Crawling Back To You
29 Frederick Stepanof
Notas iniciais
Katherine
A princesa acordou sozinha na cama, William já havia acordado bem mais cedo. Depois de se espreguiçar e ficar admirando sua aliança sorrindo, ela se preparou para levantar.
Fazendo um coque, Katherine saiu da cabine. Os piratas limpavam o convés e arrumavam as cordas e velas.
—Bom dia, alteza —um homem disse ao passar por ela e a ela franziu a sobrancelha.
À medida que ia andando, os piratas a cumprimentavam ou paravam o que estava fazendo para fazer uma espécie de reverência. Katherine achou aquilo tudo muito estranho, mas decidiu também ser educada com eles.
Perto da proa do navio, a princesa viu William treinando com alguns homens. Ele estava sem camisa, com uma espada em cada mão e lutava com seus homens, esquivando, atacando e dando dicas para eles.
Katherine sorriu de leve, gostava do jeito que William lutava. Na verdade, ela notava mais o corpo do rapaz, observando cada movimento que ele fazia com um desejo contido. A garota havia perdido a vergonha de ter certos pensamentos, afinal, ela era livre como o mar.
—Princesa? —um pirata chamou sua atenção ao se aproximar e fazendo a Filha do Sol parar de admirar o capitão. —Pode me acompanhar? —ele perguntou educadamente e estendeu a mão mostrando uma mesa que estava perto da amurada e cinco homens a rodeavam.
O seguindo, Katherine viu diversos mapas e bússolas mesa e Maxine, o homem que havia a seguido no Porto estava sentado falando instruções.
—Os Filhos do Fogo estão marchando sobre as Terras de Ninguém, para chegar em Sunrise pelo leste —ele apontou.
—Vai ser fácil para eles —um pirata, chamado Angus, colocou a mão no queixo. —Não está no período do inverno russo.
Katherine continuava achando muito interessante eles se locomoverem com os nomes do Antigo Mundo e a princesa por mais que soubesse as localidades, prestou atenção para não perder o raciocínio.
—Os Filhos do Fogo fizeram uma aliança com os Filhos da Lua —Maxine continuou mostrando. —Os Filhos da Noite e da Terra irão manter neutralidade.
—E os Filhos do Deserto irão atacar, não é? —Katherine observou o mapa.
—Pelo Mar Mediterrâneo e Tirreno—outro pirata, Larry apontou.
—Nessa faixa eu posso fazer com que eles não consigam chegar no litoral —a princesa olhou o homem. —Meu problema é com o Atlântico...
—Como está planejando ser o ataque? —um pirata a olhou, ele tinha diversas cicatrizes em sua pele e tatuagens em partes de seu rosto, era um pouco amedrontador.
—Preciso apenas de conquistar… —Katherine tentou lembrar o nome da cidade do Mundo Antigo em que seu reino pertencia, já que atualmente eles apenas falavam Capital do Sol.
—Saint-Nazaire —William disse se aproximando de costas enquanto lutava com um de seus homens e provavelmente escutando a conversa. Depois de chutar a barriga do pirata e ganhando tempo, ele beijou rapidamente a bochecha da princesa. —Bom dia, boneca.
—Bom dia —Katherine sorriu e voltou a se concentrar nos mapas, enquanto o Thatch treinava com a sua tripulação. —Depois que ocuparmos Saint-Nazaire, tentarei um acordo com os Filhos do Fogo.
—Com todo respeito, alteza —Maxine a olhou. —Acho que será um desperdício de tempo tentar negociar com eles… Quando o rei de Sanguinem decretou guerra a Sunrise, o seu propósito não me pareceu apenas uma vingança contra o rei George por ter descumprido o acordo de casamento…
—Faz sentido —Larry concordou. —Os Filhos do Fogo precisam de dinheiro para continuar a expansão de terras e forças armadas.
—Me usaram como uma desculpa para invadir e conquistar Sunrise…—Katherine suspirou pensando. —Porém, creio que irmos por partes será mais vantajoso… Quantos piratas Robert conseguirá convocar?
—A maioria —William se aproximou com uma garrafa de rum, enquanto colocava a espada na bainha, provavelmente o treino havia acabado. —Os piratas atendem as ordens do líder.
—Sabe me dizer em número?
—No mínimo uns cinquenta mil, mas meu pai consegue mais do que isso.
—Precisaremos de mais —Maxine disse coçando a cabeça. —Pelo que eu ouvi, os Filhos do Fogo já estavam mobilizando cerca de trezentos mil homens para Sunrise.
—Também precisamos de munição, alteza. —Angus disse. —O Porto do Mar não deu para abastecer o navio completamente.
—Preciso de mais um aliado —Katherine pegou o mapa. —Os Filhos da Noite mantêm neutralidade, certo? Vamos até eles.
Os piratas olharam para William esperando uma confirmação e ele afirmou com a cabeça.
—Para o oeste! —um de seus homens gritou e logo o navio começou a seguir uma nova rota.
—Posso saber que tipo de acordo a senhorita pretende fazer com Stellarum? —William sorriu bebendo o rum.
—Quem sabe um exército em troca de um famoso Thatch? —a princesa sorriu o olhando.
—Como se você conseguisse viver sem mim —o pirata riu e começou a caminhar.
—O que aconteceu que sua tripulação está toda… Educada comigo?
—Ah —William sorriu bebendo o rum. —Eles sabem que eu te pedi em casamento, formalmente. Devem estar achando que rolou alguma coisa entre nós.
—E só por isso eu valho alguma coisa aqui? Por que supostamente eu estaria… Me deitando com o capitão? —Katherine franziu as sobrancelhas e cruzou os braços olhando os homens com desaprovação.
—Bem que podia estar —William a olhou e as bochechas da princesa se coraram. —Dá um desconto, são piratas. —ele apertou de leve a bochecha da princesa. —Vou tomar um banho, quer ir comigo? —ele sorriu a olhando com malícia e começou a caminhar para a cabine.
—Engraçadinho.
(…)
A princesa ficou por uns vinte minutos apoiada na amurada, olhando alguns golfinhos que faziam graças para ela. Katherine sorria e batia palmas para eles, o que os animava mais ainda.
—Navio a vista! —um pirata gritou do mirante de um dos mastros. — Navio a vista!
A Filha do Sol se virou e viu uma embarcação enorme, com velas vermelhas escuras e uma bandeira de um vulcão em erupção balançava com o vento.
O coração de Katherine acelerou e ela observava a nau com raiva. O mar começou a se agitar e os piratas olharam para a princesa, sabiam que era ela que causava esses efeitos inesperados.
William saiu da cabine passando as mãos no cabelo que estava quase seco e olhava para o mar, notando as águas batendo com força no casco. Ele então viu o navio a frente e caminhou até Katherine, a qual os olhos começaram a ficar azulados.
—Ei, calma aí —ele sorriu.
—São eles —Katherine disse com raiva e agora o mar tinha ondas altas, mas não o suficiente para entrar pela amurada. —São os Filhos do Fogo.
—A senhorita não poderia o afundar? —um pirata em meio a tripulação perguntou.
Katherine então pensou no que seu pai havia lhe dito para usar o mar só quando fosse necessário, e esse não era o caso.
—Não devo, os deuses podem não gostar —ela disse respirando fundo e se acalmando, junto com o mar.
—É exclusivo da nobreza —William disse indo até o outro lado do navio, para aproximar sua visão. —Tem ouro no casco, um navio mercante não seria assim.
—Acha que consegue os alcançar? —Katherine foi até seu lado.
—Molezinha —William se curvou e apoiou na amurada.
—Eu os quero no fundo do mar, Will —a princesa olhou nos olhos do pirata, que pôde ver toda a angustia que sentia. —Pode fazer isso por mim?
—Por você, princesa, destruo todos os navios que desejar —ele sorriu acariciando o queixo da garota. Em seguida olhou para seus homens, que estavam com um sorriso maldoso no rosto.
—Estão na Rota de Comércio... —um dos seus homens disse com ironia, já que eles odiavam o acordo para não atacar embarcações que seguiam aquela direção.
—E nós em guerra —William disse sorrindo para sua tripulação, que se olhava animada. —A todo pano —o capitão ordenou.
—Finalmente! —os homens comemoraram e começaram a se mover.
William subiu até o tombadilho e assumindo o leme. Logo trouxeram seu chapéu e o sobretudo e Katherine olhava o homem conduzir o navio até os Filhos do Fogo.
À medida que se aproximavam, a tripulação preparava os canhões e a Filha do Sol ficava cada vez mais ansiosa. A alegria que os piratas sentiam naquela situação era proporcional a preocupação da princesa.
A futura rainha percebeu que as rotas eram protegidas por barreiras naturais. Haviam várias rochas pontiagudas que iriam atrapalhar o Vingança a se aproximar da outra embarcação.
—Quer ajuda? —ela olhou para cima, perguntando William.
Ele e alguns de seus homens riram e o Thatch balançou a cabeça negativamente, olhando as águas.
—Relaxa —um pirata ficou ao lado da princesa enquanto afiava sua espada.
O capitão encontrou uma brecha e começou a manobrar para passar entre as rochas. Katherine sentiu medo do navio ser perfurado, mas o ângulo e o momento que William o virou foram perfeitos. A rocha nem chegou a encostar no Vingança.
Depois de três minutos os dois navios estavam lado a lado, mas nenhum parou e assim, continuaram seguindo o vento. Katherine havia se afastado da amurada, para deixar os piratas se preparem. Eles estavam alegres, erguendo as espadas e gritando para assustar os Filhos do Fogo. A outra embarcação estava lotada de homens vestidos de armaduras pratas e bem armados. Os canhões também estavam em posição e eles pareciam assustados com a abordagem dos piratas.
—Senhores —um homem de uns quarenta anos, provavelmente o capitão, se aproximou da amurada. —Estamos segundo a lei, nas Rotas de Comércio. Uma rota limpa e segura da sua raça.
—Ouviram homens? —William disse pegando uma garrafa de vodca de um dos seus marujos e descendo as escadas para o convés. —Não podemos atacar! Ora, eles estão na Rota!
Os piratas gargalharam e pela primeira vez Katherine riu discretamente em meio aos homens. Alguns se entreolharam, achando esquisito a princesa se divertir junto a eles, mas gostaram da atitude da garota.
—William Thatch —o outro capitão cumprimentou o rapaz. —Sou o almirante Salazar Maynard e…
—Espera —William interrompeu o pirata, o olhando com interesse. A tripulação já havia entendido e ficou mais animada, enquanto Katherine que ainda estava escondida, não entendia o que estava acontecendo. —Você é da família Maynard?
—Sou —Salazar disse firme.
William bebeu a vodca, ainda o olhando. Assim que o líquido acabou, ele jogou a garrafa no chão com raiva.
—Então sabe o que seu ancestral desgraçado fez.
—Tenha mais respeito pelos mortos, pirata. —o homem disse com arrogância. —Robert Maynard foi um herói.
—Robert Maynard foi um filho da puta que matou Edward Thatch —William respondeu.
—Talvez seja tradição um Thatch morrer para um Maynard —Salazar sacou a arma e a apontou para o pirata, seus homens no mesmo instante se prepararam para lutar. —Conduza seu navio para outra direção e não nos incomode mais. Sua presença é indesejável aqui.
William e sua tripulação riu com o pequeno discurso do homem.
—O que está acontecendo? —um rapaz de vinte anos perguntou, saindo da cabine e indo até Salazar. Ele era ruivo, com algumas sardas e olhos verdes. —Piratas? —ele disse olhando o Vingança.
O Thatch olhou para trás e ao ver Katherine, sorriu. A menina estava petrificada em ver seu noivo do navio. Frederick Stepanof, o futuro rei dos Filhos do Fogo estava bem a sua frente.
—Acho que tem alguém aqui que você sente saudade, príncipe —William disse irônico e sua tripulação se afastou, deixando Katherine exposta.
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