Crash Into Me

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Oi, eu sou Amanda, e sou perfeccionista. Já estou até treinando pra quando eu for para a reabilitação, hehe. Quando apenas era leitora, odiava quando as autoras demoravam para atualizar, mas agora eu entendo, e pior, ainda sou o tipo de pessoa que se for pra fazer algo, tem que ser feito da maneira mais certa que eu consiga, e isso minhas queridas não é TOC, porque em questão de limpeza, sou 0/0. E quanto ao orange, não quis precipitar nada, para não ficar muito forçado, nem muito fantasioso, ainda mais porque já tenho o perfil de cada personagem formado, e eu não conseguia encaixar a cena ao caminho que a história está se fazendo na minha imaginação. Enfim, desculpa pela minha matraca, espero que aproveitem a leitura :)

Marina (ponto de vista)

Marcela entrou embaixo das cobertas e depois de me convidar para acompanhá-la, pediu para que eu desligasse a luz, como eu iria conseguir manter minha sanidade no escuro com uma mulher daquelas em minha cama? Fiz como ela pediu, mas não conseguia pregar meus olhos, estava deitada de barriga pra cima, depois tentei virar de costas pra ela, e por fim decidi me deitar de frente para ela, mas nenhuma posição foi satisfatória ao meu sono.

– Por que você esta tão agitada assim? – perguntou Marcela colocando a mão no meu rosto.

– Porque você me deixa assim – respondi já a puxando lhe dando um beijo desesperado e cariando seus seios.

Eu sabia que a Má queria aquilo tanto quanto eu, eu sentia seu desejo passando pelas suas unhas arranhando minhas costas, mas ao mesmo tempo eu sabia que não podia passar do amasso com ela. Já tínhamos falado sobre isso, ela apesar de querer esconder, era uma romântica, ela não acreditava em sexo, e sim em fazer amor, não queria fazer algo que depois pudesse prejudicar nossa amizade. Então foi com muita força de vontade, que desviei minha mão boba que estava descendo para seu ponto central de prazer e virei a Má de posição, deixando-a de costas pra mim enquanto eu a abraçava.

– Agora eu posso dormir feliz – comentei dando um beijo em seu rosto, aconchegando-a em meus braços.

– Como se eu fosse a razão da sua felicidade, mas eu me contento com o pouco que você pode me dar – Má respondeu com a voz sonolenta e cansada, e se aconchegou ainda mais em meu corpo e entrelaçou nossos dedos.

Eu não sabia o que responder, além do que ela já estava dormindo, e eu sabia que ela não estava fingindo porque seu corpo estava muito calmo, fato que não acontecia quando ela estava acordada e perto de mim. Deixei isso pra lá, já que não era como se nós namorássemos, então ela não podia exigir nada, e eu sabia que aquilo era só porque ela estava carente, já que era final do mês, ou seja, ela estava de TPM.

[...]

Acordei com um bom humor contagiante e sentindo um aroma maravilhoso, que só sentia quando a Má estava em minha casa, cheirinho de café e de pão assado. Antes de descer, fui ao banheiro, tomei banho, coloquei um short jeans e uma blusa branca lisa e desci. Ao chegar à cozinha, um sorriso involuntário já tomava meu rosto, o som baixinho tocando Dancing Shoes do Arctic Monkeys, e uma Marcela dançante colocava a mesa do café.

– Vejo que nesses dias que você vai ficar aqui vou comer bem – comentei tentando soar ambígua dando um beijo em sua nuca, outro em sua bochecha e então um selinho.

– And the shit, shock, horror, you’ve seen your future bride. Oh, but it’s oh absurd – cantarolou Marcela com um sorriso divertido virando para mim e mostrando seu avental de dona de casa.

~(E a merda, choque, horror, você viu a sua futura noiva. Oh, mas isso é tão absurdo)~

– Noiva? Deus é mais! – brinquei me benzendo — Bom dia, princesa – sussurrei puxando-a e encaixando nossos lábios, invadi sua boca antes mesmo de ela permitir, e a cada instante nosso beijo se tornava mais urgente, isso era o que dava ficar reprimindo os desejos sexuais, qualquer coisinha, qualquer beijinho era motivo para incendiar tudo.

– Boboca, temos que tomar café agora, se não o pão fica que nem torrada, vamos? – Marcela me convidou ofegante e encostando nossas testas. Assenti e fomos comer.

Eu adorava pegar o pão assim e mergulhar no café, Marcela já até sabia, tanto que colocou xícaras mais rasas e abertas. Nossa, como aquela mulher me conhecia... E foi nesse clima que tomamos nosso café, colocando os papos em dia, falei sobre a Manu, e ela não pareceu muito contente, disse que a conhecia de outros carnavais e que ela era uma esnobe chata, depois ela ainda cuidou da louça e finalmente foi mostrar os golpes que daria.

– Que horas que vai ser a gravação mesmo? – perguntei assim que ela terminou e sentou ofegante no sofá junto a mim.

– Umas seis horas, na hora em que você tiver indo pra aula de dança com a Nanda – Má respondeu.

– A academia ta fechada para manutenção, então estamos meio que de férias de tudo. E a Nanda não quer mudar de academia por causa de uma paixãozinha dela, o jeito é esperar – respondi chateada porque odiava imaginar a Nanda um dia com alguém, ela nem tinha idade para pensar nisso.

– Não precisa ficar bravinha, cedo ou tarde você sabia que isso ia acontecer... – Marcela brincou puxando as minhas bochechas e sentando em meu colo, mas eu continuava séria.

– Antes fosse tarde, bem tarde – retruquei e ela sorriu se aproximando de mim, quando íamos nos beijar, a campainha toca. Tirei a Má gentilmente do meu colo, e fui abrir a porta.

– Minha princesinha – sorri ao receber um abraço da Nanda.

– Nosso zoológico miou hoje, a agência me chamou, parece que as filmagens começam hoje, não entendi bem no telefone. Mil perdões, separa o dia inteirinho amanhã pra mim? – Manu pediu apressada e manhosa como sempre.

– Claro, como vossa majestade desejar – brinquei e me curvei beijando sua mão.

– Boba, to super atrasada, mais tarde vemos os detalhes, divirtam-se por mim – Manu deu tchau e ao dar o beijo de despedida, acabou aproximando demais, e quase nos beijamos na boca, foi por alguns centímetros, ela se afastou envergonhada e correu, reclamando de seu atraso. Fiquei parada na porta sorrindo como uma adolescente, nossa fazia muito tempo que eu não ficava assim por alguém, aquela paixão meio platônica, já que a Manu era hétero, mas a possibilidade de um dia ela dar bola para mim tornava tudo mais excitante. Fechei a porta ainda boba, suspirei e fui à cozinha pegar um copo de água.

– Olha o que a Má trouxe de presente pra mim – acordei dos meus devaneios quando uma Nanda saltitante chegou com uma caixa de jóias na mão.

– Como assim ela trouxe presente pra você e não trouxe pra mim? – reclamei vendo que a Má entrava na sala toda arrumada.

– Ela merece, e além do mais quero conquistá-la, você eu já sei que nem com jóia eu consigo, então pra quê perder tempo, não é? – ela comentou com um sorriso cínico no rosto em tom divertido.

– Posso saber pra onde a senhorita vai assim toda arrumada? – perguntei meio confusa.

– Vou resolver umas paradas da minha gravação, meu diretor acabou de me mandar uma mensagem, dizendo que haverá umas mudanças, mas estarei em casa para o almoço. Nanda, você ajuda a sua rainha a não queimar o apartamento todo? – explicou e pediu divertida para Nanda, que gargalhou ao ver minha cara chateada.

– Vou fazer tentar fazer meu melhor, capitã – Nanda respondeu fazendo continência.

– Agora que estou mais tranquila, posso ir, beijos – Má se despediu dando um abraço apertado em Nanda, e ao passar por mim quando eu me inclinei para beijá-la, ela desviou e apenas me deu um abraço meio de lado.

Ela deve ter ficado envergonhada em fazer isso na frente da Nanda, mas se bem que nós sempre nos beijávamos na frente dela, tanto que sempre que isso acontecia, a Nanda já vinha e sentava entre nós duas, ciumenta como sempre, e fazia questão de passar o dia roubando atenção da Má, Nanda a amava, apesar de sentir ciúmes. Sentei no sofá com a Nanda ainda pensativa, será que era vergonha? A Marcela às vezes tinha uns surtos, principalmente próximo aos dias férteis dela, que já estava chegando junto com o final do mês. Com certeza era TPM isso, Má era bem resolvida com a sexualidade dela, vergonha não era.

– É ciúme – Nanda comentou.

– O que? – perguntei meio abobalhada ainda não entendendo.

– A Má não foi muito carinhosa com você, como é típico dela, porque estava com ciúmes – Nanda comentou e eu ri. Certamente não era isso, a Má sempre foi muito desencanada com isso de eu ficar com outras meninas, sendo que eu nem estava ficando com ninguém.

– Ciúme da Manu?A gente não tá nem ficando, e mesmo que isso acontecesse, coisa que acho muito improvável, a Má é super desencanada, isso é porque ela vai ficar de TPM – respondi e Nanda balançou a cabeça desaprovando o que eu disse.

– Repete isso na frente dela pra você ver o gelo que ela vai te dar, você é muito tapada às vezes, sabia? – Nanda comentou chateada – Vou abrir seus olhos, cuidado que as pessoas cansam, e quando cansam, elas pegam abuso.

– Ai, Nanda, seja mais específica, acordei ainda agora e o raciocínio ta meio lento ainda– pedi explicação sem entender nada.

– Ai, Mari, esquece, você vai entender, eventualmente vai entender... – respondeu Nanda suspirando – Vamos pra cozinha? – pediu animada — Quero fazer um almoço maravilhoso pra Má.