Criminal.
12 Capítulo 12: Sleeping with enemy.
Notas iniciais
Point of view: Selena.
Depois da insistência de Demi acabei por concordar em ir dormir com ela sabe Deus onde. Descobri que o lugar onde nós estávamos era um barraco escondido no meio do mato dentro de uma fazenda abandonada em uma estrada que ligava Manhattan ao Brooklyn. Estava terminando de colocar o capacete quando dois faróis iluminaram vagamente o local por trás do verde escuro bem tratado. Sem perceber, estava escondida atrás de Demi.
- Não se preocupe, é só o Joseph.
Não me preocupar? Eu estava no meio do nada com dois assassinos e um deles procurava vingança e ainda me pedia para não me preocupar. É claro.
- O cara está lá dentro. – ela entregou um molho de chaves na mão do homem parado diante de nós duas –
- Ele não está morto, está?
- Não, deixei o melhor para você. – ela sorriu mostrando quase todos os dentes –
- Ótimo. Para onde está indo agora? – ele desviou o olhar para mim, analisando-me de cima a baixo –
- Para casa.
- Hm.
- Joseph. – ela deu um passo a frente –
- Oi.
- Pare de secar a minha garota. – a mão em punho de Demi atravessou o espaço acertando em cheio o abdome do primo –
- Porra Demi! – ele ajoelhou levando as duas mãos até o local atingido –
- Vamos, Selena.
A estrada escura parecia não significar nada para Demi, pois ela dirigia em uma velocidade média, porém sem colocar em risco nossas vidas nem um segundo. Reconheci de longe as casas que identificavam a entrada do Brooklyn e relaxei os braços ao redor da cintura da garota a minha frente quando a moto lentamente diminuiu a velocidade antes de estacionar em uma garagem um pouco distante da casa onde eu costumava encontrá-la antes. Senti o calor da mão de Demi atravessar todo o meu braço quando a mesma entrelaçou nossos dedos e começou a caminhar sem pressa alguma pela calçada escura.
- Ele fez alguma coisa com você antes de eu chegar lá? – a voz suave me fez suspirar –
- Não, ele ia fazer quando você ligou. Aliás, eu... Hm... – cocei a garganta fazendo com que aos poucos ela fosse parando de andar – Achei um pouco demais, mas não te agradeci. Obrigada, por... Você sabe, por me salvar.
- Não fiz mais do que o meu dever. – puxou da jaqueta um maço de cigarro, retirando um e levando diretamente até os lábios – Quer?
- Não, obrigada.
- Certo. – o isqueiro foi aceso rente ao tubo e o mesmo incandesceu – Fique aqui, vou buscar água para você e vamos embora.
- Pensei que iria dormir aqui. – franzi a testa –
- Aqui não é lugar para você. Eu vou falar com Nick e ligar para Travis, um amigo nosso. Ele pode ajudar a cuidar do Brooklyn até eu voltar. – conforme ela falava a fumaça encontrava saída em sua boca – Fique aqui e não faça barulho ok? Qualquer coisa me grite.
- Não quero ficar sozinha. – dei um passo a frente e estiquei o braço fazendo com que meus dedos encontrassem os dedos gelados de Demi –
- Selena... Você está na minha área. Ninguém vai te pegar aqui. – encarou-me por uns segundos –
- Promete? – aos poucos minha mão escorregou –
- Eu prometo que enquanto eu estiver por perto, nada vai te acontecer.
Assenti antes de encostar-me no muro e observar Demi desaparecer na escuridão do beco onde nos encontrávamos. Abaixei a cabeça aos poucos até encontrar um gato parado olhando diretamente para mim na esquina da rua de frente pra onde eu estava. A pelagem do pequeno animal era inteiramente preta, e os dois olhos brilhantes que me encaravam eram de um verde bem próximo a cor do limão. Abaixei-me ficando apoiada nas pernas e fiz um sinal com os dedos para que o mesmo se aproximasse de mim, porém a única coisa que o pequeno fez foi sentar-se e continuou com os olhos fixos em mim como se estivesse estudando meu rosto. “Gatos pretos significam azar, Selena.” Minha mente repetiu para mim mesma imitando a voz de minha mãe e eu sorri sozinha com a lembrança, colocando-me de pé quando ouvi passos aproximando-se de mim.
- Te trouxe água. – estendeu um copo preto para mim – Estava tentando chamar o Felix?
- Ele tem um nome? – peguei o copo, dando um pequeno gole no mesmo –
- Ele é meu. – ajoelhou-se e sem precisar fazer nada o animal atravessou a rua e pulou no colo de Demi – Ei garoto. O que você está fazendo na rua, ahn?
- Essa água tem um gosto esquisito. – fiz careta ao terminar todo o conteúdo do copo –
- Ah, é claro. – ela levantou-se ainda com o gato no colo e sorriu – Eu coloquei LSD nela.
- VOCÊ O QUE? – gritei deixando que o objeto preso entre minhas mãos escorregassem –
- Coloquei LSD nela. – o gato pulou do colo de Demi e caminhou graciosamente até sumir da minha vista –
- Por que você fez isso, Demetria? Você é louca! – aproveitei que estávamos próximas para empurrá-la com as duas mãos – Quero ir para a minha casa agora!
- Selena, fique calma. Eu não fiz isso para o seu mal, não precisa gritar.
Por mais que eu quisesse, não conseguia confiar na garota que estava diante de mim. Ela estava com a expressão tranqüila e as mãos apoiadas na cintura encarando-me como se estivesse esperando apenas uma oportunidade para derrubar-me no chão, e aquilo fez meu nervosismo aumentar a tal ponto que senti minhas próprias pernas vacilarem e meu corpo começar a cair, contudo fui amparada por Demi e tentei acertar alguns socos contra o ombro próximo a minha mão. Ela conseguiu depois de alguns minutos me colocar de pé e encaixou a mão em meu queixo, sacudindo meu rosto com um pouco de força como que tentando me acordar, entretanto eu me sentia completamente bem e acordada. Eu só estava vendo a parede escorrendo e pingando no chão, mas isso é absolutamente normal.
- Selena! Olhe para mim.
- Oi Demi.
- Você acha que consegue segurar em mim até chegarmos na minha casa?
- Acho.
- Acha o que?
- Que consigo segurar em você.
- Sabe por que fiz isso? – falou enquanto guiava-me com dificuldade até a moto – Pra que você fique esperta. Não confie em ninguém que te oferecer nada, Selena. Eu estou prometendo que não vou fazer isso outra vez nunca mais, mas você precisa ficar mais ligada.
- Eu estou completamente ligada. – sentei-me na moto e fechei os olhos quando Demi colocou o capacete em mim –
- Segura.
- Ta.
Durante o percurso desconhecido eu consegui não ter nenhum outro tipo de alucinação, mas eu estava esperando que aquilo acontecesse logo, o que de fato aconteceu aproximadamente 40 minutos depois quando Demetria estacionou a moto no quintal de uma casa enorme e desceu, estendendo a mão para mim. Quando peguei a mesma e começamos a caminhar até a porta da casa, vi um tipo de dinossauro gigante uns bons metros maior do que eu abaixar a cabeça na minha direção e tentei atravessar a parede, mas antes que isso acontecesse a garota de cabelos dourados segurou-me com força e empurrou-me para dentro de casa.
- O que você estava vendo lá fora? – segurou meus braços para trás –
- Um dinossauro! Um tiranossauro rex Demi! Ele vai te pegar.
- Ele não vai pegar ninguém aqui dentro, ok? Vamos dormir.
- Não! Não quero dormir, se eu dormir ele vai me pegar.
- Não vai pegar ninguém. – segurou-me com ainda mais força –
- Eu acho que eu estou ouvindo o arco-íris me dizer algo sobre a vida do duende que vive lá. – dei uma risada alta com a voz distorcida e fraca que parecia sussurrar algo em meu ouvido –
- Por favor, vamos dormir.
[...]
Acordei com o sol batendo diretamente em meu rosto e virei para o outro lado procurando minha almofada. Um sentimento desconhecido me dominou quando senti apenas o colchão vazio ao meu lado. Lentamente abri os olhos e examinei bem o quarto onde me encontrava, constatando que era o quarto de uma garota, porém não era o MEU quarto. Fui aos poucos sentando e olhei para mim mesma, agradecendo por estar de roupa. Dei um salto quando um cachorro pulou na cama e aproximou-se de mim para lamber meu braço e pedir carinho.
- Oliver, desce.
Girei na cama para encontrar no outro lado do quarto uma Demi com uma calça preta marcando cada curva das pernas bem torneadas desde o tornozelo até a linha do quadril. Uma camiseta preta e jaqueta na mesma cor tornavam difícil a observação da cintura e dos seios, mas eu não precisava daquilo para saber que ela era perfeitamente bem desenhada e provida de corpo. O rosto estava livre de maquiagem e mesmo assim continuava sendo a melhor coisa para se ver quando acorda. O cabelo loiro caía pela frente dos ombros e parecia um pouco bagunçado, mas com certeza a intenção era aquela, e o efeito que o ondulado desregular causava era indescritível. Olhar para o rosto de Demi com um meio sorriso foi como tomar um soco na boca do estomago enquanto uma mão gigante parecia comprimir meu coração.
- O que eu estou fazendo aqui? – levantei devagar quando a mão me foi estendida –
- Você dormiu aqui.
- Onde é “aqui”? – virei o rosto para o lado quando ela tentou roubar um selinho –
- Aqui é a casa dos meus pais. – apoiou o queixo em meu ombro –
- Que horas são? – rolei os olhos na procura de um relógio –
- São 12:30, por aí. Tem algum compromisso para hoje? – afastou-se para olhar meu rosto –
- Não, acho que não. Por que?
- Almoça comigo? – abriu um de seus sorrisos tortos, o que me fez sorrir também –
- Não sei... O que está acontecendo com você? – senti um de seus braços envolver minha cintura –
- Por que não esquecemos tudo o que aconteceu antes, ahn? – segurou-me delicadamente pelo queixo e roçou nossos lábios – Vamos esquecer a vad... Sua mãe. – fechou os olhos e escorregou a mão até minha nuca, fazendo-me fechar os olhos também – O que me diz?
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