Crash Into Me
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Marina (ponto de vista)
Passaram-se duas semanas desde o jantar em que eu havia conhecido Manu, e nós não podíamos estar mais amigas, e eu cada vez mais encantada com aquela loira. Ela sabia cozinhar maravilhosamente bem, tinha bom gosto musical, era educada e carinhosa com todos, uma verdadeira dama, era prestativa, e sem falar na beleza, que a cada dia parecia aumentar mais e mais.
Eu, ela e a Nanda, que incrivelmente parou de implicar sobre nós sermos amigas, passávamos o dia inteiro juntinhas, quando não era na fábrica acompanhando a confecção das roupas, era no atelier desenhando, e quando não decidíamos passar o dia em casa assistindo filmes e comendo besteiras. Nos finais de semana aproveitávamos que Flávia estava em casa para passear. E nesse domingo não havia sido diferente, como estava louca de vontade de comer peixe, fomos para um restaurante que ficava no meio do rio.
Depois do almoço como tinha comido demais, fiquei deitada na rede junto com a Flávia enquanto a Nanda e a Manu se trocavam para dar um mergulho no rio. E quando eu tive a visão de Manu em um biquíni tomara-que-caia rosinha claro, com a parte debaixo pequena que deixava em evidência sua bunda, não conseguia deixar de imaginar coisas bem impuras.
– Fecha a boca antes que caia a baba – Flávia me cutucou.
– Com uma visão dessas do paraíso, minha amiga, preciso admirar – respondi com um sorriso safado.
– Marina, Marina, ela não curte, vê se não se ilude – Flávia me advertiu.
– Eu sei disso, Flavinha. Mas isso não impede de eu querer o corpo dela nu na minha cama, mas eu não vou tentar nada. Não é como se eu fosse agarrar a menina... – brinquei e Flávia me olhou balançando a cabeça.
– Mari, você não tem jeito, depois você ta ai com o coração partido... – Flávia falou em um tom triste.
– Ai, amiga, não é como se eu tivesse apaixonada por ela, estou encantada, não vou negar, mas você sabe que eu sou muito pé no chão, nós somos amigas, apenas isso – respondi tentando ser convincente, porque na verdade, se eu sentisse que não tinha chances, eu realmente desistiria, mas toda vez que eu falava com a Manu, eu sentia como se ela estivesse se encantando por mim também.
As meninas voltaram do mergulho e decidimos ir para casa, porque Flávia queria descansar para na manhã seguinte pegar no batente novamente, resolvi ir direto para meu apartamento, porque precisava enviar uns modelos para a Kath. Depois tomei um banho e me arrumei para dormir. Ao deitar a cabeça no travesseiro, ri comigo mesma, será que a Flávia estava certa? Estava nítido que a Manu não fazia parte do mundo colorido, mas eu via alguma coisa em seu olhar, ou será que isso era coisa da minha cabeça? Meu celular tocou e um sorriso imenso no meu rosto brotou.
“Oi, Má” atendi animada.
“Oi, linda, ta em casa?” Marcela perguntou com a voz doce.
“To sim, princesa” respondi sorrindo.
“Então que tal você abrir a porta pra pessoa que você mais ama nesse mundo?”
“Ai, Má, deixa de graça, ela deve estar dormindo agora, já que já são uma hora da manhã, e ela é uma moça de família” brinquei.
“Ah, espero que ela tenha uma insônia e fique que nem um zumbi, tão feia que nem maquiagem resolva” Marcela brincou com um tom divertido na voz.
“Você esta realmente na porta da minha casa?” perguntei descrente.
“Infelizmente sim, estou nessa cidade sem civilização” respondeu suspirando.
“Ei, falar mal da minha cidade não vale, espera, coisa chata, to indo abrir a porta” falei desligando o celular.
[...]
– Nossa, que demora! – Má reclamou assim que eu abri a porta.
– Eu também estava morrendo de saudades — ironizei a abraçando e dando um selinho nela.
– Então, eu tenho uma filmagem pra fazer na cidade por três dias, posso ficar por aqui? A Tayla ainda ta no Rio, e como eu não conheço mais ninguém na cidade e odeio hotéis, pensei em você – ela pediu e explicou timidamente assim que fechei a porta.
Tayla era minha melhor amiga desde a sexta série, nos conhecemos na escola e viemos sendo inseparáveis desde então. Com quinze anos ela foi morar em Londres, fazer curso de teatro e foi onde ela conheceu Marcela, vivíamos conversando por Skype, tanto que nos tornamos amigas, mas como a Má sempre foi aquele espetáculo de mulher, eu meio que desenvolvi uma paixão platônica por ela, mas tive minha fase safada aos dezoito e acabei esquecendo. Mas quando fiz vinte, a Tay voltou de vez para morar em Manaus, já que havia acabado o curso e a Má veio com ela para conhecer a cidade, e em uma noite de bebedeira, acabamos ficando.
Mas a Marcela era uma figura pública, e estava lotada de trabalho, então preferia manter sua sexualidade escondida, e quando nos encontrávamos sempre rolava, acho que mais por carência do que por algum sentimento a mais do que de amizade.
E em falar em amizade, quem não ficou nem um pouquinho feliz com essa nossa aproximação foi a Tay, e eu sabia que era porque ela morria de ciúmes de suas duas melhores amigas, e acho que medo de algo dar errado e nós duas não nos suportarmos mais, e ela ter que escolher lados. Mas acho que o maior medo dela era de nós duas nos tornássemos mais amigas do que eu e ela, ou ela e a Má, a Tay adorava ser o centro das atenções, o centro da amizade.
– Claro, vou adorar – respondi animada.
– Olha se eu for te incomodar, é só falar, não precisa se preocupar... – ela dizia cada vez mais envergonhada.
– Eu já disse que vou adorar ter você aqui — afirmei dando um sorriso malicioso.
Má devolveu meu sorriso malicioso, largou a bolsa no sofá e veio em minha direção. Não sei se era porque ela era uma atriz, mas sempre que nos beijávamos, ou rolava aquele clima quando os corpos estão se aproximando, eu me sentia em um filme, ela me lançava um olhar tão doce, não era apaixonado, porque eu sei que ela não era apaixonada por mim, longe disso, mas não sei, um olhar carinhoso e quando nossos corpos se encontravam, ela se aconchegava em meus braços, dava seu sorriso de mulher fatal e capturava meus lábios, eu era sua refém, prisioneira de sua sensualidade. O clima já esquentava rápido demais, as minhas mãos já queriam explorar aquele corpo inteiro, mas sempre iam para a parte da mulher que eu mais admirava e parecia ser o um dos pontos mais sensíveis da Má, seus seios.
– Nossa, que fogo hein? – Má falou com a respiração entrecortada quando nos separamos pela falta de ar.
– Vem, vamos para cozinha que você deve estar com fome e eu preciso tomar um chá de camomila, pra ver se acalmo meus hormônios – a chamei vendo seu rosto corar, mas ela continuava com o sorriso malicioso em seu rosto.
Como eu era um zero a esquerda na cozinha, quem acabou fazendo um macarrão ao molho vermelho foi a Má, que estava maravilhoso. Enquanto jantávamos, íamos conversando sobre seu trabalho, ela estava gravando um episódio para uma série de TV, em que ela seria sequestrada e levada para o meio de uma floresta, mas ai ela ia dar uma de Lara Croft, e ia conseguir se salvar.
– Preciso te mostrar uns golpes que eu vou ter que dar, você vai pirar – Marcela revelou enquanto eu lavava a louça, já que era a única coisa que eu sabia fazer.
– Então vamos pro quarto, você tem problema dormir comigo ou prefere no quarto de hóspedes? – perguntei inocentemente.
– Se não for incomodar você e se você não tentar nenhuma gracinha no meio da noite, eu prefiro ficar com você – ela respondeu timidamente, com um sorriso bobo. Eu adorava ver esse lado menininha tímida dela, era raro, porque eu me lembro da Tay uma vez comentando que a Má odiava fazer papel de mocinha lesinha, que cora por tudo, que vê tudo cheio de coraçãozinhos.
– Eu prometo me comportar, quero ver é você se controlar perto desse corpinho sensual – brinquei apontando para meu corpo.
– Sua boboca, to indo tomar um banho e colocar um pijama, você podia ser gentil e pegar minha mochila lá na sala né? – pediu toda educadinha.
– Tudo bem, sua bobona, só porque eu sou uma lady e ótima anfitriã, apesar de você ser de casa já – respondi indo para sala.
Desci as escadas com um sorriso bobo, eu adorava ter a Marcela perto assim, ela me fazia bem. Eu não tinha muitas amigas verdadeiras, eram apenas ela, a Tayla, a Flávia e claro a Nanda. Mas agora tinha a Manu. Ah, a Manu... Subi e deixei a mochila em cima da cama, e a avisei que ia terminar um trabalho no escritório e que já retornaria, mas apenas a deixei confortável para se trocar, para ela não ficar envergonhada por sair só de toalha e eu não ficar com meu corpo quente demais e não poder fazer nada sobre isso.
Depois de meia hora voltei para o quarto e a encontrei alongando seu corpo, estava com a bunda empinada para cima, enquanto suas mãos se encontravam com seu tornozelo, e eu achando que ia conseguir manter meus desejos reprimidos, ela olhou por entre suas pernas e sorriu ao ver que eu estava ali babando por ela.
– Vamos dormir? Amanhã te mostro meus golpes, to incrivelmente esgotada – ela pediu já subindo em minha cama.
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