Notas iniciais
Ran: Seguinte, era para agente ter postado esse cap a algum tempo, só que a NET fez merda aqui em casa e eu fiquei sem internet, enton culpem aqueles fdp, ok? Boa leitura ^-^
Mel: Pois é... desculpem-nos pela demora, tentaremos não atrasar o próximo capitulo. Agradeço imensamente pelos reviews e o carinho de todos.
Boa leitura!!

Depois do ocorrido com Hyoga, Milo o deixou dormindo no quarto e foi para seu ateliê.


Após alguns minutos encarando a tela, ele enfim conseguiu pintar algo


O aquariano já estava o observando há algum tempo, nem fora percebido. Decidiu então se aproximar, abraçando o marido por trás e encostando sua cabeça em seu ombro logo em seguida



Milo deu um pequeno pulinho, não havia percebido que o ruivo estava ali


– Kyu! Há quando tempo está ai?


– Não sei... Quando te vejo pintar perco a noção do tempo — Beija a face do loiro — o que é? — Se refere a pintura


O grego sorri


– Surpresa.


Kamus aperta mais o loiro em seus braços


– Me conta vai...


– Não. Quero que seja uma surpresa.


– E uma surpresa para quem, mon cher?


– Para você e para o Hyoga.


– Hnn certo... Por falar em Hyoga... Acho que está na hora de irmos falar com ele!


– Deixe-o dormir mais um pouco — Milo suspira e solta os pinceis — Mas dessa vez ele foi longe demais...


– E esse foi apenas o primeiro dia de aula... Tenho até medo do que esse garoto possa aprontar se não o frearmos!


– É... O que faremos Kamyu? — Olhando-o nos olhos


– Sinceramente... Eu não sei Milo. As coisas estão ficando cada vez mais complicadas.


O loiro se levanta, sorrindo


– Iremos conseguir Kamyu... De algum jeito, iremos conseguir... – Ele falou, antes de beijá-lo demoradamente, sendo correspondido de forma apaixonada



No quarto, Hyoga estava com uma terrível dor de cabeça. Ainda sentia certo enjoo, mas resolveu levantar mesmo assim, procurou os pais pela casa, mas não os encontrou em lugar nenhum, então resolveu ir até o ateliê de Milo, e ao chegar lá se deparou com a cena que fez sua cabeça latejar ainda mais.


– Mas que porra é essa, vocês não tem quarto não?


Milo aparta o beijo.


– Hyoga! Como se sente? Está bem?



– Quem você pensa que é para chegar assim querendo exigir algo de nós? Quem deve explicações aqui é você! E pode começar? O que deu em você pra chegar em casa bêbado daquele jeito? – O francês indagou, sem se afastar de Milo.


– Vai querer me devolver pro orfanato? – O loiro mais novo estava esperançoso.


– Não. Nós não vamos desistir de você tão fácil assim, Hyoga. – Milo o olha-o sério — Se acha que iremos desistir de você, Hyoga, desista. O escolhemos para ser nosso filho e não desistiremos disso.


– Qual o problema de vocês hein? — fala revirando os olhos irritado, não entendia como eles poderiam continuar com aquela ideia absurda de adoção mesmo depois de tudo o que já havia aprontado. Será que não haveria jeito de se livrar daquelas bichas?!


– A pergunta correta aqui é “Qual o seu problema?”! O que deu em você pra matar aula, sair por aí e encher a cara e ainda chegar em casa cheio de marra?! – Kamus tentava manter a calma


Hyoga abaixa a cabeça, pensativo. Se enfrenta-los não resolvia, será que seu silencio o ajudaria? Se os ignorasse, será que cansariam de si?


– Hyoga, seu silencio não ira ajudar em nada, só piorará as coisas, então nos responda, por que fez isso? Por que não tenta ser parte da nossa família? – Milo olhava o mais novo nos olhos, estava magoado.


Hyoga fita Milo com os olhos enraivecidos


– Pare de se enganar Milo, eu nunca vou ser parte da família de vocês!


O escorpião suspira.


– A esperança é a ultima que morre, Hyoga. Eu vou continuar tentando fazer você nos aceitar, você querendo ou não


– Exato! – Kamus concordou — Saiba que nada do que você faça vai nos fazer desistir de você. Um pai nunca desiste de seu filho! — faz uma pequena pausa e observa atentamente a expressão irritada do loirinho antes de continuar — Mas veja bem... Você não sairá impune disso.


– Isso mesmo. Você está de castigo pelos próximos três meses, Hyoga. Não sairá de casa a não ser para a escola, ficara sem computador, sem celular, sem videogame e sem TV. Você ira daqui para a escola e da escola para casa. – Milo olha atentamente para Hyoga — E para garantir que isso aconteça, eu irei te levar e buscar todo o dia na escola.


–O QUE? VOCÊ NAO TEM O DIREITO... – O aquariano mais novo já ia começar a reclamar, mas foi cortado por Kamus.


– Alto lá rapaz, se alguém não tem nenhum direito aqui é você! Veja o tom como fala conosco! E agora já para seu quarto! Vai pensar um pouco no que anda fazendo da sua vida!


– Isso mesmo. Iremos chamar você quando for à hora do jantar, até lá não saia do quarto, entendido?


Hyoga bufa de raiva e revolta, sai do ateliê batendo a porta e sem nada dizer. Estava muito irritado. Com raiva, ou melhor, com ódio daqueles dois. As coisas não saíram bem como planejara e isso o estava atormentando.


Milo espera Hyoga sair e dá um sonoro suspiro


– Será que fui muito duro com ele?


– Não meu amor, você foi firme, é diferente. O Hyoga precisa de limites... Eu estou muito orgulhoso de você! — dá um selinho no marido, carinhosamente fazendo o escorpiano sorrir.


– Então não está mais bravo por eu... Não ter te contado aquelas coisas...? — Desvia o olhar.


– Bravo não é a palavra. Eu fiquei... Um pouco decepcionado. Com você e até comigo mesmo. — Era a verdade


– Com... Você? — Surpreso — Por que ficar decepcionado com você mesmo, Kamyu? Comigo eu até entendo, eu errei e me culpo por isso, mas você não tem culpa de nada...


– Eu tenho sim Milo, como eu já te disse, eu poderia ter ficado ao seu lado e enfrentado seus pais junto com você. Poderia ter aceitado o nosso amor... Tudo poderia ter sido evitado, toda a dor a qual você foi submetido poderia ter sido evitada.


– Kamus, olhe para mim — Segura o queixo dele e o olha nos olhos — Aquilo iria acontecer de uma forma ou de outra, entendeu? Você estando aqui ou não, aquilo iria acontecer. Entenda Kamus, eu não quero viver no passado, não mais. Estamos aqui, não estamos? Estamos juntos, casados e temos uma linda casa e um lindo filho, não temos? Então, por favor, não vamos ficar nos culpado por algo que já aconteceu, algo que não se dá para mudar.


Camus tinha os olhos marejados, era muito difícil se emocionar a ponto de chorar, só Milo mesmo para fazer isso consigo. Abraçou o loiro com carinho e cuidado, porém de forma possessiva. Milo estava certo, não poderia mudar o passado e ficar remoendo aquilo não faria bem, mas de uma coisa tinha certeza. Jamais deixaria que nada nem ninguém machucasse seu marido. Isso nunca!


– Eu te amo tanto — sussurrou no ouvido do loiro


– Eu também te amo muito! — Deita a cabeça levemente no ombro dele — Mais do que pode imaginar!


Camus afaga a cabeleira loira que tanto amava com todo o carinho do mundo. Ah, como amava seu marido, Milo para si era mais importante que tudo, o loiro era seu bem mais precioso.


Ficaram alguns minutes assim, porém o som da campainha os fez separarem-se.


– Hm?A campainha? — Milo estranha — Quem pode ser á ser a essa hora?


– Não estamos esperando ninguém... – O ruivo solta um muxoxo de frustração e se desvencilha dos braços quentes do amado — eu vou atender.


– Ok. Só irei acabar de arrumar as coisas aqui e vou descer — Sorri, dando um rápido selinho em Kamus


Kamus desce as escadas apressado, o barulho insistente da campainha o estava irritando. Maldizia em pensamento o ser inoportuno que atrapalhara seu momento romântico ao lado de seu amado, ao chegar à porta respirou fundo e a abriu, seus olhos se arregalaram em espanto assim que caíram sobre a pessoa para à porta.


– Você?!!


O ruivo estava olhando para a pessoa que mais odiava no mundo. O pai de Milo, Eliot.


oOoOoOo


Um pouco mais longe dali, Shun entrava na casa da mãe, sendo seguido pelo pai


– Mamãe? A senhora está em casa?


– Ayume! Sei que está ai! Aparece logo, precisamos conversar! – Albion a chamava.


– O que você quer Albion? – Ayume pergunta, vindo do quarto ainda com camisola e cabelos desgrenhados, apesar de já passar das duas tarde.


Albion cruza os braços, enquanto Shun se encolhe levemente.


– O que anda fazendo com meu filho?


– Ahh então esse putinho estava com você? Não deveria estar na escola garoto? — Só agora notando a presença do pequeno


– P-Papai me disse que hoje eu não iria... – O virginiano respondeu baixinho, olhando para o chão


– Shun, vá para o quarto. – Albion fala sério, e espera ele ir embora para continuar — Putinho?! É assim que você fala com seu filho, Ayume?!!


–Não enche a porra do meu saco Albion!! O que você está pensando? Que pode entrar na minha casa a hora que quiser e falar o que bem entender? Quem você pensa que é?


– EU sou seu ex-marido, o pai do seu filho!! Eu cansei de ver como você trata meu filho, Ayume! Cansei!! Eu quero a guarda dele!


–Hahahahaha, faz-me rir!! Nunca!! Nunca, entendeu? Jamais abrirei mão do Shun. Afinal quem vai limpar a casa e preparar a comida? — Seu sorriso de escárnio deixava claro que não se importava com o filho, apenas queria uma empregada.


Albion estava se controlando para não aumentar o tom de voz ainda mais.


– Se quer uma empregada, contrate uma, mas ele é meu filho! Não o deixarei ficar aqui com você se você sequer se importa com ele!!


Ayume perde o controle.


– E QUEM VAI ME IMPEDIR?! VOCÊ?! QUE JUIZ NO MUNDO VAI TIRAR O FILHO DE SUA MÃE?!!!


– QUALQUER JUIZ VAI ME CONCEDER A GUARDA QUANDO SOUBER O QUE VOCÊ FAZ COM O MENINO!!! – Albion também perde a paciência.


– Nunca Albion!! Nunca abrirei mão do meu filho!! Ele é meu filho, eu o carreguei no ventre durante nove meses, eu o amamentei, alimentei e cuidei. Sou a mãe e não abrirei mão dele!!!! – Ayume gritava sem controle.


– MÃE?! VOCÊ JÁ VIU O QUE FAZ COM O GAROTO, AYUME?! NENHUMA MÃE FAZ ISSO COM O FILHO!! VOCÊ PERDEU O DIREITO DE SER MÃE DELE HÁ MUITO TEMPO!


– E você? O que você faz por ele? Se acha mesmo que está ruim aqui comigo então por que nunca fez nada? Você prefere sair por ai comendo um qualquer do que cuidar do seu filho!! Ou você pensa que eu não sei que me trocou por um homem! Você é um gay igual os seus amigos!!


– Nunca escondi minhas preferências e meus filhos sabem muito bem dela! E eu queria que Shun viesse pedir para ficar comigo, para ele tomar sua própria decisão. Mas vejo que esperei demais e estou aqui para concertar meu erro!!


– Preferências ou safadeza? E agora é tarde Albion, o Shun não sai dessa casa!


– Pode não querer, mas irei leva-lo Ayume! E olhe para si antes de me chamar de safado. Acha que não sei que você sempre dá para a primeira pessoa que vê?


– Está com ciúmes querido?!!


Albion ri debochado.


– Ciúmes? Você é um nada para eu ter ciúmes de você, Ayume.


Ayume estreita os olhos.


– E você o que é? Um merda de um veado que não sabe satisfazer uma mulher!


– Cala a boca, Ayume! Em todos os anos de nosso casamento você reclamou de muita coisa, mas jamais reclamou de como te enlouquecia na cama! Ou você acha que eu esqueci como você implorava para eu te possuir?!


– Eu fingia meu querido! Agora faça o favor de ir embora da minha casa!! Desinfeta seu verme inútil, e nunca mais se aproxime do meu filho ou de mim, só não esqueça de depositar o dinheiro da pensão!! — segura a maçaneta abrindo a porta, deixando-a livre para que o homem passasse.


– Pois adivinhe Ayume, não irei embora sem meu filho! – Albion começa a andar em direção do quarto de Shun — E isso ainda não acabou! Iremos resolver no tribunal!


Ayume bate forte a porta, e segue Albion com os olhos crispando de raiva.


– Seu desgraçado eu te odeio!!!!!!!!


– Pois adivinhe, eu também te odeio. – Fala irônico


Ayume, chegando ao quarto de Shun muda completamente o semblante, de irado para meigo.


– Shun meu amor, você vai me abandonar?


– E-Eu... Hã... N-Não sei, mamãe... – O garoto parou de arrumar as malas e passou a fita-la, confuso. Não queria deixar a mãe, mas também não queria ficar.


– Sim, ele vai! Pegue suas coisas, Shun. Você vai para casa comigo! E dessa vez será para sempre! – Albion fala a ultima frase especialmente para Ayume, de forma lenta mas muito clara.


A mulher deixa lagrimas escorrerem por sua face. Se não podia nada contra o ex-marido, tentaria convencer o imbecil do filho que ela não viveria sem ele


– Shun meu amor, você sabe que mamãe te ama não sabe? Sabe que não sei viver sem você meu pequeno.


– M-Mamãe...


– Chega de teatro Ayume! Shun ira comigo você querendo ou não!!


Ayume começa a soluçar, precisava fazer algo para impedir Albion de levar Shun, como viveria sem o menino para fazer as coisas para si?


– Papai.. E-Eu vou... Ficar...


– Ah, mas não vai mesmo! Sua mãe pode enganar você, mas a mim ela não engana! — Pega as malas de Shun e segura o menino gentilmente pelo braço e vai em direção a saída — Depois viremos buscar o resto de suas coisas.


Ayume sai correndo atrás deles. Não podia acreditar que estava perdendo Shun, mas Albion não perdia por esperar


– Shun meu bebê., não... Me deixe... — Falava entre lagrimas, quem não a conhecesse acreditaria em toda aquela encenação.


– E-Eu... – O pequeno estava confuso.


– Pare de tentar enganar ele, Ayume! — Saindo da casa — Shun meu anjo,é para o seu próprio bem! Você irá comigo!


– Eu te odeio Albion! Você me paga!! — Por um momento esqueceu que estava encenando ser uma mãe preocupada e amorosa e seu rosto sofrido transformou-se em uma raivoso.


Shun percebe que a mãe estava tentando engana-lo e abaixa o olhar, seguindo o pai sem maiores resistências o que faz Albion sorrir vitorioso.


Ayume bate forte a porta após a saída deles, pegando um vaso que estava na mesa de centro e atirando-o na parede.


– Desgraçados! — grita para ninguém e começa a chorar, mas dessa vez de raiva, ainda se vingaria de Albion, e quando Shun voltasse para casa, ah aquele fedelho iria aprender a obedecê-la.



oOoOoOoOo


Eliot tirou o pirulito da boca lentamente e passou a olhar para Kamus, sorrindo.


– Ora, olá Kamus. Há quanto tempo, não? Ouvi dizer que você havia casado com Milo, mas custei a acreditar. E não é que era verdade? E então, tudo bem com você? Soube que adotaram um filho, como ele está?


– O que faz aqui Eliot? O que quer?! — A voz saiu ríspida. Deu graças a Deus que não foi Milo quem atendeu a porta, queria que aquele homem fosse logo embora de sua casa.


– Eu falei para o Milo que viria ver como ele está, conhecer o marido e o filho dele, então, aqui estou! – o sorriso do homem mais velho era de deboche.


Kamus ainda estava segurando a porta.


– O que quer? Não te quero perto do meu marido e menos ainda do meu filho. Você não é bem vindo! — havia dito para Milo que o apoiava em qualquer decisão que o loiro tomasse com relação ao pai, mas ver aquele homem ali parado a sua frente, com o sorriso e ar desafiador, fez desejá-lo bem longe de sua família.


– Vim ver meu filho, Kamus. Quer me impedir disso?


– Deveria ter pensado em seu filho antes de machucá-lo. Fique sabendo que não permitirei que faça mal a ele. — Sua voz soava fria, mas dentro estava em chamas, com ganas de esmurrar aquele infeliz até a morte, mas conteve-se, afinal, querendo ou não, aquele era seu sogro, pai do homem que amava.



– Tanto faz. — Eliot fala revirando os olhos — Só quero ver meu filho e conhecer meu neto. Só vim aqui para isso.


– Não deixarei que se aproxime deles!


– Ei, o Milo sabe sobre seu irmão e o filho? Ou você o adotou sem contar para ele?


– Do que você está falando seu maldito?! – Agora Camus estava possesso.


– Ora Kamus, acha que não sei do seu irmão e da linda família dele? Ou era uma linda família, não? Até e pobre esposa dele morrer e o filho... O que aconteceu com o filho dele mesmo? – Tentava conter o riso.


– Isso não é da sua conta. O que você quer Eliot, o que pretende? Já não basta todo o mal que causou?


– Já disse, só vim aqui ver meu filho, mas se não quer deixar, posso voltar depois, não se preocupe. — Sorri para Kamus e olha para dentro da casa — Adeus Milo. Depois papai vem te ver, ok? — Se vira e entra em um carro que o esperava na rua, indo embora logo em seguida


Milo havia descido há algum tempo e visto o pai. Não conseguia se mexer. Estava com muito medo. Sentia as lagrimas descendo pela face, mas só conseguiu ficar ali, olhando-o, sem conseguir fazer nada. Sentiu as pernas perderem a força e caiu no chão, com os olhos arregalados. Estava muito assustado.


Kamus corre até Milo e o ajuda a levantar o abraçando forte, sustentando o corpo sem forças do marido. Tinha medo que Milo tivesse ouvido sobre seu irmão, mas acima de tudo, estava preocupado com o estado em que o loiro se encontrava.


–Mi, você está bem? Fala comigo amor...


Milo não fala nada, só retribui o abraço de Kamus e deita a cabeça em seu ombro.


– Meu amor, fala comigo, por favor... — O abraçava com carinho, de forma protetora. Seria capaz de tudo por seu amado, estava com ódio de Eliot por tê-lo feito chorar mais uma vez.


Milo agarra bem forte a blusa de Kamus, tremendo. Queria falar algo, fazer algo, qualquer coisa, mas não conseguia. Não tinha forças para nada.


– Ange... — Afasta um pouco do loiro, só o suficiente para acariciar a face bronzeada com a ponta dos dedos. Ver toda a dor que estava estampada nos olhos do marido lhe partiu o coração.


– Por que... Ele voltou Kamus? Ele não pode me deixar em paz...? – O grego pergunta quase em um sussurro, não conseguindo falar mais alto que isso.


– Eu não sei mon ange, mas eu prometo que não permitirei que ele se aproxime de você... Não deixarei que te faça mal, meu amor.


– Kamus... Me promete que nunca vai sair do meu lado...?


– Nunca, jamais sairei do seu lado, minha vida. — o aperta entre os braços, como que querendo confirmar suas falas.


Milo se agarra forte a ele e, não aguentando mais, volta a chorar compulsivamente.


Kamus segura à mão de Milo e vai até o sofá, aninhando o loiro em seu colo, o ninando como se fosse uma criança indefesa.


– Shhhh... Eu estou aqui Mi, sempre estarei aqui por você, sempre...


Depois de um tempo, o escorpião dorme segurando uma das mexas do cabelos de Kamus. Sentia-se seguro ali, nos braços de seu amado.


oOoOoOo


Kanon estava em sua sala, assinando alguns papeis que estavam sobre sua mesa. Estava atolado de trabalho por causa da tarde que teve com Ikki. Havia voltado há poucos minutos e tinha recebido uma bela bronca de sua chefe. E o pior, Ikki estava agindo como se nada tivesse acontecido.


Como se seus pensamentos tivessem sido lidos, nesse instante o leonino entrou pela porta, carregando alguns papeis.


– Me mandaram entregar isso para você – Ikki falou, colocando os papeis na mesa dele.



–Obrigado, você está dispensado, já passou do seu horário. Eu me atrasei bastante hoje – O geminiano falou enquanto assinava os papeis, sem ao menos olhar para o moreno a sua frente.


– Certo. Irei para casa, então. Shunny deve estar me esperando – O mais novo falou a ultima frase em voz alta sem perceber, indo em direção a porta logo em seguida.


Kanon largou a caneta e passou a olhar para o mais novo, que já estava de costas para si.


– Quem é Shunny?


Ikki para no meio do caminho e olha para trás.


– Ninguém.


– Desculpa, a sua vida pessoal não me diz respeito. Em todo caso pode se retirar – Kanon pega a caneta e volta a assinar a pilha de documentos. Por que mesmo que estava tão preocupado em saber quem era Shunny? Por que diabos estava incomodado com a possibilidade do moreno ter alguém?


Ikki ri baixinho e se aproxima do chefe.


– O que foi? Está com ciúmes? — Não havia motivo para Kanon ter ciúmes de seu irmãozinho, mas não podia e não queria perder essa chance de provocar o loiro.


– Ciúmes? Eu, com ciúmes de você? Nem em sonhos!! — O sorriso era de deboche, mas por dentro sentia seu coração apertar com a possibilidade de Ikki ter uma pessoa, um amante, ou talvez até namorado, ou namorada.


– Sério? Pois parece que está com ciúmes


Kanon ficou desconcertado com a insistência do jovem. Será que estava tão na cara?


–Pois está enganado!! Já está dispensado, pode ir!


O leonino ri, se sentando no colo de Kanon, com uma perna de cada lado.


– Que bom que não está com ciúmes, ou pensaria que está apaixonado por mim.


– Apaixonado? Eu? Você não viverá o suficiente para ver esse dia chegar! Eu não sou homem de me apaixonar, e muito menos por um putinho como você – O loiro deu uma palmada na coxa de Ikki, a apertando forte em seguida.


– Pois eu sou um putinho que te fodeu gostoso mais cedo, ou será que estou enganado? — Se aproximou do ouvido dele e sussurrou de forma rouca e provocante — Não me quer dentro de você de novo, chefinho?


Kanon sente todos os pelos do corpo arrepiar pelo contato do corpo de estagiário no seu, o halito morno que tocava sua pele, as palavras sussurradas em uma voz tão sensual.


– Não quero... Espero que tenhas aproveitado bem aquele momento, pois ele não se repetirá.


– Sério? Por que não?


– O que foi? Tá interessado em manter um relacionamento comigo Ikki?


– Lógico que não. Mas foder você foi tão gostoso que é um desperdício não repetirmos


O geminiano segura Ikki pelos ombros o tirando do seu colo


–Pode se retirar Ikki, tenho muito o que fazer e já passou de sua hora.


Ikki bufa irritado, indo embora logo em seguida.


– Como quiser.


Kanon jogou o corpo contra o encosto da cadeira, jogando o pescoço para trás.


– Zeus... Isso não deveria estar acontecendo...


oOoOoOo


Hyoga estava deitado em sua cama, desde que fora "posto de castigo" não sairá do quarto, nem para jantar. Já era noite e Milo não veio chamá-lo. Estranhou a atitude do grego. Desde quando Milo o ignorava a ponto de não ir até ele perguntar se estava bem, obrigá-lo a comer e ir dormir cedo? Não sabia explicar como nem por que, mas uma parte de si sentiu falta desses gestos.


Após um tempo no mais completo ócio o loirinho acabou por cair no sono.


Acabou sonhando que era novamente pequeno, deveria ter uns cinco anos no máximo. Estava correndo pela casa brincando com seu boneco favorito.

Desceu correndo a escada e foi em direção do jardim, sempre rindo, muito feliz.


– Papa! Papa! — O pequenino chamava o pai.

Sem perceber por onde passava tropeçou em algum brinquedo que estava jogado no chão e caiu, ralando um pouco o joelho, caindo num choro desesperado em seguida.

– Meu pequeno... Você se machucou? — Falou um homem preocupado, segurando o menino nos braços analisando o pequeno machucado.

– Esta doendo papa! Faz parar! — O loirinho dizia, tentando enxugar as lagrimas que escorriam por sua pequena face.

– Bem, é isso que você ganha por sair correndo assim — O homem diz gentilmente, dando um leve beijo no machucado logo em seguida — Agora vai parar de doer.

O pequeno deu um leve soluço por causa do choro e sorriu.

— Tem razão, Papa! Parou de doer! — Ele riu — Papa sabe fazer mágica para me curar! Papa é o melhor!

– Eu faço tudo por você meu pequeno, papa te ama muito viu? — disse o homem abraçando o filho. — mas tome cuidado da próxima vez.


Hyoga acordou sentindo uma sensação gostosa de ser amado e cuidado. Sem perceber pequenas lagrimas caiam por seu rosto. Por que as coisas não foram daquele jeito pra sempre?Por que tudo tinha que mudar? Por que ele não pode ter o direito de ser feliz no meio de uma família normal, que o amasse e o protegesse, do jeito que fora um dia? Queria voltar a ter cinco anos...


Ficou alguns minutos tentando parar de chorar e se levantou. Foi até o armário e pegou uma pequena caixinha que havia escondido lá no fundo. Ali guardará todas as coisas preciosas para si.


Colocou a mão lá dentro e tirou um boneco, o mesmo que havia visto em seu sonho. Havia sido um presente de seu tio que sequer lembrava o rosto, mas adorava muito aquele boneco.


No fundo da caixa havia uma foto. Nela encontravam-se três pessoas, um homem, uma mulher e um menino loirinho e sorridente, uma típica família feliz.

Pegou a foto em suas mãos com cuidado para que não fosse borrada pelas lagrimas.


– Tudo podia ter sido diferente...


Novamente enxugou as lagrimas e guardou a foto. Pegou outra coisa na pequena caixa. Uma das inúmeras cartas ali dentro. Começou a lê-la:



"Oi meu amor.

Como vai? Espero que bem. Seu pai está lhe tratando bem? Está feliz ai com ele? Sinto muito por não poder trazê-lo comigo, viu? Mas pode me ligar quando quiser. Não sei se o telefone daqui funcionará 24 horas, mas tente. No primeiro toque, eu vou atender.

Me ligue nem que seja para apenas ouvir minha voz, viu?

Mamãe te ama, Hyoga”


No inicio ele ate ligara, mas nunca fora atendido.


Depois que sua mãe saiu de casa sua vida tornara-se um inferno. Além de não ter mais o amor, carinho e atenção de sua querida mãe, perdera também o de seu pai. Pois ele se tornou outro homem após sua mãe sair de casa a trabalho.


O pai zeloso e amoroso dera lugar a um homem cruel e violento, que via em si a imagem da mulher que o abandonara.


No inicio fora negligenciado, era apenas uma criança de oito anos e teve que aprender a se virar sozinho, depois passou a ser agredido fisicamente, mas com o passar dos meses as coisas foram piorando.


Balançou a cabeça, querendo afastar os pensamentos ruins. Então pegou outra coisa na caixa. Era a ultima carta que havia recebido de sua mãe


"Oi meu amor.

Me desculpe por não ter escrito ultimamente, viu? É que não tive tempo. O trabalho anda meio complicado.

Mas mamãe tem uma grande noticia! Irei voltar para casa, meu lindo! Meu chefe me deixou voltar para casa, então serei chefe da empresa que irão construir ai. Irei ganhar muito mais que estou ganhando aqui. Irei comprar uma casa e você poderá vir morar comigo se quiser!

Eu mal posso esperar!

Irei pegar o navio de volta agora, só estou mandando essa carta antes para você não se preocupar. Devo chegar ai em dois ou três dias.

Mamãe mal pode esperar para vê-lo de novo, Hyoga! Estou morrendo de saudades!

Só mais alguns dias, meu amor!

Mamãe te ama muito."



Aquela carta havia lhe trazido tantas esperanças... Sua mãe enfim voltaria, após dois longos anos. Talvez com o retorno de Natassia seu pai voltasse a ser o pai amoroso e dedicado que sempre fora.


Mais lágrimas caiam por sua face ao lembrar do fatídico dia em que recebera a noticia que destruirá de vez sua vida.


Sua mãe havia morrido em um acidente. Parece que o navio que ela estava foi pego por uma tempestade e ela morreu afogada.


Se não morreu afogada, morreu comida por tubarões.


O fato é que tinha perdido sua doce e adorada mãe, e com isso a situação com seu pai só piorara.


Ele crescia cada vez mais parecido com sua mãe, e isso parecia incomodar e muito o pai.


Seus pensamentos foram cortados ao ouvir alguém na porta. Pensou que era Milo, mas quem entrou foi Kamus.


– Hyoga, eu vim te chamar para... O que houve? Por que está chorando — só agora o ruivo notava as lágrimas que manchavam a pele alva do jovem.


Hyoga vira o rosto, enxugando as lagrimas


– Não é nada.


Kamus se aproxima do loirinho, preocupado.


– Não precisa mentir pra mim, me diz, por que choras? É por que te colocamos de castigo? Hyoga... Isso é para o seu bem, você tem que aprender a ter limites.


– Não pense que choraria por algo fútil como me colocar de castigo — Começa a guardar as coisas novamente na caixa — Não importa por que estou chorando. Esqueça isso.


O francês ignora a resposta mal criada e passa a olhar a caixinha.


– O que é isso? Posso ver?


– Não é nada e não, não pode ver.


– Certo. — não era curioso e não costumava invadir a privacidade alheia, isso era mais do feitio de Milo, mas notara que aquela caixinha continha coisas importantes, e era por causa daquilo que seu pequeno estava chorando, só por isso perguntou do que se tratava. Mas como Hyoga não quis responder deixaria as coisas como estavam — Eu só vim ver se precisa de algo. Milo não está se sentido muito bem e me pediu para vir vê-lo e te mandar ir comer.


– Hm. E ele... Está bem? O que ele tem? — Pergunta sem encarar o ruivo, enquanto guardava a caixinha.


Kamus sorri internamente ao ver o loirinho preocupado com Milo.


– Ele só está com um pouco de dor de cabeça, mas já dei um comprimido pra ele e fiz uma sopinha, amanhã estará bem. Não se preocupe!


– Não estou preocupado. — Fecha o armário

– Certo... Em todo caso seu jantar está no forno, vai comer e depois dormir, amanhã você tem aula, e eu te levarei pra escola.


– Tanto faz. — Sai do quarto e vai para a cozinha, indo comer. Estava com mais fome do que pensava.


O ruivo sorri levemente. Apesar dos pesares, as coisas estavam indo bem com o Hyoga, após o ocorrido pela manhã, o loirinho parecia mais aberto a aproximação. Estava até preocupado com Milo. Como diz o velho ditado, há males que vem para o bem. E a bebedeira de Hyoga era um desses males, mas claro, o loirinho não sairia impune dessa traquinagem, e com certeza iria ter que aguentar ele ou Milo levando-o e buscando-o na escola por um bom tempo, até que reconquistasse a confiança deles.



Continua...