Notas iniciais
Ran: Eu só tenho 1 coisa para dizer: Insonia quando se tá doente é foda ._. Mas problemas pessoais a parte, gostaram do passado ~ dramatico ~ que agente fez para o Mi?Eu achei que fico tão fofito, mesmo que a parte de ele tentando se matar fico meio estranha =3 Ah sim, aos fãs do meu querido Misty, me desculpem ~Sim, vocês vão entender isso mais para frente, mas irei me desculpar adiantada ~
Boa leitura, minna õ/

Mel: Bem, quanto ao passado de Milo, muito drama mesmo... mas o que me incomoda é o Saga ter tido toda essa importância na vida do loiro. E quanto ao Misty... ele supera!!

Ran: Ele supera?! Ele pode superar, mas eu nunca irei me perdoar por escrever aquilo!!! D :

Mel: Você também supera, petit.

Ran: Não, eu não vou superar isso jamais!!! *Vai chorar no cantinho q*

Mel: *ignora* Bem, segue mais um capítulo. Boa leitura a todos e obrigada pela atenção e carinho dispensados a fic.

O jantar ocorreu sem maiores imprevistos. Saga e Shura logo foram embora, pois tinham de trabalhar no dia seguinte.


Após o jantar Hyoga foi para seu quarto. Por Zeus, agüentar duas bichas já era difícil, mas agüentar quatro era o fim.


Foi um suplicio ter que ficar vendo toda aquela melação. E pra variar, o idiota do Milo ainda deu piti. Aquele devia gostar de chamar a atenção, só podia ser isso.


Queria ter ido embora dali. Queria ter ido embora daquela maldita casa. E ainda tinha aquele tal de Saga... Queria ter batido nele quando se aproximou daquela forma de si. Se não fosse aquele maldito ruivo e suas regras idiotas já teria dado um basta naquela brincadeira de casinha... Ah, como odiava cada um daqueles veados desgraçados...


Pelo menos o namorado o tal Saga não era um intrometido como os outros, sabia ficar em seu lugar e não se envolver onde não era chamado.


Será que seria obrigado a conviver com aquelas pessoas? Será que Milo e Camus não tinham amigos normais, só veados?


Mas ai se lembrou. Eles eram gays, e como tais coisas que eram, deviam ter vários amigos para quando quisessem se deitar. O Saga e o Shura com certeza já dormiram com Milo e Kamus... Arg... E pensar que Saga tocou em seu braço com aquela mão que sabe-se Zeus onde esteve. O simples pensamento já o dava vontade de vomitar. Então foi até a janela, tomar um pouco de ar.


Ficou a observar a vista que dava para o jardim. Era tudo muito bonito. Talvez se o casal que o adotou fosse normal poderia ser feliz naquela casa. Era tudo muito bonito, limpo e organizado. Não lhe faltava nada. Mas se para ter aquele conforto e aconchego tivesse que aturar aqueles gays escrotos, preferia viver na rua.


Suspirou pesadamente. Como estaria Shun? Será que já havia o perdoado?

Não acreditava que até nisso Milo e Kamus o atrapalharam. Shunny era uma garota tão legal, meiga, fofa, bonita... E que agora estava muito brava consigo por ter simplesmente falado a verdade.


Decidiu por tomar um banho e deitar-se. Amanhã pretendia ir ao parque cedo, quem sabe a encontraria lá e poderia fazer as pazes. Não podia de forma alguma permitir perder uma amiga por causa de uma besteira daquelas.



OoOoOoO

Após o jantar, Milo foi para o quarto. Foi um dia cheio e estava cansado.


Havia visto Hyoga ir para o quarto e se trancar lá após os amigos irem embora. Era de se esperar, afinal, ele não iria fingir que eram uma família para sempre.


Enquanto estava deitado na cama, lendo um livro para tentar ter alguma idéia para um quadro, não pode deixar de prometer a si mesmo, mais uma vez que faria o que fosse, mas faria Hyoga os aceitar.


Camus saiu do banho com a toalha enrolada na cintura, e outra secando as madeixas cor de fogo. Olhou intensamente o loiro, mas sem nada dizer.


– Ei Kyu, qual dos dois você prefere? – Milo perguntou, cortando o silencio, enquanto virava o livro para ele, mostrando duas pinturas de Michelangelo.


Camus tira o livro das mãos de Milo, o depositando na mesinha de cabeceira.


– Milo, precisamos conversar.


– Fale, ué. – O grego deu um breve selinho nele — Está tenso, o que foi?


– Quem era ao telefone mais cedo?


Milo suspirou e desviou o olhar, mas não respondeu nada.


O francês se afastou dele e foi até o armário, pegou uma cueca boxer na gaveta e a vestiu, em seguida sentou-se na cama, com os cotovelos apoiados nas pernas, e a cabeça apoiada nos braços.


Milo não falou nada. Apenas pegou o livro novamente e recomeçou a ler, sem perceber que tremia levemente enquanto Camus olhava seriamente para ele.


– Você não tem nada pra me falar Milo?


– Algo para te falar...? — Vira a pagina — Acho que não. Por quê? Deveria ter?


– Depende do ponto do ponto de vista. Partindo do principio que eu sou seu marido, você me ama, e não temos segredos, acho que tem sim. A menos que eu esteja enganado e você minta pra mim ou não me ame.


Milo guarda o livro na gaveta.


– O que esta falando, Kamus? É lógico que te amo! E muito!


– Então por que não me contou o que exatamente aconteceu entre você e seus pais?


O grego suspirou.


–... O Saga te contou, não foi?


– Pois é Milo. O Saga me contou... Como você acha que eu me senti sabendo disso por ele?


– Até que... Até que ponto ele contou?


– Sobre a agressão, a prisão de seu pai. E me doeu saber que você passou por tudo isso, mais ainda saber que você não confiou em mim para contar.


– Não é que eu não confiei em você, Kamus, é que... Eu não queria lembrar disso... Não queria que você soubesse de algo assim...


– Tem mais alguma coisa que você escondeu de mim Milo? Sim, por que agora eu posso esperar qualquer coisa, não?


– Quer que eu... Lhe conte o que aconteceu depois disso?


– Se não for muito incomodo pra você! – A voz de Kamus era sarcástica.



Milo suspirou novamente, antes de começar a falar.


– Seu sarcasmo machuca, sabia?- fez uma pequena pausa e continuou — Depois que papai foi preso, eu devia ter uns 16 ou 17 anos, você havia sumido e a mamãe não queria saber de mim... O Saga ficou ao meu lado o tempo todo no hospital. Me lembro que às vezes ele até esquecia-se de comer ou dormir, só porque eu tava com dor e ele queria ficar ao meu lado.

Eu fiquei algumas semanas no hospital e depois fui para a casa dele.

Eu não queria comer, não queria sair da cama, não queria falar, nem fazer nada, só queria ficar ali, esperando a morte chegar.

Eu me recusava a tomar os remédios e ia ficando cada vez pior. Só continuava vivo por causa de Saga, que estava sempre ao meu lado me fazendo tomar os remédios, fazendo eu comer e conversando comigo, mesmo sabendo que eu não daria uma resposta.

Quando eu tirei os gessos e já podia me mexer mais livremente, a situação não mudou muito. Mas ai o Saga começou a me tirar de casa e eu fui voltando aos poucos para o mundo, foi ai que agente começou a namorar. Só que, três meses depois, minha mãe foi fazer uma visita a mim. Saga havia dito para eu não a ver, que ele iria mandá-la embora, mas eu achava que ela havia se arrependido, que havia mudado de idéia sobre me expulsar de casa, então fui conversar com ela.

As coisas que a mamãe disse para mim, Kamus, só pioraram as coisas... Depois que ela foi embora, eu não agüentei mais, peguei uma faca e tentei me matar.

O Saga apareceu e me impediu, mas depois daquele dia ele tirou qualquer objeto cortante de perto de mim, pois eu sempre tentava me matar.

Ele ficava ao meu lado mais tempo, para eu não tentar pular da janela ou algo parecido. Eu não comia mais nada, não falava, só ficava lá, tentando me matar...

Isso durou mais 4 anos. O Saga ficou ao meu lado, me apoiando, mas eu não melhorava nada. Já tinha batido nele varias vezes quando ele tentava me agarrar para impedir alguma maluquice, tipo pular da janela, morder minha própria língua ou algo do tipo.


No final de sua narrativa, Milo forçou um riso


– Eu era meio louco, não?


– Milo... Eu sinto muito por não estar ao seu lado nesses momentos, pardon — uma lagrima solitária marcava a face alva.


– Kamyu, nunca lhe culpei por não ter estado ao meu lado, então não se preocupe com isso. – O loiro sorriu verdadeiramente.


– Mas eu me culpo Milo... Se eu estivesse do seu lado quando você contou pros seus pais que era gay nada disso teria acontecido, eu não permitiria que eles te machucassem, jamais! E você não teria namorado o Saga...


– O que passou, passou Kamus, só nos resta seguir em frente. – o loiro dá um leve sorriso — Além disso não precisa ter ciúmes do Saga. Ele é como um irmão para mim agora.


– Milo... – Kamus toca o rosto bronzeado delicadamente — eu te amo tanto mon cher. É tão difícil saber que eu não estive junto a você em uma fase tão delicada da sua vida, que foi outra pessoa que fez o que era meu dever fazer.


– Naquela época você estava confuso, Kamus, só isso. Você não estava ao meu lado por um bom motivo, então não o culpo. Só não queria... Lembrar-me disso, por isso não lhe contei. Eu que pedi para Saga não lhe contar quando você voltou. Fui egoísta, eu sei. — Abaixa o olhar, passando a fitar o chão


– Isso não justifica... Mas me diz Milo, quem era ao telefone?


– Não era ninguém, Kyu, não precisa se preocupar.


– Milo... Eu quero que fique bem claro que eu não vou viver um casamento onde o meu companheiro não confia em mim e me esconde as coisas, eu prezo a confiança acima de tudo. Então eu vou te perguntar de novo. Quem era ao telefone? — a ultima frase saiu pausada, lenta, mas clara.


Milo fechou os olhos com força e apertou os lençóis.


– Era o papai.


– Certo, como Saga desconfiou... E o que ele queria?


– Ele só perguntou se estava tudo bem, disse que ia falar com a mamãe para talvez vir me ver. Que ele soube que eu havia me casado e adotado um filho, então queria vir conhecê-los.


Camus suspira pesado. O que será que o pai de Milo estava planejando? Não podia acreditar que ele quisesse apenas se aproximar e se redimir pelo que tinha feito


– E você o que pensa de tudo isso? O que pensa em fazer?


– ... Não sei...


Camus se ajeitou no meio da cama, e puxou o loiro para deitar entre suas pernas


– Eu estou aqui meu amor, para o que você precisar, e vou te apoiar seja qual for a sua decisão — o beija no rosto e abraça forte, possessivo.


Milo sorriu, devolvendo o beijo.


– Mi... Eu não vou permitir que ele te machuque, é uma promessa. Eu vou te proteger mon amour.


– E eu não irei deixar que ele chegue perto de você ou de Hyoga, Kyu.


Camus segura o queixo do loiro, o puxando em sua direção e o beija nos lábios delicadamente.


– Eu te amo muito — disse enquanto distribui vários selinhos no lábios macios.

Milo sorri entre os beijinhos.

– Eu te amo mais.

oOoOoOo



Iliachtida acessoria jurídica era a melhor agencia de advocacia de toda a Grécia. Sua dona, Eleonor, era a melhor advogada de toda a Grécia, e a mais rica também.


Ela tinha belas madeixas loiras e pele morena. Estava no auge dos 50 anos, porém aparentava sequer passar dos 35. E agora essa mulher, com seu ar de superioridade estava em sua sala olhando para um homem que já foi seu marido.


Eliot tinha 55 anos, cabelos loiros quase tão belos quando o da ex-esposa e olhos incrivelmente azuis. Sua pele morena era cheia de cicatrizes e ele estava muito magro, porém parecia nem ligar. Ele estava sentado na cadeira de Eleonor, brincando com as coisas que havia ali em cima, distraidamente.


– O que veio fazer aqui? – Eleonor perguntou já farta daquele silêncio e do espanto que foi vê-lo ali.


– Não posso vir visitar minha mulher depois de sair da cadeia?


– Você deixou de ser meu marido quando tentou matar o meu filho.


– Pare de bancar a boa mãe, Eleonor. Você podia ter me detido a qualquer momento, mas preferiu só ficar assistindo. Nem pedir para parar você pediu. Só ficou lá, olhando. — Olha-a nos olhos — Acha que eu não vi aquele sorrisinho que você deu quando o joguei da escada?


Eleonor ficou sem palavras para rebater.


– O que você quer Eliot? Por que veio me procurar?


– Quero que me ajude.


– Em que? O que pretende?


– Ora Eleonor, que pergunta. Eu pretendo acabar o que eu comecei antes daqueles idiotas da policia me pararem.


– V-você está querendo me dizer que matar o Milo?! – a mulher tinha os olhos arregalados.


– Matar... Matar... Que palavra mais feia, não é? Nenhum pai seria capaz de matar o próprio filho, não acha?


– Hunf... De você eu espero qualquer coisa. O que quer afinal? Dá pra ser mais especifico?


– Bem, na minha... Adorável... Estadia na prisão, eu fiz algumas amizades. Irei cuidar do Milo eu mesmo, mas para isso precisarei de um lugar para ficar e de apoio econômico.


– Deixa ver se eu entendi direito. Você quer matar o meu filho, e quer que eu te receba em minha casa e te dê dinheiro pra que você possa executar essa tarefa. É isso mesmo?



– Isso. Só que como já disse Eleonor, não existe pai nesse mundo que consiga matar o próprio filho.


– E o que você quer com ele afinal? Não basta tudo que o fez passar? Ele é sangue do seu sangue Eliot, não deveria querer fazer mal a ele. — Eleonor não aceitava as opções do seu filho, casar com aquele francês tinha sido a ultima gota para renegá-lo, mas nem por isso queria a morte dele.


– Já não disse para parar de bancar a boa mãe? Eleonor, minha querida, você só não foi presa por falta de provas, mas uma palavrinha minha e nós dois vamos para aquele buraco que é a cadeia.


– Eu não tentei matá-lo como você fez!! Eu só queria que ele deixasse de lado essas ideias de ser... Homossexual. Não criei um filho pra isso. Mas eu não sou uma assassina!!


– Eu não vou matá-lo, Eleonor.


– E o que você quer com ele? Você está sabendo que ele agora está casado legalmente? E adotou um filho?



– Estou sabendo disso. Tenho minhas fontes.


– Imagino... – suspira — Eliot, eu não vou dizer que morro de amores pela forma de vida que o Milo leva, mas ainda sou mãe dele e não quero que o machuque. È lógico que enquanto ele insistir que ama aquele homem eu não quero aproximação... Mas mesmo assim, não faça mal a ele.


– Tarde de mais "querida", já dei o meu jeitinho e sei como lidar com isso.



– Faça como preferir. A vida do Milo não me interessa mais, e muito menos a sua. Então, por favor, pode se retirar.


– Aí que você se engana, Eleonor. Uma palavrinha minha para a policia e pronto, você está presa por muitos anos. Já disse que tenho amigos muito influentes? Especialmente na policia? Posso fazê-la ganhar de 10 a 20 anos de cadeia fácil.


Eleonor tinha os olhos crispando de raiva.


– E o que você quer de mim afinal, fala de uma vez e me deixa em paz! – NE não que tivesse medo de ir para a cadeia, pois era uma ótima advogada e não seria fácil incriminá-la, mas não poderia permitir vir a tona um escândalo com o nome de sua família, isso seria ruim para os negócios.


– Já te falei o que quero.


A mãe de Milo pegou um talão de cheque na carteira, o preenche com uma quantia considerável e o entrega ao homem.


– Aí está. Agora me deixe em paz.


O pai de Milo se levantou, sorrindo


–E tem mais uma coisa, Eleonor. Uma palavrinha sobre isso, e eu te mato, entendeu?


Eleonor sabia muito bem que aquele psicopata teria coragem de fazer isso, não se arriscaria. Milo já era crescido e o marido que tomasse conta dele. Não ajudaria o ex-marido a fazer nada contra o filho, mas também não o impediria.


– Pode esperar nos veremos novamente – E ele foi embora.



Ao notar que Eliot havia levantado, o homem que ouvia atrás da porta saiu silenciosamente de onde estava. Pegou o celular e discou um numero conhecido.


Milo estava correndo perigo, e com certeza Camus também estava. Aquele homem era capaz de tudo.



oOoOoOo



O resto da semana transcorreu normalmente, sem maiores imprevistos. Milo e Kamus estavam um pouco esquisitos depois do jantar, afinal tinha toda a tensão das recentes descobertas.


Hyoga havia percebido isso, mas não estava nem ai para o que eles faziam ou deixavam de fazer.


E assim começou a primeira semana de aula do pequeno aquariano.


O dia amanhece ensolarado e bonito, sem muito custo Hyoga acordou cedo e arrumou-se, afinal já estava acostumado com essa rotina. Naquela casa tinha que acordar cedo todos os dias, e só lhe deixavam dormir um pouco mais no fim de semana. Já fazia duas semanas que estava morando com Milo e Camus, e finalmente, hoje seria seu primeiro dia de aula.


Desde o dia da sorveteria que não vira Shunny, ia ao parque todos os dias, mas em vão. Nunca mais vira a garota, e não tinha coragem de perguntar sobre ela para Milo, pois se fizesse isso teria que começar um dialogo com aquela bicha e com certeza ele iria querer saber o porquê de estar tão interessado assim na garota.


Depois de descer e tomar seu café saiu de casa e foi para a escola. Dispensou a carona que Milo e Kamus haviam oferecido. Preferia mil vezes se jogar de um penhasco a ser visto com aqueles dois em seu primeiro dia na escola.


Chegando lá, primeiramente foi ver em que sala estava, o que levou um certo tempo já que muitos alunos estavam na sua frente e ele não conseguia achar seu nome na lista que mostrava a divisão das salas. Mas quando acabou, a primeira coisa que fez foi ir procurar Shun.


De súbito, algo o fez parar. Sentado no pátio, a alguns metros de si, havia um garoto que conversava com as meninas. O jeito daquele cara, a feminilidade dele, o jeito que ele agia com as meninas o fez o odiar no mesmo instante. Como se já não fosse o bastante em casa, agora tinha um veado na sua escola.



Ouviu o nome que as garotas o chamavam... Misty.


Rezou para não ter caído na classe dele.


Hyoga passou direto pelo rapaz sem ao menos olhá-lo, mas se aquela bichinha por algum motivo olhasse para si, ah, seria obrigado a agir. Na verdade teria que tomar uma atitude de qualquer jeito, não poderia aceitar estudar na mesma escola que uma bichinha daquelas. Mas isso poderia esperar... no momento sua prioridade era encontrar a amiga.


Hyoga andou por mais alguns minutos. Nenhum sinal de Shun. Decidiu então ir para a sala, afinal o sinal já havia tocado e ele era um dos únicos alunos ainda no corredor. Mas antes ele tinha que pegar os livros em seu armário.


Perto de seu armário, tinha um rapaz encostado. Ele bebia algo em uma garrafa, indiferente ao mundo, então Hyoga não ligou muito para isso, foi pegar as coisas em seu armário.



Nesse momento o garoto que ele havia visto mais cedo, Misty, passou correndo por eles, em direção a sua sala.


– Tsc... Essa escola podia pelo menos escolher melhor seus alunos. Só espero não cair na classe daquela bicha de novo. – O garoto perto de Hyoga falou.


O aquariano olhou para ele e sorriu, finalmente alguém que pensava como ele.


– Concordo contigo – Hyoga estava no armário ao lado dele — Acho que gente como essa biba merecia apanhar ate aprender a ser homem.


– Duvido que bater adiantasse alguma coisa, a morte seria melhor. Mas dar umas pancadas já é um começo – O homem lhe respondeu, sorrindo.


– Eu sou Hyoga, e você quem é? – Pelo jeito tinha acabado de encontrar um amigo.


– Me chame de Mascara da Morte. Ou Masck, como preferir.


– Nossa que macabro isso, você não tem nome não?


– Não. Ou é esse, ou é nenhum, o que prefere?


– Certo, então Mask, eu preciso ir agora, to atrasado, a gente se ver por aí.


– Quem sabe, loirinho. – Masck vai em direção da saída da escola.


- Mask, você não vai pra aula?


– Não to afim. — Se vira para ele — Quer vir comigo?


Hyoga não pensa duas vezes, segue o outro, não havia encontrado sua amiga mesmo, e não estava a fim de estudar.


– Pra onde vamos?


– Um bar. Preciso beber.


O aquariano não tinha o habito de beber, mas já havia feito isso algumas vezes. Talvez se chegasse em casa bêbado aqueles imbecis desistisse dele...


– Ótimo! Eu estou precisando disso também.


– Não se force moleque. Não quero ficar cuidando de bêbado depois.


– Eu não sou moleque, já sou um homem – O loirinho fechou a cara.


– Sei. Para mim ainda é um moleque e pronto.


Hyoga revira os olhos e segue o outro



oOoOoOo



Enquanto isso não muito longe dali...


A porta foi lentamente aberta. Shun entrou na casa e fechou a porta atrás de si, escondendo o pulso com a manga.


– Ikki? Papai?


–Shun, eu não acredito que estava na casa dela de novo. Por que não veio para casa como a gente tinha combinado? Ficou lá esses dias todos e nem deu noticias! – Ikki já chegou falando. Estava irritado, mas acima de tudo preocupado — Como você está? Ela te fez alguma coisa? Responde!!! — falava enquanto abraçava o menor, o apertando em seus braços.


– Desculpa, Ikki... Mas eu tava preocupado com a mamãe... – O virginiano riu baixinho, se soltando dos braços do irmão — Estou bem, Ikki, não se preocupe...


– Impossível se estar bem morando com aquela vadia. Mas vem, vamos tomar café, papai já está vindo.


– Não posso, Ikki. Tenho que ir para a escola. Só vim para ver como vocês estavam já estou mais que atrasado.


– Você tomou café antes de sair de lá? Tem que estar bem alimentado pra estudar Shun, anda sentai ai, que eu te levo pra escola depois.


– Ok, ok. – Shun riu baixinho. Sabia que nunca conseguiria contrariar o irmão. Sentou-se e começou a comer — E então, cadê o papai?


Nesse momento Albion chegou na cozinha com uma pasta na mãos.


– Eu estou aqui meu filho, estava preocupado — coloca a pasta em uma cadeira e abraço o filho menor — Como você está meu pequeno?


– Estou bem, papai.


– Pai, quando você vai tomar uma atitude? Quando vai trazer Shun para morar com a gente?


– Quando ele quiser Ikki, sempre dei liberdade pra vocês fazerem suas escolhas. Se seu irmão não quer vir morar conosco, eu não posso obrigá-lo.


Ikki bufou. Não entendia por que o pai não usava sua autoridade e obrigava o irmão a sair de vez da casa daquela mulher insuportável que ele chamava de mãe.


– Tá tudo bem, Ikki. Mamãe não é tão ruim assim. – Shun sorria. Sabia que era mentira, mas não conseguiria deixar a mãe na mão assim, tão facilmente


Ikki revira os olhos enquanto bebia um pouco de suco.


– Ela só é uma vadia que não se preocupa com os filhos e te faz de empregadinha enquanto sai por ai dando pra qualquer um!!!


– Chega Ikki!! Ela é sua mãe e você deve respeito a ela. – Albion o repreendeu.


Ikki não contesta apesar de realmente achar tudo isso da mãe e ter motivos pra isso, não despeitaria seu pai.


– Ikki... Ela é nossa mãe, você gostando ou não dela. Eu escolhi ficar com ela, você com o papai. Não irei mudar de opinião... – Shun falava de maneira calma.


– Você ainda vai me dar razão Shun, ainda vai ver quem ela é de verdade.


Albion olha para os filhos e suspira. Como podiam ser ter tão diferentes? Ikki era forte, corajoso, e impetuoso, muitas vezes arrogante, mais tinha um amor e um senso de proteção para com o irmão impressionante. Já Shun era doce, puro, e sempre colocava as necessidades dos outros acima da sua. Sentia-se um sortudo por tê-los como filhos, mas sofria com o que o menor era obrigado a passar por conta de toda a sua solicitude e bondade.


Tentando ser o mais discreto possível, Shun passou a mão levemente sobre o pulso. Estava doendo, mas não falaria nada.


– Mamãe só... Precisa de um tempo para ela as vezes...


Ikki estreita os olhos, só agora reparando no pulso enfaixado do outro


– O que houve com seu braço Shun?!


Albion vira para onde o olhar do primogênito era direcionado e segura o braço do filho caçula delicadamente, levantando a manga da blusa.


– O que foi isso Shun?


– N-Nada... Eu só cai...


– Não mente pra mim Shun! Eu te conheço, então não tente me fazer de idiota... O que houve com o seu braço?


– ... Mamãe tava brava porque eu acabei interrompendo ela e o namorado e não havia feito o jantar... Então ela apertou meu pulso e acabou arranhando um pouco ele... – O mais novo desvia o olhar deles — Como tava sangrando, eu enfaixei...


– Ela o quê? — Era uma pergunta retórica, havia entendido muito bem o que irmão falara. E isso não ficaria assim, ah mas não mesmo — Vê pai, isso tudo é culpa sua! Se o senhor não tomar uma atitude tomo eu, já tenho dezoitos anos e vou lutar pela guarda de Shun na justiça! Não vou mais permitir que ela o trate assim!


– Minha culpa? Ikki, seu irmão tomou uma decisão, não serei eu que irei contra ela! E acha mesmo que um garoto como você pode ter a guarda de seu irmão?!


– Sua culpa sim senhor. Quando Shun decidiu ficar com ela só tinha catorze anos e você sabia como ela era! Poderia ter sido contra. Está vendo seu filho ser maltratado debaixo de seu nariz e não toma nenhuma atitude! Por que pai? Como você consegue dormir a noite sabendo que seu filho pode estar machucado, passando fome, sozinho, desamparado? Você está sendo conivente com ela!!! – O leonino estava descontrolado.


– Olhe os modos mocinho! Não permitirei que fale assim comigo em minha própria casa, entendeu?!


– Papai... Ikki... Acalmem-se... – Shun tentava amenizar a situação


Ikki respirou fundo e lentamente.


– Desculpe pai — pediu mesmo a contragosto — Vamos Shun, estamos atrasados, já perdeu a primeira aula mas dá tempo de pegar a segunda. — chamou o menor levantando-se em seguida.


Albion soltou um sonoro suspiro.


– Hoje Shun não irá para a escola, Ikki.


– Hã? Por quê? – O pequeno estranhou.


– Iremos até a casa de sua mãe ter uma séria conversa com ela.


– Já não era sem tempo! Mas eu quero ir junto! – O leonino estava feliz. Em fim seu pai faria algo para resolver os problemas de seu irmão.


– O senhor vai para a faculdade.


– Certo pai, mas quando eu voltar quero saber dos detalhes! — Não podia discutir com o pai, beijou o topo da cabeça do irmão e rosto do pai — já que não tenho escolha, estou indo.



Shun e Albion se despediram de Ikki e começaram a conversar amenidades, cortando o clima tenso que se instalou.


O japonês vai para a faculdade com uma certeza, se seu pai não resolvesse essa situação ele resolveria, seu pai concordando ou não. Não podia mais permitir que seu doce irmão passasse por tudo aquilo enquanto ele ficava de braços cruzados, mas não mesmo!



Continua...

Notas finais
Resultado parcial da votação:
Eire: 4
Freiya: 1
Shun: 32
IKki: 7