Crash Into Me
1 Capítulo 1
Marina (ponto de vista)
Contos de fadas sempre me pareceram falsos. Não tem como as pessoas amarem apenas uma para sempre. Elas podem até ficar com apenas uma, mas isso por comodidade, por medo da solidão, mas por amor eu sei que não. Então esse negócio de “e viveram felizes para sempre” é a principal razão de eu não acreditar em contos de fadas.
Não, eu não sou nenhuma anti-amor, tanto que sempre quando minhas amigas estão apaixonadas, o que é um fato constante, eu costumo dar discursos encorajadores, mesmo sendo discursos curtos regados de baboseiras à la Nicholas Sparks. Mas eu apenas acredito que o amor tem data de validade.
E outro motivo de eu não acreditar em contos de fadas é que não nasci para ser donzela de um príncipe, primeiro porque fui criada para ser dama de ferro, poderosa e com um closet digno da empresária mais sexy e bem-sucedida do país. Sim, essa sou eu. E outra coisa, eu meio que não me sinto lá muito atraída por príncipes e sim por princesas, se é que vocês me entendem.
Mas meu coração só tinha espaço para uma princesa: Fernanda, minha vizinha de oito anos e uma das minhas melhores amigas. Eu a conheci quando ela ainda tinha quatro anos, no parquinho do prédio em que morávamos, e como naquela época dona Flávia, mãe de Nanda, estava se separando do marido e estava com problemas financeiros, eu ajudava ficando com a bebê enquanto ela trabalhava, depois foi se tornando um hábito, e eu não consigo ficar longe da minha princesa, e como não precisava me preocupar com nada, já que eu já havia acabado minha faculdade de Design, já era rica, trabalhava por amor, tinha bastante tempo livre, podia me dar o luxo de passar o dia brincando com ela.
– Bom dia, Flávia, nossa pequena já esta pronta? – cumprimentei dona Flávia com um abraço assim que ela abriu a porta de seu apartamento.
– Ela já está descendo, e eu atrasadíssima, você tranca tudo pra mim, minha filha? – dona Flávia pediu já cheia de sacolas na mão.
– Claro, Flávia – respondi sorrindo da situação dela, sendo engolida por várias sacolas.
– A noite nos vemos, e nada de lanchar antes do jantar, vou fazer minhas famosas panquecas, a Manu ta gravando um filme aqui na cidade, e vai ficar um tempo conosco, hoje eu quero apresentar vocês – dona Flávia disse já na porta.
– Uh, finalmente vou conhecer a atriz Manuela Lopes, uma das celebridades mais badaladas do momento, me sinto até importante – brinquei e dona Flávia sorria.
– Fala como se você não fosse famosa, enfim já vou, beijos – se despediu e mandou um beijo soprado.
Nanda desceu e invés de irmos para a fábrica ver como andava o processo de confecção das roupas junto ao meu empresário, eu e ela fomos para o meu atelier, fazer um vestidinho para ela usar a noite, ela não parava de falar na Manuela, que era sua meia-irmã, confesso que até fiquei com um pouco de ciúmes, sou uma pessoa um pouco possessiva.
Passamos o dia nessa brincadeira, almoçamos por lá mesmo, e no fim da tarde voltamos para minha casa, tomamos banho, a Nanda até maquiagem passou, enquanto eu apenas vesti um short jeans, uma blusa larga com o Pooh e o Leitão e uma havaiana branca com bolinhas douradas.
Confesso que não estava tão animada com a chegada da Manuela porque a Nanda iria querer só ficar com ela, e daqui a um mês quando ela fosse embora, minha pequena iria ficar arrasada, e isso já era um incentivo para eu antipatizar com a garota, porque eu odiava quando ela ficava triste. Mas quando chegamos para jantar na casa da Flávia, e eu me deparei com uma versão da Nanda mais velha, eu simplesmente não conseguia sentir nada além de carinho e vontade de fazer amizade.
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