Crestãos
2 Capítulo 2 - Confusão geral.
Notas iniciais
Levantei, meu despertador tocou me assustando e me tirando muitas horas de sono, mas mesmo assim me vesti, como de costume. Após sair de meu quarto, já pronta, fui ao banheiro, fiquei feliz em perceber que eu havia sido bem rápida, pois ninguém havia saído do quarto. Minha irmã sempre demora e às vezes eu supero minha mãe. Depois de sair do banheiro me surpreendi vendo que só minha irmã estava pronta, antes dizer qualquer coisa foi-me abordada uma pergunta de minha irmã:
–-Você viu a mamãe?
–-Não ach... Bom, ela deve ter ido comprar pão, às vezes ela faz isso, lembra que alguns dias atrás acabou o pão e ela foi comprar? Ela logo volta.
Mas ela não voltou, minha irmã pensou que talvez nossos relógios estivessem atrasados e por isso a nossa mãe haveria de estar no carro nos esperando, mas respondi que não, pois se nossos relógios estivessem atrasados, o que já seria muita coincidência, ela bateria na porta de nossos quarto perguntando se havíamos acordado, como ela sempre fez. Mas minha irmã não se contentou e insistiu que eu desse uma olhada, contradita me dirigi a porta, mas antes de alcança-la lembrei que a chave não ficava lá. Já me preparava, não contra esse fato, para dizer a minha irmã que não dava, mas ao encara-la, vi que apoiava em sua mão a chave, enquanto exibia um sorriso triunfante.
Peguei a chave, abri a porta que se encontrava trancada, o que era estranho, porque se minha mãe havia saído, teria ela deixado destrancada pois eu e minha irmã estávamos em casa, e afastei mais ainda a hipótese dela ter saído quando vi a chave em minha mão e percebi que ela deveria levar a chave, a fim de voltar para casa.
Desci e cheguei na porta gradeada que ligava o estacionamento ao prédio, verifiquei que o carro da mamãe continuava lá, intacto. Estava subindo quando ouvi gritos de inúmeros lugares, eles sendo "Mãe, cadê você?", "Papai, onde você está?" ou "Mãe, pai, vocês estão se escondendo?". Fiquei extremamente confusa com isso, o que fizeram todos os adultos? Teriam ido a alguma colônia de férias, não, teriam pelo menos avisado aos filhos e programado certinho as coisas.
Parei à dois passos da porta de casa e refleti sobre o que ocorrera, pensei em duas opções, a primeira era que minha irmã havia começado os gritos e que outras crianças, para irrita-la, começaram a gritar também. A outra opção seria que, talvez, houvesse algum programa nos filmando para ver as reações que teríamos na ausência de nossos pais, mas mesmo assim eram muitos gritando, como pode todos os adultos terem concordado com isso? Bom, talvez nem todos aceitaram, mas quem não aceitou não estaria gritando pelos pais.
Cheguei a conclusão que, fosse o que fosse, eu deveria permanecer em casa até o retorno de meus pais, se esse ocorresse.
Eu e minha irmã esperamos até que se consolidou nove horas da manhã, finalmente pensei que não deveria ser qualquer coisa, fiquei bem confusa do porque daquilo, até que me veio a ideia como uma bomba.
–-Já sei, talvez hoje seja feriado e a gente esqueceu, nossos pais trabalham hoje e, por não ter aula não precisam nos acordar e nos levar, a mamãe deve estar trabalhando, igualmente ao Jorge!
–-É mesmo, porque eu n... Espera, se a mamãe tivesse ido trabalhar, ela não levaria o carro?
–-É... Não havia pensado nisso, bom ponto.
Continuamos a esperar, até que minha irmã teve sono e foi tirar uma pequena soneca, assim ficou só eu, tentando achar alguma resposta sentada no sofá da sala. Mas depois de muito tempo pensando, sem chegar em nada, acabei dormindo, e fui acordada subitamente pela campainha, depois de recuperada do susto, fui atender.
Era o Rafael, um amigo meu, ele é mais baixo que eu, sempre está com uma camisa vermelha, tem cabelo preto e cor de pele marrom, estava usando chinelo, como ele sempre usava também. Disse-lhe "Bom dia!" e ele respondeu:
–-Bom dia, você sabe o que aconteceu com os pais?
–-Ah, acho que eles foram visitar Marte, sabe, hehe. Mas, sendo séria, não sei, minha mãe sumiu também.
–-A sua também? Nossa, eu pensando que minha mãe e meu pai deram a louca, mas os seus também, hahaha.
–-Nossa, que engraçado, quase morri de rir, nossa, infartei.
–-Calma Gabriela, foi só brincadeira.
–-Vai brincar com a mãe Joanna!
–-Do jeito que as coisas estão é capaz dela também ter desaparecido.
–-Cala b... Ei, e se perguntarmos de porta em porta para ver se todos os pais sumiram.
–-Hum, é... Tá, vamos.
Fomos de porta em porta, primeiro do último andar até o primeiro, escolhemos assim para "dar chance de nossos pais chegarem a tempo", mas não achamos pais em apartamento nenhum, em alguns nem fomos atendidos, presumi que nesses a ausência dos adultos, não só dos pais, também existia, fazendo o apartamento se encontrar vazio, por fim chegamos no meu andar de novo, consultamos dois apartamentos, dos quatro existentes, um deles sendo de minha família, só faltava um.
Apertei a campainha e em pouco segundos a porta foi aberta, não por um adulto, e sim por uma garota, parecia ter a minha idade, seus olhos eram verdes, tinha um sorriso lindo, cabelos longos e um narizinho muito bonitinho, ela nem tinha nos visto e seu sorriso sumiu, pensei que de alguma forma eu havia ofendido ela, mas ela disse, depois de um silêncio constrangedor:
–-Ah, pensei que fosse minha mãe, o que foi?
–-Nós estamos procurando por sobreviventes do apocalips... — disse Rafael, mas foi interrompido pelo tabefe que lhe dei na nuca — AI!
–-Nós estamos procurando para ver se achamos algum adulto, minha mãe e os pais do Rafael sumiram, todos os apartamentos estão ou sem ninguém, ou sem nenhum adulto. — eu falei, depois de lançar um olhar reprovador para Rafael.
–-Nossa, que estranho, vocês sabem o que aconteceu?
–-Não sabemos, ac... Ei, já sei, vou fazer uma reunião na minha casa, as duas horas da tarde para conversar sobre isso, você vai querer ir?
–-Sim, acho que isso vai ser divertido. — a garota respondeu, mostrando de novo seu sorriso angelical.
–-Mas como você vai fazer para convidar todo mundo, anta? — Rafael me perguntou, por um segundo pensei que ele estivesse levando tudo na brincadeira, mas depois pensei que na verdade ele talvez não soubesse o que fazer ou como se comportar diante de uma situação dessas, que realmente era confusa, olhei os olhos da garota por um momento e ela parecia pensar o mesmo que eu.
–-Vocês podem mandar bilhetes, se quiserem eu mesmo faço. — ela se ofereceu.
–-Mas nem sabemos seu nome, não precisa não. — eu disse.
–-Meu nome é Sofia, e precisam sim, querem entrar?
–-Quero, tá. — Rafael se dirigiu a ela, como se fosse uma conhecida.
–-Não precisa... — falei quase em coro com Rafa.
–-Então se sintam a vontade, vou pegar um copo de água para vocês.
–-Não precisa, sé...
–-Não é opcional!
Assim se seguiu, depois de bebermos e dos bilhetes feitos, entregamos para todas as casas, menos aquelas que não houve respostas, por volta da uma e quarenta e cinco em diante foram aparecendo muitas pessoas, eu, junta com minha nova amiga Sofia, havia arrumado tudo para que proporcionasse o maior conforto para os convidados, a reunião correu muito bem.
–-Então, os adultos sumiram, nem um, nem dois, todos, chegamos a conclusão, tirando nosso amigo Henrique, que não há motivos para o desaparecimento deles, acredito que os pais de Henrique tenham sumido também porque todos, até os de outros apartamentos, estão ausentes. Agora peço a atenção de todos para sugerirem o que faremos diante disso.
A reunião foi ótima, decidimos tentar esperar mais alguns dias, dois para ser exata, para ver se os adultos apareciam, chegamos a conclusão de que era melhor manter todas as portas trancadas, como a grade no andar do estacionamento e a porta de vidro que ligava o lado de dentro do edifício, com o corredor que lavava a outra porta de grade, agora defeituosa pois se mantinha fechada com um ímã, que era ligado com energia elétrica, sem contar as portas de nossos apartamentos.
Ficamos durante dois dias como combinado, mas nada de aparecerem os adultos, então fizemos uma segunda reunião.
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