Crazi In Love
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Faz um tempinho que não dou as cara por aqui, então...
Desde que conheci Emma de verdade, minha inspiração triplicou. Consigo escrever qualquer coisa, a qualquer hora. É só pensar nela, no seu sorriso, seu olhos, seus cabelos... Caralh*, eu estou fudidamente apaixonada, se é que isso existe.
Mas passar a tarde inteira juntas, algumas manhãs eu até tocava pra ela. Isso estava saindo do controle. Eu passava mais tempo com ela do que com as minhas antigas namoradas. Á noite era bem melhor – ou pior, não sei – antes e/ou depois da terapia assistíamos TV ou colocávamos musicas e dançávamos... JUNTAS.
***
Estou nesse lugar há 1 mês e não pensava mais no meu plano de fuga. Emma e eu estávamos muito ligadas e em sair daqui e deixa-la é impensável.
Naquela manhã eu fui até o refeitório e não vi Emma, a mesma coisa aconteceu na sala de recreação.
Sentei no lugar de sempre e comecei a escrever:
“...ela levanta os olhos ainda cheios de lagrimas e avista a imagem que já havia fotografado na sua memoria.
‘Spencer morreu’ era tudo que ela pensava. Quando a ultima lagrima desce no seu rosto, um sorriso único nasce nele. Amanda corre até os braços de sua amada e é rodeada pelo calor que lhe trazia paz...”
O perfume natural do seu corpo me tira da minha historia, levando os olhos e diferente de Amanda ele não tem lagrimas, mas sim um brilho especial que ela alastrava em mim.
-O que tá escrevendo, pequena Jack? – era assim que ela me chamava, com o sobrenome do meu pai.
-Nada demais.
Ela senta ao meu lado e tira uma mecha de cabelo que cai em meu rosto e a ponta de seus dedos tocam minha pele.
Eu já havia escrito cenas como essas milhões de vezes, mas nada era como a sensação real.
Como se pequenas correntes elétricas percorressem o meu corpo. Emma já havia me tocado outras vezes, mas não desse jeito.
-Precisamos conversar – ela diz seria.
-Pode falar.
-Não aqui, vem comigo – ela segura minha mão e me leva dali.
Vamos até uma sala que eu não conhecia, estava totalmente vazia e apenas a janela dava um brilho aquele lugar.
-Você quer saber por que estou aqui? – ela pergunta indo até janela.
-Fique á vontade, conte-me se quiser.
-Eu sinto que você merece saber. E se eu fizer algo em relação à gente – pausa – tenho que contar.
-Emma, se acha que deve, então faça – me aproximo dela e sinto o perfume dos seus cabelos.
-Tay, eu sinto coisa por você que são estranhas, não pra mim, mas pras outras pessoas. Mas não quero escondê-las – enfim crio coragem e toco seus cabelos.
-Continue – influencio-a.
-Antes de vim pra cá eu nunca soube o que é carinho. Minha família é distante, cada um no seu mundinho. Mas eu precisava ter sentimentos e única coisa que aprendi em casa foi o ódio. Meu pai odiava a minha mãe por ela está sempre reclamando e gastando dinheiro à toa; Minha mãe odiava meu pai por ele ter uma amante; Os dois me odiavam por eu ser o motivo de mantê-los juntos.
Percebi que ela estava chorando. Soluços se formavam em sua garganta e sua fala foi dificultada.
-Não se torture assim – abraço sua cintura, mesmo com medo da rejeição, ela segura minhas mãos.
-Eu não soube lidar com aquilo. Usava métodos que me envergonham para me sentir melhor. No começo eu bebi, mas odiei o controle que o álcool teve sobre mim e como ele me deixava imponente. Foi ai que descobri uma válvula de escape.
Ela se afasta de mim e vira pra me olhar. Segura minhas mãos e as olha. Levanta uma de suas mangas e varias cicatrizes ficam a mostra.
-Comecei com 17 anos, eu não tive amigos e nem uma amor. Só a minha vontade de ajudar as pessoas, mas devia me ajudar primeiro. Então me voluntariei no hospital municipal e continuei a me machucar.
Era evidente que aquilo a machucava também. Diminui nossa distancia e a envolvi com meus braços.
-Minha Ursinha, não fique assim. Você tem a mim agora, não se preocupe – comecei a chama-la dessa forma quando ela me disse que o panda era seu animal favorito.
-Eu sei, obrigado. Mas me deixe continuar.
Ela se afasta um pouco.
-Como quiser.
-Isso durou 5 meses, eu não aguentava mais ver meus pais brigando. Toda discursão era um banho de sangue para mim. Mas um dia, eu cheguei em casa e estava tudo em absoluto silêncio. Entrei na cozinha e minha mãe chorava, quando ela me viu sua expressão furiosa me assustou. Ela veio para cima de mim com a acusação de que fui responsável pelo seu divorcio. Ouvi coisas horríveis naquele dia, coisas que me fizeram desistir. Corri pro me quarto e puxei a válvula do meu escape. Um ferimento foi tão profundo que eu desmaiei.
Lagrimas cada vez mais fortes surgiam em seus olhos. O brilho azul de antes se perdeu no liquido que escoria.
-Quando acordei – continuou – 9 horas depois, ainda estava no banheiro do meu quarto. Imagine como me senti, eu desmaiei ensanguentada por 9 horas e ninguém nem se preocupou em saber como eu estava. “Que loucura era essa?” Eu me perguntava. Estava tão franca e cansada. Com tudo sujo de sangue fiquei ali deitada da minha própria vida. E então percebi que essa loucura era minha, e me rotulei: Louca.
-Você não é louca, só precisava de ajuda.
Ela dá um pequeno sorriso quando enxugo seu rosto com meus dedos.
-Você que não é, e mesmo assim está aqui. Seu caso é totalmente diferente.
-Está certa, estou aqui por que minha mãe acha que eu sou louca. Mas eu não sou, eu apenas gosto de garotas – sorriu pra ela.
-Sua mãe lhe pões aqui pra lhe “currar” – ela faz aspas com as mãos.
-É oque parece.
-Pois não funcionou. Você encontrou a mim – ela sorri e aproxima o rosto do meu me beijando.
Fui ao céu e voltei, mesmo.
Beijar Emma foi uma sensação maravilhosa. Eu já havia beijado muitas garotas, mas nada se compara a ela.
Sua inexperiência era um fascínio. Podia molda-la e faze-la aprender seu jeito próprio e único de beijar. Pus suas mão em minha cintura enquanto acariciava sua nuca. Pude sentir sua língua brincar com a minha com o passar do tempo e ela já sabia aos pouco oque fazer.
O ar nos faltou e tivemos que nos separar. Eu, obviamente, estava com um sorriso idiota no rosto.
-Vou tirar você daqui, eu prometo – ela diz tocando meu rosto.
-Vou fugir, quer vim comigo?
-Não faça isso, eu tenho um plano melhor. Você confia em mim?
-Confio. Oque pretende fazer?
-Estou aqui por vontade própria, posso sair a qualquer momento. É só eu decidir.
-E por que não foi embora antes?
-Nunca tive um bom motivo para ir. Aqui é seguro e não teria risco nenhum pra que eu fizesse besteira de novo. As pessoas daqui confiam em mim e eu conheço pessoas fora daqui que podem te tirar desse lugar. Mas temos um problema.
-Qual?
-Sua mãe será presa.
-Por quê?
-Ela desvia verbas públicas pra uma conta no exterior. Não é muita coisa mas o dinheiro que acumulou desde que começou a trabalhar aqui é uma grande quantia.
-Faça oque for preciso.
-Tem certeza? – ela me olha com carinho.
-Tenho.
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