão para mante-lo imobilizado.
Elijah entrou junto com os irmãos e viu Hayley caída no chão, ele gritou seu nome e correu em sua direção. Caindo de joelhos ao lado do seu corpo, ajoelhando sobre seu sangue. Ela não tinha mais cor no rosto, os olhos estavam fundos e distantes. Mas ainda conseguiu abrir um sorriso ao ver Elijah ali, um pequeno sorriso.
― Elijah. ― Ela sussurrou seu nome com sangue nos lábios.
As mãos dela ainda estavam sobre o corte em sua barriga, Elijah também colocou as mãos ali também, tentando pressionar para parar o sangramento.
― Está tudo bem, tudo bem. ― Ela falou tão baixo que ele mal conseguiu ouvi-la, teve que aproximar seu rosto do dela para ouvir o que ela tentava lhe dizer. ― O be- ― Ela tentou falar mas não conseguiu, gaguejando. ― be-bebê, o bebê. Me desculpe. Me desculpe.
― Bebê? ― Elijah olhou para ela sem acreditar, sua voz saiu um sussurro falho de desespero. O seu lábio tremeu com a realização do que ela queria dizer.
Os irmãos se movimentavam a sua volta, soltando as garotas amarradas. Esther estava caída no chão, cercada por Damon, Stefan e Matt, que apontavam armas diretamente para ela. Klaus ainda segurava Alaric imobilizado.
― Você vai ficar bem. Nós vamos ficar bem. ― Elijah falou olhando para a sua barriga. Ele sabia que não, sabia que a vida do seu filho já se fora, não com todo aquele sangue. Não com a forma com que Elijah parecia a beira da morte. ― Aguente firme, você vai ficar bem.
Ele tirou as mãos da barriga dela e olhou na direção de Esther caída no chão. Assim que ele se afastou de Hayley, sua irmã mais nova assumiu o seu lugar, pressionando a ferida da garota.
― Você! ― Elijah gritou e apontou para ela. ― Isso é sua culpa! ― Ele se levantou e foi até onde ela estava, levantando-a. Elijah segurou seu rosto com as duas mãos e a fez olhar para onde o filho estava. ― Você fez isso! ― Gritou. ― Você fez isso quando criou esse monstro que chama de filho! Agora vou fazer com você o que fez comigo. Vai assistir o seu filho morrer. Vai olhar para ele enquanto ele morre.
― Você destruiu essa família. ― Klaus gritou para ela. Havia tanta raiva em sua voz, como nunca antes. ― Você matou Mikael!
― Matei Mikael! Matei seus pais! Matei a puta da sua mãe! ― Esther cuspiu para Klaus. ― Matei todos que se meteram no meu caminho e deveria tê-lo matado também quando nasceu, bastardo! ― A forma com que ela gritou bastardo foi de causar arrepios. ― A forma com que ela gritou bastardo foi de causar arrepios. ― Bastardo e filho de uma puta!
Ele tremeu por um momento, vacilando por um breve momento e se deixando atingir pelas suas ofensas.
― O que você vai dizer para a sua mãe antes de morrer? ― Niklaus sussurrou para Alaric ainda imobilizado em seus braços. ― Olhe bem nos olhos dela e diga as suas últimas palavras.
― Não! ― Esther gritou em desespero. Ela realizou que não havia mais volta, não havia mais jeito. Ela sabia que a morte estava ali e a vida do seu filho era uma pequena brasa quase se apagando. ― Não! Niklaus! Por favor! Por favor! Tenha misericórdia! Ele é meu filho! Meu único filho! Deixe-o ir! Deixe-o ir e me mate! Eu matei a sua família, eu tirei a família de cada um de vocês e não ele! Deixe-o ir! Eu lhe imploro! Tenha piedade! Por favor! Por favor!
― Você está certa. Você tirou de nós aqueles que nós chamávamos de família e não ele. Deveria matar você e isso seria justiça. Mas eu não quero justiça, eu quero vingança. E que vingança melhor do que fazer com você o que fez comigo? O que fez com minha família?
― Não! Eu lhe imploro! Por favor! ― Ela chorou enquanto Elijah lhe mantinha presa e a obrigava a continuar olhando.
― Mate-o! ― Elijah gritou a ordem para o irmão e Esther gritou apavorada, tentando lutar com todas as forças para se libertar do aperto de Elijah e correr para o filho.
― Suas últimas palavras? ― Klaus sussurrou para o primo que gargalhou. ― Alguma última palavra de ódio ou maldição para dizer?
― Ela vai destruir você. Vai despedaçar você, lento e dolorosamente. Vai destruir uma dinastia porque gosta de foder garotinhas. O amor é veneno. Um doce veneno mas, mata do mesmo jeito. Eu gostaria de estar vivo apenas para ver você cair, a queda do grande e poderoso bastardo Mikaelson vai ser na boceta de uma menina que ninguém liga! ― O tom de voz de Alaric foi aumentando a cada palavra que saia de sua boca, ficando tão alto até se tornar um grito. Suas palavras saíam mais altas do que os gritos de desespero de sua mãe. ― A morte chegou para você com nome e sobrenome.
― E para você também. ― Klaus sussurrou.
― Olhe para o seu filho. ― Elijah ordenou, segurando o rosto de Esther na direção do filho.
Dito suas últimas palavras, Niklaus fez o que ele tinha de fazer. Com a sinfonia dos gritos de desespero da mãe e a som do sufoco de Alaric. Apertando a sua garganta com cada vez mais força, impedindo o ar de passar por ali. Ele tentou lutar, tentou mover as pernas e os braços para se soltar mas a posição não lhe era favorável mas ainda assim, sabendo da morte certa ele não queria simplesmente desistir de lutar, tentou e lutou até o fim. E isso Niklaus admirou, mesmo um homem condenado de sua morte decidiu lutar até seu último suspiro.
Quando o corpo parou com os sinais de luta e simplesmente amoleceu, se esvaziando pela vida e ficando mole. Niklaus soltou o corpo de Alaric que despencou mole no chão.
― Meu filho! ― Esther olhou o corpo do filho despencar no chão.
Elijah a soltou do apertou e a deixou correr até o corpo do filho. Esther caiu de joelhos e o puxou para o seu colo, os olhos encaravam o vazio e o rosto não tinha expressão. Era só um corpo sem uma vida.
― Meu filho! Meu único filho! ― Ela chorou, acariciando lentamente o rosto do filho.
Elijah pegou a arma que Damon segurava de sua mão e caminhou lentamente até onde Esther estava, debruçada sobre o corpo do filho que ela tentava abraçar. Apontou a ponta da arma para a sua cabeça e apertou o gatilho.
A confusão de gritos, sangue e sirenes veio tão rápido quanto partiu.
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Quando virei uma esquina para a rua da casa dos Mikaelson, de longe eu vi o tumulto e a acumulação em frente a casa. Por um momento o meu coração parou, assim como todos os meus outros sentidos. O medo e o desespero me paralisaram. Segurei na direção com mais força e pisei mais fundo no acelerador, me aproximando com mais velocidade mas ainda enxergava como se estivesse distante. Talvez fosse minha mente brincando comigo. Nossa cabeça mente para nos proteger da dor.
― Isso não é bom. Isso não é bom. ― Sussurrei para mim mesma. Os olhos já estavam embaçados pelas lágrimas que pesavam.
Quando cheguei a frente, um policial acenou com as mãos, um sinal para eu me afastar dali. Que não havia nada para ver ali. Parei o carro no lugar proibido e sai do mesmo sem nem me dar o trabalho de desligá-lo. Sai correndo no meio da confusão de rostos desconhecidos, procurando por algum rosto conhecido. Enquanto um policial corria atrás de mim e gritava comigo para eu sair dali.
― Klaus? ― Chamei no vazio de toda aquela gente, esbarrando em pessoas e me perdendo naquele labirinto. ― Klaus? ― Gritei para o nada.
O desespero aumentou no meu peito, me deixando mais desorientada ainda. Passei a mão pelo cabelo, afastando-o dos meus olhos. Rodei no lugar por um momento olhando tudo a minha volta. Meu rosto já estava molhado pelas lágrimas e minha respiração acelerada e pesada.
― Klaus? ― Chamei baixinho. Um sussurro apenas.
Um policial tocou o meu ombro levemente.
― Senhorita, você não pode... ― Mas antes que ele pudesse continuar eu comecei a correr.
Corri na direção da casa e pulei a faixa de isolamento.
― Moça, você não pode entrar aqui! ― Um policial veio correndo na minha direção, me segurando pelos braços quando eu ultrapassei a faixa, me impedindo de continuar correndo. ― Moça?
― E... eu... eu... ― Não encontrei palavras ou elas simplesmente não vieram. Ele percebeu o quão desorientada eu estava.
― Você é da família? ― Ele perguntou.
― Eu? Sim! Sim! Sim. Eu sou, eu sou. ― Repeti diversas vezes, em desespero, tentando ver o que acontecia lá.
Por trás dos ombros do policial eu vi um rosto conhecido. Meu coração deu um salto e eu tremi por inteira, me soltei dos braços do policial antes que ele pudesse reagir e corri na sua direção.
― Stefan. ― Sussurrei para mim mesma, para me acalmar. ― Stefan! ― Gritei e ele se virou na minha direção.
De todas as formas que Stefan poderia ter me olhado naquele momento, a única que não foi é surpresa. Era como se eu nunca tivesse partido, como se eu estivesse ali o tempo todo. Corri em sua direção e ele deu um passo na minha. Quanto mais eu corria parecia que minhas pernas não funcionavam, quando eu finalmente o alcancei, eu estava no desespero.
― Stefan! Stefan, onde ele está? Onde ele está? Cadê ele? ― Eu gritava. Falando rápido demais para as minhas palavras serem entendidas com clareza.
― Caroline, ele está bem! Está tudo bem. Ele está bem. Acalme-se. Acalme-se. ― Ele me segurou pelos ombros. ― Caroline! ― Stefan gritou me trazendo de volta a realidade até que eu parei de gritar. Ele então deslizou seus braços dos meus ombros para as minhas costas e me puxou contra seu peito, me abraçando. ― Está tudo bem. Tudo bem.
Ainda soluçando contra o seu peito e tentando me acalmar eu consegui ouvi-lo. Ele estava bem, ele estava bem. Pode soar um tanto egoísta, não um tanto, muito egoísta, verdade seja dita mas eu estava tão aliviada por saber que ele estava bem. Esse foi o meu maior medo naquele momento.
― Cadê ele? ― Levantei o meu rosto para olhar para Stefan.
O forma com que ele me olhou empregava um mas aí, ele apertou os lábios por um momento. Algo havia acontecido, algo ruim.
― O que foi? ― Perguntei baixo, com medo do que ele iria dizer a seguir.
― Hayley. ― Stefan respondeu, apenas a forma com que ele pronunciou seu nome já dizia muito. ― Eles estão no hospital.
― Oh meu Deus! ― Falei e tapei a boca com a mão, abafando um grito. Eu não precisava de muito para saber que isso não era bom, na verdade, nada bom. Eles não iam estar no hospital por um simples corte. ― Nós temos que ir. Nós temos... Stefan, nós temos que ir lá.
― Sim. Sim. Nós vamos. Nós vamos. ― Ele respondeu em tom calmo, tentando me acalmar de alguma forma.
Ainda me segurando em Stefan, ouvi ele praguejar em tom baixo. Ele então se afastou um pouco de mim e colocou sua mão sobre a minha cabeça, me fazendo olhar para baixo.
― Fique abaixada. Não diga uma palavra. Vamos sair daqui, vou tirar você daqui. ― Ele falou antes de passar seu braço em torno dos meus ombros, tentando me proteger de alguma forma.
Foi então que comecei a ouvir a agitação a nossa volta, pessoas chamando meu nome ao longe e fazendo comentários.
― Caroline! Caroline!
― Não é Caroline Forbes?
― É a garota que foi sequestrada!
― Caroline Forbes!
― É ela não é?
― Caroline olhe aqui!
Consegui ouvir as vozes vindo de longe. Stefan começou a caminhar e a me arrastar junto com ele, me segurando com força e garantindo que eu continuasse olhando para baixo. Mesmo com os olhos no chão, eu conseguia ver alguns clarões dos flashes apontados para mim. Ele continuou caminhando comigo e me protegendo da multidão de curiosos e da mídia, assim como os polícias também começavam a tomar conhecimento do que estava acontecendo ali.
― Stefan, o carro. O carro está no meio da rua, a chave está na ignição. ― Falei para ele, ainda mantendo minha cabeça baixa.
Ele não respondeu, apenas começou a andar mais rápido comigo. Sem precisar abrir os olhos eu percebi que ele estava realmente me levando para o carro. Abriu a porta do passageiro primeiro e ainda manteve minha cabeça abaixada.
― Entre no carro e continue com a cabeça abaixada. ― Ele falou antes de me soltar na porta do carro e a fechar.
Foi exatamente o que eu fiz. Entrei no carro e me sentei no banco do passageiro, ainda mantive a cabeça abaixada e encarei o carpete por um momento. Ouvi o som de Stefan entrar no carro ainda ligado e fechar a sua porta.
― Coloque o cinto. ― Ele falou assumindo a direção.
Obedeci e o coloquei ainda sem levantar o rosto, assim que abotoei a fivela do cinto, ele começou a se movimentar e ganhar velocidade rapidamente.
― Tudo bem, pode levantar agora. ― Ouvi Stefan falar e levantei a cabeça, olhando em volta pela janela. Já havíamos saído dali. Ele desviou a atenção da direção por um momento e me encarou, me esperando explicar.
― O quê? ― Perguntei o olhando. ― Porque está me olhando assim?
― Eu sabia que você ia voltar, eu disse a ele. ― Ele falou balançando a cabeça negativamente e sorrindo irônico. ― Eu tinha certeza. Seu pai sabe que está aqui? ― Stefan me olhou novamente. ― Diga a verdade.
― Sabe. ― Respondi séria. ― Porquê, o que foi?
― Você não viu aquilo? O mundo inteiro está atrás de você, Caroline. Já tinha um monte de merda lá pelo o que aconteceu, agora você vai e aparece lá? A polícia vai procurar por você pela cidade inteira. Seu pai precisa retirar a queixa ou então estamos fodidos. ― Ele olhou pelo retrovisor e acelerou mais.
Olhei por cima dos ombros para ver se havia alguém atrás de nós, por sorte não.
― Onde nós estamos indo? ― Perguntei.
― Vou levar você para Klaus, ele vai saber o que fazer. ― Ele batucou impaciente com os dedos na direção e torceu os lábios.
Ficamos em um silêncio constrangedor por um tempo, poderiam ter sido minutos mas pareceram horas, especialmente porque eu sabia que estava indo ao encontro de Klaus. Eu não sabia qual seria a reação dele ao me ver, eu não sabia que ele ia simplesmente me abraçar ou gritar comigo e me mandar embora.
― O que ele disse? ― Stefan perguntou, cortando o silêncio e atento a direção. ― Seu pai. O que ele disse quando falou que ia ficar?
― Ele temeu pela minha vida. ― Respondi e olhei para Stefan, ele acenou positivamente ainda sem olhar para mim.
― Sabe que ele está certo, não é? ― Ele respirou fundo e me olhou para mim por um momento. Então parou o carro em um acostamento mas não o desligou. ― Vou te dar uma chance de decidir como vai ser sua vida daqui para frente, você viu no tempo em que passou aqui como é. Não tem volta, Caroline, não é algo que você decida que quer sair depois que ficar entediada. Essa será sua vida daqui para frente e não terá volta, se tiver certeza que é isso o que quer, vou continuar dirigindo até Klaus. Se não, vou te levar para a embaixada dos Estados Unidos e volta para a sua vida.
Stefan estava certo, essa seria a minha vida daqui para a frente. Qual for que seja a escolha que eu faça agora, vai definir o resto da minha vida. Se eu seguisse adiante com isso, eu sabia que eu não poderia simplesmente voltar para os colo dos meus pais quando eu quisesse. Eu faria coisas, eu veria coisas, o tipo de coisa que eles lutam para acabar e eu estava vivendo no centro disso. Era como brincar de roleta russa valendo sua vida, saber que está constantemente a beira do perigo e da morte mas mesmo assim, viver mais intensamente do que em qualquer outra situação.
― O que vai ser? ― Ele perguntou, me olhando pensativa.
― Eu quero isso. Eu quero essa vida. Dirija até Klaus. ― Falei sem exitar.
Nós trocamos um longo olhar e ele manteve seus olhos verdes fixos nos meus, então acenou positivamente e exibiu um pequeno sorriso.
― Não tem volta.
― Eu não quero voltar. ― Ele se virou para a rua novamente e saiu com o carro cantando pneu.
Nós não falamos pelo resto da viagem. Não havia o que falar, não tinha o que falar. Eu sabia que não tinha mais volta agora, nada na minha vida seria como antes daqui em diante. Não queria pensar nos riscos mesmo sabendo quantos eles eram, tudo que eu queria naquele momento era viver aquela vida, era viver com Klaus. Eu não conseguia mais deixá-lo, eu não consigo imaginá-lo de outra forma que não fosse aquela. Já não tinha mais uma fantasia de que nós tivéssemos nos conhecidos em um universo onde tudo era perfeito, essas foram as circunstancias em que nós nos conhecemos e foram as mesmas que me fizeram amá-lo de tamanha forma que não posso simplesmente explicar. O primeiro amor é sempre o mais forte e o intenso, alguns dizem até louco e Klaus era o meu. E eu quero mais do que tudo que ele seja o primeiro e o último.
Stefan entrou no estacionamento subterrâneo do hospital para não passarmos pela recepção, ele acreditava que agora o que havia acontecido na mansão já estava na televisão. A ansiedade que estava em mim, eu literalmente sentia borboletas no estômago. Stefan trocou mensagens de texto enquanto atravessávamos o estacionamento e íamos até o elevador.
― Eles estão na sala de espera. ― Stefan falou quando entramos no elevador e apertou o botão do andar.
Acenei positivamente e mantive meus olhos fixo no relógio, observando o elevador subir andar por andar e os segundos passarem.
― Você está bem? ― Stefan perguntou quando o elevador apitou e as portas se abriram.
― Sim. ― Respondi em tom baixo, respirando fundo para sair dali.
Seja qualquer que for a reação de Klaus agora, eu sabia qual era a minha. Eu apenas queria correr e me jogar em seus braços sem pensar. Stefan saiu primeiro e manteve a mão na porta para ela não se fechar, sai do elevador em passos lentos. Era um longo corredor de hospital como qualquer outro. Haviam algumas pessoas sentadas em bancos esperando, outras de pé, médicos e pacientes indo e vindo, e naquela confusão meus olhos pararam em Klaus.
Ele estava de pé do outro lado do corredor, olhando na nossa direção. Por um momento nós simplesmente congelamos. Uma troca de olhares de alguns segundos que pareceram minutos. Sua expressão séria, ele não queria demonstrar nenhum sentimento, enquanto eu estava a beira de um colapso, querendo simplesmente correr na direção dele. Me lembrou de como nós conhecemos, a primeira vez que o vi, caminhando em minha direção num galpão enquanto eu estava amarrada e com medo.
Sem perceber, eu já estava caminhando na sua direção. Me desviando dos obstáculos no caminho e quando estava próxima ele também vinha em minha direção. Só me dei conta de que corri em sua direção quando senti o choque do meu corpo contra o dele quando finalmente nos encontramos. Envolvi meus braços em torno do seu copo e escondi meu rosto em seu peito. Seus braços me seguravam de uma forma que ele jamais me segurou antes, com tanta segurança e ternura. Tão forte, ele me abraçava tão forte.
― Por favor, não me faça ir embora novamente. ― Sussurrei contra o seu peito, respirando o seu cheiro e acompanhando a minha respiração com a dele. ― Por favor. ― Implorei.
Klaus deslizou suas mãos pelo meu corpo e as levou até meus ombros, dali para o meu rosto, segurando-o com as duas mãos. Não precisava de palavras para eu ver o que ele sentia agora, ele havia baixado a guarda e me deixando ver tudo o que sentia. Klaus estava arrependido por ter me deixado ir, mas também sabia que era a coisa certa a se fazer, mesmo feliz com a minha presença ali, ele temia pela minha vida. Me olhava quase da mesma forma que meu pai me olhou quando o deixei. Eu não queria que ele tivesse dúvidas. Me estiquei e fiquei na ponta dos pés para alcançar o seu rosto, deslizei a ponta do meu nariz pela sua bochecha até o mesmo seu, depositei um beijo de leve no canto dos seus lábios e ele acariciou meu rosto com o polegar. Automaticamente, minha boca foi parar sobre a dele. Pressionei os meus lábios contra os seus com força e desespero, com sede da sua boca e ele retribuiu. Empurrando sua boca contra a minha também, era praticamente uma luta para quem queria ter mais um do outro. Uma de suas mãos que estava no meu rosto foi parar na minha nuca, a qual ele me segurava com força e me mantinha presa a ele, enquanto a outra apertava uma mecha do meu cabelo em sua mão.
― Caroline! ― Ouvi o chamado da voz tão conhecida.
Tive que me obrigar a lentamente me afastar de Klaus e selar nossos lábios uma última vez antes de soltá-lo e ver Elena vindo correndo em minha direção, com Damon vindo atrás com mais calma. Ela estava segura agora e era isso o que importava. Corri em sua direção e a abracei forte.
― Você está bem? ― Perguntei enquanto ainda a segurava.
― Sim e você? ― Ela perguntou se afastando mas sem me soltar. ― Pensei que você estivesse partido, Damon me disse mas...
― Eu... ― Comecei a falar e olhei para onde Klaus estava. ― Meu lugar é aqui agora.
Elena deu um sorriso acolhedor e olhou para Klaus e depois para mim.
― Você quer dizer que seu lugar é com ele. ― Ela falou e arqueou uma sobrancelha.
― Elena! Ele pode nos ouvir. ― Sussurrei envergonhada quando vi Klaus sorrir com o que ela falou.
― E eu falei algo errado? ― Ela sorriu.
― Eu devo voltar para o lado do meu irmão, anjo. ― Klaus se aproximou de mim e falou baixo em meu ouvido. Tocando levemente a minha cintura com a palma da mão.
― Então eu vou com você. ― Falei séria, entrelaçando meus dedos nos dele da sua mão que estava em minha cintura.
Ele acenou positivamente de forma discreta e saiu andando comigo pelo corredor. Olhei para trás por cima dos ombros e vi Stefan acompanhar um pouco distante, enquanto Elena alcançou Damon e se segurou em um braço seu com as duas mãos.
Nós caminhamos pelo corredor até uma sala de espera, aquelas tão conhecidas salas de espera de hospitais. Com cadeiras nada confortáveis, mesa com revistas velhas, máquina de refrigerante e café e uma planta quase morta no canto. Todos os Mikaelson estavam ali, exceto por dois, Esther e Alaric.
― Caroline. ― Rebekah e Bon falaram juntas quando me viram passar por ali, segurando a mão de Klaus.
― Oi. ― Falei um pouco envergonhada com todos aqueles olhares direcionados para mim ali.
Mais o que mais me chamou atenção foi Elijah, sua camisa dobrada até os cotovelos estava manchada de um vermelho escuro e eu podia ver as manchas de sangue lavadas de sua mão. Ele me cumprimentou com um olhar cansado. Não conseguia imaginar o que ele estava sentindo agora ou o desespero que ele tinha por dentro, mas não podia fazer nada, apenas sentar ali e esperar.
Eu e Klaus fomos nos sentar ao lado de Elijah naquelas cadeiras frias e nada confortáveis, o silêncio reinava na sala, ninguém queria falar e mesmo eu tendo perguntas, não seria nada educado da minha parte fazê-las agora, então simplesmente me sentei em silêncio e segurei a mão de Klaus.
Depois de algum tempo, eu não tive noçãod e quanto, um médico finalmente apareceu na sala e Elijah se levantou de um salto, agoniado com o que ele tinha para dizer.
― As notícias são boas. ― O médico falou, fazendo um sinal com as mãos para Elijah se acalmar. ― Ela está bem, está estável. Agora está tomando sangue para recuperar todo o que ela perdeu e está sedada. Ela perdeu muito sangue, é uma verdadeira lutadora. Vamos deixá-la dormir por um tempo, ela entrou em estado de choque e precisa se recuperar. Quem de vocês aqui é família?
― Todos nós somos. ― Elijah respondeu.
― Bom, apenas um pode entrar. ― O médico falou.
― Ele vai. ― Klaus falou, olhando para o irmão.
― Muito bem, por aqui. ― O médico acenou positivamente e esperou Elijah para acompanhá-lo.
― Doutor? ― Elijah perguntou quando os dois estavam a sós caminhando pelo corredor. ― O bebê? ― Ele sussurrou baixo, com medo da resposta. Ela estava estável, não é? Ele se segurou nesse pequeno fio de esperança.
O olhar que o médico deu para Elijah e depois acenou minimamente que não com a cabeça.
― Sinto muito. ― O doutor falou, tocando levemente o braço de Elijah. ― Com todo o sangue que ela perdeu, a criança nem teria chance. Era muito pequeno ainda. Posso garantir que ele não sentiu dor alguma.
Elijah acenou negativamente com a cabeça com descrença, lágrimas escorreram por seus olhos e ele tapou a boca com a mão para segurar um palavrão e parou de caminhar por um momento. Ele agora conseguia entender o desespero e a angustia que Esther sentiu ao assistir o filho morrer, só agora ele realizava o que havia perdido. Uma coisa que ele nem chegou a ter um contato e agora se sentia sem chão.
― Senhor? ― O doutor o chamou.
― Eu quero vê-la. ― Elijah sussurrou com a voz carregada de emoção. ― Eu apenas quero vê-la.
O médico acenou positivamente e o levou pelo caminho até o quarto da UTI em que ela estava. Elijah lavou os braços com sabão antes de entrar no quarto e esperou até o medico lhe dar a ordem para entrar.
― Você tem dez minutos. ― O médico falou antes de lhe deixar a sós diante da porta.
Elijah tomou um longo suspiro de coragem antes de girar a maçaneta, quem diria que um homem tão corajoso como ele em uma batalha teria medo de ver a mulher que ama em uma cama de hospital? Quando ele abriu a porta, viu Hayley por trás de todos aqueles fios e equipamentos médicos. Fechou a porta atrás de si e se aproximou da cama, o rosto de Hayley não tinha cor e ao redor dos olhos estava vermelho, olhou para a sua barriga onde antes haviam feridas e agora haviam curativos por baixo do macacão médico. Segurou os dedos da mão finos e magros dela, então se abaixou depositando um leve beijo em sua testa pálida.
― Vamos lá querida, eu estou aqui esperando por você. ― Ele sussurrou com os lábios contra a sua testa. ― Consegue sentir meu coração?
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