Crime quase perfeito
21 Capítulo 20
Notas iniciais
A propensão que o caso tomou era tão grande que já atraia a atenção da mídia. Ecklie, como um xerife exemplar que era, tentava, sem muito sucesso, desviar a atenção dos jornalistas. Entretanto, quando se tinham cinco mortes, sendo quatro cometidas na cidade, os nervos de todos ficavam aflorados.
E as páginas dos jornais estampavam o quase fracasso que o laboratório transmitia. Manchetes como: "a crise no laboratório criminal de Vegas", "onde estão os heróis da polícia?", "Quantas mortes mais virão até que seja feita alguma coisa?" e "A incompetência do laboratório criminal de Las Vegas", eram publicadas quase todos os dias.
E não era uma coisa que DB ou qualquer outro integrante da equipe fingisse que não existia, pois estava sempre ali, estampado para todos verem.
Que o caso precisava de uma resolução, isso todos já sabiam. Porém, o que fazer quando as evidencias de um suspeito são menores do que a quantidade de crimes que ele comete?
—Estão fazendo muito barulho por nada... -Veronika se manifesta ao ver a manchete do jornal. -Não é como se ele estivesse matando uma pessoa em cada esquina. -Conclui.
—Isso preocupa os cidadãos! -Alerta Catherine. -Como pode pensar assim? -Pergunta chocada com a declaração feita.
—O caso não é mais um quebra-cabeça e agora sabemos disso. As vítimas se conheciam e não tem como esse cara matar uma pessoa inocente por puro capricho. -Veronika andava de um lado para o outro enquanto segurava uma garrafa de água e tentava acalmar Catherine.
—Descobriu algo mais?
—Nada importante. -Revela sem entusiasmo. -Entretanto, já temos o perfil do cara e sabemos que ele não vai pegar uma pessoa qualquer para cometer o crime.
—Tudo bem... -Catherine se convence. -Mas mudando de assunto... O que acontece entre você e o DB? Não me diga que não é nada, pois sei que algo aconteceu. Quando você chegou, pulou do meu colo e apontou uma arma para ele... -Ela se senta e olha para Veronika, que tentava a todo custo não olhar de volta.
—Foi um reflexo. -Diz sem emoção.
—Não foi um reflexo. Sente-se aqui e me conte o que há entre vocês. -Depois de tanto insistir, Veronika cede e decide contar o que houve para Catherine.
—Eu fui a Seattle há alguns anos... Conheci DB por acaso, quando ele me interrogou por causa da morte de uma colega da faculdade. Ela era uma nômade, assim como eu, e fui para organizar o enterro dela. Você sabe como eu sou com relação as coisas que se movem, e comecei a flertar com ele. Acabamos dormindo juntos, isso quando ele ainda era casado, e foi por isso que eu apontei a arma para ele. Posso ser uma vadia, mas não destruo casamentos! Fiquei chateada quando descobri que ele era casado e mais chateada quando descobri o divórcio. -Ela solta um longo suspiro e apoia sua cabeça nos ombros de Catherine.
—Achei que havia sido responsabilidade minha o divórcio, mas investiguei e descobri que foi por causa desse trabalho. -Sorri sem humor, mostrando o ambiente ao seu redor.
—Nem todas a coisas ruins que acontecem no mundo são culpa sua! -Alerta Catherine. -Você só precisa e manter na linha.
—Sobre isso... -Veronika se levanta do colo de sua madrinha. -Eu penei muito sobre o assunto antes de te comunicar. -Ela toma um pouco de folego e continua. -Eu vou Sair do FBI!
—Uau! Eu não... Esperava! -Catherine se mostra chocada com a notícia. -E aonde pretende trabalhar? -Pergunta estática.
—Em Nova Iorque. Está na hora de por em prática o que eu aprendi na faculdade e tem um laboratório de biologia marinha na Universidade de Nova Iorque no qual eu pretendo trabalhar um dia. -Ela sorri e Catherine pode observar um brilho diferente em seus olhos.
—Não te via iluminada desde a época do Daniel... Vocês eram tão felizes! -A loira pode observar uma lágrima escorrer do rosto de sua afilhada e rapidamente a secou.
—Temos que voltar ao trabalho! -Veronika alerta.
—Tudo bem... Eu vou voltar ao trabalho. Você vai para casa... Descanse, vá visitar seu irmão sua mãe, não mate a Tinah e volte no turno da noite. Isso é uma ordem! -Veronika sorri. Ambas saem da sala de convivencia e pegam caminhos diferentes.
...
Evidencia nº 2: Fibra encontrada nos dentes da vìtima
Finlay analisava a fibra encontrada nos dentes da vitima com total atenção. O pedaço era pequeno, então não se podia fazer muita coisa.
O primeiro passo era descobrir qual era a composição do material, porém, Jullie encontrou muito mais do que esperava. Um pedaço de meio centimetro de pele. Já era um bom começo para ela, que rapidamente mandou o pedaço para a analise de DNA.
Seria dificil extrair alguma coisa dele, no entanto.
Todavia, talvez o analista desse sorte... Talvez conseguisse extrair uma pequena parcela de DNA suficiente para jogar no banco de dados e obter uma resposta.
Mas, alél do possivel DNA, também havia a fibra, no qual Finn já começara a trabalhar. Não foi uma tarefa dificil, mas exigiu muita concentração, pois não era uma fibra grande.
Catherine entra no ambiente, atraindo a atenção de Finlay, que estava fazendo de tudo para conseguir pelo menos mais uma amostra para a analise.
—Tentando fazer milagres, Jullie? -Catherine pergunta ironicamente.
—Você nunca fez isso? -Ela rebate.
—Tem razão! E então, já conseguiu algo? -Catherine se aproxima, pegando um par de luvas e vestindo-as.
—Nessa fibra, havia um pedaço de meio centimetro de pele. Consegui extrair sem danificá-la e enviei para o DNA. -Ela consegue dividir o pequeno pedaço de fibra e rapidamente a analise é iniciada.
—Agora é só esperar! -Finlay e Catherine cruzam os dedos e ficam no mesmo lugar até que a analise esteja completa.
...
DB se encontrava em seu escritório. Ele andava de um lado para o outro em busca de respostas. Não que elas fossem surgir do pó, mas ele esperava pensar em algo para entender a mente desse assassino.
Embora a analise de Teri Miller sobre o assassino tenha sido bastante produtiva — e com ela, pode descobrir o local aonde ele morava — não podia simplesmente ir até ele e prendê-lo sem que houvesse evidencias que o incriminassem.
Pensando em outras possibilidades, ele nem nota a presença de Sara na porta de seu escritório, que limpa a garganta grosseiramente antes de entrar.
—Eu descobri algo!
—Alguma coisa sobre ele? -Indaga DB, seguindo para sua cadeira.
—Descobri sua motivação. -Ela estende o porta-retratos para ele. -Podemos ver nessa foto, todas as nossas vitimas... E possiveis vitimas também.
—Quem é essa garota? -Aponta para a morena com franja e olhos azuis, que se encontrava ao lado de Hannah.
—Rachel Gribbs. Essa garota cometeu suicidio há quase dez anos. Veronika disse para o Grissom que a ONG da Hannah é em homenagem a ela. -Sara explica.
—Tudo bem... Chame a Veronika aqui! -DB pede e Sara rapidamente manda uma mensagem para a morena, que não demora a aparecer.
—Quem morreu? -Ela pergunta, fazendo Sara soltar um sorriso.
—Ninguém. Só quero mais detalhes sobre Hannah Winslet e sua ONG. -DB responde.
—Mais do que eu já contei? -Indaga curiosa.
—Sim.
—Bom... A amiga da Hannah, Rachel, se suicidou depois de um video dela drogada transando com dois caras foi solto na faculdade. Parece que ela ficou com uma crise séria de depressão e se matou. -Veronika explica.
—Como ela se matou? -DB volta a perguntar.
—Ela deu um tiro na propria cabeça. Por que tudo isso?
—Temos uma foto com todas as nossas vitimas. -DB mostra a foto. -E ela está ao lado de Hanah. Enfim, acredito que esses dois homens que estão na foto sejam nossas próximas vitimas. Você os conhece ou já ouviu falar deles?
—O loirinho não, mas o outro... -Aponta para o negro ao lado. -Esse é Owen Curtis... Ele era um amigo e está desaparecido há dois anos. -Ela devoldve a foto para DB e seca as mãos na calça.
—Como assim "desaparecido"? -Sara pergunta.
—Ele é do exercito americano... Forças aéreas, para ser mais exata e trabalha junto com... Com outro amigo. Daniel Smith. -Ela toma um pouco de ar antes de voltar a falar. -O exército detectou um desaparecimento do grupo deles na Turquia e eu não tive mais notícias.
—Então Owen Curtis pode ser considerado morto. -DB conclui. -Mas e o outro homem?
—Posso jogar a foto dele no banco de dados e assim, saberemos quem é. -Veronika toma a foto das mãos do supervisor e sai da sala. Sara seguia o mesmo caminho, mas ouve a voz de DB e volta para o interior do ambiente.
—Como está o bebê?
—Bem... Eu vou ao médico para ver como ele está essa semana. -Ela explica.
—Boa sorte então! -Ela acena e então, sai do escritório de DB.
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