Crawling Back To You
6 Santa Helena
Notas iniciais
KATHERINE
A princesa Lecerf não queria olhar para William tão cedo, ela estava com vergonha do que havia acontecido ontem. Mas Wayne insistiu para ela sair da cabine e pegar um sol, ele por fim a convenceu.
Quando os dois saíram da cabine, William estava bastante ocupado fazia um trabalho manual, e estava sem camisa. Katherine fez o possível para não observar o seu corpo, mas as tatuagens do rapaz a interessavam bastante, mas ela acabou observando mais do que isso. O capitão e seus homens trabalhavam nas cordas, estavam mexendo nas velas, provavelmente para aumentar a velocidade do navio.
Mas isso não impediu que rapaz não notasse a garota, ainda mais que ela o olhava. Ele deu um sorriso de lado para a princesa e piscou em sua direção, o que fez Katherine desviar o olhar rapidamente.
—Mademoiselle, se me permite perguntar —Wayne e a princesa subiram para a proa, o lugar favorito dos dois. —Aconteceu algo com você e o capitão ontem?
—Por que pergunta isso? —Katherine sentou-se na amurada e ficou olhando para as ondas que batiam no casco do navio.
—Vi como, o meu senhor, olhou para você —o anão respondeu.
—Wayne, a gente quase se beijou —a princesa olhou para o pequeno homem ao seu lado, que a olhou preocupado.
—Ah meus deuses! Eu pensei que William não obrigasse ninguém fazer algo que…
—Não! Ele… Ele não me obrigou a nada —a princesa tirou o cabelo que caia em seu rosto por causa do vento. —O que me assusta, é que eu queria que ele me beijasse…
—Bem se você ainda quiser, talvez devêssemos tentar novamente —ela escutou a voz de William atrás de si. As bochechas da garota ficaram muito rosadas, e Wayne escondeu um sorriso. —Venha cá.
O capitão chamou o anão no outro lado da proa e parecia ter dado alguma função para o Carter, que foi para o convés. Katherine se levantou para acompanhar seu amigo que descia as escadas, mas William a barrou.
—Preciso falar com você, docinho —ele sorriu.
—Se é sobre ontem… —Katherine apressou-se a dizer.
—Ah não, pelos deuses não. —William disse indo até o leme, conferir se o navio estava na rota certa. —Quero que saiba que antes do anoitecer chegaremos em Santa Helena e eu preciso que você me obedeça quando atracarmos lá.
Katherine não gostou, cruzou os braços e franziu as sobrancelhas.
—É sério —William riu com a reação da princesa. —Estaremos em uma ilha pirata, boneca —ele foi até ela novamente. —E eu não quero você pensando em escapar de mim. Garanto, a cada esquina vai ter vários pessoa a notando, meus homens e eu podemos te proteger, mas caso você esteja andando sozinha… Não preciso dizer o que é provável de acontecer.
—Tá, eu não vou fugir. —Katherine foi até as escadas nervosa, na verdade ela já estava pensando em fugir, mas ele estava certo. É uma ilha pirata.
(...)
WILLIAM
Ao ver as luzes se destacando na escuridão, William sorriu ao ver que haviam chegado em Santa Helena. James se aproximou do irmão e os dois ficaram admirando a vista.
—Finalmente —ele também sorriu. —Soltar âncora! —James mandou quando eles se aproximavam no litoral.
Santa Helena era uma ilha em que deserdados e piratas se refugiavam, naquele lugar, a única regra era ser livre. Os roubos, mortes e outros crimes eram considerados normais, por isso William temia pela segurança de Katherine.
Ele viu a princesa sair da cabine e olhar para a ilha, ela falou algo com Wayne, que fez o anão rir.
William não parava de pensar na garota. Com o passar do tempo, ele sentia-se cada vez mais ligado a ela, mas o motivo ainda era desconhecido.
O navio parou, e logo os piratas começaram a descer pela escada de cordas. William havia dado uma ordem de priorizarem a segurança da garota, e para eles ficarem em alerta, caso a princesa resolvesse fugir.
Katherine desceu com Wayne, e os irmãos Thatch foram em seguida.
KATHERINE
O lugar era uma vila, porém as casas eram amontoadas e as ruas sujas. Katherine andava com Wayne, e pensava a todo momento em sair correndo e fugir daquele grupo, mas ela sabia que estaria apenas indo para um lugar pior.
William e James passaram por eles, e o capitão jogou um pequeno saco com dinheiro para o anão.
—Vá até a Madame Margo —o rapaz disse e fez um gesto com a cabeça para a direção de Katherine, e seis piratas se aproximaram dos dois.
—Por aqui, mademoiselle —Wayne disse guiando Katherine por outra rua, e eles se separaram do grupo.
—Onde estamos indo? —ela perguntou.
—Vamos vestir você com roupas apropriadas para uma princesa —Wayne ajeitava os óculos. —Uma mulher que não é pirata e se veste como uma, não é bem aceita aqui.
Katherine revirou os olhos, afinal, era apenas uma roupa, mas ela entendia, já que na nobreza também ocorria isso.
Chegaram até um local, que havia uma placa enorme. Era uma loja aparentemente luxuosa, mas havia perdido o brilho há muito tempo, talvez por causa da sujeira. Na vitrine estavam manequins com os mais variados vestidos.
Ao entrar, Katherine tossiu com a poeira, e uma senhora, de uns setenta anos, com uma faixa de medida em seus ombros, se aproximou.
—Em que posso ajudar? —a mulher perguntou.
—Queremos um vestido, digno de uma princesa —Wayne disse com determinação. Ele parecia gostar bastante de fazer esse trabalho.
—Por aqui —a mulher os guiou até um salão. Havia várias araras de roupas, cada uma continha vestidos vindo de determinamos reinos.
Quando Katherine viu um setor escrito: Filhos do Sol, correu até lá sorrindo. Eram vestidos que alternavam entre amarelos e brancos, a cor de seu reino. A saudade de Sunrise apertou, mas a princesa pensou que seria uma má ideia vestir algo típico de lá, ela poderia ser reconhecida e sequestrada por piratas piores que William.
Ela deu uma volta pelas araras, passou pelos vestidos vermelhos e marrons, a cor dos Filhos do Fogo, cinzas e brancos, dos Filhos do Ar, até que chegou nos vestidos azuis, dos Filhos da Noite.
Katherine se interessou por um, rodado e com pouco volume, que chegava até o joelho. A cor era linda, um azul areado.
—É esse —ela o pegou.
Depois de o vestir, Katherine foi até o espelho e se olhou. Ficou lindo, apenas o decote era ousado demais, mas ela não ligava. Escolheu um sapato com um salto bem pequeno, e também havia combinado com o vestido.
—Olha o que eu achei —Wayne levou uma tiara, feita de prata, com várias safiras e em seu meio, um formato de lua. Katherine se agachou. O anão arrumou o cabelo da princesa, o soltando e encaixou a tiara em sua cabeça. —Você está linda!
Ele sorriu. Katherine também se sentia bonita, a cor do vestido, o cabelo e a tiara, tudo se encaixava.
Depois de pagar, Wayne e os seis piratas direcionaram se para um prédio. Era um lugar enorme, de vários andares e era o único ambiente que não havia sinais de sujeira. Havia detalhes de ouro por todos os lados e a decoração era bastante bonita.
A medida que foram adentrando no local, as pessoas olhavam para a princesa, e Katherine começou a se amedrontar.
—É normal as atenções estarem voltadas para a senhorita —Wayne segurou a mão da princesa, percebendo que ela estava nervosa. —Você é uma pessoa nova por aqui.
Ela deu um sorriso simpático para o anão e se acalmou. Eles pararam em um saguão enorme com vários sofás, plantas e havia um senhor com um chapéu tocando gaita. Homens e mulheres riam e bebiam, pareciam bastante felizes.
Katherine olhou para o lado, onde havia um grande corredor com várias portas. Ela reconheceu a capa e chapéu de William, e ele mudara a cor da camisa, que agora estava preta, e ela achou bem mais bonito assim.
Ela balançou a cabeça, não devia achar nada dele.
Mas foi aí que ela voltou para a realidade. Havia uma mulher com ele. Ruiva, com roupas de uma pirata, e parecia estar gostando muito do assunto que ela e o pirata estavam tendo.
Foi aí que de repente o pirata se aproximou da mulher, segurou o rosto da garota, com a mão que não segurava uma garrafa de bebida e a beijou.
A ruiva, passou seus braços pelo pescoço do pirata, e o empurrou até a parede do corredor. Katherine viu a mão livre de William descer pelo corpo da garota, até entrar para dentro da calça da menina.
Katherine desviou o olhar.
—Wayne, quero sair daqui —ela cruzou os braços.
—Está havendo um baile, ali dentro —o anão apontou para um lugar onde as portas estavam fechadas.
—Pode ser —ela respondeu, mas não antes de olhar mais uma vez para William, porém ele e a mulher já não estavam mais no corredor.
Ao abrir a porta, a princesa ficou surpresa. Havia músicos de um lado, no meio do salão, várias pessoas dançavam, e Katherine sorriu ao ver as mulheres e homens vestidos formalmente.
—É uma maneira de debocharem dos reinos —Wayne explicou à medida que iam adentrando o local. —Copiam penteados, vestidos e danças da nobreza.
De frente para a pista de dança, havia várias cadeias e os espectadores.
—Dança comigo? —ela olhou para Wayne. A música era animada e Katherine queria se distrair, além que ela estava lembrando das festas que seu pai fazia e sentiu saudade novamente de casa.
—Não sei se devo… —o anão se encolheu.
—Qual o problema? —ela sorriu.
—Piratas não dançam, princesa —ele respondeu. É, Katherine não via nenhum homem com vestes de um pirata no meio da dança, apenas nas mesas sentados e alguns em pé conversando e bebendo.
—Você não é um pirata ainda —ela segurou sua mão. —Vamos?
Wayne sorriu e a acompanhou envergonhado.
(…)
WILLIAM
—Senti sua falta —William disse abotoando sua camisa.
—Você sempre some —Charlotte respondeu, ainda deitada na cama. —Sempre com pressa para me deixar.
—Se eu ficar tempo demais com você, corro o risco de ter uma mulher apaixonada por mim —ele inclinou sobre ela sorrindo e a beijou.
—Amigos não se apaixonam —ela se levantou e começou a se vestir.
—Não vou confiar nisso —ele colocou seu chapéu e capa e foi até a porta.
—Ei —a garota andou até ele e o beijou. —Boa sorte com sua nova aventura.
William sorriu para a mulher e saiu do quarto, indo para o saguão. James estava sentado, bebendo e conversando com uma menina.
—Encontrou nosso pai? —William disse ao se aproximar.
—Você sabe que ele fica no salão, como sempre.
O capitão decidiu não incomodar o irmão. William abriu a porta e caminhava entre as mesas, procurando seu pai.
Até que ele o encontrou. Robert Thatch estava sentado em um canto, seu lugar preferido, com duas mulheres sentadas em seu colo, outros piratas estavam na mesa, conversavam, riam e bebiam.
—Oi pai —William disse se aproximando.
—Ah meu primogênito chegou, finalmente —seu pai sorriu. —Onde está a menina?
—Por aí —ele sentou-se e pegou uma taça de vinho.
—Traga-a aqui. Quero ver como é o meu prêmio —ele riu e os piratas gargalharam. Robert se levantou e fez sinal para as meninas se retirarem. —Vou observar as mulheres dançando.
William virou o copo e se levantou. Viu que os seis piratas que ele havia designado para a seguir a princesa estavam bebendo e conversando, bem à frente.
—Onde está a Lecerf? —o capitão se aproximou.
Os homens disseram que ela estava dançando com Wayne e William foi até a pista. Não estava achando-a, muitos casais dançavam e ela devia estar no meio deles.
Até que viu Wayne sair do meio da multidão, ele sorria e ajeitava os óculos.
—Hey —o pirata foi até o anão. —Onde está a princesa?
—Ela está dançando, bem ali, capitão —Wayne apontou para um lado do salão. —Ela está com um vestido azul.
William então conseguiu a encontrar. Ele devia ter perdido minutos, pois não conseguia fazer mais nada a não ser olhar para a garota. Ela estava linda! Com aquela tiara, o vestido então... William poderia ficar o resto da noite apenas a observando, mas sabia que precisava a mostrar para seu pai.
Ele então entrou na pista. Estava tocando uma música lenta, que havia passos a se seguir, William percebeu que não conseguira chegar até a garota daquela maneira.
Ele então resolveu entrar na dança, alternava de mulher a mulher, até chegar em Katherine.
KATHERINE
A princesa estava dançando com um homem que fingia ser um lorde, e a menina segurava o riso. Ele a girou, e na mesma hora, sentiu outra mão a segurar, entrelaçando seus dedos.
Quando ela completou o giro, viu que o homem que estava com ela agora era William. Ele segurava sua cintura com outra a mão e a puxou para si.
—Pensei que piratas não dançavam —ela revirou os olhos.
—Pensei que princesas não se misturavam com os plebeus —ele sorriu a olhando. —E por sinal, você está linda.
—Também disse isso para a ruiva? —ela o olhou.
—Anh? —ele franziu as sobrancelhas. —Ah, Charlotte —o pirata sorriu. —Ela é uma amiga.
—Vi bem a amizade que vocês dois possuem —Katherine disse irônica.
—Está com ciúmes? —William sorriu.
—Não seja idiota —a princesa respondeu.
Os dois ficaram se olhando por alguns momentos, e a música, Can't help falling in love, ajudava. Katherine segurava para não pensar que desejava o beijar, mas agora, todo o momento em que os dois ficavam próximos, ela queria isso.
—Meu pai quer a conhecer —William suspirou. Ele também se segurava para não a beijar ali mesmo.
—Ele está aqui? —a princesa olhou para os lados.
—Deve estar nos observando —o capitão sorriu. —Vem.
Ele segurou a mão da princesa, e os dois passaram pela multidão, que dava passagem. Seu pai, Robert, acompanhava os dois com o olhar, até William a levar para ele.
—Pai, essa é Katherine Lecerf —o pirata soltou a mão da princesa.
—Ora ora ora —o pai de William se aproximou. Ele parecia bastante com James, William já era mais diferente, deve ter puxado mais a mãe. Seu pai não passava dos quarenta e cinco anos, possuía barba, utilizava vários anéis e sua capa e chapéu eram majestosos. Óbvio, Katherine pensou, ele é o líder dos piratas. —Você é realmente uma preciosidade.
William não gostava da maneira em que seu pai observava Katherine da cabeça aos pés, a desejando, mas ele não podia intervir nisso. A princesa por sua vez, notou toda a intenção no olhar do líder dos piratas e se afastou, estava desconfortável.
—Cuidado para seus olhos não saltarem —ela debochou e William segurou o sorriso, mas sabia que ela não devia falar assim com seu pai. Ele era agressivo e agia muito por impulso.
Mas Robert sorriu, esperando o desconforto da menina.
—Chame seu irmão, preciso conversar com os dois no navio —o líder pirata passou por eles e seus homens o seguiram.
—Não gostei dele —Katherine olhou para William.
—Iria ficar surpreso se gostasse —o capitão disse saindo do salão e a princesa o seguiu.
(…)
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