Criminal.

23 Capítulo 23: Mamma, I'm in love with a criminal.


Notas iniciais
Boa leitura.

Point of view: Selena.

Os fios com tons variantes entre o rosa e o dourado voavam conforme Demi acelerava seus passos e corria para longe de mim o mais rápido que conseguia, e digamos que para uma garota ela corria rápido até demais. O gramado balançava de uma forma leve por estar bem aparado e o som da cachoeira a nossa frente intensificou ainda mais a minha sede. Precisei parar a alguns metros de distancia e apoiar minhas mãos em meus próprios joelhos para conseguir tomar algum ar enquanto observava Demi apontar em minha direção e rir divertidamente da minha atual situação. Depois de algum tempo quando consegui ficar de pé novamente a garota aproximou-se de mim e envolveu os braços em minha cintura, colando nossos lábios rapidamente em um selinho demorado.

- Você não é de nada mesmo.

- Vamos considerar que eu fui criada dentro de um apartamento e não sei correr, ok? – pressionei os indicadores nas bochechas rosadas –

- Isso te dá um desconto. – senti os lábios carnudos serem pressionados contra minha bochecha – Você sabe que eu te amo, não sabe? – sussurrou contra minha pele –

- Eu sei. – afirmei em um fio de voz com os olhos fechados – Achei que era mais difícil dizer isso.

- Foi mais difícil da primeira vez. – senti os dedos serem pressionados contra minha cintura –

- Quer dizer que agora já não tem mais emoção? – questionei com falsa irritação ao afastar-me dela –

- Quer dizer que eu tenho cada dia menos medo e mais certeza. – ergueu a sobrancelha bem feita e soltou meu corpo, dando um passo para trás – Você não disse que me ama.

- Disse sim. – franzi o cenho em confusão –

- Não nas últimas 14 horas. – revirei os olhos e ri – Estou falando sério.

- Teamo. – Demi cruzou os braços e fez um bico – Eu te amo, Demi. – bufei e ela sorriu, agarrando-me pela cintura novamente –

- Vamos tomar banho no lago? – pediu enquanto mordia meu lábio inferior – Vamos? Por favor?

- Eu não estou de biquíni, e estamos bem longe da casa para ir lá e voltar. – abracei-a pelo pescoço e apoiei meu queixo em meu próprio braço conforme sentia os dedos de Demi massageando minha nuca –

- Sem problema, tomamos sem roupa. – deu de ombros –

- Claro que não! E se o seu pai aparecer? Ou a sua mãe?

- Eles não vão se dar ao trabalho de vir até aqui só para ver a filha deles fazendo amor com a namorada, que com certeza é o que eles acham que nós estamos fazendo. – riu baixo –

- Mesmo assim. Não está calor o suficiente pra isso, e nós nem temos toalhas.

- Selena, qual é. – Demi afastou-me e subitamente o rosto ganhou uma expressão séria – Nós somos jovens, e daí se ficarmos doentes? Eu até acho que um resfriado agora cairia bem, não iria me importar nem um pouco de ter sua atenção 24 horas por dia pra mim.

- Eu sabia que ia ter uma piadinha no final. – balancei a cabeça em tom negativo –

- Mas é verdade. Nós estamos aqui na fazenda a uma semana e toda vez que a coisa começa a ficar boa o seu celular toca. – ri da cara de aborrecida dela apenas observei enquanto Demi reclamava – Ou é a Miley, ou a tal da Ashley Benson, ou a Ashley Tisdale, ou a Taylor, ou sei lá que outra mulher te liga o tempo todo.

- Você não quer começar essa briga. – afirmei balançando a cabeça em afirmação – Elas são minhas amigas.

- Eu quero sim. – bateu o pé no chão ao descruzar os braços – Nem todas são suas amigas. É verdade!

- Então deixa só eu te lembrar da Naya, da Bridget, da Tiffany, da Lea, da Alex, e isso sem contar a Diana, não é mesmo? – apoiei as mãos em minha própria cintura –

- Elas são passado. – rosnou com a voz forçada em minha direção –

- Ashley Benson e Vanessa também são passado, Demi. Por favor, não vamos brigar agora. – estiquei a mão para tocar o braço da garota –

- Você ainda sente alguma coisa por elas. – chutou uma pequena pedra antes escondida na grama –

- Claro que não, meu amor. – puxei-a mais para perto e levei a mão ao queixo, forçando-a a olhar para mim – Eu amo só você, eu juro. Elas foram minhas namoradas bem antes de você aparecer na minha vida, e eu não senti por nenhuma das duas metade do que sinto por você. – controlei um sorriso ao ver o bico de Demi aumentar ainda mais – Entendeu, baby?

Recebi apenas um suspiro e o pequeno bico intensificou-se ainda mais, o que foi suficiente para arrancar-me uma risada alta deixando Demi ainda mais aborrecida do que antes. Um grito foi abafado pela boca fechada da garota e o pé tornou a bater no chão antes da mesma começar a andar em passos firmes na direção da casa onde os pais se encontravam. Corri para alcançá-la e segurei o braço fino, puxando-a diretamente ao meu encontro provocando um pequeno choque entre nossos corpos.

- Onde você pensa que está indo? – questionei em um sussurro –

- Para casa. – senti a respiração forte provocar um formigamento em meu queixo –

- Vai mesmo me deixar aqui só por uma discussão boba que não resultou em nada? – levei a mão que antes estava no braço diretamente para a cintura fina e puxei-a ainda mais para perto fazendo com que os olhos da garota se fechassem – Nós somos maiores do que isso, você sabe.

- Eu estou brava, e não é bom ficar assim tão perto. – senti o corpo vacilar por alguns segundos quando minha mão livre alcançou o rosto delicado – Não estou brincando.

- Você não vai me machucar.

- Selena... Eu estou com raiva de verdade. – suspirou pesadamente –

- Não tenho medo.

Por mais que tentasse confiar em minhas próprias palavras eu sabia que havia uma grande chance de Demi se descontrolar. O passado violento dela falava alto em algumas situações e aquela definitivamente poderia ser uma delas, onde o resultado seria um hematoma e uma semana de brigas e pedidos de desculpa, mas não um término definitivo. Eu não via um fim para o meu relacionamento com Demi agora que tudo estava em pratos limpos e minha mãe havia tido sua merecida lição. Ela já estava fora da prisão e eu soube disso através de Miley, a garota para a qual a minha mãe ligou pedindo ajuda para me levar de volta para casa. Analisei atentamente a expressão facial de Demi, que alternava entre o descontrole e a hesitação e dei um passo para trás, desvencilhando nossos corpos e quebrando qualquer contato que houvesse entre nós.

- Você não deveria fazer isso. – abaixou a cabeça e permitiu-se ajoelhar no gramado – Não sabe até onde vai o meu controle.

- Seria capaz de me machucar? – questionei sentando-me ao lado da garota na direção de alguns raios do sol –

- Voluntariamente não. – observei-a deitar no gramado ao meu lado e imitei o gesto – Mas se você começar a rir de mim todas as vezes em que eu estiver com raiva eu não posso garantir nada.

- Eu sempre soube que você era nervosinha. – virei-me no pequeno espaço entre nós e encaixei meu corpo entre as pernas de Demi –

- Você não ajuda. – sorriu fraco antes de selar nossos lábios – Quando voltarmos eu preciso ir ao Brooklyn.

Tentei afastar-me imediatamente, porém fui contida pelos braços e pernas de Demi, que me mantiveram presa a ela. Ainda não havíamos tido tempo para aquela conversa, mas não era necessária uma conversa para que ela soubesse minha opinião sobre o assunto. Eu não queria que Demi voltasse aquela vida e não estava disposta a aceitar tal situação.

- Por que você não me escuta primeiro? – girou na grama invertendo nossas posições – Eu estou com saudade do Joe e do Nick, e preciso saber como anda o Kevin. Eu sou a culpada por ele estar na prisão. – suspirou – Não que eu não sinta falta de lá... Eu sinto, e muita. Mas eu tenho um motivo para fazer as coisas certas dessa vez.

Encarei os olhos castanhos por um longo tempo até Demi afastar a franja do meu rosto e percorrer a lateral dele com a boca, depositando um beijo demorado em meu maxilar antes de juntar nossos lábios em um beijo demorado onde nossas línguas se buscavam com mais intensidade a cada segundo. Meus dedos prenderam-se ao cabelo de Demi puxando-os vez ou outra, dependendo apenas da aprovação dela. Pouco tempo depois o beijo foi interrompido subitamente para que a garota pudesse sentar em minha barriga e em instantes a camisa de botões estava sendo aberta lentamente pela mesma, que mantinha seu olhar naturalmente sensual em minha direção. Quando o tecido foi completamente retirado e jogado para trás, Demi debruçou sobre meu corpo novamente para começar a distribuir mordidas fracas em meu pescoço ao mesmo tempo em que a mão hábil pressionava minha cintura com cada vez mais força. Em momentos como aquele, algo sempre nos interrompia e éramos obrigadas a parar, mas ali não havia nenhum celular por perto, ninguém poderia ver, ninguém iria chegar, e Demi parecia extremamente determinada. Comecei a afastar-me com o máximo de cuidado possível da garota e ela deixou o corpo cair na grama novamente quando consegui me sentar. Puxei a mão perceptivelmente tremula para minha perna e entrelacei nossos dedos antes de levar a mão diretamente a minha boca, beijando-a demoradamente.

- O que foi agora? – questionou com a voz fraca ao olhar em minha direção – Por que você fugiu?

- Eu... – mordi meu lábio inferior ao olhá-la – Só acho que podemos ir mais devagar.

- Mas nós já fizemos isso antes, Sel. – sentou-se ao meu lado e inclinou o rosto em minha direção, encostando nossas testas – Não vai ser diferente agora.

- Não sei... Não é drama nem nada, mas eu ainda me sinto um pouco estranha depois de tudo. – fechei os olhos –

- Isso vai durar quanto tempo? – senti os dedos finos tocarem meu rosto em uma carícia leve –

- Espero que não muito, meus hormônios estão começando a me deixar de mau humor.

Passamos mais algum tempo conversando sobre o que faríamos quando tudo voltasse ao normal. Eu pretendia voltar para a faculdade, Demi iria fazer o ensino médio e arrumaríamos empregos de meio período, apesar de termos concordado no fim que Eddie jamais permitiria que qualquer uma das duas precisasse trabalhar. Gastamos alguns minutos caminhando até estarmos sentadas junto com os pais de Demi na mesa da cozinha almoçando, porém não levou muito tempo até meu celular começar a tocar insistentemente. Pedi licença e retirei-me da mesa, indo para um local mais reservado. No visor do celular, o nome mãe piscava diversas vezes enquanto eu pensava se atenderia ou não, entretanto a mão firme de Eddie apertando meu ombro me deu força para apertar o botão verde e levar o celular até o ouvido.

- Alô.

- Selena. – o tom rude me fez revirar os olhos – Eu quero você em casa hoje.

- Você não desiste, não é? – suspirei –

- Você é minha filha! – gritou – Eu estive presa e você nem mesmo foi me tirar da cadeia! Essa garota está fazendo uma lavagem cerebral em você!

- Mãe, eu-

- Não me interrompa! – ouvi o som de algo chocando-se contra o chão – Se você não vier para casa eu vou colocar a polícia atrás de você!

- A polícia não pode fazer nada, deixe-me só te lembrar que eu sou maior de idade. – mordi meu lábio inferior ao olhar para Eddie e ver que o mesmo balançava a cabeça em negação – Mãe, por favor, aceite que eu amo a Demi, e se isso significa amar uma criminosa então eu sinto muito por te decepcionar, mas eu realmente estou apaixonada por essa criminosa e isso não é algo que me preocupa.

- Não me interessa!

- Selena, com licença. – Eddie tomou o celular da minha mão – Mandy? – meus olhos abriram-se ainda mais quando ele começou a falar – Quem está falando aqui é o pai da Demetria, a garota que você mandou para a cadeia por um ano e meio. Eu só quero te dizer que eu estive falando com o meu advogado ontem e eu tenho uma péssima notícia para te dar, então acho melhor que se sente. Em primeiro lugar, eu registrei uma queixa contra você que te proíbe de chegar a menos de 500 metros de qualquer pessoa da minha família, isso inclui Selena, e se você ultrapassar esse limite eu posso exigir que você seja presa. Em segundo lugar eu gostaria de te informar que todas as linhas telefônicas que me pertencem estão sendo rastreadas pela polícia, e isso inclui esse celular para o qual você ligou agora. Por último mas não menos importante eu só quero reforçar o que Demi te disse, Mandy. Você nunca está sozinha. E quanto a Selena, não estamos mantendo-a em cativeiro, mas não permito que ela volte para você, e ela sabe disso. Passar bem, Mandy.

Notas finais
reviews?