Crimes Inocentes
6 Capítulo 6
Acordei com uma mão cutuando meus ombros. Vagarosamente abri meus olhos e vi o rosto de Frank parado na minha frente.
– Chegamos. Acorda logo.Esfregando os olhos para tirar a remela, saí do carro e por um instante não lembrei oque eu estava fazendo aqui nesse lugar. Eu já ia perguntar a Frank oque era que estávamos vindo fazer, até que a resposta veio sem nem mesmo precisar de uma pergunta.Bem de fundo, trazido pelo vento, um barulho de estalos e batidas fortes contra metal. Um cheiro de pólvora no ar também acusava tudo. E mesmo sendo leigo nesses assuntos, eu sabia que o barulho e o cheiro era inconfundivelmente de armas de fogo sendo disparadas.– Vamos realmente fazer isso? — perguntei.– É a 4° vez que você me pergunta isso. — Frank disse com raiva. — Sim. Vamos fazer isso. Especificamente você.A uns 200 metros de distância tinha uma grande construção sólida quadrada com paredes de um cinza maçico. Apenas uma porta dupla no centro e uma placa em cima escrito: "Estande de Tiro Gerteny".Tinhamos parado nosso carro na garagem de uma casa que tinha uma estradinha que levava diretamente até a construção. A casa, agora que tinha reparado, era feita de madeira rústica com uma decoração dos anos 80.– De quem é essa casa? — perguntei enquanto caminhava lado a lado com Frank na estradinha de cimento.– Do meu tio, Gerteny. Esses estalos de fundo é ele praticando, junto com provavelmente alguns dos amigos dele.Quando finalmente chegamos a porta dupla, o barulho das armas sendo disparadas era quase insurdecedor. Quando Frank falou comigo, era quase aos gritos.– Pegue os fones de ouvido pra gente! — Frank apontou para uma prateleira a direita cheio de abafadores. Caminhei até lá com dois dedos no ouvido tentando amenizar o som. Quando eu os coloquei e entreguei um deles para Frank, o barulho ainda continuava irritante, porém suportável.O local não era grande coisa. Uma recepção do lado direito, com um pequeno escritório. Do lado esquerdo, tinha uma placa escrita: "Banheiros & Variados" e um corredor extenso. Na nossa frente, outra porta dupla exatamente igual a da entrada.Frank fez um gesto para eu segui-lo, e ao passarmos pelas grandes portas duplas que levava até o estande, meu coração falhou algumas batidas. A recepção não era grande coisa, mas o estande era imenso.Revestido por paredes com espumas para abafar o som do lado de fora, o local tinha no mínimo 50 metros de comprimento e 6 de altura. Estávamos parado em uma espécie de corredor com várias "entradas" para poder atirar nos alvos que estavam desenhados na parede oposta a nossa, a quase 50 metros.Tinha apenas duas pessoas praticando naquele momento. Um senhor de idade barbudo que estava praticando com um rifle de assalto, e um garoto da minha idade que estava usando uma pistola.Frank fez um gesto com a mão para eu esperar. Após os dois descarregarem seus pentes, Frank deu uma pequena tossida e eles finalmente nos notou. O senhor barbudo logo se adiantou em nossa direção e deu um abraço caloroso em Frank.– Quem é esse garoto? — disse ele com hostilidade na voz. — Você sabe oque eu penso sobre trazer estranhos pra cá.– É aquele garoto que eu estava falando, tio. — Frank disse.Então Gerteny começou a me encarar e me avaliar mentalmente. Ele era gordo e baixo, mas ainda assim era mais alto que eu.– Então você está querendo levar uma vida mais fácil? — ele perguntou após alguns segundos de silêncio.– Bem.. Sim. — respondi.Ele soltou uma gargalhada sem humor, e olhou no fundo dos meus olhos com um olhar frio e penetrante. – Então sugiro que dê meia-volta. Porque se você acha que isso é facil, está muito enganado. – Eu quero que você treine ele, tio. — Frank disse. — Ele se provou apto para o serviço. Ele já fez vários como entregador, e todos com perfeita descrição e furtividade. Mas agora ele vai ter que aprender a fazer a parte suja do trabalho.– Se você diz que ele é realmente tão bom, iremos usar o método mais efetivo. — Gerteny disse com um humor negro.Frank olhou para mim com um olhar que parecia dizer: "Desculpa pelo oque irá vir a seguir".E antes de eu poder perguntar oque estava acontecendo, Gerteny se adiantou e me deu um soco bem na minha bochecha esquerda e eu caí no chão. E sem mesmo ter tempo de reação, mergulhei na escuridão.
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