Notas iniciais
Olá! Eu não venho aqui desde 2017 e desde então nunca mais escrevi nada, estou bem nervosa com esse projeto e espero que vocês gostem Quero agradecer as meninas que criaram o junho scorose por me convidar para esse projeto maravilho, espero não decepcionar! E também obrigada luísa, camila e clara por me aguentarem falando da fanfic e brigarem comigo para que eu terminasse (ainda estou terminando...) Divirtam-se!

Parte I:

My mind finds peace in the shade of your attention

Em todos os seus vinte anos de idade, Rose Weasley só namorou uma vez. E não foi nem perto do que ela imaginava que um relacionamento seria. Depois de crescer lendo livros de romance e assistindo comédias românticas, não esperava menos que um romance de filme. Mas, no final acabou namorando o cara mais folgado, mimado e sem noção possível. Claro que no começo do relacionamento ele parecia um anjo, e Rose tentou muito insistir nos dois, afinal era seu primeiro namorado, e ela nunca imaginou que alguém fosse jamais querer namorá-la. Porém, depois de cinco meses de namoro, descobriu que ele a traía com duas outras mulheres.

Finalmente pode dar um fim naquele relacionamento, Rose decidiu que não iria namorar mais tão cedo, a primeira experiencial foi traumática o suficiente. E não iria aceitar o primeiro cara que aparecesse, só por ele ser bonito e ela estar se sentindo carente. Porém, o ex namorado não aceitou tão bem o término, e desde então ele a persegue para todo lugar tentando reatar com ela.

— Eu não sei mais o que fazer — disse se jogando na cama do quarto que dividia com sua amiga Jia Chang. Ela e a prima de Rose, Dominique, estavam sentadas na outra cama do quarto, estudando.

— É o Adam de novo? — perguntou Jia.

— Como sempre...

Dominique fechou seu caderno e o colocou de lado.

— É uma merda que você não pode denunciar para a polícia do campus. O cara é um stalker.

— E também o filho do reitor de Hogwarts — comentou Jia. — É foda, mas a gente sabe que o reitor faria qualquer coisa por ele.

Rose soltou uma longa respiração cansada e se sentou em sua cama, apoiando as costas na parede para olhar para as suas amigas.

— Eu só queria arranjar um jeito dele nunca mais falar comigo — disse. — Bloquei o Adam nas redes sociais, mas não posso fazer nada para impedir que ele me siga toda a vez que saio desse dormitório. Ele sabe até o meu horário de aula!

— Talvez se ele achasse mais uma namorada... — sugeriu Dominique.

— Eu não vou incentivar outra garota a namorar ele!

— E as outras namoradas? — perguntou Jia pensativa. — Qual era mesmo o nome delas?

Dominique riu e Rose revirou os olhos, sabendo o que estava por vir.

Jia sorriu vitoriosa.

— Lembrei! — exclamou. — Daisy e Violet!

A prima de Rose deu um pulinho animado na cama, derrubando uma de suas apostilas.

— Nunca tinha visto alguém com kink em meninas com nomes de flores! Ele também amava te chamar de “flor” — as duas riram ainda mais.

— Não comecem — advertiu Rose. — Estou passando por uma situação difícil aqui!

— Desculpa prima. A gente não vai mais zoar o kink do seu ex — Dominique cutucou Jia — Vamos parar, flor.

— Vamos sim, florzinha — concordou Jia se segurando para não rir. — Mas real, o que aconteceu com Daisy e Violet?

Rose suspirou.

— Ele diz que terminou com as duas, e que eu sou a única... — respirou fundo antes de continuar — flor na vida dele. É melhor vocês não começarem a rir!

Dessas vezes as duas conseguiram segurar a risada por alguns segundos. Rose pegou seu travesseiro e jogou nas amigas.

Jia pegou o travesseiro e o abraçou.

— Tive uma ideia! — disse com um sorriso que Rose sabia que só a traria problemas. — E se você arranjasse um namorado falso! Só para o Adam finalmente ver que não tem chance nenhuma de vocês voltarem.

Dominique logo respondeu.

— Ji, isso não é um filme.

— Exato! — concordou Rose. — E eu não quero precisar de um homem para me livrar de outro homem.

Jia não desistiu.

— Mas é só para fingir! Por pouco tempo — argumentou. — E não precisa ser um homem que você não conhece. Pede para um dos seus primos!

Rose a encarou incrédula.

— É claro que meu ex namorado conhece toda a minha família. Você não conhece?

Dominique cruzou os braços encarando Jia.

— Você não conhece a minha família? — questionou. — Eu já te levei em várias reuniões de família!

Jia sorriu sem graça.

— Mas amor...

— Eu não acredito nisso.

Rose não sabia se ria ou se ficava desconfortável com a situação.

— Não briguem perto de mim, vai me deixar desconfortável!

A colega de quarto encarou Rose como se aquilo fosse culpa dela. Porém, logo voltou a atenção para a namorada e tentou se explicar.

— Tirando Roxy, Fred e sua tia Angelina, todos são brancos e quase todos tem cabelo ruivo. Não é fácil de memorizar! — falou tentando se defender. — Eu sei quem são seus pais e seus irmãos, e é isso que importa.

Rose teve que concordar com essa.

— Tudo bem — disse Dominique, por fim. — Vou aceitar suas desculpas, só porque não consigo ficar brava com você.

Jia sorriu e abraçou a namorada, com o travesseiro de Rose entre as duas. Que já estava arrependida de tê-lo jogado.

— Por favor, respeitem a pessoa solteira que tem problemas com o ex — pediu.

As duas se separam sorrindo. Rose tinha que admitir que elas eram fofas, afinal foi ela quem juntou o casal. Mas nesse momento, estava tão amargurada com a própria vida que não queria ver outros casais.

— Desculpa Rosie — Jia já deveria imaginar como a melhor amigas estava se sentindo. As duas se conheceram no primeiro dia na faculdade, e desde então eram inseparáveis. E ninguém a conhecia melhor que a amiga. — Mas ainda acho que a minha ideia é brilhante.

— Ji... — começou Dominique.

— Me escutem antes — interrompeu. — Eu sei que é chato, mas o Adam também é chato e ele não vai respeitar os “nãos” que você diz. Finja que tá namorando alguém, poste umas fotos nas redes sociais e pronto. Quem sabe ele vá encontrar outra menina com nome de flor depois disso.

Dominique acabou concordando.

— Talvez não seja um plano tão ruim.

Jia jogou o cabelo pro lado.

— Eu sou genial.

E Rose teve que admitir derrota. O único jeito que Adam iria respeitar ela não querer namorar ele, era se ela tivesse outro namorado. Porque, com os meses de namoro, Rose aprendeu que Adam era o cara que esperava receber o pedido de desculpas caso algum outro homem desse em cima dela. Rose sempre se perguntava como um dia achou que ele pudesse ser o cara certo.

— Parece fácil quando você fala assim — comentou. — Mas eu não tenho muitos amigos homens que não são meus parentes.

A outra menina ficou pensativa por um tempo.

— Você não tem primos do time de futebol? Peça para eles te ajudarem a encontrar um namorado falso no time.

— Péssima ideia — Dominique disse rapidamente.

Rose balançou a cabeça concordando.

— James e Fred não podem saber do Adam me perseguindo — explicou. — Eles são do tipo que vão querer ir logo brigar com o filho do diretor. Não posso ser responsável pela expulsão dos meus primos.

— Justo. Mas algum primo de vocês deve ter um amigo popular e solteiro. Bonito o bastante para o Adam saber que nunca vai conseguir reatar.

Os olhos de Dominique arregalaram e ela logo soltou um gritinho animado. Na mesma hora Rose pensou que sabia exatamente qual seria a sugestão da prima.

— Nem tente! — advertiu.

— Scorpius Malfoy! — gritou Dominique ao mesmo tempo. — Ele é o melhor amigo de Albus.

— Dominique Weasley...

Jia exclamou em aprovação, ignorando a melhor amiga.

— Ele é perfeito! Tem até um fã clube.

— Esposas do Scorpius, o nome — completou Dominique, parecendo estar orgulhosa por saber essa informação.

Rose revirou os olhos. Ela não conseguia acreditar que universitárias haviam criado um fã clube para um homem chato como Scorpius Malfoy. Ou que universitárias encontravam tempo para criar um fã clube, atualizar todos os dias, e tirar fotos escondidas dele por toda a Hogwarts.

Jia a encarou esperançosa.

— Você acha que ele toparia?

— Nunca! Ele me odeia.

— Como você sabe disso? — perguntou.

Rose podia listar todos os momentos que teve certeza que Scorpius Malfoy não gostava dela, que eram todos em que eles se encontraram. Tudo começou no primeiro semestre da faculdade, quando Albus e Scorpius viraram melhores amigos, e o primo quis logo apresentá-lo para Rose, falou que eles tinham tudo em comum. Mas quando se encontraram na cafeteria da faculdade, Scorpius se recusava a olhar na cara dela, e ainda respondia todas as perguntas que ela fazia com “sim” e “não”, como se tudo que quisesse fazer fosse ir embora daquele lugar. É claro que Rose ficou confusa, até Albus parecia confuso, porém tentou pensar que talvez Scorpius estivesse tendo um dia ruim. Entretanto, eles se encontram de novo algumas vezes depois disso e Scorpius reagia de dois jeitos diferentes ao ver Rose: ser seco e mal-educado ou sair de perto.

Nas férias, ela comentou isso com pais e descobriu que seu pai, Ron Weasley, e o pai de Scorpius, Draco Malfoy, conheciam-se da época de escola e não se davam nem um pouco bem. Mas de acordo com o pai, isso era passado e tinha certeza que seria maduro o suficiente para não arranjar briga caso visse Draco Malfoy novamente. A mãe de Rose discordou.

A conversa fez com que ela pensasse que o motivo para Scorpius não conseguir nem a encarar poderia ser fruto de uma rixa entre os pais na escola, o que era completamente ridículo. Mas, depois de tudo, aquela era a única explicação plausível. Então, Rose resolveu que não iria tentar ser amiga de alguém que resolveu não gostar dela por algo tão bobo. E se Scorpius Malfoy não gostava dela, Rose Weasley iria com todo o orgulho retribuir os sentimentos. E talvez ela fosse, um pouco, amargurada. Por isso nunca falou sobre o assunto, nem com a melhor amiga. Era um ódio que ela mentia dentro de si apenas.

Sem escolha, Rose tentou explicar isso para as amigas, de uma maneira um pouco mais exagerada, para que não parecesse tão bobo quanto soava em seus pensamentos, e que fosse efetiva para mostrar que Scorpius Malfoy nunca toparia ser o namorado falsa dela. E ela nunca iria aceitar que ele fosse.

— Você está exagerando — concluiu Jia.

— Não estou — ela se defendeu. — Ele é um doido e me odeia.

— Rosie... — começou. — Mas ele é a sua melhor, e provavelmente, única chance. O máximo que ele pode dizer é não.

— Exato — concordou Dominique. — E você sempre pode pedir pro Albus te ajudar a convencê-lo.

— Vocês acabaram de ouvir meu desabafo, e querem que eu peça para o meu arqui-inimigo para ser meu namorado falso? — perguntou Rose, sem acreditar no que ouvia das próprias amigas.

Jia suspirou e fez aquela cara de como estivesse se preparando para explicar algo para uma criança muito burra. Rose odiava aquela cara.

— Primeiro: ele não é seu arqui-inimigo, pare de ser dramática. E você não tem outra opção, o Adam é o seu maior problema agora. Você tem que se livrar dele — disse. — Talvez Scorpius queira algo em troca. Ofereça para lavar a roupa dele ou algo assim.

— Lavar a roupa dele? — Rose fez cara de nojo. — Não, obrigada.

— Não é tão ruim — interrompeu Dominique. — Melhor do que pagar ele em dinheiro.

Rose soltou um suspiro exausto. Ela sabia que suas amigas não iriam desistir dessa ideia completamente doida e sem cabimento. Porém, também sabia que uma foto com Scorpius Malfoy e uma legenda fofa seria o bastante para todos de Hogwarts acreditarem no namoro. Ele nunca tirava fotos, não tinha nem uma conta no Instagram. As suas fãs precisavam tirar fotos escondidas, o que talvez fosse tão ruim quanto Adam a perseguindo. E quem sabe fosse algo bom para os dois, as “Esposas do Scorpius” iriam desistir e Adam também.

— Tudo bem — Rose admitiu derrota e as outras meninas comemoraram. — Mas se ele recusar, eu não vou insistir!

Rose estava parada na frente do prédio de engenharia, ainda muito incerta do que estava fazendo. Mas era agora ou nunca. Na noite anterior, depois de da conversa com as amigas, mandou uma mensagem para Albus perguntando o horário dele. Não disse que queria conversar com Scorpius, conhecia muito bem o primo para saber que ele a encheria de mensagens até que ela explicasse o porquê. Provavelmente, ainda teria que se explicar, mas podia adiar isso para mais tarde. E, caso tenha sorte, Scorpius já teria aceitado o plano até lá.

A verdade é que Rose não sabia se torcia para que ele aceitasse ou não a ideia doida de Jia. Sabia que o plano poderia dar certo. Ou poderia não dar. E se Adam tentasse brigar com Scorpius? Por mais que não gostasse dele, não queria que ele se machucasse por causa dela. Em parte, Rose também achava que estava perdendo a cabeça por achar que uma loucura dessas pudesse dar certo.

Esperou por dez minutos até ver seu primo saindo do prédio, com o melhor amigo lá atrás. Sabia que seria improvável que Albus e Scorpius se separassem, então se aproximou.

— Rose! — Albus a avistou primeiro e abriu um sorriso enquanto ela se aproximava. Já Scorpius tinha uma expressão assustada no rosto.

— Olá Al — disse quando chegou perto o bastante deles. Pelo seu jeito e tom se voz dava para ver que estava nervosa, torcia para não parecesse tão obvio para eles também.

— Você quer comer com a gente? — perguntou, alheio para o nervosismo da prima. — Só preciso passar na biblioteca para devolver um livro.

Rose afundou as unhas na palma das mãos, e respirou fundo antes de responder.

— Na verdade, eu queria conversar com o Scorpius — ela o encarou por um segundo, mas a expressão confusa e assustada do garoto fez com que que ela preferisse encarar o primo, que parecia bem confuso.

— Com Scorpius?! — perguntou Albus trocando um olhar rápido com o melhor amigo. Scorpius Malfoy parecia prestes a sair correndo. Rose decidiu que tinha sido uma péssima ideia, nunca mais iria ouvir Jia Chang para nada. Albus se recompôs. — Pode falar, não vou interromper.

Rose revirou os olhos. Seu primo nunca se tocava quando não era bem-vindo nas conversas.

— A sós — ressaltou. — Você pode ir para a biblioteca. Não vai demorar muito, pode ter seu namorado de volta quando for almoçar.

— Namorado? — perguntou soltando uma risada. — Eu me odeio, mas não o bastante para namorar Scorpius Malfoy.

Scorpius o encarou incrédulo, parecia prestes a retrucar quando Albus falou de novo:

— Pode ficar com ele — disse colocando a mão no ombro dela. — Mas o devolva inteiro.

Albus piscou antes de sair, sem nem falar com o amigo. Rose riu enquanto via o primo se distanciar. Entretanto, assim que o primo saiu de vista, notou que estava realmente sozinha com uma pessoa que com certeza a odiava. Seu sorriso morreu quando se virou para falar com Scorpius.

— Então — começou, o nervosismo estava de volta. — Será que poderíamos conversar?

Scorpius Malfoy parecia completamente perdido. Ele a encarou sem nenhuma emoção no rosto.

— Por quê?

Rose forçou um sorriso.

— Eu queria te pedir um favor... — notou que não era exatamente aquilo que queria dizer e corrigiu: — Não um favor, é mais uma proposta.

— Uma proposta — repetiu.

Rose queria enterrar a cabeça no chão. Toda aquela situação era estranha e desconfortável. Nunca escutou Scorpius dizer mais do que três palavras em uma frase, como poderia namorar ele?

Infelizmente, ela não tinha para onde fugir agora.

— Sim... Acho que pode ser muito boa para nós dois.

Rose ficou em silêncio, esperando-o comentar algo. Depois de uns segundos, notou que Scorpius provavelmente esperava ela continuar. Olhou em volta, muitos alunos ainda saiam do prédio, e o lugar estava barulhento.

— Que tal conversarmos em outro lugar? — sugeriu. — Tem muita gente aqui.

Scorpius concordou com a cabeça e se virou para entrar no prédio de engenharia, Rose demorou um pouco para entender que ele esperava que ela o seguisse. Precisou acelerar o passo para alcança-lo.

Diferente do exterior, o interior do prédio estava quase vazio. Poucos alunos ainda circulavam por lá, e a grande maioria ia em direção à saída. Scorpius entrou em um dos corredores e abriu uma das portas que dava para uma grande sala de aula.

— Podemos conversar aqui — disse assim que entraram. Ele andou para o outro lado, como se estivesse louco para sair de perto dela.

Rose fechou a porta e respirou fundo antes de encará-lo. Ela sabia que precisava reunir coragem e falar logo, mas tinha cada vez mais certeza que ele iria negar. E apesar de ter dito que não iria tocar no assunto de novo se ele negasse, Rose Weasley nunca soube lidar muito bem com rejeição. Ela era a filha, a aluna e amiga perfeita por toda a sua vida, talvez estivesse exagerando um pouco. Mas, era verdade que raramente ouvia um não quando ia atrás de algo que realmente precisasse. E talvez seja por isso, que Scorpius Malfoy não querer nem olhar na sua cara mexia tanto com ela.

— Eu queria propor que você fosse meu namorado — soltou antes que perdesse o pouco de coragem que havia conseguido reunir. Scorpius arregalou os olhos, sem saber o que dizer. Então, Rose notou que esqueceu uma palavra. — Falso. Namorado falso.

Agora ele parecia menos assustado, mas ainda assim confuso.

— Não? — respondeu incerto.

Ele havia a rejeitado com uma pergunta? Rose não entedia que tipo de resposta era aquela. E resolveu que poderia aproveitar para tentar se explicar melhor.

— Eu preciso de um namoro falso e intimidante o bastante para o meu ex babaca parar de me encher — esclareceu. — Você não precisa fazer muita coisa, só dizer que estamos saindo se alguém perguntar. E tirar umas fotos comigo, para eu postar nas redes sociais, sabe coisa de casal.

Rose achou que deveria deixar ele comentar algo, e torceu para que fosse uma resposta melhor que a primeira.

— Eu sou intimidante — concluiu mais para si mesmo do que para Rose.

— Sério, Malfoy? — perguntou perdendo um pouco da paciência. — Isso é tudo o que você entendeu do que eu disse?

— Eu entendi tudo — respondeu mais rápido que o normal. — Não acho que seja uma boa ideia.

No fundo, Rose já esperava a rejeição. Mas não gostava nem um pouco de como ela se sentia. Realmente, pedir para a pessoa que sempre parecia desconfortável perto dela ser seu namorado falso não era a melhor ideia. Porém, que outra opção tinha? E ela não gostava mesmo de ser rejeitada por ele. Ou do jeito que ele a tratava.

— Eu lavo suas roupas pelo resto do semestre! — ofereceu rapidamente. — E aposto que ter uma namorada iria fazer aquelas meninas doidas desistirem do fã clube. A não ser que você goste de ter várias meninas tirando fotos suas por todo o lugar que você passa...

Scorpius engoliu a seco.

— Eu não gosto — admitiu.

Rose sorriu. Talvez pudesse sim sair daquela sala vitoriosa.

— Então você não tem nada a perder — disse. — Não irei insistir mais. Mas se você aceitasse tenho certeza que seria bom para nós dois.

Ele realmente pareceu estar pensando sobre o assunto pela primeira vez desde que a conversa começou. Scorpius evitava olhar para ela e encarava o chão invés disso.

— Preciso pensar — respondeu por fim, finalmente a encarando.

O sorriso de Rose ficou ainda maior e teve que se controlar para não dar um gritinho de felicidade. “Preciso pensar” não era uma rejeição, era a única chance que ela tinha.

— Tudo bem.

Logo em seguida começou a andar na direção dele. Scorpius parecia atordoado.

— O que está fazendo? — perguntou.

Assim que Rose ficou próxima o bastante dele, tirou o celular no bolso da calça e estendeu o braço em sua direção.

— Pegando o seu número — respondeu como se fosse óbvio. — Preciso para quando você tiver sua resposta.

— Eu poderia pegar o número com Albus.

Rose revirou os olhos.

— Mas eu já estou aqui. Só digite logo o seu número — retrucou balançando o braço até ele pegar o celular.

Scorpius digitou o número rápido e logo devolveu o aparelho para ela. Rose apertou o botão de ligar e ouviu um celular vibrando na mochila dele.

— Pode salvar o meu número. Mas não fique me mandando mensagem toda hora, por favor — disse brincalhona. Estava de muito bom humor agora.

Antes de sair da sala acenou para Scorpius, que continuava parado no mesmo lugar.

— Até mais, Malfoy! — despediu-se e antes de sair acrescentou: — Foi um prazer fazer negócios com você.

Rose Weasley realmente amava a sensação de se sentir vitoriosa.

Entretanto, sua felicidade durou muito pouco.

Enquanto voltava para o prédio de comunicação foi parada por ninguém menos que Adam McLaggen. Rose quase tinha esquecido que o motivo para ela precisar de um namorado falso, sabia sempre exatamente onde ela estava.

— Boa tarde, flor — cumprimentou Adam sorrindo e entrando na frente dela, a impedindo de continuar seu caminho.

Rose revirou os olhos.

— Sai da minha frente, Adam — disse irritada, mas o homem não pareceu afetado pelo tom de voz, e continuou com o sorriso irritante no rosto.

— Que isso, minha flor? Vamos conversar — insistiu. — Não consigo mais ligar para você ou te enviar mensagens.

Rose cruzou os braços. Ela não conseguia acreditar o quanto o ex namorado se fazia de burro. É claro que ele sabia que tinha sido bloqueado, não só para ligar e mandar mensagens, como também em todas as redes sociais dela. O que esperava que Rose dissesse?

— Porque eu te bloquei! — falou um pouco mais alto que planejava, atraindo alguns olhares das pessoas que passavam. — Por que você não consegue entender que não quero mais ver a sua cara? Sei que você é burro, mas não imaginei que fosse tanto.

O sorriso de Adam vacilou por uns segundos e ele rapidamente se recompôs.

— Não precisa grita, Rosie — disse como se ela fosse a descontrolada da relação. — Sei que ficou com ciúmes, mas a gente pode resolver isso.

— Ciúmes? Você me traiu, Adam — explicou sem paciência. — E eu nunca vou voltar com você.

Rose aproveitou a sua raiva e empurrou Adam para fora de seu caminho, que era bem maior e mais forte que ela, porém ele como não esperava por aquilo, Rose conseguiu fazer com que o corpo dele se movesse um pouco para o lado, o bastante para que ela pudesse sair o mais rápido possível.

A Universidade de Hogwarts era gigante, e a caminhada do prédio de engenharia até o de humanas não era curta. Encontrou suas amigas sentadas na pequena praça de alimentação que o prédio de comunicação dividia com o de humanas e o de artes. Jia Chang, Dominique e Roxanne Weasley já comiam seus almoços quando ela chegou. Como todas tinham aula logo depois, acabavam sempre preferindo comer algo rápido do que ir até o refeitório da universidade.

— Cheguei — anunciou Rose sentando-se do lado de Roxanne. Dominique empurrou um pote de poke para a prima. — Obrigada Domi, a fila está quilométrica.

— Por que demorou? — perguntou Roxy. — Perguntei para elas, mas me disseram que só você podia contar.

Rose abriu a comida e pegou os talheres antes de notar que faltavam duas pessoas no grupo.

— Cadê Kenzie e Lessie?

— Atrasadas como sempre! — respondeu Jia — Falei para as duas que era uma péssima ideia pegar uma aula de administração no horário antes do almoço. É do outro lado do campus.

— Contarei quando elas chegarem então — decidiu Rose. Não queria ter que contar duas vezes tudo que passou com Scorpius Malfoy e depois teve que aguentar Adam McLaggen a enchendo o saco logo antes do almoço.

Jia fez um bico em desaprovação.

— Mas eu to tão curiosa — reclamou.

— Imagina eu que não faço ideia do que está acontecendo — rebateu Roxy. — Estou me sentindo excluída dessa amizade. Até Dominique já sabe.

— Então namore minha próxima colega de quarto — disse Rose. — Aí vai poder ficar no meu quarto criando confusão na minha vida também.

— O que está sugerindo para minha cunhada? — questionou Celeste Zabini, ou Lessie, colocando um braço protetor em volta de Roxanne.

— Pela última vez: eu não namoro o seu irmão — disse Roxy, enquanto Lessie e Mackenzie Longbottom se sentavam na mesa com seus respectivos almoços.

— Você não precisa esconder de mim — disse Lessie. — Eu super apoio.

Roxanne revirou os olhos.

— Desisto — anunciou. — Não vou perder meu precioso tempo de almoço com isso — ela se virou para Rose. — Desembucha.

— O que aconteceu? — perguntou Mackenzie confusa.

Rose respirou fundo e contou tudo o que havia acontecido: desde a ideia doida da Jia até a conversa com Scorpius. Aproveitou para acrescentar o que havia acontecido com McLaggen antes de chegar ali.

— Ele vai aceitar — Jia foi a primeira a falar, ela estava animada até demais com os acontecimentos. — Tenho um bom pressentimento. Meus instintos nunca erram.

Dominique, Mackenzie e Celeste também pareciam animadas com o plano. Mas Roxy não compartilhava o mesmo sentimento.

— Esse plano é uma loucura — concluiu. — Vocês são doidas que acham que o Adam vai deixar de correr atrás da Rose só porque ela está namorando Scorpius Malfoy. Primeiro que vai ser estranho se eles só começarem e sair do nada, segundo que o Adam provavelmente vai querer enfrentar o Malfoy. E se eles brigarem?

Rose teve que concordar. Deveria ter discutido aquilo melhor com sua prima mais sensata antes de agir por impulso. Entretanto, agora já era tarde demais.

— No que eu me meti? — perguntou para si mesma cobrindo a cabeça com as mãos, envergonhada.

— Não é um plano tão ruim — disse Celeste. Rose levantou o rosto para encará-la, esperançosa. — Mas Roxy está certa que o Scorpius não pode virar seu namorado do nada, ele tem que flertar com você publicamente antes.

— Ele mal consegue falar comigo — contou Rose. — Como vai conseguir flertar?

— Diga para ele o que ele tem que dizer — responde. — E se ele levar um soco do Adam no processo não tem nada que você pode fazer.

Jia concordou.

— Isso! Vai dar tudo certo.

Roxanne também acabou aceitando o plano. Disse que daria certo se ele conseguisse seguir o roteiro de flertes. Rose tentou imaginar o Malfoy dirigindo mais de três palavras a ela e não conseguiu pensar em nada. Talvez estivesse secretamente vivendo em um filme de romance, porque não tinha explicação melhor para o que ela estava fazendo. Tirou esse pensamento rapidamente da cabeça. Nunca viveria um romance real com Scorpius Malfoy, podia ter certeza disso.

— Ele não aceitou ainda — relembrou. — Então parem de cantar vitória antes da hora.

E depois dessa conversa com as amigas, ela mesma não se sabia se estaria cantando vitória nem se ele aceitasse.

A resto do dia passou e nenhuma mensagem sequer do Malfoy. Rose resolveu ir para a biblioteca e tentar se distrair, mas não conseguia se concentrar nos estudos. Não fazia ideia de quando tempo ele iria levar para dar uma resposta. Nem se queira ouvir um “sim” ou um “não”.

Quando ela estava a caminho do seu dormitório seu celular começou a tocar. Rose ficou muito nervosa, mais do que imaginará que ficaria. Porém, ao pegar o celular viu que era Albus ligando. Passou tanto tempo se preocupando em qual seria a resposta do Scorpius que esqueceu que seu primo fofoqueiro provavelmente iria querer saber da conversa.

Atendeu o telefone e esperou que ele falasse, porque já sabia que Albus iria ser o primeiro a falar.

— Então... — começou. — Você vai ou não me contar o que está acontecendo?

Rose suspirou e se sentou em um banco na frente do dormitório. Apertou bem o casaco contra o corpo, as noites estavam cada dia mais frias ultimamente, poderia subir para o seu quarto, porém, preferia conversar com Albus a sós, sem os comentários de Jia do lado.

— Estou surpresa que o Malfoy não te contou — comentou. Os dois eram melhores amigos, então Rose esperou que Albus fosse conseguir arrancar as informações dele antes.

— Eu também estou — admitiu e pelo seu tom de voz, ela conseguiu deduzir que ele havia tentado muitas vezes arrancar aquela informação do amigo. — Scorpius está estranho... acho que você o quebrou.

— Quebrei? — ela riu.

Scorpius Malfoy realmente parecia um robô, e Rose não duvidava que ele fosse. Entretanto, duvidava muito que ela seria capaz de quebrá-lo.

— Sim! Ele não quis nem conversar comigo pelo resto do dia.

— Scorpius Malfoy sem falar? Parece bem realístico para mim.

— Não seja malvada, Rose — defendeu Albus. — Ele só é um pouco tímido.

— Tudo bem, tudo bem. Não vou ser malvada com o seu amigo. Não estou em posição para isso — admitiu.

— Por quê? — perguntou curioso. — Você pediu um favor para ele? Imaginei que pudesse ter feito isso para ter deixado Scorpius tão nervoso, mas não consigo imaginar o que possa ser. Passei a aula toda pensando sobre isso, nem consegui...

— Albus — Rose logo o interrompeu, seu primo conseguia ser o meio tagarela às vezes. — Você que ficar discutindo sozinho sua teoria ou quer que eu te conte? Estou do lado de fora agora e gostaria muito de poder terminar isso e entrar no dormitório.

— Você vai me contar? — a voz de Albus ficou bem mais animada, Rose conseguia imaginar muito bem como o primo estaria comemorando do outro lado da linha. — Achei que teria que te irritar muito até você contar, já tinha tudo o que ia dizer preparado.

Um vento frio passou fazendo com que ela se encolhesse mais ainda em seu casaco.

— Não é nada que eu não possa te contar, mas você precisa prometer que não vai contar para Fred e James.

— Não vou! — respondeu Albus, sem pensar duas vezes.

— Então... — Rose respirou fundo. No final, aquele era um plano meio humilhante de contar. — O Adam não sai do meu pé, como você já sabe. E Jia teve essa ideia, completamente maluca, que eu ainda não sei por que aceitei, de encontrar um namorado falso para mim. Só para afastar o Adam.

— Eu não acredito nisso! — Albus parecia estranhamente feliz com a notícia. Não estava a chamando de louca como ela esperava. — Você pediu para Scorpius ser seu namorado falso?

— Eu não tinha muitas opções — Rose tentou se defender, por mais que ele não a tivesse acusando de nada, ainda sim sentia vergonha. — Não conheço muitos homens que não sejam meus parentes.

Ela escutou o primo rir do outro lado da linha.

— Agora tudo faz sentido — falou. — Scorpius é seu novo namorado falso!

— Ele não é — corrigiu. — Ele não aceitou ainda, disse que iria pensar melhor.

Albus parou de rir.

— Aquele burro — comentou em voz baixa, Rose ficou confusa com a súbita mudança de voz do primo, deduziu que estivesse falando consigo mesmo. — Pode deixar, Rose. Ele vai aceitar.

— Esperou que sim — falou. — Foi humilhante pedir isso a ele. O cara deve me odiar.

— Não exagere. Ele com certeza não te odeia — assegurou confiante. — Tenho que ir agora, mas não se preocupe. Scorpius Malfoy vai ser o melhor namorado falso que você vai ter.

— Espero que seja o último — respondeu Rose, mas Albus já havia desligado.

Ela finalmente pôde se levantar e entrar no dormitório. Estava subindo as escadas para o terceiro andar — o elevador estava quebrado, como sempre —, quando sentiu o celular vibrar no bolso do seu casaco. Parou para conferir a notificação e era uma mensagem do próprio Scorpius Malfoy.

Scorpius Malfoy:

Eu aceito. (20:32)

Rose soltou uma risada ao ler a mensagem, não podia deixar de pensar que o Malfoy mandava mensagens do mesmo jeito que falava, sem animo algum. Porém, ele havia aceitado e era isso que importava. Tinha certeza que Albus tinha falado algo com o amigo, seu primo trabalhava mais rápido do que ela esperava.

Clicou para responder, mas notou que Scorpius estava digitando. Apoiou as costas na parede e resolveu esperar. Porém, parecia que o Malfoy estava escrevendo uma redação, já haviam se passado uns dois minutos e nada da mensagem. Estava prestes a desistir de esperar quando ele finalmente a enviou:

Scorpius Malfoy:

Mas tenho outra condição. (20:35)

Rose não conseguia acreditar que ele demorou tanto para escrever quatro palavras. Talvez Scorpius não soubesse mesmo construir frases com mais de três palavras.

rose w:

muito obrigada por ter aceitado! (20:35)

qual a outra condição? (20:36)

Rose esperou pacientemente mais alguns minutos enquanto Malfoy digitava. Outra frase de quatro palavras, provavelmente.

Scorpius Malfoy

Você vai no show do Mumford & Sons no sábado? (20:38)

Por essa Rose não esperava. Será que ele iria pedir o ingresso dela? Mumford & Sons era uma das suas bandas favoritas, e ela estava contando os dias para esse show desde que a turnê foi anunciada. Poderia ter que aguentar Adam até o fim da faculdade, mas nenhum namorado falso valia o seu precioso ingresso do Mumford & Sons.

rose w:

sim, por que quer saber? (20:39)

Scorpius Malfoy:

Você vai sozinha? (20:40)

rose w:

sim (20:40)

Scorpius Malfoy:

Eu também vou sozinho. Poderíamos ir juntos. (20:41)

Scorpius Malfoy havia convidado ela para um encontro como condição para ser seu namorado falso. Rose estava muito confusa, não conseguia entender por que alguém que demonstra não gostar dela iria querer ficar um show inteiro do seu lado. Contudo, para ela aquela não era uma condição ruim. Scorpius, provavelmente, iria evitar ao máximo falar com Rose, seria como se estivesse indo sozinha.

rose w:

tudo bem (20:42)

essa é a sua condição? (21:42)

Scorpius Malfoy:

Sim. (20:42)

Você que jantar comigo antes? (20:43)

Rose encarou seu celular, sem reação. Aquilo estava parecendo cada vez mais um encontro.

rose w:

você está convidando sua namorada falsa para um encontro? (20:44)

Scorpius Malfoy:

Não. (20:44)

Em toda a conversa que os dois estavam tendo, era a primeira vez que ele respondia tão rápido. Rose estava apenas tentando brincar com ele, mas Scorpius tinha ficado mesmo ofendido. Não tinha ideia de como faria para que os dois parecessem interessados romanticamente um no outro. Rose notou que Scorpius estava digitando a próxima mensagem, antes que ela pudesse explicar a brincadeira.

Scorpius Malfoy:

Estou te chamando para jantar, porque acho que deveríamos conversar mais sobre esse namoro falso. (20:45)

Aquela resposta fazia muito mais sentido do que ele querer sair para um encontro com ela. Sabia que eles precisavam discutir como aquele namoro funcionaria, como eles iriam flertar antes de começarem o relacionamento. E só de pensar em flertar publicamente com Scorpius Malfoy, Rose queria se esconder em seu dormitório e nunca mais sairia de lá. Porém, poderia acabar com aquilo em alguns meses, só precisava esperar Adam finalmente desistir dela.

Notou que ficou tão presa em seus pensamentos, que esqueceu de responder a mensagem. Digitou uma resposta rápida:

rose w:

claro, acho uma boa ideia (20:47)

te vejo no sábado então (20:48)

Jia ficou exageradamente animada com a notícia. Ela não perdeu tempo em mandar uma mensagem para o grupo das amigas, e todas comemoravam como se Rose tivesse contado que estava realmente namorando Scorpius Malfoy. As meninas até mudaram o nome do grupo de “Weasley e amigas” para “Scorose Forever” e vários corações. Scorose era, de acordo com elas, a junção do nome de Rose com o de Scorpius, elas haviam passado exatas duas horas tentando decidir se era Scorose ou Roscorpius. E não aceitaram a opinião de Rose que os dois nomes eram horríveis e pareciam nomes de remédios.

No fim, ela resolveu ir dormir enquanto Jia e as outras amigas planejavam todo o namoro falso dos dois. Só quando estava perto de adormecer que Rose notou que havia esquecido de contar sobre o pedido de Scorpius Malfoy de ir com ela no show do Mumford & Sons, mas decidiu que não era tão importante assim e poderia falar com as amigas no dia seguinte.

*

Esqueceu completamente de contar sobre o show. Quinta-feira passou correndo para Rose, era o dia que ela mais tinha aulas, a única amiga que viu foi Jia e isso porque elas faziam o mesmo curso e moravam juntas. E por sorte não esbarrou com Adam. A sexta foi um pouco mais tranquila, mas mesmo assim estava tão ocupada organizando os trabalhos que tinha que fazer para poder relaxar no fim de semana, que esqueceu de contar. Não era como se Rose tivesse evitando contar, porque não queria que as amigas começassem a chamar aquilo de encontro. Não, ela não estava evitando, havia apenas esquecido.

Sábado chegou e Rose pode deixar todos os afazeres escolares de lado para focar no que importava: Mumford & Sons. Ela começou o dia ouvindo todas as suas músicas favoritas da banda, depois as músicas que eram quase favoritas e por fim, as que amava demais mesmo não entrando na lista de favoritos. Porque Mumford & Sons não tinha uma música ruim, aquilo era um fato.

Scorpius mandou uma mensagem contendo apenas o endereço de um restaurante e o horário para se encontrarem lá.

Rose estava se maquiando quando Jia, Dominique e Roxy entraram no dormitório.

— Quem é essa gata? — perguntou Jia, enquanto Rose passava o delineador. — Está pretendendo conquistar o coração de um dos velhos da banda?

— Estou fazendo a mesma maquiagem que sempre faço quando vou sair — respondeu ainda focada em não borrar o delineador.

— Rose, você nunca se esforça tanto assim na maquiagem — retrucou Roxanne. — Eu juro que só vi você usar delineador umas três vezes no máximo.

Não era verdade, Rose sempre tentava usar delineador para sair, mas não era sua culpa se era tão difícil de passar que ela acabava desistindo. Aquela era sua terceira tentativa, e finalmente havia conseguido. Se não tivesse ficado tão ansiosa para show — por causa de sua banda favorita, claro — não teria ido se arrumar horas antes de hora que marcou de encontrar o Malfoy, e por isso teve tempo para caprichar um pouco mais em sua maquiagem. Não existia outra razão para ela ter se esforçado tanto.

Jia caminhou até sua cama e a revirou ate encontrar a carteira.

— A gente vai comer, quer vir junto? — perguntou. — Ainda falta bastante tempo para o show.

Rose notou que aquela era a oportunidade perfeita para mencionar que iria comer com o Malfoy e ir com ele para o show. Porém, não conseguiu falar. Porque sabia que as amigas iriam dizer que ela estava se maquiando para o namorado falso. O que obviamente não estava. Então, mais uma vez, resolveu adiar aquilo.

— Não precisa, vou comer em um restaurante perto do local do show — respondeu.

— Qual? — perguntou Jia, enquanto guardava a carteira na bolsa.

— No Três Vassouras.

— Eu sou louca para ir lá — disse Dominique e Roxy concordou. — O lugar é ótimo para tirar umas fotos para o Instagram e nunca fica super lotado.

— E sempre tá na lista de melhores lugares para ir em um encontro — completou a outra prima. — Você e Jia deveriam ir depois.

Rose se engasgou com a própria saliva, tossiu um pouco até se sentir melhor.

— Você tá bem? — Roxy indagou preocupada.

— Sim — respondeu rapidamente. — Apenas me engasguei aqui. Mas só ia dizer que vou provar a comida e dizer se vale a pena ir lá!

As amigas pareciam contentes com a resposta dela, logo elas saíram para almoçar a deixando sozinha no dormitório. Rose se perguntou se Scorpius sabia que o lugar era famoso para encontros.

*

Rose chegou na hora marcada nos Três Vassouras, ela sempre se orgulhou de ser perfeitamente pontual. E não esperava ver Scorpius já sentado em uma das mesas, olhando o cardápio. O lugar não estava cheio, mas havia muitas pessoas ali, todos pareciam jovens e muitos eram casais, apesar de ter duas mesas com grupos de amigos. O Malfoy havia escolhido uma parte mais fazia do restaurante para se sentar.

— Scorpius — chamou Rose quando chegou perto da mesa. — Esperou muito?

Scorpius tirou os olhos do cardápio, ajeitou-se na cadeira e pigarreou antes de responder:

— Não, acabei de chegar — ele indicou a cadeira em sua frente para que Rose se sentasse.

Três Vassouras era escuro, mas não tão escuro, tinha plantas para todos os lados e várias cordas de luzes de led, perfeitos para tirar foto. Também parecia o lugar perfeito para um encontro, e Rose precisava admitir que era estranho estar ali para “negócios”. Porém, também seria ótimo tirar umas fotos para uma futura postagem em seu Instagram. Talvez Scorpius Malfoy tivesse pensando nisso quando escolheu o Três Vassouras.

— Então — começou Rose, quebrando o gelo. — Já pensou no que pedir?

Scorpius entregou o cardápio para ela.

— Ainda não.

Rose olhou o cardápio e não parecia nada especial de outros restaurantes.

— Eles colocam abacate em tudo — comentou. — Entendo por que é tão popular entre os jovens.

Ela escutou um som vindo de Scorpius que parecia uma risada, mas quando olhou para frente a cara do Malfoy estava a mesma de sempre: a de um robô. Rose só podia estar ouvindo coisas. Voltou a olhar o cardápio e encontrou algo que chamou sua atenção.

— Aqui diz que a especialidade deles é uma bebida chamada cerveja amanteigada — ela franziu o cenho. — Meio estranho, mas parece interessante.

— Deveríamos pedir então — concordou Scorpius.

— E algo com abacate para comer — brincou Rose, e dessa vez ela viu um pequeno sorriso formar no rosto dele. Sorriu vitoriosa, pelo menos Scorpius Malfoy tinha uma parte humana.

O garçom apareceu na mesa e os dois fizeram os seus pedidos. Enquanto esperavam pela comida, Rose resolveu conversar sobre como seria o namoro falso deles.

— Muito obrigada por ter aceitado — agradeceu. — Sei que é uma ideia meio duvidosa, mas tenho certeza que pode dar certo!

Tentou parecer otimista, mesmo que na realidade não tivesse tanta certeza de nada.

— Albus me convenceu — respondeu Scorpius, como se quisesse dizer que ela deveria estar agradecendo ao primo agora e não a ele. Rose lembraria de fazer isso mais tarde.

— Muito bem — ela respirou fundo. — Acho que deveríamos discutir como vai funcionar. Não podemos simplesmente postar nas redes sociais que estamos namorando, vai parecer forçado.

Scorpius concordou.

— O que quer que eu faça então?

Rose pensou em como poderia dizer “quero que você dê em cima de mim publicamente” da melhor maneira possível.

— Flertar? — respondeu, notando que havia soado mais como uma pergunta então tratou de explicar melhor: — Nós deveríamos flertar em público, para as pessoas verem que estamos saindo.

— E como iriamos... — Scorpius pigarreou, nervoso. — Flertar?

Naquele momento Rose quis ter lido as mensagens no grupo das amigas, elas haviam feitos vários planos para namoro falso. E a verdade era que Rose Weasley não sabia como flertar, nunca havia mantido uma conversa longa com um cara até Adam McLaggen começar a dar em cima dela, e mesmo assim ela não tinha feito tanto esforço, ele que estava muito investido em ser seu namorado e Rose só acompanhou as conversas, e deixou aquele relacionamento surgir. Contudo, com Scorpius ela não podia esperar que ele fosse saber mais que ela sobre flertar, nunca havia visto ele com ninguém e Albus sempre dizia como o melhor amigo recusava todas as meninas — e meninos — que pediam para sair com ele.

Rose pensou bem no que dizer, e nesse tempo a comida dos dois chegou, e assim que o garçom saiu ela teve uma ideia:

— Que tal a gente se encontrar entre as aulas? Podemos almoçar juntos nos dias mais tranquilos — sugeriu. — Ou tomar café da manhã juntos. Só para que as pessoas nos vejam juntos.

— Ok — concordou Scorpius. Um homem de poucas palavras, pensou Rose.

— A gente pode sorrir um para o outro quando estivermos juntos — brincou. — Você... sabe sorrir?

— Eu sei sorrir — respondeu sem sorrir.

— Ótimo — disse Rose tentando parecer otimista. Pegou a sua cerveja amanteigada e tomou um gole. A bebida era verdadeiramente boa, agora a comida não era lá essas coisas, pelo menos o lugar era bonito. E aquilo a deu outra ideia, que tinha tido mais cedo, mas havia esquecido de falar: — Já sei! — anunciou surpreendendo Scorpius que quase derrubou sua bebida.

Rose pegou o celular da bolsa.

— Vamos tirar uma foto — contou. — Posso postar depois.

Scorpius pegou o próprio celular que estava em cima da mesa.

— A câmera do meu é melhor — explicou mostrando seu iPhone 11 Pro Max. Rose olhou sem graça para o seu iPhone 6s e o guardou de volta na bolsa. Típico de um Malfoy rico, pensou.

Scorpius apontou a câmera para tirar uma foto dela e Rose logo disse:

— Acho que seria melhor uma selfie de nós dois.

— Vou tirar uma sua sozinha primeiro.

Rose achou estranho, mas não estava com vontade de discutir então apoiou o cotovelo da mesa e sorriu para a foto. Logo depois Scorpius tirou uma foto dos dois — como esperado, ele não sorriu para a foto —, e depois as enviou para Rose.

Assim que a sessão de fotos acabou, eles terminaram de comer. Conversaram sobre seus horários de aula para ver qual seria o melhor horário para se encontrarem na faculdade.

Quando estavam prontos para ir embora, o Malfoy insistiu em pagar a conta. Rose tentou fingir que queria pagar a parte dela, mas a verdade é que ela nunca iria recusar comida de graça.

Caminharam juntos até o local do show, era um estádio grande, mas não um dos maiores de Londres. A fila estava tranquila e não demorou muito para entrarem. O ingresso dos dois era para arquibancada, o que também foi uma coincidência para Rose, os dois não haviam trocado essa informação antes. Imaginou que Albus tivesse contado para Scorpius quando foi insistir para ele aceitar ser o namorado falso dela.

As músicas da banda Mumford & Sons sempre deixavam Rose muito emocionada, Jia gostava de brincar que ela estava tendo um momento sagrado sempre que ouvia os álbuns. Porém, nada se comparava a ver a banda se apresentando ao vivo. E Scorpius do lado dela era exatamente como imaginou, como se não tivesse ninguém ali. Só ela e sua banda favorita.

Até que Woman começou a tocar e Rose não conseguiu conter a emoção.

— Eu amo essa! — exclamou sorrindo para Scorpius.

— Eu também — concordou ele, sorrindo de leve. Mas Rose estava muito eufórica para registrar o momento.

Ela começou a cantar a música junto com o público, notou uma voz masculina do seu lado e ao se virar viu que Scorpius também estava cantando. Enquanto olhava diretamente para ela.

— I can't read your mind though I'm trying all the time — cantaram juntos.

“Eu não consigo ler sua mente, embora eu tente o tempo todo”.

Rose corou e parou de cantar. Torceu para que Scorpius não tivesse notado suas bochechas — e provavelmente orelhas — vermelhas, e para a sorte dela estava muito escuro no local. Rapidamente desviou o olhar e continuou cantando, olhando para o palco e torcendo para que Scorpius não tivesse mais olhando para ela.

O show seguiu e Rose tentou tirar aquela cena dos seus pensamentos, fingir que nunca tinha acontecido. Aquele era Scorpius Malfoy, o que cara que parecia mais um robô que humano, e aparentemente não ia muito com a cara dela. Eles só estavam cantando uma música, não era nada demais. Rose repetiu aquilo diversas vezes nos seus pensamentos.

Assim que o show acabou, eles saíram juntos e ficaram em silêncio por todo o trajeto até chegarem em Hogwarts. Os dois pararam no meio do campus, onde seguiriam caminhos diferentes para os seus respectivos dormitórios.

Rose sorriu, ainda tímida.

— Até mais, Malfoy — se despediu.

— Espera! — pediu Scorpius quando ela ia se virar para ir embora. Rose tomou um susto ao ouvir o outro falando em um tom de voz mais alto que o normal.

— O que foi? — perguntou confusa.

Scorpius coçou a cabeça, nervoso.

— Se eu estiver flertando com você, como deveria me despedir?

Rose não conseguiu segurar uma risada.

— Acho que é só falar “boa noite” — respondeu dando os ombros. — Se estivéssemos namorando provavelmente a gente iria se beijar agora. Mas é um namoro falso, então, sem beijos.

Rose sentiu seu rosto esquentando depois de terminar de falar e se xingou mentalmente por isso. Ele com certeza conseguiria ver dessa vez. Scorpius a encarava com a mesma expressão indecifrável de sempre, não esboçando nenhuma reação para o rosto corado dela.

— Ok — disse ele. — Boa noite.

O Malfoy logo se virou e foi embora, deixando uma Rose Weasley muito confusa para trás.

*

Rose chegou no seu dormitório, exausta. Jia não estava, provavelmente foi dormir no quarto de Dominique, já que a colega de quarto da prima quase sempre voltava para casa nos finais de semana.

A vontade que tinha era de se jogar na cama, mas se esforçou para tomar um banho e arrancar a maquiagem da cara. Só, então, notou que havia mesmo caprichado mais que o normal. Tudo pelo Mumford & Sons, claro.

Acordou cedo no domingo, nunca conseguia acordar depois das oito, mesmo se fosse dormir de madrugada. Logo mandou uma mensagem no grupo das amigas perguntando quem queria ir tomar café da manhã. Enquanto se arrumava, Celeste e Mackenzie mandaram mensagem dizendo que iriam se encontrar no refeitório, como era de esperado, as outras meninas só costumavam a acordar depois das onze.

O refeitório de Hogwarts estava quase vazio quando Rose chegou, logo comprou seu café da manhã e avistou as amigas já comendo em uma das mesas.

— Bom dia — cumprimentou sentando-se na frente delas.

— Bom dia, Rose — disse Mackenzie, Celeste estava muito ocupada comendo para falar, então apenas acenou. — Como foi o show ontem?

Rose notou que não havia contado para ninguém que tinha ido ao show com Scorpius Malfoy, e agora era realmente tarde demais. Mas ela tinha que contar, ou as meninas acabariam descobrindo no futuro quando ela fosse postar a foto que tiraram juntos. Não sabia por que tinha demorado tanto, não era nada demais ela ter saído com ele. Scorpius Malfoy era seu namorado falso afinal. Começou a se sentir boba, por ter adiado aquilo até agora, sabia que não conseguiria fugir das brincadeiras das amigas e do “Scorose é canon”. Porém, não tinha o que fazer, precisava contar.

— Foi muito legal, mas eu preciso contar para... — começou, porém, foi interrompida por outra voz a chamando.

— Rose! — Adam McLaggen entrou furioso no refeitório, atraindo os olhares dos poucos alunos ali, e parou na frente da mesa das meninas.

Rose sabia que aquilo não podia ser coisa boa. E nunca era quando se tratava de Adam.

— McLaggen será que você não pode deixar a Rose em paz nem nos fins de semana? — perguntou Celeste irritada, ela nunca foi muito fã dele. E se Rose tivesse escutado mais a amiga não estaria onde está agora: com medo do desastre que poderia acontecer.

— Não estou falando com você, Celeste — respondeu e voltou o olhar furioso para Rose — Você está saindo com Scorpius Malfoy?

— O quê? — as três meninas falaram ao mesmo tempo.

Adam pegou o celular e o colocou na cara da Rose. Era uma foto dela com Scorpius no Três Vassouras. Celeste e Mackenzie se esticaram na mesa para conseguir ver.

— Não faz tento tempo que terminamos — disse Adam. — Desde quando está saindo com o Malfoy? Você saia com ele quando estávamos juntos?!

Rose soltou uma risada e delicadamente tirou a mão de Adam com o celular da frente da cara dela.

— Você está com medo que eu tenha te traído? — perguntou incrédula, encarando o ex namorado enquanto ele colocava o celular de volta no bolso, sem tirar os olhos dela. — Pode ficar tranquilo, Adam. Eu não sou você, não traio as pessoas que estou namorando. E o que eu faço também não é da sua conta, você é o meu ex namorado Adam.

Por um momento, Adam não soube o que falar e Rose achou — ou melhor torceu muito — que ele fosse ir embora. Mas, infelizmente, ele tinha mais a dizer:

— Você sabe que eu quero voltar com você, mas vejo que estou sendo legal demais. Não vou ser mais tão legal da próxima vez.

Adam foi embora irritado, com todos os olhares no refeitório o seguindo. E assim que saiu todas as pessoas começaram a conversar entre si, algumas encaravam Rose discretamente.

Celeste foi a primeira a falar:

— Esse cara é doido. Quem ele pensa que é?

— O filho do diretor que pode fazer tudo o que quer — respondeu Rose, tentando não mostrar o quanto estava irritada.

— Você saiu com Scorpius? — perguntou Mackenzie mudando rapidamente de assunto.

Rose soltou uma longa respiração. Não era assim que queria contar para as amigas.

— Ele me pediu para ir ao show com ele como condição para ser meu namorado falso — explicou. — E fomos comer no Três Vassouras antes.

— Por que não contou para gente? — questionou Celeste.

— Eu ia contar! Mas o Adam chegou aqui e fez essa cena!

— Me deixa reformular — disse Lessie. — Por que não contou para a gente antes?

Rose sabia que isso iria acontecer, pelo menos Jia também não estava ali para ver. Mas depois passaria pela mesma coisa contando para ela.

— Eu não sei, só aconteceu! — defendeu-se, mas nenhuma das amigas parecia convencida. — Não aconteceu nada demais, a gente só conversou como o namoro falso iria funcionar. Não sei, porque não contei antes. Juro.

As duas ainda não acreditavam totalmente nas palavras de Rose, sabendo que ela não estava contando algo. Porém, não insistiram.

— As outras sabem? — perguntou Mackenzie.

— Vou contar ainda — respondeu encarando a comida que mal havia tocado, e agora seus ovos já deveriam estar frios.

Antes que pudesse acrescentar algo, Celeste começou a falar:

— Meninas, vocês não sabem o que aconteceu...

Rose levantou a cabeça e viu que a amiga gravava um áudio. Na mesma hora soube que Jia Chang a iria matar.

*

Felizmente, a reação de Jia foi melhor do que Rose esperava. Apenas teve que passar por um interrogatório contando cada detalhe do seu “não encontro” com Scorpius Malfoy. É claro que ela deixou alguns detalhes de fora, como a parte dos olhares dos dois se encontrando enquanto cantavam Woman.

A cena que Adam fez no refeitório logo se espalhou para os alunos de Hogwarts. A faculdade era enorme e Rose não tinha ideia da quantidade de pessoas que sabiam que: “O filho do reitor, Adam McLaggen, tinha tido uma crise de ciúmes, porque a ex namorada Rose Weasley estava saindo com O Scorpius Malfoy”. Porém, todos do seu curso de jornalismo pareciam saber. Rose recebeu no mínimo dez mensagens de pessoas perguntando se era verdade, até mesmo dos seus veteranos que nunca mais tinha nem olhado para a cara dela desde que deixou de ser caloura.

A primeira aula de segunda de Técnicas de Redação foi um pesadelo para Rose. Assim que entrou na sala, a maioria dos alunos se virou para encará-la e muitos foram na sua mesa perguntar sobre Scorpius Malfoy. Para a sorte dela, a professora logo entrou, fazendo com que todos voltassem para os seus lugares.

— Você não pode culpá-los — comentou Jia, sussurrando. — São alunos de jornalismo.

— Estou me arrependendo de ter aceitado seu plano — rebatou. — Sinto que todo dia me arrependo mais.

— Relaxa, Rose — disse. — Todos estão acreditando, o que quer dizer que o plano deu certo. O máximo que pode acontecer é quererem te entrevistar para a coluna de fofoca do Profeta Diário.

Duas horas depois, uma menina do jornal da faculdade realmente pediu para entrevistá-la. Rose, educadamente, recusou. Ela tinha certeza que todo mundo naquele lugar não podia bater muito bem da cabeça. Tudo bem que Scorpius Malfoy era atraente, mas fazer todo aquele alvoroço para um garoto que mal pronunciava dez palavras por dia era um exagero.

E foi só pensar nele que Scorpius apareceu na entrada do prédio de comunicação. Rose havia esquecido que eles haviam combinado de almoçar juntos. Era notável os olhares de alguns alunos sobre eles, ela tentou ao máximo ignorar.

— Veio me buscar? — perguntou Rose. — Podia ter me mandando mensagem e eu te encontrava no refeitório.

Scorpius demorou para responder, como se tentasse encontrar as palavras certas.

— Vamos comer no prédio de engenharia, a comida é melhor lá — explicou. — Tem um restaurante perto.

— Não seria mais fácil ter me mandando mensagem para ir para lá?

Scorpius não soube responder essa.

Os dois caminharam em silêncio o longo caminho entre os dois prédios. Agora que eles já haviam discutido o plano, Rose não sabia se teria assunto para falar com o Malfoy, e era provável que aquele seria o almoço mais desconfortável que já teve.

O restaurante que Scorpius havia sugerido era de comida tailandesa, e Rose amava comida tailandesa. Ela não sabia se ele tinha perguntando para Albus sobre o que Rose gostava, ou se era só uma coincidência. No final, Rose decidiu que era a segunda opção. Não era como se Scorpius fosse ter tido tanto interesse de querer saber mais sobre ela, ele só estava ali para se livrar das fãs e fazer Rose lavar sua roupa suja.

Eles ficaram em silêncio até Rose resolver falar alguma coisa depois que a comida dos dois ficou pronta.

— Albus não ficou magoado de você tê-lo abandonado hoje?

— Não, ele tinha ensaio da banda hoje — respondeu. — Saiu correndo assim que acabou a aula.

— Verdade, tinha até esquecido que o festival está chegando — comentou Rose. — Vou ter que fazer uma matéria sobre para uma das minhas aulas. Talvez entreviste a banda do Albus e da Roxy.

Todo ano em Hogwarts tinha um festival com música ao vivo cantada pelos alunos, comida, apresentações de dança, entre outras coisas. Albus e Roxy faziam parte do clube de música e tinham uma banda chamada Cloud Code, ou apenas, CC. Eles sempre se apresentavam e todo mundo os adorava, mesmo que só cantassem cover do My Chemical Romance.

— Albus está muito animado, não fala de outra coisa — comentou Scorpius. — Diz que vai ser a melhor apresentação deles.

— Vai ser diferente? — questionou Rose. — Por favor, me diz que eles não vão fazer cover do My Chemical Romance.

Scorpius sorriu, um sorriso pequeno, mas um pouco maior do que da última vez. E por algum motivo, Rose sentiu vontade se sorrir com o sorriso dele.

— Eles vão fazer cover de My Chemical Romance — anunciou Scorpius, e Rose fez um bico. Não acreditou que teve esperanças que seu primo iria variar na setlist. — Mas vão cantar uma música especial. Primeiro Albus queria que fosse a abertura daquele anime Demon Slayer...

— Em japonês?

Scorpius suspirou, como se tivesse vergonha de falar aquilo:

— Sim, em japonês — respondeu. — Mas ninguém da banda concordou, então ele acabou trazendo uma música original.

— Ele vai apresentar uma de suas músicas?!

Rose ficou surpresa e animada com a notícia. Seu primo sempre compôs diversas músicas desde que aprendeu a tocar guitarra, mas nunca deixava ninguém ouvir. E ela não estava acreditando que tinha descoberto aquela informação do Malfoy e, não do próprio Albus.

— Sim, é nova — explicou — uma música sobre amor não correspondido, ele não me deixou ouvir.

Rose arregalou os olhos.

— O Albus gosta de alguém? — questionou e Scorpius fez uma cara de assustado, como se tivesse notado que havia falado demais. Rose logo continuou: — Eu sei que você não vai me contar, então terei que encontrar meu querido primo quando as aulas acabarem.

— Não diga que fui eu quem falei — disse ele rapidamente.

— Não vou falar — assegurou. — Você está muito falador hoje, Malfoy.

Com o comentário de Rose, Scorpius pareceu notar as próprias ações, e ficou pensativo por um tempo. Ela não queria que ele visse aquilo como algo ruim, então acrescentou:

— Eu gosto quando você fala mais. Faz parecer que estou conversando com uma pessoa, não um robô.

— Robô? — perguntou confuso.

— Sim, porque em todas as nossas conversas você só sabia responder “sim” e “não”, e frases com até três palavras — explicou. — E você escreve mensagens muito gramaticalmente corretas, ninguém da nossa idade escreve assim. Robô, única explicação possível.

— Eu estava tentando ser educado — argumentou. Scorpius fez uma careta, e por mais que Rose não quisesse admitir era fofa.

— Não precisa ser tão formal comigo — disse. — Nós temos a mesma idade, e agora estamos em um namoro falso, você pode ser mais informal. Sempre achei que não gostasse muito de mim, sempre foge quando eu apareço — Rose riu meio sem graça. — Mas acho que podemos ser bons amigos, o que você me diz?

Rose não estava mentindo. Naquela hora notou que a implicância que tinha por Scorpius Malfoy — resultado da implicância que ele tinha com ela — havia deixado de existir em alguma parte do caminho desde o show do Mumford & Sons, havia se tornado fácil conversar com ele, e Rose até se divertia. Scorpius Malfoy podia ser muito legal quando não estava fugindo dela, ou claramente pensando em fugir dela. Rose esperava muito que ele também sentisse o mesmo.

— Tudo bem — concordou Scorpius. Sabia que não ouviria uma resposta maior dele sobre aquele assunto, mas aquilo estava bom o suficiente.

— É um prazer fazer amizade com você — disse Rose, esticando a mão sobre a mesa. Scorpius demorou uns segundos para entender, mas não fim, levantou a sua própria mão para apertar a dela.

Rose sorriu contende. Pela primeira vez não estava arrependida de ter aceitado e investido tanto naquele plano.

— Ei! O que acha de irmos para o festival juntos? — sugeriu, assim que se separaram.

Scorpius engoliu a seco, visivelmente nervoso. E Essa não era a reação que ela esperava.

— Não é um encontro! — acrescentou rapidamente — Vamos como amigos, mas para as outras estamos em um encontro.

Scorpius concordou lentamente com a cabeça. Ainda parecia nervoso, Rose temeu que a nova amizade poderia se desfazer a qualquer momento. Porém, o Malfoy logo se recompus e voltou a ter a expressão tranquila de antes.

— Podemos ir juntos — disse por fim.

— Ótimo! — Rose sorriu vitoriosa, mas logo se lembrou de outro assunto que queria tratar com ele: — Lembra que eu prometi lavar suas roupas? Posso passar no seu dormitório na sexta para fazer isso.

— Não precisa! — falou Scorpius rapidamente. — Eu prefiro lavar minhas roupas.

Rose ficou confusa.

— Mas não foi por causa disso que você aceitou esse acordou? — questionou. — Não quer me pedir outra coisa no lugar?

Ela estava muito confusa, mas tinha certeza que Scorpius Malfoy não havia aceitado ser seu namorado falso só para ir ao show do Mumford & Sons com ela.

— Só o show está bom — respondeu Scorpius, deixando Rose ainda mais confusa. Ele pareceu notar a confusão no rosto dela e acrescentou: — Concordei porque estou cansado de pessoas me seguindo e tirando fotos minha sem permissão.

Rose se acalmou, aquilo sim era uma justificativa descente. O namoro falso era algo vantajoso para os dois lados, e ela estava aliviada de não ter que lavar as roupas sujas de Scorpius Malfoy

Os dois saíram do restaurante quando terminaram de almoçar. Rose tinha apenas uma aula de telejornalismo a tarde e ainda faltavam cerca de meia hora para começar. Estava ponderando se passava na biblioteca para pegar um livro para aula ou se ia tomar um café na cafeteria perto do seu prédio. Porém, não conseguiu nem se despedir de Scorpius antes de Adam McLaggen aparecer na frente deles.

— O que pensa que está fazendo com ela, Malfoy? — perguntou furioso.

Scorpius manteve a mesma expressão facial indecifrável de sempre.

— Almoçando — respondeu.

Rose revirou os olhos para o ex namorado.

— Adam, será que você não pode me deixar em paz por um dia?

Pelo menos ele não havia criado uma cena no restaurante, pensou Rose. E para sorte dela não havia muitas pessoas em volta. Porém, ela não pode deixar de notar um grupo de alunos sentados em um dos bancos da universidade apontando para os três.

— Rose — Adam a encarou suplicante. — O que está fazendo com esse cara? Ele parece um robô, sou muito melhor que ele.

Scorpius fez uma careta com a menção do “robô”, que durou apenas alguns segundos. Rose quis rir, mas segurou a risada, já Adam não parecia ter notado, pois ainda a encarava.

— Isso não tem nada a ver com você — respondeu. — Já disse que não estou interessada.

Rose segurou Scorpius pelo braço, fazendo com que ele tomasse um susto, e fez menção de sair, mas o ex namorado a impediu.

— Espera Rose! — exclamou. — Na verdade vim de procurar para outra coisa.

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Pereceu esperar por uma reação dela, mas Rose continuou parada segurando o braço do Malfoy sem dizer nada.

— Queria te perguntar algo — continuou Adam ao notar que não receberia nenhuma reação dela. — Vamos no festival juntos?

— Não — respondeu Rose.

— Ela vai comigo — disse Scorpius quase que ao mesmo tempo. Ela o encarou surpresa, ele estava mesmo empenhado no seu papel de namorado falso.

— O quê? — perguntou Adam confuso encarando os dois e, por fim, focou o olhar em Rose. — Por que aceitou ir com ele?

Rose deu os ombros, sem paciência.

— Eu o convidei — respondeu puxando Scorpius para longe de Adam com ela.

— Entendo por que quer se livrar dele — comentou Scorpius depois que estavam em uma distância segura. — Mas não entendo por que namorou ele.

Rose suspirou cansada.

— Carência, provavelmente.

Scorpius pareceu satisfeito com a resposta e os dois continuaram caminhando em silêncio. Até Rose notar que eles estavam voltando para o prédio de comunicação, e o caminho de Scorpius era o oposto do dela.

— Scorpius, você não ia voltar para o prédio de engenharia? — perguntou parando e fazendo com que ele também parece de andar.

— Sim — respondeu como se fosse obvio.

— Então por que me seguiu?

— Você me puxou.

Rose sorriu envergonhada. Ela tinha esquecido disso, olhou para a mão e notou que ainda segurava o braço dele, soltou rapidamente.

— Desculpa — disse se sentindo envergonhada. — Fiz sem pensar, só queria sair de perto dele.

— Tudo bem — Scorpius não parecia bravo, mas Rose não sabia por que ele havia deixado ela o arrastar por tanto tempo. — Acho melhor ir agora.

— Sim — concordou ainda envergonhada. — Até mais então.

Sorriu para ele, mas não o esperou responder antes de continuar seu caminho. Estava se sentindo envergonhada demais, queria enterrar a cara no chão. Não sabia o que tinha dado nela, só esperava poder se livrar de Adam o mais rápido possível para poder por um fim nessa loucura.

Assim que sua última aula acabou foi até do dormitório onde Albus e Scorpius moravam. Hogwarts possuía quatro grandes dormitórios, e os alunos escolhiam onde morar pela localização e pelo preço. Rose morava no dormitório chamado Corvinal, que ficava perto do prédio de comunicação e por ser um dormitório compartilhado não era tão caro, e tinha um banheiro em cada quarto, então não tinha que dividir com todo mundo como no prédio da Lufa-Lufa. Albus e Scorpius moravam no da Sonserina que possuía suítes individuais e bem grandes, era bem mais caro e até hoje, Rose não sabia como Albus havia convencido seu pai de deixá-lo morar lá, seu irmão mais velho, James Sirius sempre dividiu os quartos apertados da Grifinória com o primo Fred.

Rose subiu até o quarto andar — de elevador, porque era claro que os da Sonserina funcionavam — e caminhou até o quarto do primo, que era quase no fim do corredor. Albus não demorou para abrir a porta quando ela bateu.

— Rose! — exclamou surpreso em vê-la. — Não imaginei que você fosse me visitar em minha humilde residência. Se tivesse avisado antes teria arrumado ainda mais para você.

Rose revirou os olhos e passou pelo primo para entrar no cômodo. Estava uma bagunça, como imaginou que estaria. Albus sempre foi muito bagunceiro, a tia de Rose sempre dizia que um dia o filho morresse naquela bagunça, não encontrariam seu corpo por dias.

Ela andou até a cama e jogou algumas peças de roupa e cadernos para o lado para abrir espaço para se sentar.

— Então — cruzou as pernas enquanto o primo fechava a porta e a encarava confuso. — Soube que escreveu uma música de amor.

— Scorpius... — disse Albus como se tivesse xingando o melhor amigo em seus pensamentos.

— Como sabe que ele me disse? — perguntou. — Poderia ter sido a Roxy.

— Só Scorpius sabe — explicou. — Falei para banda que escrevi no ensino médio.

— Ele me disse para não te contar que ele me contou.

— Ele é burro — disse Albus baixo como se tivesse medo que o garoto fosse escutar, o que era impossível, porque Scorpius morava no andar de cima e longe do quarto de Albus.

— Você não vai me contar para quem é a música? — indagou. — Como sua prima preferida esperava ter sido informada disso por você e não por alguém que mal conversava até outro dia.

— Parece que o relacionamento falso de você está dando certo — comentou Albus tentando desviar o assunto, ele se sentou na cadeira da escrivaninha que, milagrosamente, não tinha nada em cima.

— Não tente desviar o assunto! — avisou Rose. — Quero saber quem foi o homem que roubou seu coração?

Albus suspirou se sentindo derrotado.

— Talvez não devesse ter convencido Scorpius a ser seu namorado falso.

— Al! Me conta logo — pediu.

— Nunca vai dar certo — começou. — Então não comece com suas teorias!

— Isso é coisa da Roxy! — Rose se defendeu. — Só fala logo!

Albus demorou um tempo, como se estivesse pensando em como fugir daquele interrogatório. Quando finalmente pareceu desistir de encontrar uma saída, respondeu:

— Anthony Zabini.

Rose ficou boquiaberta, não esperava ouvir aquele nome. Anthony era o irmão mais velho de Celeste, e Lessie tinha certeza que ele e Roxanne estavam saindo. Não sabia se deveria contar isso para Albus, ela mesmo não sabia o que pensar sobre Roxy e Anthony. O único motivo que sua prima teria para esconder o relacionamento seria se Celeste fosse ficar magoada com isso, mas a situação era completamente oposta. No fim, decidiu não comentar nada sobre a situação com Albus.

— E como isso aconteceu? — perguntou verdadeiramente curiosa.

Albus balançava a cadeira de um lado para o outro, como se não tivesse com tanta vontade de contar a história. Rose sabia como o primo era, a última vez que ele gostou de alguém não deu muito certo.

— Fui encontrar a Roxy para ir para o ensaio da banda e o vi saindo da sala — contou.

— Foi amor à primeira vista? — Rose ficou animada. — Isso é tão fofo Al!

O primo soltou um grunhido.

— Você é muito chata, às vezes.

Ela ignorou.

— Já conversou com ele?

— Depois eu que sou o fofoqueiro — Rose jogou um camisa que estava na cama na cara dele. — Não conversei, nem nunca vou conversar!

— Al! — protestou Rose. — Você tem que tentar!

— Não vai rolar, prima. Mas é um saco, porque ele está em todo o lugar — disse. — Logo depois daquele dia, Scorpius me chamou para jantar com ele e um amigo de infância e quando chego lá, adivinha?

— Era o Zabini! — exclamou Rose animada com a história, ela gostava de histórias de amor que não eram a dela. E por mais que o caso de Albus fosse complicado, por causa de toda a situação com Roxy, ver o primo gostando de alguém de novo a deixava muito feliz. — Mas você não jantou com eles?

— Não! — respondeu. — Vi os dois na mesa pelo vidro e logo fui embora correndo. Ainda tive que mandar uma mensagem para Scorpius falando que estava passando mal.

— Albus...

— E no final de semana seguinte tinha aquele jogo de Hogwarts contra Durmstrang, e o James me convenceu a ir, porque ele ficou com aquilo que queria toda a família lá ou eles iriam perder. Fazendo terror psicológico, como sempre — contou Albus.

— O primeiro jogo que você viu do seu irmão e do seu primo desde que eles entraram na faculdade — relembrou Rose.

— Você sabe que eu não vejo graça em um monte de gente chutando uma bola para um lado e para o outro — falou. — Mas, enfim, você já deve imaginar o que aconteceu.

— Anthony está no time de Hogwarts.

— Sim! — concordou Albus. — Ainda é amigo do James, com certeza é hétero.

— Não necessariamente.

— De qualquer jeito, não namoro caras do time de futebol e você sabe por quê.

— Al... — começou Rose, mas foi logo interrompida pelo primo.

— Não vamos falar disso — pediu. — Até me sinto melhor falando com você. Foi bem estranho contar para Scorpius.

— Por quê? Ele reagiu mal? — perguntou Rose na defensiva, estava pronta para romper a mais nova amizade se ele tivesse magoado Albus.

— Não! — respondeu Albus, rapidamente. — Ele até sugeriu ir perguntar para o Anthony se ele gostava de garotos. Mas você conhece o Scorpius, ele não leva muito jeito para falar com as pessoas, capaz do Anthony achar que o Scorpius gosta dele.

Rose riu, pensando em todas as conversas estranhas que teve com o Malfoy. Por mais que ficasse frustrada na época, agora essas memórias eram engraçadas para ela.

— Verdade — concordou. — Mas ele melhorou, pelo menos comigo.

Albus arregalou os olhos, interessado. E Rose sentiu que havia trocado de lugar com o primo, agora era hora dele ser o fofoqueiro.

— Vocês viraram amigos agora?

— Sim, resolvemos ser amigos — confirmou. — Ainda não sei por que ele tinha tanta implicância comigo, mas pelo menos agora ele parece uma pessoa normal quando a gente conversa.

Albus riu.

— Você tem que me agradecer — disse com um ar de superioridade. — Nada seria possível sem a minha ajuda.

— Muito obrigada, meu primo perfeito — falou Rose, entrando na brincadeira. — Foi uma coincidência e tanto ele ter o ingresso pro Mumford & Sons no mesmo setor que o meu.

— Sim — Albus concordou desviando o olhar para outro canto do quarto. — Muita coincidência.

— Você está agindo suspeito agora... — comentou encarando o primo, confusa.

Albus riu, nervoso.

— Não exagera Rose, só estava concordando com a coincidência — explicou, e logo em seguida pegou seu Nintendo Switch em cima da escrivaninha — Quer jogar Animal Crossing comigo?

Rose sabia que Albus estava mudando de assunto, mas não conseguia resistir a jogar um pouco deAnimal Crossing, por isso concordou.

— Você já arrumou sua ilha? Estava uma bagunça da última vez que vi.

Albus fez bico.

— Rosie, você sabe que eu só sei pescar — ele se jogou na cama do lado dela, sem se importar com as pilhas de roupas. — Você pode me ajudar!

*

Rose voltou para o seu dormitório depois de passar horas jogando com o primo, os dois pararam para jantar e ela decidiu que estava ficando tarde e precisava voltar para o seu quarto.

Assim que entrou foi recebida por uma Jia Chang eufórica.

— Rose! Olha isso! — a amiga colocou o celular na frente da cara dela, Rose teve que afastá-lo um pouco para conseguir ver.

Era um perfil do Instagram do Scorpius Malfoy, tinha 5 mil seguidores, não seguia ninguém e só tinha uma foto postada: o ingresso do show do Mumford & Sons.

— Eu sei, loucura — disse Jia, vendo que Rose ficou em silencio. — Achei até que fosse fake, mas Anthony Zabini confirmou em um stories que era real.

Rose sabia que não era fake, porque ela havia visto aquele ingresso, havia o segurado. Aquele era o ingresso de Rose, ela tinha pedido para Scorpius segurar e havia esquecido de pegar de volta. Rose pegou o celular da mão de Jia e clicou na foto. A legenda era a parte da música que eles tinham cantando olhando um para o outro: “Eu não consigo ler sua mente, embora eu tente o tempo todo.”

Jia notou o olhar da amiga para a tela.

— É uma música do Mumford & Sons? — perguntou. — Achei bem romântica, será que ele colocou para você?

Rose sabia que era para ela.

— Ele está empenhado com o lance do namorado falso — explicou, aquela realmente era a única explicação possível. Ele não precisava ter colocado aquela parte da música, e fazer Rose ficar envergonhada só de lembrar, mas conseguia imaginar que o fã clube dele já deveria estar comentando que Scorpius estava saindo com alguém.

— Faz sentido — concordou Jia. — Não acredito que meu plano está mesmo dando certo.

Rose a encarou confusa, enquanto Jia se jogava, contente, em sua cama.

— Mas você tinha tanta certeza que ia dar certo.

— Sabe como é, Rosie — disse apoiando a cabeça em uma das mãos para encarar a amiga melhor. — Não se pode ter certeza de nada na vida. Só queria te convencer na hora.

Rose revirou os olhos, mas sorriu.

— Você tem sorte que esteja dando certo — disse abrindo seu armário para pegar sua roupa de dormir.

Quando Rose estava indo para o banheiro, Jia gritou:

— Não esqueça de seguir o seu namorado! Eu já segui e ativei as notificações.

Rose riu, mas pegou o celular abrindo o Instagram para seguir Scorpius, porém preferiu não ativar as notificações, isso sim já era demais.

Na manhã seguinte acordou cedo com o despertador do celular, assim que o pegou para desligar viu que estava cheio de notificações, algumas mensagens, umas dos aplicativo da faculdade, mas a maioria era do Instagram. Esfregou os olhos com a mão, ainda muito sonolenta para conseguir ler e raciocinar o que estava acontecendo.

— Jia? — chamou. — Está acordada?

Jia soltou um som abafado pela cara no travesseiro, Rose imaginou que aquilo fosse um “sim”.

— Estou recebendo muitas notificações no Instagram — disse.

Agora ela já conseguia ler algumas, notou que muita gente que não conhecia havia a seguido e curtido suas fotos, alguns comentários como “até que ela não é tão feia quanto falaram”, “não é bonita o suficiente para o nosso Scorpius”.

Rose franziu o cenho, confusa.

— Jia? — chamou pela amiga mais uma vez.

Ainda encarava a tela de celular quando ouviu um barulho das molas na cama do lado.

— Rose! — girou Jia, ela estava sentada na cama olhando celular, totalmente dispersa. — O Instagram do Scorpius! Ele postou duas fotos novas e uma delas é uma foto sua!

— O quê? — perguntou Rose, agora sentindo que estava finalmente despertando.

Desbloqueou o celular e entrou no perfil do Malfoy, ignorando as notificações. Ele havia postado uma foto da cerveja amanteigada que eles tomaram no Três Vassouras, Rose nem tinha notado quando ele a tirou. E a segunda foto era uma foto dela, a mesma que ele tinha tirado. Nenhuma das fotos tinha legenda, mas elas não precisavam. Todos sabiam que eles tinham ido juntos ao Três Vassouras — graças a cena que Adam fez —, e uma foto da cara dela não precisava de explicação.

— Rose, olha quem ele está seguindo — pediu Jia.

Rose viu que agora ele seguia uma pessoa, ao invés de ninguém. Antes mesmo de clicar já imaginou que fosse ela.

— Ele está mesmo se esforçando — concluiu.

— Quem diria que o Malfoy sabia flertar — comentou Jia. — Ele criou um Instagram só para dar em cima de você.

Ela estaria mentindo se não admitisse que estava impressionada com os esforços de Scorpius. Para alguém que fugia dela sempre que a via, e mal a dirigia uma palavra sequer, agora Scorpius Malfoy parecia prestes a se tornar o melhor namorado falso que podia pedir. E a chance perfeita de nunca mais ter que aguentar Adam McLaggen a perseguindo por todo o lugar.

Notas finais
Espero que tenham gostado da primeira parte, e tentarei postar a segunda até domingo! Gostaram do Scorpius?? me inspirei bastante no amor da minha vida Sarawat kkkkk Não esqueçam de comentar, eu preciso de validação para viver! Beijos!