Criando Laços
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Após o telefonema de Milo, Camus saiu feito louco dirigindo pelas ruas de Atenas, quinze minutos depois entrava pela porta de sua casa, chamando pelo esposo em desespero.
O loiro correu para os braços do outro, toda a angustia estampada nos olhos azuis.
— Kamyu! Eu não encontro ele em lugar nenhum!
Camus abraça forte o marido, o afastando delicadamente após alguns segundos.
— Milo, você já o procurou em todos os cômodos? Por Zeus, ele non pode simplesmente ter evaporado.
— Procurei no quarto dele, no nosso quarto, no quarto de hospedes, na cozinha, no jardim, nos banheiros... Em tudo!
— E no seu ateliê, ou na biblioteca? Mon Dieu, Milo, ele deve estar em algum lugar... Ele non pode ter fugido de nós... – o ruivo já estava ficando mais desesperado que Milo.
— No meu ateliê ele não está... Mas na biblioteca...
Ao lembrar que não procurou na biblioteca Milo sai correndo, sendo seguido pelo ruivo.
Hyoga estava deitado no sofá, com um livro aberto sobre o peito. Aparentemente tinha ficado um tempo lendo, e acabou adormecendo. Ouviu bem longe uma voz aflita o chamar, mas estava em um estagio entre o sonho e a realidade e não se moveu.
— Hyoga... – a voz aflita de Milo chamava, o grego estava tão transtornado que não viu que o loirinho estava deitado no sofá que ficava encostado na parede, do lado da porta – Cadê você meu filho, me responde, por favor!
Hyoga acorda meio assustado com a movimentação, demorou um pouco pra assimilar o que estava acontecendo. Viu Milo cair de joelhos no meio da biblioteca, de costas para si. Não entendeu o porquê de todo aquele choro.
— Mas que merda, ninguém pode ter um pouco de paz aqui não?
Milo ouve a voz de Hyoga e olha para trás, levantando em seguida e indo até o sofá onde o loirinho estava, abraçando-o forte, grossas lagrimas escorrem por sua face, molhando o ombro de Hyoga.
— Você sumiu, eu fiquei tão preocupado!!
— Me largue sua bicha, quem você pensa que é pra tocar em mim? — Hyoga o empurrou bruscamente.
— D-Desculpa, mas é que... E-Eu fiquei tão preocupado!
Camus estava em pé na porta, observava a tudo calado. Tinha vontade de dar umas boas palmadas naquele loirinho mal criado, mas não podia fazer isso. Primeiro, por que perderia a guarda do garoto, e segundo, porque Milo não o perdoaria.
— Hyoga, nós ficamos preocupados... Por que não respondeu quando Milo o chamou? – O ruivo enfim decidiu se manifestar
— Vocês são patéticos. Eu não devo satisfação a nenhum dos dois! — seus olhos crispados de raiva — Não passam de dois veados escandalosos.
— Hyoga... — Magoado, Milo tenta conter as lagrimas, mas não consegue e começa a chorar novamente.
— Veja lá como fala conosco Hyoga. Você nos deve respeito. – Camus fala em tom de repreensão, apesar de tão, ou até mais magoado que Milo, precisava se manter firme, por ele e pelo esposo.
— Eu não devo nada a vocês, absolutamente nada!! — seu tom de voz saiu alto, ríspido — Vocês sabiam que eu não queria vir morar aqui e praticamente me obrigaram, se não estão satisfeitos comigo então me deixem ir, falem para o juiz que desistiram da adoção. Eu não quero ser filho de duas bichas. Não quero!!! — gritou a ultima frase, saindo correndo da biblioteca em seguida.
— H-Hyoga! – Milo seca as lágrimas bruscamente com as costas das mãos e vai atrás do loiro. Seu coração doía, apenas queria ter um filho, nada mais que isso. Por que estava sendo tão difícil? Sentia vontade de voltar e se jogar nos braços de Kamus, e voltar a chorar, mas não faria isso. Graças à conversa que teve com Hyoga mais cedo, entendeu que ainda há chances, apesar de pequenas, de se aproximar dele, de serem um família. Enquanto corria, deixava claro isso em sua mente, se agarraria com todas as suas forças a essa pequena chance, não a deixaria escapar.
Após alguns instantes imóvel, Camus sai da biblioteca e vai atrás de Milo em passos largos, tentando alcançá-lo, não queria que o marido se machucasse ainda mais. Não queria de forma alguma que Hyoga o fizesse sofrer mais do que já vinha fazendo, e em tão pouco tempo. Amava Hyoga como um filho, mas também amava seu esposo. Sentia-se culpado por ter insistido tanto em adotar o garoto. Agora as coisas estavam saindo de seu controle. Talvez fosse melhor não forçar nada com o garoto agora.
Antes que Milo passasse pela porta de saída, Camus o alcançou e segurou seu braço, o fazendo virar para si.
— Milo, deixe-o ir... Ele precisar ficar um pouco sozinho.
— Errado, Kyu, o que ele menos precisa é ficar sozinho. – O escorpiano se solta e vai atrás de Hyoga, que havia saído da casa. Estava preocupado, o loirinho ainda não conhecia a vizinhança, e provavelmente nunca havia estado naquele lado da cidade antes.
oOoOoOo
Hyoga saiu de casa perturbado, sentia-se cansado e irritado. Por que eles não entendiam que não queria ficar ali? Por que tinha que conviver com aquelas pessoas estranhas? Eles eram gays, e gays não eram confiáveis. Não tinha nenhuma obrigação de conviver com aqueles veados malditos.
Só de pensar que eram um casal sentia nojo e raiva. Nenhum gay era confiável... Nenhum...
Correu por alguns minutos e depois passou a andar em passos largos, queria ir para o mais longe possível daquele lugar, e principalmente deles.
Chegou a um parque e, cansado, sentou-se atrás de uma frondosa árvore. Cenas de tudo o que vivera até ali passaram por sua mente como um filme e as lágrimas rolavam por sua face.
— Por que essas coisas acontecem comigo? — sussurrou entre lágrimas e soluços.
Passaram-se longos minutos, era quase duas da tarde e Hyoga estava sentado em um pequeno balanço do parque vazio, olhando para o chão e sentindo as lágrimas escorrerem por seu rosto. Ouviu passos e alguém foi se aproximando de si. Pensou que era o loiro que o havia seguido, porém quando levantou os olhos, se deparou com alguém completamente desconhecido, porém com um semblante preocupado.
— Você está bem? — Ele perguntou, olhando para Hyoga com uma verdadeira preocupação — Aconteceu algo?
— Não aconteceu nada! — respondeu baixo, sem olhar para o recém-chegado.
— Se não aconteceu nada, por que está chorando?
Hyoga seca as lágrimas desajeitadamente
— Isso não é da sua conta.
— Meu nome é Shun, e o seu? – ignora a falta de educação do outro.
Hyoga olha para a garota a sua frente, pele clara, não mais de um 1,65 de altura, cabelos castanhos abaixo dos ombros, olhos verdes e brilhantes. Vestia uma calça jeans colada o corpo, tipo skynni, preta, camiseta preta de alguma banda de rock, um pouquinho larga, e all star vermelho.
Não viu problema em dizer seu nome para a garota, quem sabe assim ela o deixasse em paz.
— Me chamo Hyoga. Agora pode, por favor, pode me deixar sozinho?
— Não. Ficar sozinho não é bom para ninguém. — Sorri, amigavelmente — Eu estava indo até o mercado comprar algumas coisas, por que não vem comigo, Hyoga?
— Humpf, e por que eu iria querer a sua companhia?
— Por que é melhor do que ficar chorando sozinho em um parque vazio, não é?
— Eu não estava chorando, e anda logo se quiser que eu vá com você, não tenho dia todo. -pensou em mandar aquela intrometida pastar, mas quando deu por si, já estava aceitando ir com ela.
— Ótimo! – os dois começam a andar em rumo ao mercado, lado a lado — Então, você é novo por aqui? Nunca te vi no bairro...
— Sou.
— E onde você mora? Onde você estuda? De onde veio? Por que se mudou? – Shun era curioso feito uma criancinha.
— você pergunta demais.
Shun fez um biquinho fofo em resposta.
— Sou curioso, e dai?
Hyoga olha para a face angelical e suspira, não queria contar sobre sua vida para uma desconhecida, mas de alguma forma que não sabia explicar, se senti a vontade com aquela garota.
— Eu morava em um orfanato, ainda não estou matriculado em nenhuma escola, me mudei ontem para cá. Fui adotado. Satisfeita?
— E por quem você foi adotado? Eu os conheço?
Hyoga se sente envergonhado em dizer que foi adotado por Milo e Camus. E se a garota não quisesse mais falar com ele por que tinha pais gays?
— Já respondi perguntas de mais, me fale de você.
Shun fica um tanto contrariado em não obter resposta, parecia que o loiro não gostava muito de falar sobre si.
— O que quer saber sobre mim?
— Qual a sua idade?
— Quinze anos, e você?
— Tenho quinze também, mas você parecer ter menos, uns treze no máximo.
— Irei considerar isso um elogio – fala sorrindo, mostrando os dentes branquinhos e perfeitos — E então, o que mais quer saber?
— você mora aqui perto, com seus pais?
— Eu moro um pouquinho mais longe daqui e não, não moro com meus pais, só com minha mãe.
— Deve ser muito bom ter uma mãe...
— Quando eu souber como é eu te falo. — fala descontraído, sem tirar o sorriso dos lábios.
— Como assim? Você não disse que mora com sua mãe?
— E eu moro. Mas ela trabalha quase sempre, e quando tem folga geralmente fica bêbada em algum bar. Eu praticamente moro sozinho. – para Shun, aquela rotina já era normal.
— E seu pai?
— Ele não mora muito longe daqui. Mora com meu irmão que ele conseguiu a guarda há um ano e meio, quando eles se separaram.
— E por que você não mora com ele, já que não gosta da sua mãe?
— Se eu deixar minha mãe sozinha ela provavelmente não sobreviverá uma semana. Ela não sabe cozinhar nada, está sempre bêbada ou drogada, confia em qualquer um que tenha interesse por ela, por mais suspeito que seja. Ou ela morrera de fome, ou terá uma overdose, ou se mata de tanto beber ou alguém mata ela. Como ela é minha mãe, querendo ou não, vou cuidar dela o quanto puder.
— Nossa, que barra. – Hyoga fica pensativo por uns instantes, pensando em seus pais adotivos... Pelo menos eles não eram loucos a esse ponto.
— Nem... eu parei de me importar com isso há algum tempo. Mas e aí, como são seus pais adotivos?
Hyoga abaixa a cabeça envergonhado não queria falar para Shun que seus pais adotivos eram gays, isso era vergonhoso.
— Err ... Eles... Ah chegamos, vamos. — puxa o menor pela mão, ao ver que tinha chegado ao mercado.
Shun Pega uma cesta e vai escolher alguns legumes, com um biquinho fofo na face delicada.
— Vai, me fala como eles são, Oga!
— Não vale a pena falar deles, tá legal! Eu os odeio. – responde friamente.
— Por que os odeia? – indaga com a voz doce, enquanto escolhe as batatas.
— Eu... Eu fui adotado por dois gays, eu até vi eles se beijando ontem... Senti tanto nojo!
— Huh... — Acaba de escolher as batatas e vai em direção as cenouras — Bem, Oga, cada um tem o seu jeito de viver, eles escolheram esse jeito.
— Mas isso não é certo Shun, o homem foi feito para a mulher e vice — versa.
— E quem decretou isso? — Pega dois melões, um em cada mão — Qual dos dois?
— Pelo amor de Deus Shun, você não vai me dizer que concorda uma aberração dessas. — fala exasperado, segurando a cestinha com os legumes e as frutas que o outro escolhera.
— Eu sou neutro, Oga, não concordo nem discordo. — Pega o melão que estava na mão direita e coloca na cesta, indo procurar onde estava o leite.
Hyoga resolveu mudar de assunto, não queria brigar com Shun, era a primeira amiga que fazia em anos.
— Shun, e o seu irmão, vocês se dão bem?
— Muito bem! Eu amo meu irmão de mais!
O loiro fica pensativo por uns instantes, lembranças dolorosas vieram-lhe a mente
— sei... – diz com ar pensativo.
— O que foi? – indaga Shun, olhando nos olhos do outro.
— Não foi nada — virou o rosto para o outro lado — falta muito pra terminar as compras?
— Na verdade acabei de acabar! – Eles então se encaminham para o caixa.
Após pagarem as compras eles saíram do mercado fazendo o caminho de volta. Foram o tempo todo conversando amenidades, coisas de escola e tecnologia.
Hyoga não sabia o que fazer, uma hora teria que voltar para casa, mas não queria ver Milo tão cedo. Por que ele não podia simplesmente deixá-lo em paz? Passou uma tarde tão agradável com a nova amiga, sabia que toda a paz que estava sentindo seria desfeita assim que pusesse os pés naquela casa de novo. Chegou ao parque onde encontrara Shun e parou.
— Shun, eu fico por aqui. Espero te ver por aí... Quem sabe até estudemos juntos...
— Quem sabe. — olha para Hyoga, com um biquinho — Não quero me despedir de você com você desse jeito Oga... Tem alguma coisa te deixando chateado?
Hyoga não sabia explicar o porquê, mas se sentia estranhamente a vontade com Shun.
— Eu briguei com um dos homens que me adotou. Ele é um chato.
— O que ele te fez? – Shun estava curioso e preocupado com o novo amigo.
— Humpf, Além de ter nascido? Ele é um escandaloso. Você acredita que ele ficou todo nervosinho só por que eu estava na biblioteca? Disse que achou que eu tinha fugido. Como se eu pudesse fugir na minha situação...
— Oga... Já pensou que ele podia estar preocupado com você?
— E por que ele iria se preocuparia? Gays não têm sentimentos Shun, eles só pensam em sexo, nada mais. São a escoria da humanidade.
— Oga, sentimentos são coisas normais dos seres humanos, sendo ou não gays. Essa sua opinião sobre eles pode estar tão certa quanto errada. Já pensou se ele realmente só estivesse preocupado com você?
— Você quer parar com isso?- já estava se irritando com a amiga. Por que ela insistia em defender aqueles imbecis?
— Só estou dando minha opinião, Oga. — Sorrindo, começa a se afastar dele — Tente ver o lado dele antes de julga-lo, ou pelo menos tentar abaixar as barreiras que você mesmo criou para afastar os gays. Ficara surpreso com o que pode descobrir.
Hyoga observa a amiga se afastar até desaparecer de seu campo de visão. Não entendeu o que ela quis dizer... Mas seu maior problema agora era ter que voltar pra casa, com certeza a recepção não seria das melhores.
oOoOoOo
Camus estava sentado no sofá tendo Milo deitado em seu colo. Após a saída intempestiva de Hyoga, saiu com o esposo para procurar o garoto, mas foi em vão. Voltaram para casa depois de algumas horas, afinal o loirinho poderia ir para casa e não encontrar ninguém. Com muito custo convenceu Milo a esperar até o fim da tarde, se Hyoga não aparecesse iriam a policia.
Milo estava tão cansado, física e psicologicamente, que acabou adormecendo no colo do esposo, após derramar muitas lágrimas.
Camus estava preocupado, tanto com Hyoga, que ainda não aparecera, quanto com Milo, pois já estava anoitecendo, e se quando seu esposo acordasse Hyoga não estivesse em casa, entraria em desespero mais uma vez.
Pensava em como as coisas poderiam ter chegado aquele ponto, Hyoga estava com eles há apenas dois dias e já causara tantos problemas. O ruivo sentia-se triste, tudo o que queria era uma família, mas Hyoga parecia odiá-los. Ele aguentava o gênio difícil do jovem, mas Milo era mais sensível com relação a isso. E ver seu esposo desesperado e em prantos era muito doloroso para si.
Amava Hyoga. Sim, desde a primeira vez que o vira no orfanato teve a certeza que o queria como seu filho, porém precisava ter uma conversa séria com ele. As coisas não poderiam continuar como estavam, Hyoga não poderia continuar destratando a Milo e a ele daquela forma. Respeito acima de tudo. Era nisso que o ruivo acreditava.
Acariciava a cabeleira loira do marido com carinho, estava tão absorto em seus pensamentos que se assustou quanto à porta abriu-se e viu Hyoga entrar por ela. Sentiu um imenso alívio por vê-lo são e salvo.
Hyoga entra na casa, sem nenhuma palavra, e vai direto para a cozinha.
Camus tirou delicadamente a cabeça de Milo de seu colo, a fim de não acordá-lo e levantou-se, indo ao encontro de Hyoga. Encontra-o encostado na bancada, bebendo água.
— Precisamos conversar. — a voz saiu firme, mas sem soar ríspida.
— O que quer? – O loiro falou de forma grosseira, sem olhá-lo.
—Vamos até a biblioteca, não quero correr o risco de acordar o meu marido. Acompanhe-me. — dá as costas ao jovem sem dar chance de resposta
Hyoga dá de ombros e o segue, queria se livrar logo do ruivo e ir dormir.
Ao chegar à biblioteca, Camus espera Hyoga entrar e tranca a porta a chave. Senta-se e faz sinal para o loirinho sentar no sofá a frente do seu e foi ignorado, suspirou e resolveu começar a falar mesmo com o jovem de pé.
— Hyoga, o que aconteceu hoje aqui?
Hyoga fica parado, em pé de braços cruzados, olhando para o ruivo com indiferença.
— Nada.
— Não me trate como um idiota, garoto. Se por acaso o que você pretende com tudo isso é que desistamos da adoção, está perdendo seu tempo. Nós não vamos desistir de você. Contudo, nesta casa tem regras e está na hora de você saber quais são.
Hyoga se encosta à porta.
— Como se eu me importasse com suas regras idiotas.
— E eu não me importo com o que você acha das regras, contanto que as siga. Então vamos a elas.
Como o loiro ficou em silêncio, Camus prosseguiu.
— Primeira, antes de Milo e eu sermos gays, um casal ou seus pais, somos seres humanos, e como tal merecemos respeito. Portanto, a partir de agora, nada de adjetivos pejorativos como, bicha, boiola ou veado. Somos gays sim, e não temos problemas com isso, mas não vou admitir ofensas em minha própria casa. Entendido?
— Tanto faz. – Hyoga responde revirando os olhos, aquele ruivo realmente o irritava. Se não fosse a porta trancada, já teria saído de lá há muito tempo.
— Segundo, você é menor de idade e nos deve obediência. Entenda... você não é prisioneiro, mas deve avisar sempre que sair, para onde e com quem vai. Amanhã providenciarei um celular para você, sempre que for demorar mais que o previsto, onde estiver, tem que nos avisar.
— Posso ser menor de idade, mas não irei avisá-los quando for sair. Nunca fiz isso, não começarei agora. — Olha para Kamus, friamente — Nem aquelas pessoas falavam para fazer isso, por que irei fazer com você?
— Você vai avisar sim! Ou faz isso ou eu te proíbo de sair de casa. A escolha é sua. Você é nosso filho, e nos deve respeito, e enquanto for menor de idade, além de respeito nos deve obediência, você gostando ou não. — faz uma pausa — e a que pessoas você se refere?
— Não te interessa.
— Como queira. — preferiu não insistir, uma hora o menor se sentiria a vontade para conversar sobre seu passado. — A terceira e ultima regra na verdade é um pedido... Não machuque o Milo com sua indiferença e palavras mordazes. Eu posso aguentar isso, mas ele não. O Milo é um homem maravilhoso, carinhoso e amigo e ele se preocupa com você, Hyoga. A vida dele não foi fácil e ele já enfrentou muitos problemas e preconceitos. Não é justo que ele tenha que passar por tudo isso de novo. Eu não permitirei. — suspira cansado — Eu só quero que você dê uma chance pra que ele te mostre o quão especial ele é.
—... – O mais novo desvia o olhar do de Kamus, fitando o chão com indiferença pelas palavras dele — Pode me deixar sair?
— Eu já disse tudo o que tinha pra dizer. Pode se retirar.
Camus levanta-se destrancando a porta e dando passagem para que o loirinho saísse. Agora só lhe restava esperar e ver como as coisas se encaminhariam dali para frente.
Foi até o sofá onde Milo dormia tranquilamente, o pegou em seu colo sem muito esforço o levando para a cama. De uma coisa tinha certeza, amava seu marido e seu filho, e faria qualquer coisa para protegê-los, mesmo que precisasse proteger um do outro.
Após sair da biblioteca, Hyoga foi para seu quarto, tomou um banho demorado e deitou-se. Tentou dormir, mas depois de se mexer muito na cama e seu estomago reclamar de fome, decide se levantar e ir comer algo.
Destrancou a porta e saiu o mais silencioso que conseguiu. Ao passar pelo quarto do casal, resolveu verificar se estavam dormindo, só por precaução. A porta estava entreaberta, olhou pela fresta e ao vê-los abraçados, dormindo calmamente, fez uma careta sentindo seu estomago revirar com aquela cena nojenta e foi até a cozinha.
Pegou qualquer coisa na geladeira e um copo de leite e começou a comer. Ficou pensativo por alguns minutos. Será que Shun realmente tinha razão e deveria ver se o que julgava certo era realmente certo? O que Kamus havia dito ficou na sua cabeça. Não tinha nada contra Milo, mas também não tinha nada a favor dele. Odiava qualquer gay que ousasse se aproximar de si e viveu muito bem desse jeito ate então. Mas o loiro parecia ser tão honesto, amigável, gentil e carinhoso... Se parecia tanto com aquela pessoa... E é exatamente por isso que não conseguia deixar Milo se aproximar de si. Havia cometido esse erro uma vez e sua vida acabou daquele jeito, não cometeria o mesmo erro.
Mas se realmente teria de conviver com aqueles dois até eles se cansarem de si, que pelo menos tivesse um pouco de liberdade.
Não deixaria o loiro aproximar-se de si, muito menos o consideraria como parte de sua família, mas se era para escolher entre ficar preso ou ter um pouco de liberdade, pois bem, pelo menos tentaria. E isso contava com o ruivo também, não havia ido com a cara dele nem um pouco, mas se era para conseguir o que queria, então, assim seria.
Hyoga acabou de comer, lavou a louça e a guardou, voltando para o quarto logo em seguida. Teria de atura-los durante mais um mês até a assistente social vir vê-los, e, quando esse dia chegasse, aí sim, aqueles dois iriam se arrepender de um dia ter o escolhido para viver esse pesadelo.
Continua...
Notas finais
Sobre a votação, vocês podem votar em todos os caps até anunciarmos o fim da votação. Podem votar na mesma pessoa, votar em outra, e afins =3
Bem, no cap anterior deu isso aqui:
Freiya: 1
IKki: 2
Eiri: 3
Shun: 11
Ran: E eu quero deixar registrado aqui o meu eterno MEU SHUNNY É A COISA MAIS FOFA DESSE MUNDOOOO!!!!! *O*
Obrigada ^-^
Kissus e até o proximo o/
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