Crime & Música

5 Capítulo 5: Desabafo


Notas iniciais
Aviso de cenas hots, hehe

Quando chego à casa de Gus, ele me aguarda na porta. Está descalço e usa um shorts e um moletom, o cabelo preso em um rabo cujos fios estão se soltando. Provavelmente acabou de sair da cama.

"O Theo vai atrasar."

Diz quando desço da bicicleta e caminho na direção dele.

"A mãe dele arrumou alguma desculpa apelando para a culpa e o arrastou para um evento beneficente no asilo onde a avó está."

Me encolho ao ouvir sobre a mãe do Theo e a reação não passa desapercebida pelo Gus, que me observa atentamente.

"Afinal, o que está rolando, Vic?" Ele pergunta cruzando os braços.

Levo minha bicicleta até a parede onde sempre a deixo encostada e respiro fundo antes de virar de frente para ele.

"A Marjorie me deu duas opções: terminar o namoro ou continuar e assistir ao Theo sendo impedido de continuar na banda. Se continuássemos juntos, ela daria um jeito dele sair e colocaria a culpa em mim... bem estilo vilã de novela mesmo."

Gus ergue as sobrancelhas em uma expressão de espanto, fazendo uma careta de nojo em seguida. Ele odeia a mãe to Theo, sempre a achou controladora ao extremo e esnobe.

"Puta merda." Diz e eu concordo com a cabeça.

"Achei que conseguiria continuar numa boa com a Très, mas ao mesmo tempo... é difícil. Eu ainda gosto dele, Gus. Ficar perto e a ideia de assistir ele seguindo em frente, ficando com outras pessoas é uma bosta."

Assim que divido o peso com Gus, sinto-me um pouco mais leve. Pelo menos agora ele sabe que o meu surto ontem não foi completamente à toa.

"O que aconteceu?" Ele pergunta segurando minha mão e me guiando para a garagem, direto para o sofá velho onde costumamos escrever nossas músicas e descansar. Sentamos de lado para ficarmos frente a frente, nossos joelhos se encostando.

"Você não pode contar para o Theo, ok?"

Gus abre a boca para falar algo, provavelmente que ele precisa saber disso ou coisa do tipo, mas eu o interrompo.

"É sério. Se ele souber e enfrentá-la, ela vai transformar a vida dele num inferno. Ela mesma me disse, promete que não vai contar, Gus."

"Porra, Vic, ele precisa saber. Você não pode me deixar nessa situação."

Inclino na direção de Gus e coloco as mãos nos ombros dele, encarando-o nos olhos.

"Eu sei. Por isso não falei nada antes. Se encontrarmos uma maneira dela não conseguir atingir o Theo, a gente conta. Mas por enquanto, ele não pode saber. Ok?"

Gus concorda de má vontade e pergunta novamente o que aconteceu.

"Uma semana antes de eu terminar o namoro, fomos para a casa dele depois de um ensaio..."

Enquanto falo, sou transportada para o dia em que tive meu coração esmagado pelas mãos cruéis da minha sogra vilã de novela.

O ensaio havia sido bom e Theo estava animado com a ideia de incluirmos um baixista fixo na Très. Estávamos indo para casa dele planejar o post nas redes-sociais anunciando a busca. Conversou sobre o assunto animado durante todo o caminho.

Enquanto esperávamos o elevador no prédio dele, dizia queria que fosse uma menina para equilibrar a banda. Eu concordava e ria da empolgação dele, mas sabia que focaríamos na pessoa que mais combinava com a gente.

Enquanto falava, o rosto de Theo se iluminou ao imaginar cenários da Très, o sorriso quase infantil e o cabelo bagunçado caindo no rosto, o que fez meu coração apertar e depois acelerar. Não era possível eu estar tão apaixonada assim.

Levei uma das mãos no rosto dele, tirando o cabelo do caminho e me aproximei, ficando na ponta dos pés para dar um beijo rápido em seus lábios.

Theo parou por um segundo, me encarou e abriu outro sorriso. Dessa vez, não era nada infantil e que resultou em um arrepio no meu corpo todo. Eu amava aquele sorriso, que aparecia quando estávamos sozinhos e ele me queria.

"As câmeras, Theo."

Dei risada e me afastei para entrar no elevador, mas ele segurou minha cintura por trás e deu um beijo entre meu pescoço e ombro, fazendo com que eu prendesse a respiração enquanto meu corpo se aproximava do dele de maneira automática.

Apertei o último andar e Theo continuou beijando meu pescoço e dando leves mordidas até que a sensação foi demais.

Virei-me de frente para ele e nos encaramos por um milésimo de segundo antes de eu subir na ponta dos pés e levar meus lábios contra os dele. Imediatamente, nossas línguas se encontram e Theo me empurrou contra a parede do elevador, apertando minha cintura com as mãos e pressionando o quadril contra o meu.

Sorri entre o beijo ao senti-lo duro contra mim. Mas não era o suficiente. Envolvi os braços no pescoço dele, passando minhas mãos entre seu cabelo e puxando de leve. Ele gemeu e pressionou o quadril contra mim com mais intensidade, me fazendo respirar fundo e parar de beijá-lo quando a porta do elevador abriu na cobertura.

"Merda." Theo disse ao sermos interrompidos. Ele estava ofegante e entramos no apartamento de mãos dadas, caminhando apressados direto para o quarto.

"Tem alguém em casa?" Perguntei durante o caminho e ele fez que não com a cabeça.

"Meu pai está trabalhando, como sempre, e minha mãe saiu para algum evento, ou sei lá, provavelmente só volta tarde."

Sorrimos um para o outro quando entramos no quarto e ele fechou a porta, trancando-a. Foi o tempo suficiente para que eu voltasse a beijá-lo e logo minha blusa estava no chão junto com a dele.
Caminhamos afobados em direção à cama, Theo ficou animado ao constatar que eu não usava sutiã, deu uma risada, sussurrando que eu ia matá-lo enquanto brincava com o bico dos meus peitos, ora beijando meus lábios, ora beijando-os. Eu tentava tirar a calça dele ao mesmo tempo que o acariciava com uma das mãos.

Não ouve acordo com nossas calças jeans. Estávamos tão afobados, que precisamos cada um tirar a sua. Também tiramos os tênis e praticamente pulamos na cama, Theo brincava com meus peitos enquanto eu o acariciava do jeito que o deixava doido e impaciente: com as pontas dos dedos, por cima da cueca boxer e de forma delicada.

"Vic..." Ele gemeu em meu ouvido, levando o quadril na direção da minha mão e me fazendo rir.

Para se vingar, ele levou a mão pela minha barriga até minha calcinha e prendi a respiração, pronta para pedir desculpas. Mas ao invés de provocar, ele apenas colocou os dedos por dentro da calcinha e me tocou, arrancando um gemido alto de mim.

"Me diz, como você gosta? Me mostra?"

Theo sussurrou contra meu ouvido, me fazendo morder os lábios e pressionar minhas coxas, uma contra a outra, praticamente o prendendo ali.

Aquela não era nossa primeira vez, longe disso, mas estávamos descobrindo o corpo um do outro e tivemos uma conversa recente sobre como homens precisavam aprender a satisfazer as parceiras procurando saber como elas gostavam de ser tocadas. Se eu não estivesse tão louca de tesão, provavelmente teria dito alguma coisa fofa, mas tudo que consegui fazer foi voltar a beijá-lo e levar minha mão contra a dele, mostrando como eu gostava, como fazia comigo mesma.

Não demorou muito para que sentisse a formigação na ponta dos dedos dos pés, que subiu por toda minha perna até explodir pro resto do meu corpo. Era isto. Estava completamente entregue a Theo e não conseguia controlar meu corpo, meu quadril basicamente se movia sozinho para auxiliar nos movimentos e logo um gemido alto escapou dos meus lábios, o que me deixou com um pouco de vergonha, pois nunca havia deixado ele me tocar desse jeito, apenas se concentrando em mim.

"Eu te amo." Theo disse, dando uma risada satisfeita e encostando a testa na minha antes de beijar a ponta do meu nariz e em seguida a minha boca.

Afastei o rosto do dele, sorrindo.

"Também te amo. Especialmente agora." Disse dando risada e voltando a beijá-lo e puxando-o para mais perto. Ele se posicionou entre minhas pernas e pressionava o quadril contra o meu. Minhas mãos passeavam pelas costas dele, arranhando-as de leve e descendo até a bunda dele, que apertei e preparei para tirar a boxer enquanto as mãos dele puxavam minha calcinha para baixo.

Estávamos tão entretidos um no outro que nem sei como ouvimos uma voz chamando o nome dele. Era Marjorie.

Pulamos para longe um do outro imediatamente, encarando a porta trancada e ajeitando nossas roupas íntimas.

"Merda, minha mãe!"

"O que a gente faz?"

Pego minha blusa e visto-a apressadamente.

"Vai falar com ela."

"Você é louco? Vai você!"

"Ela não pode me ver assim!"

Theo indicou a ereção com a cabeça e eu comecei a rir imediatamente perguntando se com o susto as coisas não deviam ter melhorado e ele respondeu, corando, que normalmente sim, mas hoje as coisas estavam um pouco mais intensas.

Ainda rindo, vesti minhas calças rapidamente.

"O que eu falo para ela?"

"Diz que veio aqui ver coisa da banda e que eu entrei no banho. Não vai ser mentira totalmente..." Ele disse entrando no banheiro e ligando a água.

Prendi meu cabelo e saí do quarto em direção à cozinha para conversar com a minha sogra e deixar Theo se recompor debaixo da água fria.

Assim que a encontrei, carregando sacolas de compras, a cumprimentei tentando fingir normalidade.

"Onde está o Theo?" Ela perguntou simpática após beijar meu rosto.

"Tomando banho. Estava esperando ele sair para discutirmos coisas da Très e vim ver se queria ajuda com algo."

Tento sorrir, mas provavelmente minha expressão é de quem não estava sozinha esperando o namorado tomar banho e com certeza minha sogra reparou. Ela apenas concordou com a cabeça e olhou para a enorme janela da sala, que ficava no alto de um dos prédios mais altos de PP. Dava para ver a comunidade inteira dali.

"Eu estava mesmo querendo falar sozinha com você, Victoria." Disse, voltando o olhar para mim com a expressão fria que já estava acostumada.

"Comigo? Sobre o que?"

"Sobre o Theo."

Assim que as palavras saíram da boca dela, uma sensação inquietante tomou conta de mim. Especialmente da forma na qual Marjorie me observava.

"Acredito que o relacionamento de vocês o prejudica bastante. Assim como a banda. Theo precisa de responsabilidades e você e seus pais são uma péssima influência para ele. Mas claro, não quero que meu filho seja infeliz e acredito que, entre a banda e você ele perde tempo demais enquanto poderia estar numa faculdade ou trabalhando com o pai. Sei que a música é tudo para o meu filho, por isso, proponho fazer um acordo com você. O Theo continua na banda, continua fazendo o que ama... mas vocês dois precisam terminar."

Dou um passo para trás como se Marjorie tivesse me dado um soco. Quando abro a boca para dizer que ela é louca, ela me interrompe.

"Vocês ainda são jovens e esse namoro não vai levar em nada. Logo logo vão terminar e podemos poupar isso cortando o mal pela raiz. Deixe Theo ser feliz, porque se você insistir nesse relacionamento, eu te prometo que os dias na banda dele vão chegar ao fim e ele vai te odiar por ter feito escolher você à banda. Afinal, nós duas sabemos o que o Theo escolheria, não é?"

Encarei minha sogra sem conseguir dizer nada e sem acreditar no que ela estava dizendo, ameaçando.

O pior tudo? Sabia que ela conseguiria fazer as coisas do jeito dela, pois Marjorie não chegou onde chegou à toa. O pai de Theo trabalhava na empresa dela e ela havia decidido parar para cuidar do filho, mas ainda assim, todas as decisões finais eram dela. Também era de conhecimento geral que Marjorie nem sempre jogava limpo. Ela sempre tinha o que queria, não importava como. Não importava se isso custasse a felicidade do filho. Ela aceitaria a banda ou eu, não os dois — especialmente a mim, que por ser filha dos meus pais, não era exatamente bem aceita para as pessoas no ciclo de Marjorie. Para eles, artistas não deveriam estar ali em PP, fossem eles pintores, atores, músicos...

Não tive como me defender, especialmente porque ela era a mãe do Theo. E se ele não acreditasse em mim? Se ela estragasse a vida dele e ele me odiasse porque fui responsável por tirar a banda dele?

Sabia que Marjorie não era a minha melhor fã, mas jamais pensei que me odiasse desse jeito. Fui embora pouco tempo depois, sem me despedir direito do Theo, que estranhou meu comportamento.

Dois dias depois, terminei o namoro.

Theo nunca entendeu direito o por quê. Perguntou se havia outra pessoa, mas eu neguei. Óbvio que não. Apenas disse que não estava pronta para namorar ainda e que precisava focar na Très, mas provavelmente entreguei minha mentira sem querer, já que poucas semanas depois pedi para sair da banda, como Gus me avisa quando terminei de contar a história.

Quando Theo finalmente chega para o ensaio, peço desculpas para ambos, dizendo que foi um momento de loucura. Gus desconversa e começamos a tocar, mas Theo não tira os olhos de mim, as sobrancelhas franzidas como se tentasse decifrar o que estou escondendo.

Evito olhar para ele e demora um tempinho até conseguirmos relaxar e nos entregar à música, o que é uma maravilha, porque por algum tempo, não preciso pensar em nada, além de cantar. Especialmente porque finalmente vamos fazer cover de uma das minhas músicas favoritas do momento, Don't Let It Break Your Heart, do Louis Tomlinson, que por sinal foi a música que mais me conforta sempre que penso no Theo e na mãe dele.

Quando o ensaio acaba, estamos os três satisfeitos.

Enquanto aguardamos as pessoas para o teste de baixista, lembro dos assassinatos, minha curiosidade e mando mensagem para Martina, que me responde prontamente.

Notas finais
Oioi! Para C&M estou adicionando as mensagens de texto trocadas pelas personagens, mas aqui não libera o uso de mais de uma por capítulo, por isso, caso queira ver as mensagens, que tal conferir a versão no wattpad? Meu user lá é flavsm ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.