P.O.V. Detetive Clark.

Ver a coisa ensanguentada levantar do caixão foi horripilante. Ouvir ela respirar...

—Santo Deus!

—Não atira. Não atira. Vamos tentar conversar primeiro.

A menina Hope, olhou para aquela coisa e tentou falar com ela.

—Oi. Meu nome é Hope.

Ela apontou para si mesma e disse:

—Hope. Hope Volturi.

A criatura ensanguentada apontou para si mesma e disse:

—Nahemah.

Hope estendeu a mão para a criatura que pegou. Mas, ela viu o cadáver sob o altar e não ficou feliz á respeito.

—Nós não matamos a sua mãe. Ela fez isso, por você. Nahemah, Lilith sacrificium.

Acho que a criatura entendeu. Porque chorou.

—Posso ajudar você. Precisamos destruir a casa.

A criatura bípede assentiu. E fomos pra fora.

—Nahemah? Nahemah, o que está fazendo?

—Nahemah, destruir a casa.

Ela apontou para o meu filho e disse:

—Rosewood. Rosewood. Ajuda Nahemah, destruir a casa.

P.O.V. Thomas.

Cara, estou me cagando de medo, mas se essa coisa, esta mansão é basicamente um portal para o Inferno... precisa ser destruída.

Ela agarrou a minha mão e senti algo saindo de mim. Vi a massiva energia que ela liberou. A energia dourada que viajou de mim pra ela pra fora e fez o mansão colapsar. Começou com uma rachadura na parede e desta rachadura foi se espalhando e a Mansão afundou no lodo, no pântano, na lama. Despencou e foi engolida pela terra.

—Vamos levá-la para o Internato. Vai ter a ajuda que precisa lá.

—A Escola de problemáticos?

—Não somos problemáticos.

A garota ensanguentada assentiu com a cabeça como se me agradecesse.

—De nada.

Eles colocaram ela na van e levaram embora.

P.O.V. Nahemah.

Não como os outros, eles foram gentis. Eles me receberam sem ferir.

—Aqui, isso é um chuveiro. Pra você se lavar, tomar banho. Vamos arrumar roupas limpas.

Ela me mostrou como o mecanismo funcionava.

—Sabonete. Pra lavar o corpo. Shampoo para o cabelo.

Pude lavar o sangue, me lavar. Quando sai havia uma muda de roupas á minha espera, calças e uma peça que eu desconhecia.

—É um sutiã. Vai embaixo da roupa. Assim.

Ela me mostrou como vestir a peça e era melhor que um espartilho.

—Pensei que seu nome fosse Sophia.

—Muitos nomes. Primeiro de todos, Nahemah.

—A quanto tempo você morreu, Nahemah?

—Muito.

—Estamos em dois mil e vinte.

—Mil novecentos e um. Morte. Cento e dezenove anos. Morta.

—Explica o seu problema pra falar. Está com dor?

Fiz que não.

—Seu cabelo está comprido demais.

Ela pegou um jornal, estranho e cheio de gravuras coloridas.

—Escolhe um.

Folheei o jornal até encontrar um que me agradasse. E apontei para ele.

—Oh, um corte em camadas. Boa escolha. Vou chamar a Maria pra cortar seu cabelo.

Uma jovem, veio com equipamentos e eram navalhas, tesouras... instrumentos de tortura.

—Calma. Calma. Ela vai só cortar o seu cabelo.

Hope pegou no próprio cabelo, pegou uma das tesouras e passou como se o cortasse. Então apontou pra mim e para o jornal colorido.

Vai cortar meu cabelo. Vi que a jovem tinha uma flor na mão.

—Rosa.

—É. É uma Rosa. Você quer?

Ela estendeu a flor pra mim. E eu peguei.

Elas me sentaram numa cadeira e enquanto a jovem desembaraçava e separava meus cabelos em mechas, minhas memórias iam voltando pouco a pouco. Enoquiano, lilitiano, italiano, espanhol, português uma língua após a outra. Lembrei-me até de minha morte.

Em determinado ponto, voltei ao presente, senti o leve roçar da tesoura nos meus cabelos. O vi cair em chumaços no chão.

—Sem ofensa, mas você não pode chamar Nahemah. Todos vão tirar sarro de você, te zoar.

—Rosa.

—Rosa é um bom nome. Meu Deus, Maria, as costas dela!

Sabia o que eles estavam vendo. Estavam vendo que eu estava com fome.

—Com fome. Quando fico com fome, fico feia.

P.O.V. Hope.

A Nahemah é uma súcubo. Ela precisa se alimentar de energia sexual para viver. Não sabia que quando elas ficavam com fome saíam essas veias nas costas, eram como uma infecção subcutânea. E não estavam só nas costas. Estava em todo lugar, pelo corpo todo.

—Ok, você precisa se alimentar. Acho que tenho uma ideia.

Levei ela para a cidade de Alexandria onde ela podia se alimentar sem levantar suspeita. E Por Deus, ela tava com fome. Matou mais de vinte homens em menos de três horas.

—Aqui eu fiz pra você.

Estendi o frasco para ela.

—O que é?

—Erva do diabo. Impede o corpo de voltar-se contra si mesmo. O problema das súcubo está em manter seu nível de energia vital. Quando seu estoque fica muito baixo, você recorre á outros para repor o que perdeu. Isso vai te ajudar. Vai impedir que perca energia com facilidade. Vai manter estável. Tome umas gotas sempre que se sentir fraca. Ainda vai ter que se alimentar, mas vai causar menos dano.

Nós voltamos para Magic Falls. Deixamos os corpos para trás, mas fizemos uma história. Um incêndio. Uma explosão na verdade.

Alguém chamou os bombeiros, a polícia.

P.O.V. Rosa.

Tudo pisca, tudo faz barulho. Tantos humanos, edificações que alcançam o céu. É confuso. Faz a cabeça girar. Doer.

P.O.V. Narrador onisciente.

Sem que Nahemah ou Rosa notasse, alguém a notou. Um agente do F.B.I. disfarçado. O Agente Belikov.

Ele viu Nahemah e Hope entrarem num Uber.

P.O.V. Dimitre.

Não, ela morreu. Se sacrificou para proteger a Princesa Lissa.

Mas, eu vi. Depois da morte da Rosie, eu sai da ordem. Fui trabalhar com os humanos. No F.B.I.

Ela não me viu. Entrou num carro peguei a placa, está registrado como motorista de aplicativo. Rastreei o carro e ele foi parar a quinhentos quilômetros na cidade de Magic Falls.

Eu escolhi o dever ao invés da felicidade. Não cometerei o mesmo erro novamente.

P.O.V. Thomas.

Não me surpreende todos gostarem dela. Hope Volturi, é uma pessoa agradável, ela é altruísta, faz qualquer coisa para proteger quem ela ama. E até mesmo aqueles que não conhece. Como a garota demônio por exemplo.

—Ainda não acredito no que vimos. A polícia identificou os cadáveres das meninas desaparecidas e já estão comunicando as famílias.

—Sinto que essa confusão está longe de acabar. Garotas assassinadas, muito sangue, uma mansão que foi demolida e no dia seguinte voltou a se reerguer. Logo teremos jornalistas do país inteiro aqui.

Mas, ao que me parece Magic Falls e seus habitantes são muito bons em se esconder. Como Nahemah realmente demoliu a mansão e fechou o portal, tudo o que eles disseram foi que alguém fez uma foto-montagem, uma edição de vídeo e pronto. Caso encerrado.

As garotas que morreram foram assassinadas por um maníaco que foi preso. E realmente o cara tinha uma extensa ficha criminal. Preso por abuso e tráfico de drogas, por abuso sexual, etc. Para todos os efeitos, Rosa era uma sobrevivente do ataque e serviu de testemunha.

E cara, eles eram bons. Não deixaram nenhuma ponta solta. Devem estar se escondendo aqui por anos, séculos, nem sei direito.