Criminal
9 O8 ~ What the fuck?!
Parei a caminho da porta e olhei pra trás. Justin ainda estava no mesmo lugar, do lado da cadeira. Balancei a minha cabeça negativamente.
– Tá bom Justin, eu sei que assim que eu sair vai ter alguém lá fora e vai me puxar pra dentro.
Ele ficou em silêncio olhando o que eu ia fazer. Engoli em seco e abri a porta. Não tinha ninguém lá fora. Fiquei extremamente sem graça, ele realmente estava me deixando ir. Mas o pior não era isso; o pior era que eu não queria ir.
– Sabe Justin, eu...
– Eu...? – ele sorriu de lado. Pensei um pouco pra tentar encontrar uma explicação no mínimo aceitável pra essa situação.
– Eu... Eu não quero ir... Estragar os planos de vocês e tal, eu não quero isso. – respondi por fim fracamente.
– Hm, só por isso?
– É. Deveria ter algum outro motivo?
– Não, nenhum. – Justin estava sorrindo abertamente agora. Eu também queria sorrir, mas eu sabia controlar as minhas reações. Me sentei de novo na cadeira e cruzei as pernas, esperando alguma reação dele.
– Você ainda vai se arrepender disso, sabia? – Justin sussurrou no meu ouvido.
– Não vejo como.
– Mas vai se arrepender.
Ele saiu e pegou um pacote de batatas fritas e refrigerante. Franzi o rosto.
– Eu vou engordar se comer isso.
– Quem disse que é pra ti? Nem te ofereci nada.
Ergui a sobrancelha. Era assim que ele ia me fazer pagar? Com a fome? Revirei os olhos e ele começou a comer lentamente.
– Hm, porque não me amarrou de novo?
– Haha, você gosta de ficar amarradinha aí né? Por quê? Isso te excita?
Fiquei calada e Justin começou a rir. Irritante.
– As pessoas costumam enlouquecer quando ficam sob muita pressão e eu não quero que você fique mais louca do que já é, tenho que te entregar em perfeito estado.
Suspirei. Algum dia eu ia ter que embora... E o que ia acontecer depois disso? Pra onde eles iam? Pra onde Justin ia? Decidi mudar de assunto, eu ainda tinha uma semana ali.
– Porque isso agora Justin? Vai me deixar solta por aí sabendo que eu posso fugir a qualquer momento?
– Você não vai fugir. Você é meio que do grupo agora, uma aprendiz de criminosa, algo assim.
Comecei a rir. Eu podia ser tudo, menos uma fora da lei.
– Tá rindo de que? Você ainda não percebeu que tá colaborando com três procurados da polícia? Ou você acha que a gente começou agora de uma hora pra outra? Isso também é crime, você tá aqui por vontade própria.
– Ok, Senhor Sei Tudo Sobre Todas As Leis E Quero Convencer a Lindsay Que Ela É Uma Bandida.
– Criatividade tá em falta por aí né?
Mostrei a língua. Ele sempre encontrava um jeito de me zoar, incrível. Ficamos uns instantes em silêncio.
– Justin?
– O que?
– Hm, me conta mais sobre a tua vida, sei lá.
– Pra que tu quer saber?
– Grosso.
Justin respirou fundo e arrastou a cadeira dele pra frente da minha, sentou-se.
– O que quer saber?
– Teus pais, por exemplo... Cadê eles?
– Eu não tenho pais. Quer dizer... Quando eu era criança, com uns cinco anos mais ou menos, eu fui deixado em um orfanato pela minha mãe. A gente era muito pobre e... Meu pai tinha sumido, eu nunca conheci ele. Depois disso eu vejo a minha mãe de tempos em tempos, nem sei onde ela tá. Ela some e reaparece, coisa de louco.
– Ah sim... Não tem irmãos, outros parentes...?
– Não que eu saiba.
– Ok... Como ou quando começou a roubar e essas coisas?
Justin sorriu sem humor nenhum. Não entendi isso.
– Eu nunca fui adotado, as pessoas só queriam crianças pequenas. Foi lá que eu conheci o Chaz e o Ryan, a gente tem uma história meio parecida. Enfim, quando a gente completa dezoito tem que ir embora. A gente saiu e não tinha onde ficar, acabamos na rua mesmo. Foi lá que a gente começou a roubar pra viver e tal... Digamos que foi a vida que obrigou a gente a isso.
Assenti lentamente, a história dele tinha sido muito difícil. Mas as minhas dúvidas não tinham terminado.
– E o que você vai fazer quando isso terminar?
– Hmmm... Vou embora provavelmente. A gente nunca mais vai se ver na vida, só no inferno talvez.
Sorri fraco. Olhei nos olhos dele, por mim eu passaria a vida toda ali apesar de tudo. Peraí, o que eu tô pensando???
– Hm, porque vocês tem nomes estrangeiros em pleno Brasil? – perguntei só pra descontrair um pouco.
– Ah, isso você vai ter que perguntar pros pais deles; mas no meu caso é porque minha mãe não é brasileira nem meu pai.
– Então porque ela veio pra cá com você?
– Boa pergunta, tá aí uma coisa que eu não sei. Massss, eu sou brasileiro de coração.
Justin fez um coração com as mãos e um biquinho. Que coisa mais gay. Revirei os olhos. Ele se aproximou um pouco de mim, mas Chaz e Ryan entraram no mesmo momento. Aff.
– Atrapalhamos alguma coisa? – Ryan falou e Chaz deu uma cotovelada nele, que balançou a cabeça.
– Justin cara, tem alguém lá fora querendo falar contigo. – Chaz avisou.
Justin
Justin deixou o lugar meio apreensivo. Ele achava ridículo alguém vir falar com ele lá, afinal era um cativeiro. Logo que saiu deu de cara com o “metido a macho”, apelido que os três utilizavam para identificar Christian Beadles – um garoto mais novo do que eles, mas que tinha muito mais dinheiro e jeito com os negócios, ou melhor, com o tráfico.
– Justin cara, quanto tempo. – Christian disse e abriu os braços como se fosse abraçar Justin. Que coisa mais gay.
– Fala logo o que tá fazendo aqui. – Justin recusou o abraço do rival e se manteve a uma boa distância dele.
– Ok, vou ser direto. Quem é a garota?
– Que garota? – Justin se fez de desentendido.
– Não se faça de idiota, um dos meus homens viu você e Ryan com uma garota. Quem é ela?
– Um dos seus homens? – Justin falou com sarcasmo e Christian fechou a cara de vez.
– Sem gracinhas Biebs, quem é?
– Pra que quer saber tanto? Isso é negócio meu. Agora fica mandando esses imbecis espionar a gente?
– Você não tá entendendo né? Essa área é minha, eu não quero desconhecidos aqui. Só deixo vocês três ficarem porque sou um cara muito legal, mas não vou tolerar alguém que eu nem conheço aqui. Ela parece saber demais.
– Demais sobre mim, nem sabe da tua existência.
– E o que ela tá fazendo aqui?
– Tá passando umas férias com a gente.
Christian não suportava o jeito irônico de Justin, achava aquilo patético. O único dos três que ele ainda tinha alguma simpatia era Chaz.
– O tempo de vocês tá esgotando, só falta um mês. Se continuarem aqui depois disso, morrem. – falou ameaçador.
– Ainda isso Christian? Você não se cansa de ser controlado pela Caitlin? Diz pra ela que ela tem que esquecer essas mágoas do passado e deixar a gente em paz, aposto que te mandou aqui pra perguntar quem é a garota que tá com a gente agora.
– Você é um covarde Justin, como ainda tem que coragem de falar no nome dela depois do que fez.
– Eu não fiz nada, aquela garota é louca. Vive me perseguindo e tu ainda apoia isso. Ridículo.
– Eu não apoio nada, depois de tudo que tu fez ela tá é certa. Um mês. E é melhor que essa garota aí vá embora logo também com vocês. Aposto que ela nem sabe no que se meteu.
– Se sabe ou não, também não é da tua conta.
Christian deu as costas para Justin e entrou no carro dele. Justin sabia que devia estar cheio dos capangas dele lá dentro, esperando qualquer movimento suspeito. Suspirou e olhou o carro se afastar. Parece que realmente o destino não estava a favor dele.
Lindsay
– Quem é? – perguntei pela décima vez aos dois e eles nada responderam. Justin estava demorando um pouco, eu já tinha até me alimentado. Graças ao Chaz é claro. Suspirei e me deitei no velho colchão. Tinha alguma coisa errada, mas não era com eles. Era comigo.
– Que dia é hoje?
– Dia 5. – Chaz respondeu enquanto mexia em um celular. Me sentei novamente. Eu tinha perdido um pouco a noção de tempo, mas tinha alguma coisa errada. Só que eu não conseguia me lembrar o que era.
– O que foi? – Ryan perguntou.
– Nada. – Dei de ombros e Justin entrou pela porta tranquilo. Tranquilo demais pro meu gosto.
Ryan e Chaz se entreolharam e depois olharam pra Justin.
– Aquele cara é um idiota mesmo – Justin balançou a cabeça.
– O que foi Justin? – perguntei confusa.
– Christian. Aquele das drogas, já ouviu falar?
– Já... O que tem ele?
– Ele diminuiu o prazo. Agora a gente só tem um mês pra ficar aqui sem correr riscos.
Ryan revirou os olhos.
– Coisa da Caitlin, aposto. – disse ele. Fiquei confusa.
– Quem é Caitlin?
Ryan abriu a boca pra falar algo, mas Chaz o impediu.
– É um filha da puta qualquer que tem uma marcação com a gente, só isso.
– Ah sim. – assenti, sem dar muita atenção ao assunto e me deitei novamente. Estava cansada, muito cansada. Acabei dormindo.
–--
Senti meus seios expostos sendo mordiscados. Reprimi um gemido. Eu não sabia quem era que estava ali, mas de qualquer modo continuei com os olhos fechados. Fingir que estava dormindo, até que ponto eu cheguei. Seja lá quem for, tinha tirado toda a minha roupa e eu já estava totalmente molhada. Inferno.
Os dedos “dele” passaram pela minha barriga, acariciando-a até chegar na minha intimidade. Eu queria sorrir, gritar, gemer, mas não podia, não queria estragar tudo. Ele começou a fazer movimentos circulares com o dedo no meu clitóris. Gemi baixinho e escutei uma risada familiar. Justin. Infelizmente, ele tava indo muito devagar.
– Abre os olhos Lindsay, eu sei que você tá acordada...
Sorri mas continuei com os olhos fechados. “Mais rápido”, sussurrei lentamente. Justin obedeceu prontamente, fazendo do jeito que eu tinha pedido. Não demorou muito para que eu gozasse.
– Isso é pra pagar aquele favor que você me fez naquele outro dia. – sussurrou baixinho.
– Obrigada – sussurrei de volta, dando uma risadinha. Me virei pra lado e voltei a dormir.
Notas finais
Criatividade tá em falta né? u.u Essa o Justin disse pra mim, minha criatividade tá lá embaixo e quando eu saio um pouquinho do pc nem quero mais voltar k1
Até quarta feira amores, beijos ;**
Ah, eu tenho uma proposta pra vocês no próximo, veremossssssss n.n
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