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47 A Chegada do Rei


Notas iniciais
Perdoem a demora, estou fazendo uns projetos para a faculdade!! Espero que gostem!! Comentem e favoritem a fic para não perderam nenhum cap!! Um beijo, obrigada a todos!!

Katherine

O batalhão da Lecerf voltava para a praia, as águas já haviam recuado e deixado um caminho ainda mais aberto para eles. No meio dos guardas que faziam a segurança da família real, Katherine andava abraçada com George, Jonathan estava ao lado do rei e escutava a conversa do pai com a filha.

Os Thatch iam mais atrás com o general Stuart e conversavam sobre a postura dos soldados de Sanguinum. Depois de alguns minutos, James se juntou a eles com o grupo de piratas que faziam o perímetro.

—São mais inteligentes do que imaginávamos —James comentou olhando o irmão. —Também estavam fazendo um perímetro, até perto da praia. Devem estar nos observando há muito tempo.

—Por isso aceitaram tão rápido a oferta. Sabiam que estávamos com Frederick —William disse e eles começaram a discutir como iriam responder a essa estratégia dos Filhos do Fogo.

—Sua mãe, irmã… Henry? —George perguntava.

—Todos estão bem e a salvo pai, não se preocupe —Katherine sorriu.

Depois de uma longa caminhada, eles finalmente chegaram na praia. Os soldados e piratas se levantaram, curiosos se teriam conseguido resgatar o rei. A família dos Lecerf se aproximou cautelosos, com medo de se decepcionar caso não encontrem o pai no meio daquelas pessoas. Mas isso logo se resolveu.

Os guardas abriram caminho para que Jonathan, George e Katherine pudessem passar por eles. O rei soltou sua filha e caminhou olhando sua família que estava parada a poucos metros dele.

Margareth e Henry correram sorrindo para o pai, que não aguentou mais segurar as lágrimas. Ele se agachou e abriu os braços para receber o caçula. Margareth se ajoelhou e os três ficaram abraçados durante um pequeno intervalo de tempo.

Jonathan passou o braço ao redor do pescoço de Katherine e os dois sorriam ao ver o reencontro, orgulhosos por terem trago o pai de volta.

George se levantou passando a mão no rosto, limpando as lágrimas e começou a andar até Amélia, que estava com a mão no peito e visivelmente abalada.

—Desculpe minha rainha, sei como preza a aparência… Não queria que você me visse nesse estado… —o rei fez menção as roupas que usava.

—Eu vejo você... —Amélia sorriu, com as lágrimas saindo facilmente dos seus olhos, e tocou o rosto do marido. —É isso que importa.

A rainha não aguentou mais ficar afastada do marido e o puxou para um abraço. George sorria e acariciava os cabelos da esposa. Ambos não acreditavam que estavam juntos novamente, o que fazia cada toque comprovar que aquilo era real.

Katherine virou-se para trás e se dirigiu aos guardas.

—Por favor —a princesa segurou a mão da melhor amiga. —Levem Tina e sua família para uma tenda, quero que eles sejam as pessoas mais bem tratadas desse lugar. —Temos muito o que conversar, mais tarde me encontro com você. —Katherine sorriu para a amiga, que a abraçou agradecendo por tudo que a princesa havia feito. Sua família fez o mesmo ao passar pela menina.

Depois de terem saído com os soldados, William se aproximou da Filha do Sol.

—Te vejo mais tarde —ele tocou levemente a mão da Lecerf e se afastou com os piratas e alguns soldados.

Voltando a olhar sua família, Margareth e Henry haviam se juntado aos pais. Amélia abriu os olhos e estendeu a mão na direção dos dois filhos, os chamando. Jonathan e Katherine se aproximaram e a família Lecerf se envolveu em um longo abraço.

(…)

George passou a tarde na tenda descansando, estava esgotado por ter passado todo esse tempo na prisão. Katherine ficou dividida entre Tina e sua família, e não chegou a ver William durante o dia.

De noite, a família Lecerf e alguns Filhos da Noite se sentaram ao redor da fogueira. Amélia já tinha colocado Henry para dormir e estava sentada ao lado do marido, com a cabeça em seu ombro. Margareth estava do mesmo jeito que a mãe, só que do outro lado e acariciava a mão do pai.

Katherine estava sentada no tronco do outro lado, de frente para eles e Jonathan estava ao seu lado. Todos ao redor escutavam George contar sobre os últimos acontecimentos.

—No dia em que você sumiu, eu e sua mãe não prestamos atenção no que você disse antes de ir para a praia, nunca teríamos permitido isso —ele olhou para Katherine. —Estávamos focados com as finanças, ao anoitecer você não apareceu para o jantar… Vasculhamos o castelo inteiro, depois a cidade… Ficamos desesperados, ainda mais depois de sabermos que alguns soldados que saíram com você do palácio também estavam desaparecidos.

—Os soldados apareceram depois de três dias —Margareth disse pensativa. —E nesse intervalo de tempo, o palácio não era mais um lar sem você… Papai e mamãe não dormiam, eu e Henry ficamos no seu quarto, torcendo para que aquilo fosse um pesadelo e você voltasse.

Katherine ficou surpresa com o depoimento da irmã. Margareth nunca foi de expressar seus sentimos, ainda mais sua afeição pela família. E provavelmente isso estava mudando. A futura rainha sorriu emocionada para a princesa.

—Eles disseram que um pirata havia a levado, então decidimos esperar o pedido de resgate, mas esse dia nunca chegou —George continuou.

—Ficamos esperando por dois meses e nenhuma notícia sua, começamos a investir em navegações, para tentar te encontrar—Amélia fechou os olhos. —Os Filhos do Fogo ajudaram no começo, mas logo que viram que o investimento não estava tendo retorno, não tínhamos nada que comprovasse que você estava viva. Então eles decidiram criar um certificado de óbito com seu nome, para que saíssem com vantagem sobre o contrato do matrimônio.

—Nós negamos —George segurou a mão da esposa e os dois se olharam brevemente. —Aegir sempre tentou te levar para ele e finalmente você estava mar… Então sabíamos que estava segura, que ele zelaria por você. Mas não falamos nada para os Filhos do Fogo, eles se sentiram enganados e prejudicados. Então sem pensar duas vezes, sem fazer nenhuma reunião, eles proclamaram guerra contra Sunrise.

—Nosso reino sempre foi pacífico, nunca investimos muito no exército e nenhum reino aliado ajudou —Amélia continuou e olhou para os soldados dos Filhos da Noite, que abaixaram a cabeça em envergonhados. —Foi fácil tomarem Sunrise. Nós ficamos presos até seu irmão chegar. O resto você já sabe como procedeu.

—Nem posso imaginar o que sofreram, ainda mais você, pai —Katherine olhou triste para o rei.

—Não me preocupava comigo, apenas queria saber se sua mãe e irmãos estavam a salvo… E o povo —o rei suspirou. —me sinto péssimo de não ter conseguido os proteger…

George começou a falar sobre a situação de Sunrise, sobre a fome, violência e doenças que cercavam a cidade. Mesmo prestando atenção, Katherine não deixou de reparar o que acontecia a poucos metros dali.

Atrás do pai, em outra fogueira. Robert, James e William conversavam. O futuro líder dos piratas usava uma camisa branca e um sobretudo preto por cima, ele estava com os braços cruzados, escutando algo que o pai dizia.

No fim, os Thatch riram de algo, William se virou sorrindo e Robert deu um tapinha no ombro do filho, que se afastava. Mas foi aí que Katherine notou algo muito errado. Assim que William deu as costas ao pai, este fechou a cara no mesmo instante e lançou um olhar sombrio para o filho, que caminhava na direção da princesa.

Katherine franziu as sobrancelhas, pensando o motivo de Robert olhar assim para William, depois de terem conversado amigavelmente. Ela temeu que o pirata estivesse tramando algo.

William se aproximou e sentou ao lado da princesa, lhe dando um sorriso discreto. Todos voltaram a atenção para o que George falava e Katherine ficou um pouco nervosa e até mesmo feliz, com seu noivo e pai no mesmo ambiente.

Logo os ventos se tornaram mais frios e a camisa da garota era fina demais, o que fez Katherine segurar os próprios braços. William percebeu que a princesa estava começando a sentir frio e tirou imediatamente seu sobretudo, o colocando nos ombros da menina e o ajeitando. Katherine sorriu para o pirata e por um momento, os dois viajaram entre a troca de olhares, como sempre acontecia.

George olhou a cena e franziu a sobrancelha, notando um clima entre os dois. Ele parou de falar e fingiu tossir, fazendo o casal olhar para ele.

—Você, rapaz —o rei olhou para o pirata, que o encarava. Katherine engoliu em seco, com medo de uma possível discussão. O que ela mais temia era seu pai não aprovar a relação dos dois e isso importava demais para a princesa. —Deve ser William Thatch, o futuro líder dos piratas.

William confirmou com um gesto da cabeça, cruzando os braços. Katherine ficou inquieta e olhou para a mãe, que fez um movimento com as mãos, para que a filha tivesse calma.

—É bom conhecer o homem que já causou enormes problemas em Sunrise, inclusive sequestrar a minha filha —George sorriu ironicamente.

—Fiz um favor a tirando da prisão que vocês chamam de reino —William retrucou arqueando uma sobrancelha.

Katherine colocou a mão no rosto, suspirando.

—Por que a levou? —George também cruzou os braços.

—Um antepassado seu lançou uma maldição na minha família. Para acabar com essa merda, precisávamos de um Lecerf para o sacrifício.

—Resumindo, iriam matar minha filha.

—Com certeza —Robert e seus homens se aproximaram escutando a conversa.

George ficou um minuto em silêncio, observando os piratas que agora ajudavam a compor a roda. Qualquer um podia sentir o clima tenso que pairava sobre eles. Katherine estava quase a ponto de começar a roer as unhas, qualquer desentendimento, além de prejudicar sua relação com William, poderia fazer os piratas irem embora.

—O que os fez mudar de ideia? —o rei perguntou curioso.

—Um novo acordo —o Thatch respondeu.

—Que tipo de acordo? —George franziu as sobrancelhas.

—Os piratas lutarão por vocês, em troca eu me caso com Katherine —William sorriu de canto, contando diretamente para provocar o rei.

A princesa olhou sem graça pra família a sua frente. Margareth estava com a boca aberta e George parecia incrédulo.

—Isso é verdade? —Jonathan olhou a irmã, que confirmou. O príncipe ficou calado, olhando para o chão, processando a informação.

—Que… Isso... —George tentava formular uma frase, mas nada servia para ele expressar o quão espantado estava. —Minha querida filha… Eu agradeço e aprecio o seu sacrifício por nosso reino, mas…

—Não, pai —Katherine riu sem jeito. —Não é sacrifício algum… Eu e William... Temos… —a Lecerf suspirou tentando dizer sem travar. O pirata a olhou, esperando a resposta da menina. —Temos sentimentos, um pelo outro…

George ficou olhando petrificado para a filha, Amélia começou a dar leves palmadinhas nas costas do marido, tentando o acalmar. Margareth olhou o casal e estava tão incrédula quanto seu pai. Jonathan, no entanto, permanecia quieto.

—Katherine —o rei finalmente disse, recuperando a voz. —Você sabe que isso não pode acontecer. Com todo respeito cavalheiros, mas —ele olhou brevemente para os homens que observavam interessados a conversa. —eles são piratas. A lei diz que você deve se casar com um…

—Um príncipe, certo —Katherine franziu as sobrancelhas zangada com a mesma ladainha que sua mãe já havia dito. As águas do mar se agitaram um pouco enquanto a menina olhava nervosa para o pai. —Então me diga as opções, por favor. Talvez devesse ser Frederick? —a princesa falou ironicamente, fazendo William se divertir ainda mais.

—Não precisamos renovar o acordo com Sanguinum, existem outros reinos —George disse cautelosamente.

—Quais reinos? Aqueles que se negaram a ajudar no nosso momento mais difícil? São esses homens que devo escolher ou aquele que está ao meu lado e lutará por mim?

William sorriu com a resposta da princesa e olhou para o rei. George não conseguiu responder e logo voltou sua atenção para o pirata.

—Por que quer ser rei? —o Lecerf perguntou desconfiado.

—Eu não quero ser rei —William riu e os piratas o acompanharam. —Na verdade, ter que fazer parte da realeza me causa repulsa.

—Então por que casar com Katherine já que odeia tanto a monarquia?

—Porque eu quero passar o resto dos meus dias ao lado de sua filha. —William respondeu de imediato, como se fosse óbvio. —E se para isso acontecer eu precise me tornar rei, então que assim seja.

Katherine escondeu um sorriso ao escutar as palavras do noivo. Amélia e Margareth colocaram a mão na boca e olharam o rei, que estava tão surpreso com a resposta quanto elas.

Todos ficaram em silêncio e George parecia pensar. William e Katherine se olharam discretamente, os dois forçando para não sorrir um para o outro.

—Tem algo a dizer, Jonathan? —o rei finalmente disse algo.

Jonathan levantou a cabeça e observou o pai, depois olhou para a irmã, que deu um sorriso para ele, pedindo apoio.

—Conheço William desde que fui embora de Sunrise —ele cruzou os braços e olhou o pai, que escutava com atenção. —E com certeza eu seria o primeiro a ser contra esse relacionamento por saber o cafajeste que o Thatch sabe ser —ele sorriu, fazendo os piratas rirem, até mesmo William. Mas Katherine não entendia como isso iria a ajudar e ficou um pouco aflita. —Mas eu também conheço o outro lado de William, já vi ele amando alguém e… Sinceramente não acredito que exista outro homem melhor para minha irmã do que ele.

Aquilo surpreendeu a todos, ainda mais William, que não imaginava que seu antigo melhor amigo ia apoiar sua relação com Katherine. O casal olhou agradecido para Jonathan que sorriu de canto para eles, voltando a olhar o pai que analisava a situação.

Com um suspiro, por fim, George se dirigiu a filha.

—Seja verdadeira e sincera comigo, esqueça a guerra e os acordos. Katherine, minha querida, você ama esse homem?

A Filha do Sol sorriu olhando o Thatch, que a observava.

—Com todo o meu ser, pai —ela se virou para o rei. —Por ele eu sou capaz de renunciar Valhalla.

Todos se entreolharam com a declaração da garota, já que Valhalla era o lugar que todos desejavam e ansiavam mais do que tudo.

—Nossa —William a olhou sorrindo, completamente surpreso com o que havia escutado.

—Minha família é o meu bem mais valioso e Katherine é uma joia rara para mim —George se levantou e foi até William, que fez o mesmo quando o rei parou na sua frente. Katherine olhou para a mãe desesperada, achando que sairia uma briga feia dali. Mas Amélia e Margareth estavam sorridentes, o que tranquilizou a princesa. —E eu só poderei ter paz comigo mesmo se ela estiver ao lado de quem realmente ama. E se esse alguém é você, William Thatch, eu te dou mais do que a minha aprovação. Te ofereço a minha amizade e admiração. —o rei estendeu a mão.

William apertou a mão do rei, completamente perplexo.

—Eu agradeço —o pirata sorriu de canto.

Katherine estava quase chorando vendo a cena do seu pai e noivo juntos, sem brigas, sem desentendimentos.

—Obrigada —ela se levantou emocionada e abraçou o pai. —Muito obrigada.

—Espero que ele seja digno de você, minha Katherine —o rei tocou o rosto da filha.

—Ele é —a princesa segurou a mão do pirata.

—Então… —George se virou para a esposa. —Acho que devemos ir para nossa tenda, foram muitas informações em pouco tempo e parece que eu tenho que mudar a lei. —ele piscou para a filha que quase pulava de alegria.

Amélia concordou e os dois começaram a se afastar. William foi até Jonathan, que também se distanciava.

—Ei —o Thatch o chamou e o Lecerf se virou. —Obrigado por ter falado aquilo.

—Eu fiquei sabendo de tudo que fez pela minha irmã depois da batalha com seu pai. —Jonathan disse, observando Katherine conversar com Margareth. —Espero que a faça feliz.

—É o que eu mais quero.

—Acho bom mesmo, caso contrário eu arrumo um jeito de te matar de vez —ele riu, fazendo William sorrir.