Crawling Back To You
35 A Dança
Notas iniciais
WILLIAM
O Thatch caminhava com o braço estendido para Katherine até o salão, onde os casais se posicionavam.
—Senti que eu precisava tirar você de lá —William sorriu para a garota, que estava séria.
—Sempre sendo meu herói —a Filha do Sol o olhou com um sorriso fraco. —Acho que você me contagiou. Isso aqui… É insuportável.
—Quando se tem o mar, Kate, muros não satisfazem mais. —ele respondeu e ela suspirou, afinal, era verdade. —Olhe ao redor que você vai notar que todos querem liberdade, de uma forma ou outra.
—Como assim?
—Bem —William sorriu de canto, voltando a olhar para frente. —Note as mulheres. Eu sei que meus homens não são as opções mais agradáveis, mas perceba como elas estão querendo chamar atenção.
Assim Katherine fez. Ao olhar as nobres, a maioria ficava observando William, óbvio. Mas tinha algumas que quando um pirata passava, elas ajeitavam sutilmente o cabelo, o vestido ou passava um batom.
—Tudo isso para tentar fugir da vidinha pacata da corte —William observou com Katherine, com um tom debochado. —Por isso todos odeiam tanto a gente —ele riu baixo. —Somos nós que elas procuram para sair desse tédio.
—Nunca parei para perceber isso…
Katherine pensou no quanto deve ser frustrante para todas aquelas mulheres. Os homens sempre saiam e mesmo que escondido, todos tinham conhecimento que eles eram frequentadores de casas noturnas. Já as mulheres, deveriam ser quietas e comportadas. Esse ato de "rebeldia" era realmente para tentar ter alguma liberdade… Sua própria mãe passou por isso ao se encontrar com Aegir. A princesa sentiu pena por elas e se não conhecesse William, provavelmente viveria no mesmo estado que todas daquele lugar.
Já em seus lugares, a banda começou a tocar uma valsa vienense. Quinze casais se posicionaram, em duas fileiras.
Como já era do conhecimento de todos, piratas não costumam dançar. A presença de William atraia mais olhares e o capitão do Vingança gostava da atenção.
—Quer ver os riquinhos ficarem nervosos? —William perguntou para Katherine enquanto se posicionava à sua frente, formando mais duas fileiras, uma de mulheres e outra de homens. A princesa afirmou com a cabeça interessada.
O pirata sorriu de canto e piscou para a garota. A música começou. O costume é que as garotas fiquem paradas enquanto os homens passem por cada uma, por meio de um círculo, e as cumprimente. A cada novo nobre, Katherine estendia a mão e fazia uma reverência, mas sua atenção mesmo estava em William. O pirata ao beijar as mãos das mulheres, sorria gentilmente para elas, óbvio que era falsidade, mas ele colocava um pouco de charme na ação. Elas por sinal, ficavam completamente animadas, pensando que o Thatch estaria dando algum sinal. Algumas davam risadinhas, outras mexiam nos cabelos e arrumavam o decote do vestido. William lançava olhares para Katherine que tentava segurar o riso. Os maridos por sua vez, estavam com cara fechada e vigiavam cada passo do pirata.
Assim que William chegou em Katherine, completando toda a volta, a discórdia estava feita. Alguns casais saíram da dança, discutindo. Outros tentavam discretamente chamar atenção da esposa que dissimulava o acontecido.
—Gosta de uma confusão, né —Katherine riu e segurou a mão que William havia estendido para começarem a dançar.
—Vai por mim, cada uma delas vai procurar um pirata hoje —ele sorriu, colocando as mãos nas costas da princesa, os aproximando.
—Ainda bem que já consegui o meu —Katherine sorriu o olhando. Se sentia sortuda por ter encontrado o Thatch, que vida sem graça ela teria sem aquele rapaz.
William a conduzia no ritmo lento da música, e pelo visto, conhecia a coreografia. Eles estavam em sincronia com os outros casais, o que surpreendeu a princesa. Quantos bailes William já foi? Ela se perguntou. Queria cada vez mais saber os detalhes da vida de William, e isso incluía sua misteriosa relação com Marylin. Por sinal, a rainha e seu conselho observavam o casal.
Voltando a olhar para William e se concentrar na dança, o Thatch a rodou, respeitando a coreografia. Mas o pirata como sempre, quis incrementar. Ao invés de a rodar apenas uma vez, ele fez mais três giros com a princesa e na hora de voltar, ele a puxou com um pouco mais de força, para que ela viesse de uma vez para seus braços e seus corpos ficassem colados.
Katherine sorriu com William quando seus rostos ficaram separados apenas por centímetros, sem deixar de continuar a dança.
—Sabe que isso já é considerado um absurdo para todos aqui, não é? —a princesa o olhou.
—Já vão nos julgar de qualquer forma —William sorriu levantando a mão junto com Lecerf, para fazer um x e em cada passo, trocava-se o braço. —Que tenham um bom motivo pra isso, então.
Na hora de voltar a dançar normalmente, sem fazer aqueles passos, William olhando Katherine, se abaixou um pouco e passou suas mãos por trás das costas da garota até segurar sua cintura e a erguer. Em meio ao giro lento e pequeno, o desejo entre os dois era evidente para todos naquele salão. Assim que William a colocou no chão, ele a inclinou e suavemente, foi em direção a seu pescoço, beijando-o delicadamente, produzindo arrepios na princesa. Quando voltaram a dançar, seguindo a coreografia, os dois não conseguiam mais parar de se olhar.
Alguns casais pararam e ficaram vendo o pirata e a princesa. Era algo natural, o jeito que ele a conduzia, a forma como ele segurava suas costas, as vezes cariciando-as com o polegar e seu olhar sobre a garota… Cada ação demonstrava que era verdade, tinha sentimento entre os dois e isso começou a ser comentado na festa.
A cada segundo daquela dança William tentava não beijar a Filha do Sol, que tinha a mesma vontade que ele. Mas a música estava acabando, e os passos cada vez mais lentos, seguindo o ritmo.
Nesse momento, para os dois, não existia mais nada, apenas eles. Seus rostos, que já estavam próximos, foram de encontro. Com as testas coladas e olhos fechados, os dois ficaram assim por um tempo. Até que William não resistiu mais e segurando o rosto da princesa com uma mão, enquanto a outra continuava em suas costas, ele a beijou.
Katherine segurou seus cabelos, correspondendo. Era intenso, porém lento, sem pressa para acabar. Algumas mulheres suspiraram vendo a paixão dos jovens e desejando que um dia também tivessem isso. Marylin começou a conversar com seu conselho novamente e o resto dos nobres cochichavam.
William e Katherine só se afastaram quando a maldição começou a aparecer. William afastou seus rostos, tentando não demonstrar dor enquanto algumas de suas veias se escureciam.
—Tá tudo bem? —Katherine segurou sua mão.
—Relaxa, é a quarta vez hoje —William respirou fundo, depois da onda de dor ter passado.
—Talvez fosse melhor você voltar para o navio...
—Não vou sair do seu lado, coração —ele sorriu.
—Sendo assim, te vejo no meu quarto? —Katherine perguntou sorrindo.
—Como quiser, majestade —William sorriu, beijando a mão da princesa e indo até seus homens.
Katherine foi em direção as escadas e suas damas logo se juntaram a ela, a acompanhando.
KATHERINE
As criadas já haviam preparado o quarto enquanto Katherine trocava o vestido e colocava um robe de cetim super macio e com um excelente caimento, com detalhes em renda nas extremidades.
Em frente ao espelho, tirando a maquiagem, Katherine escutou a porta batendo.
—Entra —ela disse.
—Lembra o que eu falei sobre as mulheres procurarem os piratas? —William entrou no quarto, fechando a porta em seguida —Vindo pra cá vi Kayne com duas no corredor e... —ele parou de falar quando viu a princesa. —Meus deuses —ele suspirou a olhando da cabeça aos pés, fazendo a Lecerf sorrir.
—Podem ir —a princesa olhou para as damas, que estavam observando William. Ao sair, as duas deram risadinhas para o pirata.
—Será que você pode levar essa roupa quando formos para o mar? —ele sorriu para Katherine assim que as mulheres saíram do quarto.
—Pensarei no seu caso —Kate respondeu o olhou. O pirata foi até a cômoda, tirando seu casaco, cinto e coldre. Ainda de camisa e calça, ele se dirigiu até a garota, ficando por trás dela.
William começou a tirar os pingentes do cabelo da princesa.
—Você ficou linda com aquele vestido dourado —ele disse quando acabou de retirar as bijuterias da Lecerf, as colocando na mesa do espelho.
—Prefiro usar calças —ela sorriu.
William tirou os cabelos de Katherine das suas costas, e deixando passagem para o pescoço da Filha do Sol, ele a beijou.
—E eu prefiro você sem nada —ele sussurrou no ouvido da garota, a olhando através do espelho.
Katherine suspirou fechando os olhos, enquanto o pirata passeava com suas mãos pelo seu corpo. Depois de um tempo, a maldição atrapalhou. A dor foi mais forte dessa vez, fazendo William franzir seu rosto e tirar sua mão de dentro da calcinha de Katherine. Ela notando o afastamento, abriu os olhos e viu as veias de William.
—Ei —ela se virou para Will preocupada.
—Tá tudo bem —ele sorriu para a Lecerf, tirando o cabelo de seu rosto.
—Eu não quero ver você desse jeito…
—Kate —o pirata insistiu. —Eu estou bem, podemos continuar? Você estava gostando —ele sorriu, fazendo Katherine morder os lábios. —E eu tenho que provar algo pra você, lembra?
William começou a desabotoar a camisa e a Filha do Sol observou cada parte do seu corpo começando a ficar descoberta. Ao terminar e a jogar para qualquer canto do quarto, ele segurou a nuca da garota, a trazendo para ele e a beijando. William encontrou o laço que segurava a roupa da princesa e o puxou, despindo a garota de uma só vez.
O pirata aproveitou cada centímetro de Katherine até chegar no meio de suas coxas. A respiração ofegante, os batimentos acelerados da garota e o fato dela sempre apertar os cabelos do capitão, fazia William sorrir e continuar cada vez mais.
—Desse jeito você vai acordar o palácio inteiro —ele a observou com um olhar divertido.
—Que eles se danem —Katherine disse ainda com os olhos fechados, aproveitando cada sensação. —Só... Não... Não pare...
William riu de lado e continuou até Katherine chegar no ápice do prazer.
—Sua vez, alteza —o Thatch falou quando se levantou, passando a língua nos lábios, com um sorriso malicioso. —Ajoelha.
(...)
WILLIAUM
Katherine dormia nua no peito de William, que acariciava seus cabelos e observava a menina respirar tranquilamente. Ela parecia um anjo, ele pensava.
Devia ser umas duas da manhã e o pirata não conseguia dormir. A dor da maldição estava insuportável, mais forte a cada vez que aparecia.
Depois de um tempo, quando William começou a fechar os olhos, bateram na porta. Ele ficou desconfiado, afinal, quem iria chamar a essa hora? Se levantando com cuidado, para não acordar Katherine, o Thatch não viu sua roupa por perto. Mas tinha um robe preto masculino de cetim encima do armário.
—Não acredito que vou vestir isso —ele disse baixo indo até a roupa e a vestindo.
William cobriu Katherine com os lençóis e pegou sua arma que estava em uma cadeira. O capitão abriu a porta com as sobrancelhas franzidas e escondendo a pistola. Duas mulheres, vestidas como criadas, estavam o olhando.
—A rainha deseja falar com você —uma delas disse enquanto a outra ia até a escada. —Nos acompanhe, o assunto é de seu interesse.
William não gostou nada disso e achou muito suspeito, mas não queria amolação para ele ou para a princesa. Escondendo a arma dentro do robe, ele fechou suavemente a porta e seguiu as meninas.
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