Crawling Back To You
24 Vingança contra Morte
Notas iniciais
KATHERINE
A princesa olhou para o outro navio que estava sobre comando de seu irmão. Jonathan usava agora roupas que passavam mais notoriedade, quase iguais ao do capitão do Vingança, porém com um tom amarronzado para diferenciar as vestes escuras de William.
O coração de Katherine começou a bater mais rápido. Seria ótimo se seu plano funcionasse, mas se não acontecer, ela provavelmente não veria o dia de amanhã. Mas sua vida era o que menos importava para ela agora. Queria sua família, Thomas e William a salvo e se preciso for, morreria por eles.
Os homens também estavam inquietos, havia uma grande movimentação no convés principal, onde posicionavam os canhões junto com munições. O mastro principal estava coberto de homens desfazendo os nós para soltar mais velas e o clima de medo aumentava a cada instante que se aproximavam do navio de Robert Thatch.
William estava ao lado de James que mantinha a cabeça baixa. Por mais odiasse o irmão mais novo do Filho do Oceano, a princesa percebeu que havia um pouco de arrependimento no pirata.
—Depois que isso terminar, quero que desapareça da minha vida —William falou sem ter contato visual com James.
—Sou seu irmão, William —o caçula dos Thatch olhou para o capitão com as sobrancelhas arqueadas.
—Isso não significa mais nada pra mim —William olhou nos olhos do rapaz. —Levem-no para a cela.
Dois de seus homens pegaram James pelos braços e o tiraram do tombadilho.
—Marujos —o capitão olhou para sua tripulação. —Sejam corajosos e firmes. O que meu pai oferecer, saibam que pagarei em dobro. Permaneçam leais a mim.
—Aye capitão! —eles gritaram levantando as espadas.
William desceu as escadas e entrou em sua cabine para se preparar.
—Estou com um pressentimento ruim —Wayne disse se aproximando de Katherine.
—Não se preocupe, daremos um jeito —a princesa sorriu para o amigo.
—Não sei não, mademoiselle. Robert e seus homens são implacáveis.
Katherine olhou para o navio de Robert que estava já bem perto e dava para ver o líder dos piratas na popa do navio, também os observando. A Filha do Sol estremeceu. Seu destino seria traçado em poucos minutos e o temor que tudo desse errado começou a aparecer.
Jonathan já contornava o navio de Robert Thatch, fazendo o Vingança e ele ficarem entre o Death Symphony, nome da embarcação.
O navio era grandioso, velas vermelhas com pretas e detalhes de ouro revestiam o casco, que também era equipado com pelo menos quinze canhões cada lado. Era uma obra nova, pelo visto.
—Que os deuses nos abençoem —Wayne clamou ajeitando os óculos. —Ainda mais o seu irmão.
—Por quê?
—O Vingança da Rainha Ana pertencia a Edward Thatch. Robert não irá destruir uma relíquia... Irá nos atacar com piratas e seu irmão com canhões.
O desespero começou a invadir Katherine. Seu plano agora parecia patético, mas era a única opção que ela tinha de salvar todos e seu reino.
—Ei —William vinha para perto da menina. Ele estava agora com duas pistolas em cada coldre, três punhais em seu cinto e sua espada. —Fique longe da amurada. Seria melhor que você e Wayne ficassem no paiol de mantimentos.
—Não vou sair do seu lado.
—Wayne, arrume uma arma e espada para a princesa e pode se esconder em um lugar seguro —William disse voltando para o convés principal, já que discutir com Katherine seria perda de tempo.
Assim que a ordem foi cumprida, o Vingança já estava de cara com o Death. Jonathan já estava parado com o seu navio e se encontrava no leme, observando seus inimigos.
—Soltem as âncoras —William ordenou e assim foi feito.
Com os três navios estacionados e as tripulações postas para lutar, Robert Thatch se aproximou da amurada, com a mão dada a Thomas. William suspirou e também se aproximou. Pai e filho estavam cara a cara, apenas distanciados pelos cascos e uma parte do oceano.
Katherine permanecia na popa, e cerca de dez homens a cercavam, provavelmente para a proteger, já que eram os mais fortes.
—Olha só o que eu achei —Robert quebrou o silêncio acariciando os cabelos do neto. —Quase não acreditei quando seu irmão me disse. E por falar nisso, cadê meu filho? —ele disse procurando com o olhar.
—Vamos acabar logo com isso —William falou mantendo a calma ao ver seu filho do lado do pirata mais perverso dos mares. O garotinho estava assustado e suava frio. —Devolva-o.
—Não sem ter a princesa —Robert sorriu levantando os olhos para Katherine.
—Ela não faz parte da barganha.
—Quem decide isso sou eu —Robert elevou seu tom. —Não se esqueça, William. Um golpe fatal de um Thatch em outro Thatch, gera a morte. Não quer perder seu precioso filho, ou quer? —o pirata apertou o rosto do menino.
O sangue de William ferveu e o que ele mais queria era enfiar sua espada no coração daquele homem.
—Eu proponho um negócio —Katherine disse chamando a atenção de todos para si e descendo as escadas até ficar ao lado de William.
—O que está fazendo? —o Thatch a olhou.
—Tenho mais a oferecer do que o libertar da maldição —a princesa ignorou William.
—Nada mais interessa do que seu sangue, majestade —Robert Thatch olhou com malícia para a garota. —A não seja que tenha algo a me oferecer antes do ritual.
Sua tripulação riu, Jonathan e William fecharam o punho no mesmo momento.
—Tem dois navios contra você —o capitão do Vingança disse ficando na frente da princesa. —Devolva meu filho e poupe uma batalha.
—Ah deuses e eu estou morrendo de medo —Robert olhou para seus marujos que voltaram a rir com a ironia de seu capitão. —Mas uma coisa eu concordo, filho. Lutar contra você não me é vantagem. Por isso eu proponho uma troca. Seu filho pela princesa.
—Não —William respondeu.
—Sim —Katherine falou e todos se assustaram. Mas Robert olhou com interesse. Corajosa, ele pensou.
—Para com isso —William se virou para a menina.
—Não deixe que a maldição tire seu filho de você —Katherine deu um sorriso fraco para o pirata e tocou seu rosto. Ela estava aprovada, mas sabia que era o certo. —É a minha escolha e também deve ser a sua.
William franziu as sobrancelhas, relutante sobre a decisão da garota. Não iria abrir mão dela tão fácil.
—Devolva Thomas primeiro, e ela será sua —ele olhou para Robert.
—Ela primeiro —o pirata contrapôs a oferta.
—William! —Jonathan gritou em meio ao nervosismo. —Não entregue minha irmã para ele!
—Aprendi que não se pode confiar em um pirata —Katherine olhou para Robert. —Mas eu sou uma princesa. Minha palavra tem valor. Eu farei o que foi decidido. Entregue Thomas.
O garotinho chorava e olhava fixamente para o pai, pedindo socorro. Isso estava acabando com o coração de William, que queria ter o filho em seus braços. E ao mesmo tempo pensar em Katherine sendo entregue ao pai, era insuportável. Estava difícil manter a calma.
—Vou repetir, você vem primei… —Robert começou a dizer, mas Katherine não permitiu.
—Entregue Thomas agora —ela disse com raiva elevando a voz. O mar se agitou e Robert no mesmo instante soltou a criança, obedecendo a menina.
Mas após alguns segundos, ele voltou para a realidade. Por que diabos ele escutou o que a mulher falava? Pensou.
—Os dois juntos, então —ele disse segurando o menino novamente. Sua tripulação colocou tabuas enormes para ligar os dois navios. —Podemos começar?
William observava a cena sem ter alguma reação. O desespero o paralisava e lidar com suas duas fraquezas ao mesmo tempo contribuía para o estado do rapaz.
Mas logo ele respirou fundo e ajudou Katherine a subir na madeira, mas continuou observando seu filho que também era colocado em outra paralela.
—Tom —William olhou para o menino que se equilibrava, porém ainda era segurado pela perna por um dos marujos de Robert. —Lembra do que eu te ensinei?
A criança parou de chorar, olhou para o pai e confirmou com a cabeça. Inesperadamente, Thomas rodou sua perna livre e chutou o rosto do homem, era um golpe de nocaute, mas como era muito pequeno e fraco, apenas atordoou o pirata que o soltou, dando tempo de correr em direção ao Vingança.
William puxou Katherine, que caiu da tábua, sendo segurada pelo mesmo, que logo a largou e correu para o filho que pulava em seus braços.
—IDIOTA! —Robert gritou.
—Levantar âncoras, soltas as velas, a todo pano! —William gritou enquanto colocava o filho no chão. —Oliver, fogo!
—Fogo! —Jonathan gritou e tiros de canhões começaram a penetrar o Death.
—Ataquem, seus ratos imbecis! —Robert estava desesperado com ódio no olhar.
William olhou para Katherine que já havia se levantado e se recompunha.
—Andem, homens! Virem a bombordo! —William dava ordens e foi até a menina junto com filho. —Fica com Thomas na cabine. O proteja —ele a olhou e a menina afirmou.
O único problema para a fuga era a dificuldade em ganhar embalo para se afastar, o que deu tempo para Robert começar a atacar.
Death Symphony se concentrou a atirar no navio de Jonathan e sua tripulação, que se agarravam nas cordas, começaram a invadir o Vingança.
Antes de correr para a cabine com Thomas, ela pôde ver William desembainhar a espada no mesmo momento que um inimigo caia em sua frente.
O menino estava aterrorizado e trêmulo de medo. Katherine trancou a porta, mas sabia que era só questão de tempo até alguém invadir o local.
—Escuta —ela se agachou segurando os braços da criança. —Você precisa ser forte, tá bem? Você é um pirata. Está no seu sangue ser forte —ela o encorajou e logo o menino começou a controlar a respiração. —Ótimo.
A princesa correu até a mesa de William onde tinha uma adaga (a mesma que a garota enfiou nele quando chegou no navio) e a entregou para Thomas junto com a pistola que Wayne havia lhe dado.
—Eles estão atrás de mim, não de você. Se esconda no banheiro e se um pirata de Robert te achar…
—Eu o mato —Thomas disse secando as lágrimas. — Meu pai ensinou a como me defender.
—Isso, agora vá —Katherine beijou a testa do menino que correu para o banheiro.
A princesa limpou o suor do rosto. Escutava tiros de pistolas e canhões, rangidos de espadas, sombras passando pela janela da cabine e a cada minuto ficava mais assustada.
Ela erguia sua espada para a porta e se caso alguém entrasse, ela atacaria. Depois de alguns minutos, ela ouviu alguém tentar abrir. Sua respiração e batimentos estavam acelerados e a adrenalina começou a correr em duas veias.
Um homem chutou a porta, a abrindo e Katherine paralisou. Era um homem de altura média, que tinha um sorriso aterrorizador em seus lábios.
—Mal posso esperar para pôr minhas mãos em você, princesa —ele disse se aproximando.
—Afaste-se!
—Vamos ver do que é capaz, majestade —o homem atacou. Não foi nada parecido com a luta de brincadeira que teve com um pirata de William. Esse agora atacava para a machucar realmente.
No começo ela correspondia bem aos golpes e atacava. Mas o peso da espada começou a pesar e ela sabia que não ia durar muito tempo. Quando o homem a atacou novamente, ela se abaixou, desviando e correu até a saída.
O Vingança estava um caos. Centenas de homens lutavam no convés principal e diversos corpos estavam espalhados no chão.
Por um breve momento Katherine pôde ver seu irmão na popa do outro navio lutando com um pirata. O Death havia se recomposto e massacrava a embarcação de Jonathan.
Com o pouco tempo que lhe faltava até o homem voltar a perseguir, Katherine subiu as escadas desesperadamente.
—JONATHAN! —ela gritava. Mas com tanto barulho era impossível o irmão ouvir. Até que uma onda alta e forte bateu em seu navio e o sacudiu bem na hora que ele matava o adversário. Com o balanço, ele se apoiou na amurada e conseguiu ver a irmã.
—Você prometeu.
Jonathan pôde fazer leitura labial e ao olhar a situação do navio, que estava crítica, sem munição para atacar o Death e seus homens morrendo, ele afirmou com a cabeça indo para o leme.
—Fugindo, gatinha —o pirata que atacara Katherine a havia encontrado.
—Não tenho medo de você, seu imundo.
—Vou ganhar a vida te entregando para o meu capitão —ele sorriu rodando a espada nos dedos.
—Você não vai tocar nela —um homem se posicionou entre os dois. Era parte da tripulação de William, pelo visto. —Fuja princesa, eu acabo com ele.
Katherine obedeceu. Ela não tinha treinamento para lutar contra um pirata experiente.
Ao descer as escadas, voltando para o convés, ela viu o navio de Jonathan se afastar. Sorriu, pelo menos sua família estaria a salvo.
Mas sua felicidade logo acabou quando outro pirata se aproximava. Não havia como fugir desse, então levantando a espada ela se defendeu das investidas. Katherine estava cansada e sem força no braço devido ao peso da arma. O homem percebeu e largou a espada para segurar os pulsos da menina. Os dois estavam tão próximos que a Lecerf conseguia sentir o hálito podre do homem.
Ela estava sem opção e não iria conseguir vencer, até que os olhos do pirata ficaram vidrados e seu corpo amoleceu na medida que um sangue escorria de sua orelha.
Sem entender Katherine olhou para a esquerda. William do outro lado do convés estava com a sua arma apontada para o homem à frente da garota. Ele havia o matado com um tiro certeiro ao lado do crânio, enquanto lutava com outro pirata. O capitão do Vingança piscou para a menina antes de prosseguir a luta. Katherine sorriu e voltou a correr procurando um lugar seguro, que era praticamente impossível.
—Ah droga —ela acabou se deparando com seu primeiro adversário. O pirata que a perseguia, pelo visto havia ganho a briga.
—Agora somos só eu e você —ele a atacou novamente.
Mas no mesmo instante o mar se agitou e Katherine sentiu seu corpo se fortalecer. O pirata recuou assustado, pois os olhos da menina ficaram azuis de repente. Agora ela atacava e ele não conseguia corresponder, até a espada de Katherine penetrar seu peito. O pirata cuspiu sangue, que acabou respingando no rosto da menina, que voltou a realidade.
Ela largou a espada se afastando com as mãos na boca. Não acreditava que havia matado alguém… Não podia aceitar que ela seria uma assassina de agora em diante. Seu estômago começou a revirar e ela correu até a amurada e vomitou. Katherine entrou em desespero e sentou-se no chão, em meio a batalha com as mãos no cabelo e chorando compulsivamente. Tudo estava dando errado, ela pensou.
Até que um som estridente ocupou o ar e todos pararam de lutar. Notando que os piratas estavam quietos, a menina levantou-se limpando as lágrimas.
Ao andar um pouco e passando por vários piratas, ela viu Robert Thatch apertando os braços de Thomas. A adaga estava cravada no ombro do capitão do Death, sinal que a criança reagiu.
Foi aí que Katherine percebeu que a barriga do menino sangrava e ele mal tinha forças para se manter de pé. Robert havia dado um tiro no próprio neto para chamar atenção.
William saiu do meio dos homens olhando para o filho que estava pálido.
—Aguente firme —ele se ajoelhou na frente da criança. —Você pode se curar, só aguente firme —William estava sentindo uma dor profunda de ver seu menino naquele estado.
Mas depois de alguém segundos, a bala caiu no chão, a cor voltou a surgir no rosto de Thomas e o sangramento parou.
—Que lindo —Robert disse afastando a criança do pai. —A brincadeira acabou —ele engatilhou a pistola e a apontou para a cabeça do neto. —Você sabe que aqui ele não sobrevive.
—Você é um monstro —Katherine se aproximou. —Hela não terá piedade de sua alma.
—Pouco me importa o julgamento dos deuses, majestade —ele disse jogando Thomas no chão. William ao tentar se aproximar do filho, foi segurado por dois piratas de Robert. —Levem-no para o Death junto com a princesa. Garantam que ela não escape. Estou reivindicando o Vingança e tripulação de William Thatch. —ele disse alto e claramente. —Quem era fiel a ele, agora é a mim.
Os homens de William se olharam tristes e não havia nenhuma comemoração. James se aproximava, havia sido solto e tiraram-lhe as algemas e as colocaram em Katherine.
William olhou rispidamente para o irmão que ficou ao lado do pai, porém sua expressão não era de vitória e sim de tristeza.
—Pai —Thomas se levantou e tentou correr até William, mas foi segurado por Robert.
—Nada de pai —Robert sorriu e o empurrou para sua tripulação, que segurou a criança que olhava sem entender. O pirata se aproximou de William que o olhava cinicamente. Seu filho mais velho agora estava algemado e ainda era segurado por seus homens. Ficando cara a cara com seu herdeiro, ele sorriu. —Reivindico Thomas. —o ódio e a raiva eram evidentes no rosto de William, que cuspiu em seu pai. Robert riu se limpando e em seguida socou o pirata. Katherine tentou se aproximar, mas a seguraram. Ela não conseguia mais ser forte e as lágrimas saiam com facilidade do rosto da garota —Você vai sofrer por tudo que causou. Andem seus miseráveis, façam o que eu ordenei!
James continuava cabisbaixo enquanto eles eram levados para o Death. A única esperança que Katherine tinha era que Jonathan estivesse bem e conseguisse salvar sua família. Assim que a princesa pisou no navio de Robert, só conseguia pensar que nunca mais voltaria para Sunrise.
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