Criando Laços
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Mel: Desde já aviso que o capítulo contém lemon.... No mais, agradeço aos reviews, carinho e atenção com a fic.
Boa leitura!!
Ran: E uma última coisa: Agente nem começou o cap novo, enton estamos aceitando qualquer ideia, minna x3
Mel: ...
Ran: Que foi Mel-chan?Tá quietinha...
Mel: ...
Ran: Tão tá, neh...
Camus estava deitado no sofá, com um braço sobre os olhos. Pensar em tudo o que estava acontecendo lhe deixava cansado e o fazia se perder em pensamentos...
Após longos e intermináveis minutos, ouviu Milo entrar em casa.
– Voltei. – O grego falou, se aproximando do sofá e deitando delicadamente sobre Camus, fechando os olhos logo em seguida.
O ruivo abraçou o loiro, alisando de leve suas costas.
– Deixou o Shun em casa? Como ele está?
– Deixei. Parece que o garoto que o Hyoga bateu era amigo dele. Ele tá muito abalado...
– Ah Mi... O que faremos com ele hein?
– Não sei, Camyu... – Milo tinha a voz visivelmente triste — Será que erramos ao adotarmos ele mesmo contra sua vontade?
– Está arrependido Milo? – O francês se sentia culpado por ter envolvido Milo naquela situação toda. Mas não poderia abandonar Hyoga a própria sorte. Não agora que o reencontrou enquanto buscava uma criança para adotar. Foi muita sorte mesmo. Ou simplesmente o destino. Além do mais não havia imposto nada a Milo. Deixou o loiro livre para aceitar ou não adotar Hyoga.
– Não é arrependimento, Camyu... Tenho certeza que Hyoga é uma ótima pessoa, só precisa de um empurrão para o caminho certo... — Deitou a cabeça nos braços de um modo que dê para olhar Camus — Mas Camyu, por que você insiste tanto em ficar com Hyoga? Já o amo como meu filho, o amo muito mesmo, mas às vezes deveríamos entender que devemos libertar aquilo que amamos... Não quero desistir de Hyoga, mas se for o melhor para ele, agente pode desistir da adoção...
– Não! – O aquariano respondeu sem ao menos pensar — Milo, como poderia ser o melhor pra ele viver na rua, sem família, sem estudar, sem amor? Ou em um orfanato sem carinho, em péssimas condições? Alem do mais ele já tem 15 anos, em três não poderá mais ficar em um orfanato... E o que será dele? Eu também o amo, não quero desistir de dele. A menos que você queira...
– Não! Jamais vou querer desistir dele! Nunca! Ele é meu filho, mesmo que ele não queira! Mas... O mantendo aqui, em um lugar que ele não queira com... Pessoas que ele odeia... Estamos impedindo ele de ser adotado pela família que ele tanto quer.
– Você tem razão quanto a isso Milo, mas eu acho muito difícil adotarem um adolescente de 15 anos com o histórico do Hyoga. Aqui ele será amado, respeitado, e daremos a ele condições dignas de vida... Estive pensando, que tal o levarmos a um psicólogo?
Milo suspirou
–Um psicólogo? Bem, dadas às circunstancias, acho que não temos escolha... Que tal o Mu?
–Seria ótimo. Talvez Mu possa ajudá-lo. Eu estou me sentindo tão incapaz nesse momento.
Milo voltou a deitar a cabeça no peito dele
– Eu também... Dói muito, Camus... Dói vê-lo tentando com todas as forças afastar a gente... Dói ver um menino tão gentil como Hyoga tentando se fazer de mau...
Camus acaricia as madeixas loiras.
– Eu sei. Dói em mim também... Mas nós vamos ajudá-lo Milo. Um dia ainda riremos dessa situação toda.
– Eu espero que esse dia chegue logo, Camyu... Não sei quanto tempo irei aguentar isso tudo... Não sou forte como você, Camus...
– Hei... É claro que você é forte meu amor, até mais que eu. Eu te amo do jeitinho que você é. Intenso, apaixonante, alegre, honrado, sensível, sexy, sensual, irrefreável, impulsivo.
Milo riu baixinho.
– Também te amo meu francesinho gostoso... – Ele então suspirou, se levantando — Bem, tenho que ir trabalhar...
– Ahh fica aqui um pouquinho comigo vai... Tá tão gostoso ficar assim juntinho contigo.
– Hm... Não posso... Tenho que acabar um quadro até o fim de semana.
O olhar de Camus era triste, o que fez o grego soltar um riso baixinho e voltar a se deitar em cima dele.
– Ok, ok, você venceu. Eu fico.
Camus abraça o loiro possessivamente.
– Mais tarde eu ligo para o Mu para marcar uma hora pro Hyoga. O mandei para o quarto e só sairá de lá pra almoçar. Mas agora quero ficar um pouquinho com você, ma pomme. — beijou a face do loiro, o que o fez sorrir.
– Ok. Já estava ficando com saudades de ficar um tempinho com você, meu gelinho — Beija-lhe levemente a ponta do nariz.
–Gelinho né... Depois eu te mostro como posso ser quente. Aguarde e confie.
– Hm... Por que não pode ser agora, hein? – Milo se aproxima lentamente do ouvido dele e sussurra rouco, carregado de luxuria — Me mostre como pode ser quente, ruivinho — Morde levemente a orelha do ruivo que sente um arrepio percorrer seu corpo ao sentir o hálito quente do esposo em seu ouvido.
– Hnn Mi... Não provoca. — Se move embaixo do corpo de Milo, fazendo uma das pernas do loiro ficar entre as suas, enquanto a sua fica entre as de Milo, sentindo assim o sexo do loiro roçar em sua coxa, e o seu na coxa do loiro, o que faz Milo sorri maliciosamente.
– Não estou provocando — Roça levemente a coxa no sexo dele, levando a mão até o peito dele e fica brincando com seus mamilos, ainda por cima da blusa.
Camus geme arrastado e busca a boca do loiro, iniciando um beijo luxurioso, enquanto leva as mãos as nadegas macias e fartas, apertando-as com força
O escorpião suspira em deleite ao sentir o ruivo lhe apertando as nadegas Aparta o beijo, olhando-o com os olhos desejosos.
– Eu o quero Camus... O quero aqui... — Abre levemente as pernas, roçando-se levemente na perna do ruivo
O aquariano passa as mãos por baixo do camisa do loiro, sentindo a textura da pele macia e morna.
– Milo... Vamos pro quarto.
– Uhum... Vamos — Começa a mordiscar levemente o pescoço dele.
–Hnn... assim eu não consigo levantar
Milo solta um muxoxo baixinho e se senta no sofá, o puxando logo em seguida para outro beijo.
Camus se delicia sentindo o sabor único daquela boca que tanto amava. Seu membro já ereto estava começando a ficar dolorido, ansiando por alivio.
O loiro sorri por entre o beijo e leva a mão até o membro de Camus, começando a masturbá-lo por cima do tecido, sem apartar o beijo fazendo o ruivo gemer dentro de sua boca, sentindo seu corpo ser transpassado por ondas de eletricidade.
Camus passa a desabotoar a camisa do loiro, sentindo cada músculo daquele tórax perfeito. Ao sentir os dedos do amado lhe tirando a camisa, Milo ri baixinho e se afasta de Camus aos poucos, parando de masturbá-lo e se levantando.
– Vamos para o quarto – Falou rouco, já saindo andando logo em seguida.
Camus suspira e segue o marido. Se fosse em outros tempos faria amor com o grego no sofá da sala mesmo, ou no chão, em cima da mesa, na pia da cozinha. Mas agora não moravam mais sozinhos, tinham que ser cuidadosos.
Assim que Camus entra no quarto, Milo fecha a porta e a tranca, recomeçando a beijar Camus e a abrindo-lhe a camisa.
O ruivo se livra do resto de suas roupas, ajudando Milo a despir-se logo depois. O jogou na cama sem muita delicadeza, lambendo os lábios ao observar o corpo dourado e a cabeleira loira em contraste com os lençóis negros.
– Perfeito...
Milo riu baixinho, entrelaçando as mãos no pescoço dele, o puxando para mais um beijo, sentindo Camus gemer em sua boca e mover o corpo lentamente, se deliciou com o contato das ereções.
– hm... – O grego se solta dele, invertendo as posições e, lentamente, desceu até a ereção do amado, começando a lambê-la
– Ahhhnn – Camus geme arrastado ao sentir o contato da língua quente contra seu membro pulsante. Mexeu o quadril em busca de mais contato fazendo Milo sorrir maliciosamente e abocanhar o membro dele completamente, começando a chupá-lo lentamente, mantendo contado visual com o ruivo todo o momento, se deliciando com cada expressão que ele fazia.
Camus arqueia as costas, sentindo cada pelo do seu corpo arrepiar. Os olhos febris de Milo incendiavam seu corpo.
– Ahhh... Mi... — não conseguia concluir uma frase coerente diante do intenso prazer que sentia. Só Milo o fazia sentir esse turbilhão de sensações.
O loiro sorri internamente, aumentando a velocidade dos movimentos, levando um dedo até sua própria entradinha, começando a se preparar sozinho.
O francês sentia cada célula do seu corpo em chamas. Poderia gozar só com a visão de seu membro saindo e entrando naquela cavidade quente e perfeita. A visão de Milo se tocando tão intimamente ao mesmo tempo em que o degustava atiçou-o ainda mais. Não conseguiria se controlar por muito tempo.
– Mi..lo...eu...
– Não queremos que goze ainda, não é? – Milo falou de forma sensual, tirando o membro do ruivo da boca ao mesmo tempo em que retirava os dedos de dentro de si. Subiu de volta para cima de Camus, posicionando o membro dele em sua entradinha. Antes, porém de começar a penetração, voltou a beijar o amado.
Camus corresponde ao beijo com lascívia. As línguas se encontrando dentro e fora da boca, as mãos gravando cada detalhe do corpo alheio. Cada pedacinho de pele sendo tocada e acariciada.
Apesar de estar se deliciando com as mãos do ruivo em seu corpo, Milo queria um contato maior. Ainda sem apartar o beijo, começou a lentamente descer sobre o falo do outro.
O ruivo sentiu toda sua razão o abandonar de vez ao ter seu membro aprisionado dentro daquela cavidade que o acolhia tão bem. Nada na vida poderia ser melhor que estar conectado com seu Milo, de corpo e alma. Um longo gemido de deleite escapou de seus lábios, sua respiração ofegante, seu corpo em chamas. Parecia estar em uma realidade alternativa
Milo apartou o beijo, apoiando as mãos no peito do ruivo, continuando a descer lentamente, soltando vez ou outra um gemido.
A visão mais bela e erótica do mundo era isso que Camus estava vendo. Milo subir e descer em seu membro, os lábios entreabertos, face corada. Camus arremetia-se dentro do loiro, ao mesmo tempo em que o outro o apertava dentro de si. Os corpos em sincronia, o barulho dos quadris se chocando, o som dos gemidos, o calor que inundava o ambiente, tudo contribuía para aumentar o prazer do ruivo.
Milo, por sua vez, sentia um prazer descomunal. Amava ser possuído por Camus. Era delicioso sentir o membro dele estocando-o fundo, o alargando, dando-o um prazer sem igual. Por instinto levou a mão ao membro, começando a se masturbar, enquanto voltava a beijar Camus, aumentando a velocidade que subia e descia por aquele membro delicioso.
O francês tinha seus sentidos cada vez mais aguçados, o cheiro de sexo inundava o quarto, sua pele ardia de desejo, os gemidos de Milo misturados aos seus o faziam delirar, o sabor da boca do grego em sua boca era simplesmente divino, a visão daquele corpo perfeito sendo preenchido por si era a mais perfeita das pinturas.
– Milo... Ahhhhhnnn- gemia de forma despudorada, chamando o nome de seu amado.
– ahn... C-Camus... – Milo gemia cada vez mais alto, sentindo Camus ir cada vez mais fundo dentro de si. Começou a se masturbar mais rápido, sentindo-se perto do ápice — E-Eu... Não vou... ahn... aguentar muito... Mais tempo... hmm...
– Ahhhhh — o clímax se aproximava para o aquariano também. Já não estava mais aguentando. Em um gemido rouco despeja seu sêmen no interior do amante, em jatos fortes, seu corpo convulso — Milo...
– Ahnn! – O escorpiano geme mais alto ao sentir o sêmen quente de Camus lhe preencher, acabando por gozar também, sujando todo o abdômen de Camus — hm... Camus...
Camus buscou a boca do loiro dando inicio a um beijo, agora calmo e lento. Suas mãos apertavam o corpo de Milo contra o seu, seu membro ainda dentro do esposo.
Milo sorri por entre o beijo, tirando Camus lentamente de dentro de si.
– Te amo, Camus.
– Eu também te amo ma pomme... Te amo mais que tudo nesse mundo – Camus distribui selinhos em toda a face bronzeada, por fim selando os lábios macios mais demoradamente.
– Te amo mais que minha vida, meu gelinho – Milo se senta na cama, o puxando para si, beijando-o demoradamente — Te amo mais do que imagina, Camus...
Camus abraça o loiro possessivamente, como se sentisse medo que fosse tirado de si. Não suportaria perder seu amor, seu amigo, seu amante, sua vida. Milo era tudo para si, o que dava colorido a sua vida que sempre fora em tons de cinza. Muita coisa ainda os aguardava, só esperava que o amor que Milo declarava sentir por si fosse capaz de superar os desafios impostos pela vida.
oOoOoOo
Na frente da faculdade Sanctur, um homem de porte sedutor e longos cabelos loiros esperava encostado em seu carro. Ele olhava fixamente para a entrada da faculdade esperando alguém aparecer. Já estava ficando impaciente...
Saindo apressado da faculdade, Ikki estancou no portão ao ver aquela figura loira tão imponente que o olhava de uma maneira estranha.
Ao vê-lo, Saga levantou uma mão em sua direção, o chamando com um dedo. Mantinha o sorriso sedutor nos lábios, ignorando os garotos e garotas que o olhavam com o desejo estampado em seus rostos.
Ikki se aproximou do loiro e o olhou nos olhos. Aquele homem impunha respeito com sua presença marcante. Mas não deixaria subjugar-se. O que será que o irmão de Kanon queria consigo?
– O que quer? — foi direto ao ponto. Sem "bom dia", "Como vai" ou "tudo bem".
– Entra no carro – O geminiano disse simplesmente. O garoto era direto, ele também era.
– E por que eu entraria no carro de um estranho assim, sem mais nem menos? — Sua voz era calma, mas estava cada vez mais intrigado com aquela estranha aproximação do loiro grego.
– Não sou um estranho, você bem sabe. Agora pare de me fazer perder tempo e entra no carro.
O tom do loiro era imperativo, porém calmo. Quando deu por si Ikki já se encontrava no banco do carona. Pensou em como Saga era diferente de Kanon.
Saga entrou no carro logo depois dele, começando a dirigir.
– Bem, vou te levar para almoçar. Onde quer comer?
– Não quero comer! Quero que me diga de uma vez o que quer comigo. Até onde sei não temos nenhum assunto em comum.
– Ok então, eu escolho onde vamos comer – O geminiano ignorou-o totalmente, começando a dirigir até um restaurante um pouco longe dali.
Ikki bufou de raiva. Afinal Kanon e Saga não eram tão diferentes assim. No fim das contas é ele quem agia diferente com os irmãos.
– Não vai me dizer o que quer comigo?
– Vou.
– Então o que está esperando?!
– Não gosto de conversar de estomago vazio.
O leonino nem se dá ao trabalho de responder. Pelo visto as coisas teriam que ser do jeito que o loiro queria.
Após alguns minutos, Saga estacionou perto de um restaurante, saindo do carro logo em seguida e chamando Ikki, que o seguiu em silencio.
Os dois se sentaram em uma mesa próxima a janela. Ambos ficaram alguns minutos olhando o cardápio e fizeram seus pedidos para a garçonete.
Assim que a mulher saiu, Saga apoiou a cabeça nas mãos, olhando Ikki com atenção.
– E então ? – Ikki falou, arqueando uma sobrancelha, já farto daquilo.
– E então o que?
– Você é idiota ou quê? Me trás aqui, diz que quer conversar comigo e gora se faz de desentendido? E eu que pensei que o retardado da família fosse o Kanon! — Ikki era ácido quando queria.
– Bem, vejo que está estressado. Só queria conversar com você já que Kanon me contou da tarde linda que tiveram naquele carro.
Ikki engoliu em seco ao ouvir aquilo. Como assim Kanon contou sobre a tarde que tiveram? Aquele idiota era mesmo retardado contando sobre a intimidade deles pra qualquer um. Se bem que Saga era seu irmão gêmeo. Mas mesmo assim... Esse era um assunto bem intimo. E o que será que Saga queria consigo exatamente?? Estava confuso, mas respirou fundo e tentou manter o foco.
–E o que você tem a ver com isso?!
– Kanon me ligou às duas da manhã, me tirou da minha cama e praticamente me forçou a ir a casa dele só para me contar que quer transar com você de novo. – Saga falou aquilo como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
– Hein? — Aquela situação era surreal. Estava em um restaurante, com irmão do homem com havia ido pra cama no dia anterior, seu chefe por sinal. Zeus... O que significava toda aquela conversa maluca?!
– Eu disse que o Kanon me ligou às duas da manhã, me tirou da cama e me forçou a ir a casa dele para me contar que quer transar com você de novo — Saga se controlava para não rir da expressão que o mais novo fazia.
– Certo isso eu entendi. O que eu não entendo é por que aquele maluco fez isso. E por que você está me contando isso! — Ikki tentava manter a calma.
– O porque dele ter feito isso, você terá de perguntar a ele. E eu estou te contando isso porque é meu trabalho como irmão mais velho ver com quem meu irmão está ficando.
Ikki não se controla e começa a rir. Na verdade estava quase gargalhando.
– Seu trabalho como irmão mais velho? Estamos falando de um marmanjo de quase quarenta anos!!! O Kanon não é nenhuma criança Saga. E além do mais eu não estou ficando com ele! Aquilo foi um... Incidente!
– Tendo ou não quase quarenta anos, ainda é meu irmão mais novo. — Espera a garçonete colocar o pedido dos dois na mesa para continuar — Então está me falando que não quer transar com meu irmão de novo?
– Acho que isso não lhe diz respeito!
– Não faça drama e responda a pergunta.
– E se eu quiser? Vou ter que pedir permissão para o irmão mais velho da donzela?!
Saga riu.
– Claro que não. Só estou fazendo uma pergunta, Ikki. E quero uma resposta.
Ikki cessa risada de deboche e torna uma expressão seria.
– Sinceramente Saga? Eu não sei...
Saga comia calmamente.
–E por que está confuso sobre isso, Ikki?
– O Kanon é uma pessoa um tanto complicada Saga. Você deve saber disso melhor do que eu... Afinal ele te ligou de madrugada para te falar que queria transar comigo. Isso pra mim já é loucura demais. Eu não sei se estou preparado pra lidar com uma pessoa tão... complicada.
– O Kanon... Bem, o Kanon realmente é uma pessoa complicada, louco, idiota, um cabeça oca, um jumento, uma anta... Mas ele tem seu lado bom que só mostra pra quem realmente merece ver. Ele tem seu lado companheiro, inteligente, amigo e frágil. Sou suspeito para falar isso já que sou irmão gêmeo dele, mas ele é uma boa pessoa, do seu jeito.
O japonês sorri dos "elogios" iniciais.
–Eu entendo Saga. Mas convenhamos... Não é fácil lidar com uma pessoa tão instável como o Kanon. E além do mais eu não quero me envolver emocionalmente com ninguém!
– Você que está falando de se envolver emocionalmente, Ikki. Eu apenas estou falando sobre transar com ele — Com um sorriso cúmplice.
– Pra mim transar mais de uma vez com a mesma pessoa já é um tipo de envolvimento. — falou despreocupadamente enquanto depositava os talheres sobre o prato, sinalizando que terminara de almoçar. — Além do mais o Kanon nem é tudo isso...
– Garoto, cuidado com o que fala, ele ainda é meu irmão — Também acaba de comer — Além disso, para Kanon transar mais de uma vez é apenas por prazer. Ele não é do tipo que se apaixona fácil. Segundo ele, só se apaixonou uma vez na vida...
Ikki sentiu uma certa curiosidade em saber quem era essa pessoa por quem Kanon já havia se apaixonado. O que será que tinha de tão especial? Será que o loiro ainda amava essa tal pessoa? Não soube explicar por que, mas essa ideia não lhe agradou muito. Balançou um pouco a cabeça, como que para espantar esses pensamentos e resolveu se focar na conversa esquisita e sem sentido que estava tendo com Saga.
– Ótimo, que ele não se apaixone fácil mesmo. Pois se apaixonar por mim só o faria sofrer. Só uma curiosidade... Se é só uma transa por que você se deu ao trabalho de me procurar pra falar sobre isso? Você costuma interrogar todos os homens ou mulheres com quem seu irmão transa?!
– Claro que não, não tenho tanto tempo disponível assim. Só... Acho curioso o jeito que Kanon estava falando de você, só isso. Fiquei curioso ainda mais com o jeito que você fala dele. Mas não se preocupe Ikki, só queria conversar com você sobre isso.
O leonino olhava para o loiro a sua frente em um misto de assombro e curiosidade. Ao que parecia Saga era ainda mais estranho que Kanon. Onde fora se meter?
– Ok... Então já matou sua curiosidade?
– Não.
O moreno suspira longamente. Pelo jeito não seria fácil se livrar de Saga. Tinha consciência que enrolou, enrolou e não disse nada de concreto a respeito da pergunta inicial do loiro.
– Tudo bem Saga. Então o que falta?
– Quero saber muita coisa ainda, mas isso eu descubro com o tempo. O que quero agora é a resposta de minha pergunta, você quer ou não transar com Kanon de novo?
– Quer saber Saga? Quero!! Nesse momento eu estou aqui falando com você e pensando naquele corpo divino e gostoso. Louco pra me saciar nas profundezas do corpo do seu irmão e o ouvir gemer e gritar meu nome inebriado de prazer!! Satisfeito?
Saga se levantou.
– Sim, estou — Deixa o dinheiro para pagar o almoço dos dois na mesa e sai andando, calmamente, de volta para o carro.
O mais novo fica olhando o loiro se afastar sem entender nada. Afinal o que aquele maluco queria com toda aquela historia? Foi tudo muito... Esquisito, surreal, louco... Nem sabia definir. Esses irmãos só podiam ter sérios problemas psicológicos... Deviam ser sequelados. Levantou-se tomando o caminho para o trabalho, afinal seu "chefe" não tolerava atrasos!
Antes, porém de sequer chegar à esquina, viu o Carro de Saga parar ao seu lado e ele abaixar o vidro para falar:
– Se magoar meu irmão, pivete, eu te quebro todo, entendido? – E então foi embora.
– Imbecil... – Ikki resmunga para si mesmo, que inferno. Quanto mais rezava mais assombração lhe aparecia!! Não era Kanon o homem que não se apaixonava e só buscava prazer? Como agora aquele louro maluco do irmão gêmeo do chefe vem lhe dizer para não magoar o senhor "sou de todos"?? É... Aqueles gêmeos tinham graves problemas psicológicos, disso não tinha duvidas!
oOoOoOo
Após o pequeno incidente na escola, Misty foi levado imediatamente para o hospital com o professor Shura. Este havia ido embora após se certificar que os pais do aluno foram avisados e alguém da família iria vê-lo.
Porém quem entrou pela porta do quarto em que Misty estava não foram seus pais, e sim seu irmão, Afrodite.
–Oi meu amor... O que fizeram com você meu bebê? – Afrodite falou, colocando a mão sobre a do loiro deitado na cama.
– Dite... – Misty apertou a mão dele, choroso — Doeu tanto, Dite...
– Oh meu anjo, aqueles vermes vão pagar. Eu juro!!! — Lágrimas silenciosas desciam pelo rosto do mais velho. Ver seu irmão menor todo machucado doía muito em si... Talvez doesse mais que se fosse ele próprio.
O mais novo enxuga as lagrimas do irmão, com certo esforço.
– Não chora, mano... Me dói te ver chorar assim...
– Ahh bebê... E me dói te ver assim machucado. Nós vamos denunciar o caso pra policia Misty!
– Não precisa chegar a tanto, Dite...
– Como não meu anjo? Eles quase te mataram! Eles têm que ser punidos! Estou sabendo que o diretor só suspendeu um deles... O outro marginal eu não fiquei sabendo ainda!!! Mas suspensão é pouco!! Se fosse um filho dele tenho certeza que a punição seria diferente!
– Fica calmo, mano... Você sabe como o Mascara da Morte é. Me acostumei com esse jeito dele. E o outro garoto, ele é amigo do Shun... Ele veio me ver mais cedo e perguntou se eu ia denunciá-lo para a policia. Quando disse que não sabia, ele se desesperou com a possibilidade... Não quero denunciar, Dite... Pelo Shun, não vou denunciá-los.
Afrodite revira os olhos em descrença.
– Mas eles precisam pagar pelo que fizeram! O Masck é um imbecil enrustido, e o outro garoto parece ainda mais imbecil que ele!!! Eles foram cruéis meu amor, eles têm que aprender que com meu irmãozinho não se brinca! — fez um bico contrariado. Estava com ódio dos dois delinquentes que feriram seu irmãozinho, mas principalmente de Mask... Ah ele tinha que pagar.
– ...Será que consigo fazer você mudar de idéia?
Afrodite jamais diria um não para o seu irmão. Mas deixar aqueles malditos impunes era pedir demais.
– Mi...
– Se não quer fazer por mim, faça pelo Shun, Dite...
O pisciano suspirou rendido.
– Certo Misty... Você venceu! Não os denunciaremos. Mas isso não quer dizer que não me vingarei... — um brilho malévolo passou pelos olhos azuis piscina.
– ...O que vai fazer, Dite?
– Verá bebê... Verá!! Agora você precisa descansar... Vou ficar aqui com você... — Sentou-se na poltrona ao lado da cama e continuou segurando a mão delicada de seu irmão. Não sairia do lado dele até receber alta. Depois cuidaria dos malditos que ousaram machucar seu bebê.
Misty queria falar alguma coisa, mas o cansaço e a debilidade que seu corpo se encontrava, venceu. Acabou dormindo novamente.
Fora do quarto, um italiano muito zangado andava pelo corredor em direção ao quanto em que o jovem se encontrava.
– Tsc... Diretor filho da puta... – Mascara da Morte bateu na porta do quarto de Misty — Tem alguém ai?
Afrodite enrijeceu o corpo ao ouvir aquela voz. Com delicadeza que não combinava com sua expressão soltou a mão do irmão e abriu a porta, encarando o rapaz parado, saiu do quarto e fechou a porta, ficando ambos no corredor.
Masck por sua vez, apenas suspirou. Um suspiro que deixava claro que ele não queria estar ali
– O filho da puta do meu diretor me mandou vir aqui. Disse para eu pedir desculpas ou algo assim. – A voz dele soou com a maior falta de interesse do mundo.
O pisciano lançou um olhar cheio de ódio e magoa para o moreno.
– Eu tenho nojo de você!!! Misty não precisa das suas desculpas!!
– Se não quer minhas desculpas, então foda-se, vou embora – Ele falou isso, antes de sair andando em direção ao elevador que o levaria para a saída.
– É só isso que você sabe não é Matteo? Você não é homem o suficiente pra enfrentar a realidade! Nunca foi!
Masck o olha, com a fúria estampada nos olhos.
– Cale a boca, seu veado! Não dirija a palavra a mim! Não tem esse direito!
O sueco o olha desafiadoramente.
–E você tem o direito de descontar suas frustrações no meu irmão? Se você não tem a coragem pra assumir quem é de verdade é um problema seu! Nada lhe dá o direito de machucar os outros só por que são mais corajosos que você!!! Fique sabendo Matteo, que eu sou muito mais homem que você!!
O italiano vai até ele, o prensando sem qualquer delicadeza contra a parede, segurando-o pelo pescoço, com a clara intenção de machucá-lo.
– Repita isso na minha cara, se for capaz. — Fala de forma lenta e ameaçadora.
–Repetir o que? Que você é um covarde? Ou que eu sou mais homem que você!? — Não tinha medo de Masck, era tão homem quanto o outro, apenas tinha um jeito mais delicado de ser, mas isso não o tornava menos homem.
– Escute aqui, seu veado de merda, volte a falar assim comigo que teu destino vai ser pior do que o do seu irmão está sendo, entendeu? — O joga na outra parede com brutalidade, indo embora logo em seguida.
Afrodite levanta sentindo todo o corpo dolorido, mas tinha um sorriso nos lábios. Matteo não perdia por esperar. Teria sua vingança... Por seu irmão, e por si.
Continua...
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