Crazy Bout' You
30 Capítulo 30 - Things Can Get Worse
Notas iniciais
Enfim o sábado havia chegado e Harry acordara radiante. Festa e final de semana definitivamente faziam o seu dia, porém, ao olhar para o lado, fechou logo a cara.
– Ainda vai ficar me encarando assim até quando? — indagou Peter, sentando-se na própria cama, bocejando e espreguiçando-se.
Harry não disse nada, apenas virou as costas para Peter, tentando voltar a dormir.
– Harry, você não fala comigo desde ontém, isso está ficando ridículo.
– Ridículo é você convidar o Murdock pra minha festa.
– Harry... você sabe o quanto eu gosto dele.
– E você sabe o quanto eu odeio ele.
– Para com esse ciúmes idiota!
– Não é idiota! — disse Harry, sentando-se e encarando Peter por fim. — Você sempre me deixou por ele!
– Isso não é verdade!
– É sim! Você sempre andava colado com ele porque o "pobre Matt não pode se cuidar sozinho". Sua atenção ia toda pra ele! Fazia sempre dupla com ele, deixava ele ficar passando a mão no seu rosto "pra te conhecer". Vai saber se ele lava aquelas mãos.
Peter tentou segurar a risada diante da revolta de Harry, mas era quase inevitável. Caiu na gargalhada logo em seguida.
– Não tem graça, tô falando sério — bufou Harry.
– Você não existe, cara — ria Peter. — Você precisa parar com esse ódio pelo Matt, agora ele sabe se virar sozinho, não estamos mais todos na mesma sala e principalmente, você sempre foi e sempre será o meu melhor amigo.
– Eu acho bom — falou Harry cruzando os braços de nariz em pé.
– Ciumento — caçoou Peter pegando seu travesseiro e jogando-o no rosto de Harry, que caiu para trás com o impacto.
Harry jogou o travesseiro de volta, errando seu alvo.
– Então você vai ficar longe dele?
– Harry... — disse Peter num tom de reprovação.
– Okay, só diz isso aí pra ele, tá?
– Vou dizer — zombou Peter se levantando e indo até o armário.
– Vai sair?
– Sim.
– Ver o Wade?
– Não.
– Vai ver aquele safado, não vai?
– Ele também é meu amigo, Harry.
– Que droga, como já vão se ver tão rápido?
– Passei meu número pra ele.
– Ótimo — resmungou Harry.
– Para de ser chato, vem também se quiser
– Eu adoraria estragar a alegria do Murdock, mas eu vou na Aesir ver o Sam e eu to esperando o pessoal que vem pra arrumar a festa.
– Okay — disse Peter dando de ombros.
Assim que fez sua higiene pessoal, Peter vestiu uma camiseta vermelha, uma calça jeans azul e um all star branco. Ele se olhou no espelho do quarto tentando arrumar a bagunça que se encontrava seu cabelo, mas ouviu seu celular vibrar denunciando uma mensagem.
Peter achou que fosse Matt adiando o horário, pois os dois haviam combinado de se encontrar numa lanchonete ali perto, mas o visor do celular indicava o nome de Wade.
"Petey, queria muito que me desse uma chance de me explicar, juro que vou tentar me controlar."
Peter suspirou observando pensativo a mensagem de Wade, até que depois de uns minutos, finalmente respondeu.
"Onde?"
Ele ouviu o celular vibrar logo em seguida, indicando a ansiedade do loiro.
"Aqui mesmo, se não se importar."
Peter engoliu em seco ao se imaginar naquele quarto junto com Wade de novo, mas ele reconhecia que não era certo abandonar Wade naquele momento. Tinha de dar pelo menos uma chance ao loiro.
"Ok, mas tem que ser rápido."
Peter saiu de seu quarto, desistindo de arrumar o cabelo. Ele desceu às escadas encontrando Harry e Ian conversando com umas pessoas uniformizadas e desconhecidas que provavelmente eram o pessoal que organizariam a festa. Ele saiu de fininho sem que ninguém o visse e foi rumo a república Aesir, sentindo um certo calafrio percorrer seu corpo.
Peter chegou até a porta, tocando a campainha uma vez para logo em seguida ver Sam atender a porta um pouco surpreso em vê-lo ali.
– Wade tá lá em cima? — perguntou Peter.
Sam assentiu, abrindo espaço para Peter entrar, mas antes que ele chegasse perto das escadas, Sam segurou o braço dele.
– Peter, qualquer coisa... já sabe.
– Vou me lembrar dessa vez — disse o moreno subindo às escadas.
Peter subia os degraus meio ansioso, seria uma conversa rápida, nada aconteceria. Era do que ele tentava convencer-se. Peter parou em frente ao quarto de Wade, batendo a porta três vezes e sendo atendido rapidamente.
Wade vestia uma camiseta larga e branca, junto de uma bermuda cinza. Pela cara de sono, ele havia acordado na hora em que lhe mandara a mensagem.
– Petey! — falou o loiro dando um abraço de urso no menor. Peter sentiu o maior estralar algumas partes de seu corpo com o abraço esmagador.
– Wade... tá me sufocando... — avisou Peter numa voz fina.
– Oh, sim. — Wade soltou o menor, deixando-o entrar no quarto.
– Pode falar.
Wade encarou Peter sem saber ao certo o que dizer, ele não podia garantir que melhoraria, mas também não podia ficar sem Peter.
(Ele não é o único homem no mundo, sabia?)
[Mas ele é o melhor...]
(Até você? Credo, parem de ser dependentes dele.)
[O que aconteceu com o "aniquilar o ceguinho"?]
(Vamos aniquilá-lo, depois vamos arrumar um cara melhor.)
– Eu... eu sinto muito.
Peter encarou o maior, quebrando todas as suas barreiras com aquele olhar de cachorro abandonado.
– Tudo bem, Wade — suspirou -, a culpa também foi minha. Sabia muito bem onde eu estava me metendo e eu cedi de certa forma.
– Então você não tá mais bravo comigo? — indagou Wade, esperançoso.
– Não, só tente me ouvir mais, tudo bem?
Wade sorriu, se aproximando de Peter e depositando a mão sob a bochecha dele. O loiro mordeu o próprio lábio inferior na expectativa de poder beijar o menor, e se aproximou ainda mais de Peter até que não sobrasse mais espaço entre eles.
Peter correspondeu ao beijo de Wade, colocando as mãos sob o ombro do maior. Era bom tê-lo de volta, e lúcido pelo que parecia.
– Tá afim de sair? — perguntou Wade com um sorriso alegre.
Peter fez uma careta, chateado por ter de acabar com as expectativas de Wade.
– Ãhn... Wade... eu já tenho compromisso pra agora.
– Ah... vai ajudar com a festa lá?
– Não, eu vou numa lanchonete aqui perto me encontrar com o Matt.
Peter não soube ao certo como descrever a reação de Wade. Ele apenas o encarava com o cenho franzido numa expressão confusa e a pupila dele tremia como um tique nervoso, ou algo do tipo.
[O QUÊ?!]
(Eu disse...)
[TRAIDOR!]
– Aquele cara cego? — questionou Wade, tentando manter a calma.
– Ele tem nome, sabia? Matthew, Wade.
– Não quero saber o nome daquele cara.
Peter arqueou a sobrancelha, confuso, mas antes de questionar a breve grosseiria do loiro, ele já continuara a falar.
– Vocês já ficaram?
– O quê?
– Você disse que ele era um velho amigo.
– E é, só amigo — enfatizou Peter.
– Ele gosta de você?
– Wade, chega tá? Ele nem é gay.
– Como pode ter certeza?
– Qual o seu problema?
[Qual o SEU problema!]
(Fala sério, a gente tem muito mais a oferecer.)
[É, tipo um par de olhos.]
(Mas o cara tem olhos, ele só não enxerga.)
[Não ferra com a piada.]
– Eu não quero que você saia com ele, Petey — disse Wade num tom sério.
– Não pode me proibir de sair com meus amigos.
– Eu não gosto dele! — protestou o loiro.
– Você mal o conhece!
– E já não gosto!
– Então vem comigo e conhece ele!
– Eu não quero conhecer esse cara!
(É isso aí, mostra quem manda.)
[O Petey, né, se continuar pegando leve assim.]
– Olha, eu já tô atrasado, depois a gente conversa sobre isso.
Wade segurou o braço de Peter antes que ele saísse do quarto.
– Não, você não vai sair assim de novo, você não me escuta!
– Talvez seja porque você acha que eu sou sua propriedade? — argumentou Peter sarcástico.
[E É!]
– Você é meu namorado!
Peter puxou o próprio braço bruscamente, se livrando do aperto de Wade. Ele estava perplexo com a reação do loiro, Wade não tinha noção do ridículo.
– Se você acha que me proibir de ver as pessoas seja saudável num relacionamento, você não sabe mesmo como isso funciona.
– Não é das pessoas, é só dele.
Peter deu as costas para Wade, caminhando até a porta, mas o loiro fora mais rápido se pondo entre o moreno e a porta.
– Sai da frente, Wade.
– Não — disse o loiro cruzando os braços.
– Me deixa sair!
(Se for pra fazer birra, a gente resolve isso na cama.)
– Droga — praguejou Wade fechando os olhos e pondo as mãos nas orelhas.
(Não pode me impedir...)
– Sam! — chamou Peter, nervoso.
Wade abriu os olhos e Peter notou o olhar insano em sua direção. Ele deu vários passos para trás, mas o loiro vinha em sua direção, encurralando-o.
– (Você não vai pra lugar nenhum).
Peter virou o rosto, sentindo os braços de Wade envolverem sua cintura de uma maneira possessiva, mas antes que o loiro pudesse beijá-lo ou qualquer outra coisa que tinha em mente, Peter ouviu a porta do quarto se abrindo.
– Wade, sai de perto dele.
Wade não olhou para trás, mas sabia que era Sam. As palavras dele o confundiram e o loiro encarou Peter por fim, vendo o medo nos olhos do menor, ele parecia apavorado e aquilo acabara com ele. Wade se afastou de Peter, sentando-se na cama abalado.
– Eu não queria...
– Você está bem? — indagou Sam.
Peter assentiu rapidamente, saindo correndo dali.
– Petey!
– Deixa ele, Wade — mandou Sam aproximando-se do maior. — Você precisa falar com a sua terapeuta.
– Eu não quero — protestou.
– E você quer continuar nessa situação?
Wade suspirou, pondo as mãos no rosto enquanto negava com a cabeça.
– Me deixa sozinho, Sammy.
Sam saiu do quarto e a última imagem que teve antes de fechar a porta, foi a de Wade se encolhendo na cama com os olhos bem fechados, provavelmente segurando um choro.
oOo
Matt estava na lanchonete já fazia vinte minutos. Ele imaginou que Peter tivesse desistido, mas seu celular não havia vibrado com nenhuma ligação ou mensagem. Resolveu esperar mais um tempo e logo ouviu a porta da lanchonete se abrir tocando a típica campainha e sentiu Peter se aproximando com certa pressa, sentando na cadeira em frente a sua bruscamente.
– Você está bem? — perguntou Matt, sentindo que Peter estava nervoso, ele podia ouvir as batidas rápidas do coração dele.
– Não — disse Peter meio ofegante. — Eu não sei mais o que fazer com o Wade.
– Ele fez alguma coisa com você? — perguntou Matt num tom mais preocupado.
– Quase, de novo.
– De novo?
Peter suspirou, pensando se deveria se abrir com Matt. Apesar da distância que os dois tiveram, ainda sentia aquele sentimento acolhedor que sempre teve por ele, e de confiança também. Por fim, depois de alguns minutos Matt ficou sabendo de tudo, desde a esquizofrenia de Wade, aos abusos recentes que Peter vinha sofrendo.
– Isso foi culpa minha de certa forma — disse Matt.
– Não, Matt, não se preocupe com isso, eu chamei ele pra vir comigo e ele quem não quis! Wade surtou de vez.
– Ele devia consultar uma terapeuta.
– É, devia — concordou Peter. — Eu sinceramente espero que ele faça isso, onde já se viu? Me proibir de te ver?
– Acho que eu causo raiva nas pessoas próximas de você. Primeiro o Harry, agora o seu namorado — zombou Matt.
– Pois é, o que aqueles dois tem na cabeça? Posso até entender o Harry, mas o Wade julgou muito precipitadamente. Ele achou que nós já tínhamos ficado, acredita? — riu Peter nervosamente.
Matt sorriu fracamente e Peter começou a ficar nervoso por ter rido daquilo.
– Não que você não seja atraente, quer dizer, é meio absurdo pensar nisso levando em conta os anos de amizade, e claro, você deve ser hétero e tal...
– Peter — interrompeu Matt, ainda sorrindo -, tudo bem.
– Você deve achar que eu sou um retardado, né?
– Não, mas é bem engraçado o seu nervosismo.
– Ah é? — desdenhou. — E como sabe como eu estou?
– Eu ouço cada batida acelerada do seu coração, Peter.
Peter engoliu em seco, mais nervoso ainda.
– Isso foi assustador — declarou.
Matthew riu, ainda sentindo um tom incômodo no timbre de voz do amigo.
– Algo ainda te incomoda.
– Sério, Matt, onde você aprendeu essas habilidades do além?
– Peter...
– Tá, eu ainda tô um pouco abalado. Não consigo tirar o olhar do Wade da minha cabeça, ele ia... ele ia fazer de novo — suspirou derrotado.
– Você precisa ter paciência com ele.
– É tudo tão complicado! Sério, por que as coisas sempre acontecem comigo? — dizia Peter num tom revoltado. — Eu perco meus pais, perco o tio Ben, já perdi você uma vez, passo toda a minha escolaridade com o Flash na minha cola, descubro que eu gosto de homens e especialmente um homem esquizofrênico. Tem como ficar pior?
– Talvez você devesse pensar nas coisas positivas ao invés das negativas.
– Cite uma.
– Bem, se isso ajuda, você não me perdeu.
Peter deu um meio sorriso em concordância.
– E eu sinto muito pelo seu tio, eu não sabia disso.
– É, foi há uns meses, ele reagiu a um assalto.
– Vai ver é por isso que tudo acontece com você então. Você é forte, Peter.
– Tô começando a duvidar disso. E aliás, a gente tá aqui faz um tempo e não pediu nada.
– Eu tô sem fome — disse Matt dando de ombros.
– Eu também — disse Peter olhando para os lados, observando a movimentação do local. Ele voltou a olhar para Matt, encarando o amigo por um tempo.
– O que foi? — indagou Matt sentindo o olhar de Peter pesar sob ele.
– Por que você usa esse óculos? — perguntou aproximando a mão das lentes, retirando o óculos de Matt. — Você esconde seus olhos, achei que o objetivo fosse esconder um defeito, seus olhos são perfeitamente normais.
– É, só não enxergam — sorriu Matt. — Mas eu não gosto que as pessoas reparem neles, são inexpressivos, não vêem.
– Não deixa de serem bonitos.
Matt não soube ao certo o que responder. Um simples "obrigado" seria um tanto quanto estranho e, novamente, Peter se sentiu envergonhado por talvez ter passado dos limites.
– Isso pareceu uma cantada, não foi? Desculpe, Matt.
– Está tudo bem.
– Não está, não. Você deve se sentir incomodado, pelo menos,se eu fosse hétero,me sentiria.
– Esqueceu que agora sou assexuado? — brincou Matt.
– Ah, para, até parece, logo encontra uma mulher pra você.
– Não tenho pressa.
Peter e Matt ficaram mais um bom tempo na lanchonete e, depois de pedirem dois lanches e os consumirem, pagaram a conta e saíram do estabelecimento, retornando para a universidade.
– Você gostou mesmo dele, não é? — riu Matt, já sentindo falta de seus óculos escuros.
Peter já estava há algum tempo usando-os enquanto o próprio par se encontrava em seu bolso na calça.
– Toma, usa o meu, você não vai sentir o grau mesmo — disse Peter colocando seus óculos em Matt.
– Isso foi um pouco ofensivo, sabia? — zombou Matt.
– Ofensivo é o que o Harry fala de você. E eu to achando que vou pegar esse seu óculos pra mim, tô me sentindo um tira com ele.
– Nem pensar — debochou Matt.
– Mas então, você vem mesmo pra festa, né? Não quero ser o único a odiar tudo aquilo sozinho, a não ser que você goste de festas.
– Não, eu definitivamente não gosto, só vou por sua causa.
– Ótimo — falou Peter, empolgado -, traz o seu amigo também.
– Ah, eu vou, mas é capaz dele ir curtir a festa mesmo. Foggy não nega uma farra.
– Pelo menos teremos um ao outro, porque se eu fosse depender do Harry como companhia...
– Ele não mudou muito, né?
– Não, continua o mesmo festeiro. Às vezes eu me pergunto por que o Harry me suporta, eu sempre nego essas festas que ele adora. Aliás, ele podia ser o que quisesse na escola, mas andando comigo só perdeu a fama.
– Isso mostra que ele não é de todo mal assim, pelo menos com você.
– Um dia ainda faço vocês se entenderem — disse Peter.
– Seria um dia e tanto — zombou Matt.
Peter e Matt chegaram a universidade e se despediram depois de Peter levá-lo próximo a república dele.
Da frente do Vórtex, Peter já pôde ver uma boa parte da decoração arrumada. Harry andava para lá e para cá ordenando como queria que fossem as coisas, enquanto Sam pedia desculpas ao pessoal pelas grosseirias de Harry. Entrando na república, encontrou Ian jogando videogame com Loki, e resolveu sentar-se e participar da brincadeira para esquecer um pouco dos problemas.
Depois de uma tarde inteira de longas partidas com Ian, Peter finalmente desistiu de tentar vencê-lo no Guitar Hero, enquanto um já desistente Loki observava tudo.
– Eu sou o rei do rock, podem me aplaudir — vangloriava-se Ian.
– Você é um viciado, isso sim — emburrou-se Loki.
– Okay, galera! Já está tudo pronto, já está anoitecendo e eu quero saber porque vocês ainda estão fedendo e sentados nesse sofá — disse Harry.
– Ainda tá cedo — começou Loki -, ainda são... 17:30! Putz!
– Quero nem saber, o banheiro é meu — anunciou Harry, subindo as escadas correndo.
– Merda — praguejou Loki.
– Mas ainda tá cedo — disse Ian.
– A festa começa às 19:00 seu desmiolado, e o Osborn é um exemplo de rapidez no banho — ironizou Loki.
– Já podem criar raízes aí porque, em dia de festa, ele demora o dobro — avisou Peter.
Ian e Peter jogaram mais algumas partidas no tempo em que Harry e Loki tomaram banho. Depois que Ian tomou um rápido banho, foi a vez de Peter. Ele também tentou ser rápido, porém sua cabeça ficara o tempo todo bem longe dali, mais precisamente naquele fatídico momento em que Wade o encurralara. Peter queria entender o motivo de tanto ciúmes, mas talvez fosse mesmo coisa da cabeça do loiro, ou melhor, coisa das vozes.
Peter saiu do banheiro de toalha e foi para o quarto se trocar. Harry já havia ido para a sala, então pôde ficar mais à vontade. Optou por uma camiseta listrada, preta e branca, uma calça jeans preta e um all star cinza.
No andar debaixo, Harry já tinha em mãos um copo com vodka, enquanto assistia a Ian se sentindo um rockstar no videogame.
– As pessoas estão começando a chegar — comentou Loki na porta da república.
– Ótimo, o DJ já tem as playlists prontas — disse Harry.
– Então é o seguinte, depois dessa festa eu vou pra casa do Thor. Não quero ver nada fora do lugar amanhã, entenderam? — exigiu Loki num tom autoritário.
– Posso usar seu quarto? — indagou Harry sorrindo malicioso.
– Claro, sei que só vai dormir mesmo.
– Uh... podia ter ficado sem essa — riu Ian.
Harry deu um empurrão na mão de Ian, o fazendo perder pontos e sorriu vitorioso com a careta que ele fizera.
Peter descia as escadas devagar, olhando meio sem jeito para a sala. Suspirou aliviado ao ver que os convidados não haviam invadido a república ainda.
– Uau, Peter, tá bonito — falou Loki.
– Isso tudo é pro "Matty"? — questionou Harry afinando a voz ao pronunciar o nome do rapaz.
– Você é muito sem noção — disse Peter revirando os olhos.
– Você que é — retrucou.
Peter resolveu sair da república para esperar Matt do lado de fora caso ele esbarrasse em toda aquela gente. Encostou as costas numa parede ao lado da janela e ficou observando a movimentação. Notou Sam, que vinha na direção dele.
Vestia uma camiseta preta com a estampa do Star Wars, uma calça jeans cinza e um all star preto. Os cabelos estavam meio molhados e ele parecia bem desconfortável em passar pela multidão que começava a se fazer em frente da república.
– Ei — chamou Peter -, como tá o Wade?
– Eu disse pra ele ficar lá.
– Fez bem — suspirou Peter mais aliviado.
– Eu disse, só não sei se ele vai obedecer — completou Sam, dando de ombros.
Peter deixou que Sam prosseguisse e notou Matt não muito distante dali. Ele estava bem bonito. Nas vezes que o vira, o amigo usava blazers e roupas mais sociais, mas agora ele usava uma camisa na cor vinho, uma calça jeans azul e um tênis preto. Peter não pôde deixar de ficar surpreso com a saliência nos músculos dos braços de Matt. Quando ele ficara tão forte daquele jeito? Ele vinha acompanhado com um rapaz de cabelos lisos até o pescoço que observava à tudo com uma empolgação cômica estampada no rosto.
Peter foi até eles, já que o amigo de Matt não o conhecia.
– Peter — disse Matt antes que o moreno pudesse se anunciar.
– Como sabia que era eu? — perguntou surpreso.
– Senti seu cheiro.
– E eu tenho um? — indagou divertido.
– Segundo o Matt, todo mundo tem — falou Foggy estendendo a mão para Peter.
– Peter, esse é o Foggy.
– Prazer — disse Peter apertando a mão de Foggy.
– Agora que o careta tá entregue, eu vou ali dar um oi pras meninas — anunciou Foggy se afastando dos dois.
– Nossa — riu Peter.
– Eu te disse — falou Matt.
– Vem, a gente precisa sair dessa multidão — disse Peter segurando a mão de Matt.
– Ei! — gritou uma voz familiar, fazendo Peter olhar para o dono da mesma rapidamente. — Fica longe dele!
– Ah não...
– O que foi? — indagou Matt, confuso.
– Wade — disse Peter com a voz meio trêmula.
Wade andava com passos pesados até os dois, uma visível fúria, fitando as mãos dadas dos dois.
– Tá fazendo o quê aqui? — questionou Peter, ríspido.
– Te vigiando, é claro, e parece que eu cheguei na hora certa, né? — vociferou Wade, furioso.
– Olha... — começou Matt.
– Fica na sua, ceguinho.
– Wade! — exclamou Peter, chocado.
– Chega por hoje, Petey, você vem comigo — disse Wade agarrando o braço do moreno.
Matt ouviu Peter tentar se soltar em vão, e logo pôs-se bruscamente entre os dois.
– Solta ele.
Wade arqueou a sobrancelha, surpreso com a coragem dele.
(Esse cara tá se sacanagem, né?)
[Ele vai ver o que é bom...]
– Acha que só porque é cego que eu não vou te bater?
– Wade, não faz isso! — exclamou Peter conseguindo se soltar do loiro.
– Tudo bem, Peter, eu dou conta — disse Matt entregando sua bengala para o moreno.
Peter a segurou atônito. Matt só podia estar maluco.
– Dá, é? — zombou Wade.
Matt encostou no ombro de Peter o fazendo se afastar mais deles, e só aquele simples toque no seu Peter fez Wade iniciar a confusão, dando um soco no rosto de Matt. Um soco que não chegou até ele.
Foi tão rápido que Peter mal pôde processar, mas Matt realmente havia desviado com destreza do soco de Wade.
Ainda abaixado, Matthew deu um gancho de direita no queixo de Wade, acertando-o com sucesso. Wade deu dois passos para trás com o impacto e as pessoas da festa já começavam a fazer um círculo em volta deles, animadas em ver a briga.
– Parem vocês dois! — berrou Peter sendo ignorado.
Um coro gritava "briga" enquanto Wade dava uma rasteira, derrubando Matthew no chão. O loiro ajoelhou-se jogando seu peso em cima do moreno e desferindo uma série de socos na região do nariz.
Matt os recebia, ficando tonto com os impactos, mas logo pôs-se a virar a jogo, dando um chute nas partes baixas de Wade com o joelho.
Wade gemeu caindo para o lado e Matt reverteu as posições dando alguns socos no rosto do loiro.
Peter correu em busca da ajuda de alguém conhecido, já que as pessoas estavam mais interessadas em observar a briga do que apartá-la, e logo o moreno entrou na república alarmado.
– Alguém pelo amor de Deus me ajuda lá fora!
Fale com o autor