Creation
4 مشروع
Notas iniciais
Sem sugestões de músicas pra hoje. Vamos ao o que interessa. o/
Divirtam-se!
A explicação sobre aquela marca não veio de maneira espontânea. Ela me enrolou como pôde e disse que apenas se tratava de uma tatuagem ingênua.
Nada que me convencesse.
Nos vimos durante toda a nossa rotina. Mia se instalou em uma pequena casa perto do trabalho para poder estar pronta caso fosse necessário.
Aceitando o cargo de primeira bailarina a coloquei já em seu posto e reabrimos juntos o Centro de Artes Baryshnikov.
Era difícil trabalhar, agir e raciocinar quando estava por perto. O perfume atacava o meu senso de responsabilidade. Por inúmeras vezes quase a detive em cima de minha mesa para fazer algumas loucuras que tanto me incitavam, mas regredi. Esse não era o Jared de antes. Era um novo, ou talvez... O mesmo deixado adormecido desde aqueles malditos e benevolentes vídeos de internet.
E quando cuidava das crianças como uma mãe que nunca havia lhe faltado era quase que um tiro no peito por todos os meus planos de fazê-la sofrer.
Um dia preguei-lhe uma boa peça quando esperava que eu a pedisse para compartilhar a minha cama.
–Eu só precisava de você aquela noite, Mia. Posso me virar sozinho agora.
Sorriu com sarcasmo.
–Esqueço da sua preferência diversificada, Jared. Mas acredito que sua mão fará melhor trabalho do que o corpo de uma mulher.
–Um belo e delicioso corpo, afinal.
–Não precisa me lembrar do que já sei. Com a sua licença. – Saiu me deixando sem espaço de resposta.
Graciosos e cansados olhos
Mais um dia havia acabado na companhia. Por tanto tempo andou fechada, mas o ritmo parecia não ter parado. Os profissionais, que eram os mesmos de antes, nada se oporam com a presença do novo e “modesto” diretor. Porém, tenho que admitir. Jared mesmo com todo seu egocentrismo era a pessoa mais adequada para substituir Mikhail. Demonstrava grande habilidade com os papéis, com toda aquela burocracia e ainda não se esquecia dos artistas. Tratava-os com tal profissionalismo que era admirável!
E eu mais uma vez o achava o homem mais perfeito e amável do mundo quando me pegava olhando os seus atos.
Pura tolice.
Só espero sair com poucos arranhões ao fim dessa história. Preciso arrumar uma maneira de enfiar na cabeça desse ser que existem melhores bailarinas no mercado. Ele tem que entender.
O vento tocou rápido o meu rosto. O frio me fez rir e lembrar de bons tempos. Observei a rua, as pessoas, especialmente uma que me lembrava demais o...
–Shannon.
Era o Shannon. Devia estar procurando por alguém ou alguma coisa. Sentia sua falta, sempre fora o meu confidente, mas desde que li aquele livro as coisas tinham mudado. Conseguiu me magoar da pior maneira quando não retratou a verdade da nossa história.
Abanei a cabeça em negação.
–Tenho esperanças que algum dia possamos conversar sobre isso, velho amigo. –Contornei a rua antes que pusesse as vistas em mim.
Os olhos cristalinos
Chegando ao prédio não foi tão difícil encontrar meu irmão. Estava selecionando algumas bailarinas para um espetáculo que tinha em mente. Pelo menos foi o que me disse.
–Tem certeza que não está interessado mais nas coxas delas do que no teste em si? –Ri, batendo em sua cabeça.
–Acho que esqueceu do meu profissionalismo, Shann. E as únicas coxas que me interessam estão bem longe de mim nesse momento.
–Ela já foi?
–Saiu há uns dez minutos. Queria vê-la?
–Sim. Estou com saudades.
–Acabo em pouco tempo. Se quiser esperar posso levá-lo até a casa dela.
–Seria mais fácil se me passasse o endereço.
–Eu tenho que ir encontrá-la de qualquer forma. Temos... Alguns detalhes a acertar.
–Acho que entendi. Faça o seguinte: amanhã me passe o endereço. Hoje eu acredito que estará mais ocupada com os seus negócios.
–Obrigado, Shannon.
Eu tinha aguardado demais por isso. Um dia poderia fazer a diferença, mas fazer com que Jared percebesse o que se passava dentro de mim não era a melhor opção no momento. Não irei arriscar.
Mentirosos olhos
Toquei a campainha insistentemente para irritá-la. Tentei evitar o riso, mas era quase impossível. Sabia o quanto ficava aborrecida quando a apressavam. Abriu a porta com um olhar mortal.
–Jared?! Eu não esperava vê-lo tão cedo.
–A sua falta me enlouquece, pequena.
–Aconteceu alguma coisa com as crianças? Com o Centro?
–Posso entrar ou terei que congelar aqui fora?
Com má vontade me deixou passar.
–Ande, Jared. Diga logo.
–Quero saber se você se interessa em ter uma folga para ficar com seus filhos o dia todo amanhã?
–Uma folga? Mas não é cedo? A companhia acabou de reabrir.
–Se não quer, eu posso desconsiderar.
–É claro que quero! O que eu mais desejo é ficar com eles. Só estou preocupada.
–Está em suas mãos. Lhe garanto que não há problema algum.
–Bem, então tudo bem. Que horas posso pegá-los?
–Trago-os aqui às nove.
–Certo.
Toquei o rosto dela.
–Você está tão linda.
–Se não tiver nada mais pra dizer é melhor ir. Tenho que descansar.
Sorri.
–Ok, mandona. Nos vemos amanhã.
–Sabe o caminho até a porta.
–Muita gentileza sua me acompanhar.
–Tchau, Jared. –Deu as costas e subiu para seu quarto.
–Você sabia que os seus quadris se movendo ao subir as escadas é um convite pro sexo?
Não respondeu.
–Eu poderia roubar sua casa se quisesse.
–Mas você não quer. Tem tudo o que deseja e todos saberiam do seu crime horrível contra uma pobre bailarina. Não esqueça de fechar a porta.
–... Tchau, Mia.
A deixei um pouco mais.
Cheios de olhos
O apartamento não era um lugar que gostaria de voltar agora. Baladas não me atraíam. Só havia uma pessoa nesse mundo que poderia me escutar.
–Hey, meu amigo. –Abriu a porta sorrindo. –Pensei que tivesse me esquecido de novo.
–Para de drama e me deixa entrar. –Nos abraçamos.
–Quer uma cerveja?
–Um suco de laranja.
–Desde que saiu do coma você anda meio viado, Shann.
–Cala a porra da boca. –Ri.
–E então, conseguiu achá-la?
–Mais ou menos. –Me esparramei no sofá.
–Mais ou menos?
–Sei onde ela mora, mas tem concorrente na área.
–É a Mia, não é?
Sorri não surpreso pela descoberta.
–Bingo.
–Eu não sei se devo, mas mesmo assim vou falar. Foda-se essa merda. Você sabe que nessa disputa vai se machucar muito.
–Eu sei.
–E que a corda sempre rompe pro lado mais frágil.
–Eu sei, Tomo. Sei que vou me foder demais pra conseguir chegar perto dela, mas... É um risco, certo? Preciso me aventurar. Fiquei parado por muitos anos. Vai ser melhor assim.
–Bem, eu concordo e te dou força. Só não me acorda de madrugada pra vir chorar as mágoas.
–Idiota. –Rimos. –Como está?
–Indo, vivendo. Dando aulas.
–Sério?
–É. Piano. Tenho um impressionante número de alunos.
–... Que são?
–Uma.
–ISSO É INCRÍVEL! E o que ela acha da sua barba?
–Sensual.
–Quantos anos?
–Quinze.
–Seu pedófilo.
–Não. É uma boa menina. Desde a V não tem outra pessoa para tomar seu lugar.
A campainha toca.
–Deve ser ela.
–Vou te deixar dar a sua aula.
–Ok.
Parei.
–Prometo que vamos voltar com a banda em breve. O Jared está ocupado, mas podemos retomar os dois no início.
Vi seu rosto mudar para a emoção.
–Vai ser ótimo, Shannon.
–Falo contigo em breve.
–Em breve.
–Não em breve, mas... Em breve.
–Maldito seja o breve dos Letos.
–Tchau, Tomo!
Notas finais
Não esqueçam de recomendar essa história!
See ya.
Beijoletos. ;)
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