Crawling Back To You
27 De volta ao Death
Notas iniciais
William
—Acabem logo com isso —Robert disse impaciente e um de seus homens balançou a prancha, fazendo Katherine cair, levando junto as correntes com a bala de canhão.
Assim que a princesa saiu de seu campo de visão, William caiu de joelhos, com uma dor incrivelmente forte e insuportável dentro de si. Ele sentia como se milhares de espadas transpassassem seu peito. Nada mais importava para ele naquele momento, seu único pensamento era na garota e seus olhos deixavam as lágrimas passar com facilidade.
Robert e alguns piratas olharam pela amurada, mas não enxergaram nenhum sangue ou movimentação.
—Então capitão, está feito? —um de seus homens que era magro e tinha olhos esbugalhados se aproximou.
—Veremos —o Thatch observou o filho em sofrimento ajoelhado, olhando na direção em que Katherine estava.
Robert começou a se aproximar do rapaz e pegou a chibata que estava jogada no chão.
—Pai, dê um tempo para ele —James ficou na frente do irmão.
—Continue interferindo nas minhas decisões e terá um futuro pior que o de William —Robert sibilou para o filho, que abaixou a cabeça e se afastou.
O corpo do rapaz externamente estava intacto, suas feridas já haviam se cicatrizado. Por dentro, parecia que cada centímetro do seu corpo se contorcia de dor devido a maldição. Ficando por trás do pirata, Robert deu uma chibatada no filho e analisou o ferimento junto com alguns curiosos que foram ver. William nem se mexeu, como se não tivesse sentido nada, e na verdade aquilo era menos doloroso do que ele sentia em seu peito.
Robert franziu as sobrancelhas ao ver o corpo de seu filho cicatrizar.
—Talvez demore um tempo, capitão —um de seus marujos falou.
—Talvez —Robert respondeu. —Contramestre! —ele chamou e um homem alto e forte, com vestes rasgadas e com ferimentos da batalha espalhados pelo rosto se aproximou. O Thatch estendeu a chibata. —Não pare até que o corpo dele não cicatrize.
—Aye capitão —o contramestre sorriu.
—Homens! Animem-se! —o capitão elevou a voz, percebendo a tensão que pairava no navio. — Acabamos de matar mais uma daquela raça desprezível dos Lecerf!
A tripulação de Robert levantou as espadas comemorando, enquanto aqueles que eram fiéis a William mal se mexiam.
—Que haja festa nesse navio, que abençoado seja o dia de hoje! —ele sorria estendendo as mãos. —Comemorem como se não houvesse amanhã e saibam que a partir de hoje, os Thatch não serão mais reféns das terras!
—Aye! —sua tripulação vibrava. Logo começaram a tocar músicas e a distribuir bebidas.
Thomas tentou correr até o pai, mas James o segurou.
—Se aproxime e irá levar chibatas também.
—Meu pai está sofrendo! —o menino tentou se soltar.
—Relaxa, seu pai é forte. —James o levou até o canto do navio —Fique perto de mim antes que alguém tente fazer alguma coisa com você.
—Por que está protegendo-o, James? —Wayne se aproximava limpando as lágrimas e tremendo a cada som que a chibata fazia ao encostar no corpo de William.
—Devo isso ao meu irmão —James disse ficando na frente do menino, para que ninguém lembrasse da sua presença.
(…)
Já havia se passado uma hora e nada de William se ferir. O pirata continuava ajoelhado e mantinha os olhos fechados. Ele estava péssimo, seu rosto estava pálido e não tinha nenhuma expressão além da dor por ter perdido outra mulher que amava.
Robert estava sentado bebendo a poucos metros do filho e olhava com atenção para o contramestre açoitando o rapaz.
—Ainda não funcionou —Robert disse com raiva.
—Tenha calma, capitão. —um marujo tentava confortar o Thatch.
Mais alguns minutos se passaram e nada acontecia. Os homens estavam distraídos, bebendo e se divertindo, até que uma voz sobressaiu em meio as conversas.
—Admito que morrer foi mais fácil do que eu imaginava —Katherine disse descendo as escadas para o convés principal, sem ter uma gota d’água em seu corpo.
William abriu os olhos imediatamente ao escutar a voz da menina.
Katherine
Todos a olhavam perplexos e Robert se levantou devagar observando a garota. Katherine analisou o navio e viu Wayne e Thomas atrás de James e William ajoelhado a olhando. Ela sorriu para o rapaz que estava com o rosto marcado por lágrimas. Aos poucos a cor e energia de William foram voltando e o pirata sorriu aliviado em a olhar, mesmo não entendendo como ela poderia estar ali.
Katherine voltou a andar e um grupo de homens que estavam com instrumentos musicais a olhavam boquiabertos. Ela parou e se virou para eles.
—Bu! —ela falou e os piratas tremeram se afastando e derrubando os objetos. —Como eu havia dito, Robert, eu tenho um negócio a propor.
O capitão do navio a olhava sem acreditar, mas suspirou e voltou a se sentar.
—Você é um espírito? —ele perguntou.
—Para o seu azar e minha sorte, não. Estou viva.
—Kate! —Wayne e Thomas correram até a menina e a abraçaram.
—Oi gente —ela sorriu e agachou. —Vão até a popa e segurem na amurada, okay? —eles afirmaram com a cabeça e fizeram o que ela pediu. Katherine ao se levantar notou o contramestre atrás de William com uma chibata. —Se afasta dele —ela disse franzindo as sobrancelhas com raiva.
—Não a obedeça —Robert estendeu a mão. —Se você está viva e eu não sei como fez isso, deveria ter fugido quando teve chance.
—Já falei que tenho um negócio a propor —Katherine disse séria elevando a voz. William passou as mãos no rosto e se levantou a olhando.
—E que negócio seria esse? —Robert disse fingindo ter interesse.
—Quero que os piratas lutem ao meu lado contra os Filhos do Fogo.
Robert arqueou as sobrancelhas e olhou para a tripulação. Imediatamente eles começaram a rir debochando da princesa. Katherine então os acompanhou rindo e logo todos ficaram em silêncio a olhando com estranheza. A menina estava mais confiante e parecia mais madura ao lidar com os piratas.
—É sim ou não, Robert —a princesa olhava o pirata.
—Alteza, já falei que o único negócio que quero é seu sangue derramado no mar. E eu não irei errar de novo —o Thatch se levantou.
—Então sua resposta final é não? —Katherine perguntou calmamente indo até a amurada.
—Absolutamente não, sua idiota —Robert disse impaciente.
—Bom, já que é assim… —ela se virou para o pirata. —Afunde o navio —a princesa disse cinicamente o encarando.
—Você deve ter ficado louca, o que pensa que… —Robert começou a dizer, mas o navio estremeceu. Ele olhou assustado para menina que sorria de canto.
As águas do oceano subiam pelo casco do navio e entravam pela na amurada. Todos olhavam sem entender para o que estava acontecendo, enquanto nenhuma gota tocava a princesa.
—Devagar, quero ver se a maldição salva Robert de se afogar —Katherine sorriu vendo o convés principal começar a se inundar.
—O que… —o líder dos piratas olhava para os lados, mas a água entrava por todos os cantos e não havia como escapar. —O que você é!?
—Sou filha de Aegir, Robert —Katherine disse observando os piratas entrarem em desespero sem saber o que fazer. —E vocês todos morrerão afogados se eu desejar.
Robert olhava para a menina com ódio e queria investir contra ela, mas a água já estava chegando em seus joelhos e o navio começava a afundar. A princesa olhou para William que a observava com um sorriso, completamente fascinado.
—Poupe William —Katherine deu um sorriso fraco para o rapaz e logo as águas se afastaram dele.
—Faz isso parar —Robert a olhou.
—Só se você aceitar minha proposta.
—Só. Faz. Isso. Parar —ele disse rangendo os dentes e Katherine arqueou as sobrancelhas, como se ele não tivesse poder nenhum sobre ela. —Farei o que desejar, só pare com isso.
Katherine tocou as águas e elas recuaram. Logo o convés principal estava completamente seco. Todos olhavam assustados para a menina, que mantinha sua concentração em Robert.
—Vamos… Para a minha cabine discutir essa sua proposta —o líder dos piratas disse passando apressado pela sua tripulação.
Katherine o seguiu e os dois irmãos vinham atrás. James fechou a porta da cabine quando todos entraram e William foi até o armário, pegando uma camisa preta do pai e a vestindo.
—Então —Robert sentou em uma cadeira atrás de sua mesa, ele estava nervoso e o suor escorria pelo seu rosto —Filha de um deus...
—Não estou com tempo pra discutir isso. —Katherine se aproximou e colocou as mãos na mesa. —Preciso dos piratas.
—E o que eu ganho com isso?
—Sua vida? —a princesa sorriu incrédula com a pergunta. — Se eu quisesse você já estaria no fundo do mar, Robert.
—Não ache que eu queira te ofender, majestade —ele agora falava com mais delicadeza com a garota. —Mas os piratas nunca irão lutar em favor de um reino sem ganhar algo, eu não controlo eles dessa forma.
—Entendo —Katherine suspirou. —Bem, eu ofereço ouro, muito ouro pra cada pirata que lutar. E... Terras! O norte de Sunrise ainda não foi totalmente ocupado, temos terras de sobra por lá. Vocês serão ricos, eu garanto.
—É uma boa proposta, mas não pra mim princesa. —Robert se levantou. —Sei que você tem todo o poder sobre mim nesse momento, mas minha família já é bastante rica. Quando eu for reunir os piratas, eles vão querer algo a mais.
—O que mais vocês podem querer? —Katherine perguntou erguendo as sobrancelhas.
—Poder, princesa —William disse se aproximando. —Os piratas além do que você ofereceu, vão querer algo que os dê poder. —ele lançou um sorriso fraco pra menina.
Katherine apenas queria que aquilo acabasse logo para abraçar o rapaz, mas ela tinha que resolver essa questão primeiro e se controlou.
—E suponho que o poder vem da sua família, certo? —a princesa encarou Robert que afirmou com a cabeça. —Pois bem, eu ofereço um casamento.
—Feito —o Thatch sorriu e voltou a se sentar. —Você se casa comigo.
William fechou o punho e Katherine franziu as sobrancelhas.
—Nem pensar —ela falou. —Me caso com William.
O pirata que estava ao seu lado escondeu um sorriso de contentamento e tentou permanecer sério na frente do pai.
—Não, melhor você se casar com James. Ele é mais fácil de controlar.
—Eu me caso com William —Katherine repetiu com firmeza e seus olhos ficaram azuis, fazendo Robert parar de discutir com ela.
—Feito —ele suspirou.
—Vamos acabar logo com isso —William disse saindo da cabine. Lá fora, todos esperavam ansiosos para saber o que havia sido decidido. Assim que Katherine e Robert saíram do quarto, William foi até o centro do convés. —Reivindico o Vingança da Rainha Ana, minha tripulação e meu filho.
Os homens de Robert o olharam com esperança de que seu capitão não iria permitir tal ação, mas o pirata apenas observou sem contestar.
—Wayne e Thomas, venham aqui—Katherine olhou para o tombadilho e eles desceram. —Posso fazê-los chegarem até o Porto com segurança. —a princesa disse olhando para William.
O Thatch se aproximou do filho e beijou sua testa.
—Logo eu volto para te buscar.
—Desçam um barco —Katherine olhou e os homens de William se movimentaram. —Os leve com segurança para o Porto do Mar. —a princesa disse quando Wayne e Thomas embarcaram. No mesmo momento o barco começou a se mover e logo eles já estavam fora de vista. —Quantos dias até você reunir todos os piratas? —ela olhou para Robert.
—Uns quatro —ele respondeu.
—Certo... E quantos dias até Sunrise?
—Cinco.
—O mar ajudará e você fará a viagem em três —Katherine disse e se aproximou do capitão do Death. —Em sete dias, se eu não ver as velas do seu navio chegando em meu reino, não há um lugar onde as águas não o encontrarão.
—Pode deixar, majestade —Robert a olhou rispidamente.
—Para o Vingança —William ordenou e seus homens começaram a se mexer.
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