Crença

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Agradecimentos ao meu amigo Rubem, criador dessa versão da personagem Morte. Leia a segunda parte dessa história aqui: https://fanfiction.com.br/historia/657551/PerpetuoSentimento/

"Você os levou, não é?" Perguntou a jovem princesa.

Ela estivera sentada próxima à janela de seu quarto, em silêncio e imóvel desde que um dos conselheiros de seu pai aparecera, semiapavorado, para informá-la da morte de seus pais. Ele lhe contara (ou seria melhor dizer ameaçara?) que o conselho estava se reunindo para discutir o destino de seu país agora que seus pais estavam mortos, deixando como herdeira ela.

A princesa não se importava em assumir o trono, no entanto. Não naquele momento, não quando seus pais estavam mortos e sequer havia um corpo que pudessem enterrar. Perdidos no mar. Mortos em um naufrágio.

Elsa chorara. Chorara por um tempo incontável em posição fetal, ignorando a presença em seu quarto tentando reconfortá-la. Sua única amiga em todos os seus anos em cárcere. Traidora.

"Por que você fez isso?" Ela falou novamente, sem erguer o olhar. "Achei que fôssemos amigas."

Como sempre, presença não fez qualquer menção imediata de que a responderia, mas Elsa não se importou muito; naquele momento, não sentia muita curiosidade a respeito da estranha mulher de cabelos negros que sempre a visitava. Ela suspirou, resignada, e começou a se levantar quando, finalmente, uma voz suave, mas rouca ecoou pelo quarto.

"Nem mesmo eu posso adiar o verdadeiro momento da morte de alguém," falou a mulher, seus olhos castanhos brilhando devido às lágrimas.

Elsa a encarou com espanto por longos segundos. Ela ouvira aquela voz apenas uma vez em toda a sua vida: no dia em que a conhecera, alguns anos antes. Quando sua existência se tornara um fardo excessivamente pesado e a morte lhe pareceu convidativa, e Elsa pulara da janela de seu quarto, aguardando um baque que nunca sentiria.

Foi naquele momento de queda que a mulher aparecera diante dela, sua voz lhe perguntando se aquele era mesmo o desejo de seu coração. Elsa olhara nos olhos então vermelhos da mais velha e não conseguira dizer que queria morrer.

Desde então, a mulher viera visitá-la quase todos os dias, e Elsa normalmente se sentia feliz em tê-la por perto, mesmo que ela nunca mais tivesse falado com ela.

Depois de alguma reflexão, Elsa chegara à conclusão de que a outra mulher era a Morte. Ela não sabia de onde tirara aquilo, mas sabia, de alguma forma, estar correta, embora nunca tivesse chamado a mulher de Morte. Afinal, ela nunca se apresentara.

"Eu sinto muito, Elsa," falou a mulher, se aproximando dela. Pela primeira vez, Elsa reparou no quanto ela era baixinha.

"Agora, eles vão me matar, porque eu sou um monstro." Ela respondeu, mais resignada do que apavorada.

A estranha presença a encarou por um momento e inclinou a cabeça para o lado, parecendo curiosa. Ela ergueu as sobrancelhas e ajoelhou ao lado de Elsa, acariciando os cabelos dela levemente.

Por um momento, Elsa ficou impassível diante dos avanços da mulher. Haviam se passado muitos anos desde que alguém a tocara pela última vez.

"Q… quem é você?" A jovem princesa perguntou após quase um minuto de silêncio, e a outra sorriu em resposta.

Antes que se passasse um segundo, Elsa subitamente percebeu que os lábios da mulher estavam sobre os seus. Foi apenas um suave roçar de lábios, mas fez com que o coração da mais nova começasse a pulsar forte e acelerado de uma maneira assustadoramente prazerosa.

"Você pode me chamar de Laura," ela responde, sorrindo docemente para a mais jovem, quando os lábios das duas finalmente se separam. "Eu sou a Morte e vou dizer apenas uma vez: você não é um monstro."

Quando aquela mulher estranha que se tornara a única amiga de Elsa durante todos os anos de isolamento apontou-lhe o dedo, sorrindo docemente para ela. Enquanto a jovem princesa a olhava, dividida entre a confusão e um sentimento profundo dentro de seu coração que ela ainda não conseguia nomear. Nesse momento, pela primeira vez em muitos anos, ela acreditou.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!