CAPITULO 1

Eram oito e meia da manhã, o mordomo, Sebastian Michaelis, dirigiu-se ao quarto de seu jovem mestre para despertá-lo como fazia todas as manhãs. Ele bateu na porta e adentrou o quarto escuro, colocou a bandeja do café da manhã do seu mestre em cima da cama e foi abrir as pesadas cortinas revelando uma manhã não muito acolhedora; lá fora o céu estava cinza e chovia, parecia estar fazendo mais frio do que o normal para dezembro.

- Bocchan, acorde ! – disse o mordomo acordando-o.

Ciel dormia tranquilamente e parecia ignorar Sebastian.

- Por favor jovem mestre, o senhor tem compromissos para hoje, não vou tolerar atrasos devido a sua preguiça.

Ciel esfregou os olhos bocejando, estava mais preguiçoso do que de costume essa manhã.

- Bom dia, bocchan! O chá dessa manhã será Earl Grey – disse o mordomo entregando ao garoto a xícara de chá.

Ciel sentou-se na cama pegando a xícara ainda bocejando.

- Seus compromissos de hoje são: o conde Lionheart comparecerá para discutir como exterminar os ratos que estão invadindo Londres, no almoço o senhor terá a presença do conde Bertucci, ele deseja contribuir com seus produtos para obter lucro com nossa companhia e no período da tarde terá aulas.

Ciel tomou um gole do chá sem vontade e se levantou da cama – entendi.

O mordomo tirou a xícara das mãos dele e começou a despi-lo, preparou seu banho da manhã e depois do banho ajudou-o a se vestir. O garoto ainda sonolento parecia apático a tudo. Terminado de se arrumar Ciel foi para o salão onde o café da manhã estava servido, ele sentou-se à mesa olhando para a comida sem vontade.

- Algo de errado, jovem mestre? – perguntou o mordomo estranhando, pois normalmente a essa altura da manhã o garoto já estava totalmente desperto.

- Não – respondeu o jovem apoiando a cabeça na mão.

- Tem certeza? O senhor me parece um tanto quanto apático. Acaso não dormiu direito?

- Dormi perfeitamente bem – resmungou ele.

- Então creio que devo chamar alguém para melhorar o seu humor. Vou ligar para Lady Elizabeth.

- Nem pensar – esbravejou o garoto

Sebastian sorriu satisfeito – assim está bem melhor. Agora aprecie seu café da manhã antes que o Conde Lionheart chegue – disse ele enquanto cortava uma fatia de um pão doce feito com frutas cristalizadas.

Ciel olhou para o doce sem o menor interesse, isso porque esse costumava ser seu doce preferido.

- Não vai aceitar um pedaço?

- Não, estou sem fome – disse ele se levantando – com licença e ele foi para seu escritório trabalhar em seus documentos.

Sebastian estranhou o jeito do jovem mestre, mas achou melhor deixá-lo sozinho, talvez ele quisesse esfriar a cabeça, então foi cuidar de seus afazeres.

Por volta das dez horas da manhã o sino tocou anunciando a chegada do Conde Lionheart. Sebastian atendeu a porta e encaminhou o conde até o escritório de Ciel. O mordomo bateu na porta, mas não houve nenhuma resposta, então ele abriu a porta e foi adentrando o escritório, o garoto estava dormindo em cima dos documentos.

- Bocchan – chamou Sebastian sem saber se ria ou se brigava com o garoto- acorde, está dormindo em horário de trabalho.

- Ahn!? – disse o garoto acordando com os cabelos desarrumados e com cara de sono.

- O conde Lionheart já chegou, devo mandá-lo entrar? Ou digo que o senhor está dormindo e peço para ele vir outro horário? – o mordomo tinha um meio sorriso enigmático como sempre fazia quando analisava as atitudes dos humanos.

Ao ouvir o nome do conde, Ciel despertou mais que rapidamente ajeitando os cabelos e a pilha de papéis que tinha servido de travesseiro- sim, mande-o entrar e traga-nos chá.

- Yes My Lord! – o mordomo fez uma reverencia e se retirou indo primeiro buscar o conde.

Quando Sebastian voltou trazendo o Conde Lionheart, Ciel já está de pé e refeito para recepcioná-lo.

- Bom dia, conde Lionheart, bem vindo à mansão dos Phantomhive, sente-se por favor – disse Ciel indicando uma poltrona ao lado do tabuleiro de xadrez.

- Sempre cordial como sempre, como vai Conde Ciel Phantomhive? Vejo que faremos negócios diante de um tabuleiro de xadrez, o senhor realmente não perde a oportunidade de um desafio, mas eu ainda terei o prazer em lhe derrotar.

- Isso é o que veremos. Estou muito bem, obrigado! – respondeu o garoto indo ocupar seu local diante do tabuleiro.

O outro conde também se acomodou no local indicado a ele e os dois começaram a jogar enquanto discutiam negócios.

Não demorou muito para que Sebastian adentrasse o escritório trazendo chá. Enquanto ele servia o chá ele apenas observava o jogo de xadrez e notava que o jovem mestre não estava em uma situação tão vantajosa assim, ele estava perdendo e parecia que ia perder feio, estava desatendo no jogo, definitivamente Ciel não estava bem, desatenção não era algo comum nele.

- Bocchan! Aqui está o chá- disse ele cordialmente servindo uma xícara para o conde Lionheart e outra para Ciel – jovem mestre, creio que hoje não seja um bom dia para o senhor jogar xadrez, o senhor tem inúmeros outros compromissos, por favor, queira me perdoar pela intromissão.

Ciel apenas o observava, mas sabia que ele tinha razão, não estava conseguindo se concentrar nem no jogo nem nos negócios.

- Certo Sebastian, obrigado! – disse ele tomando um gole do chá – perdoe-me a rudeza, conde Lionheart, mas eu não sabia que minha agenda estava tão cheia hoje. Podemos continuar nosso jogo em outra oportunidade? E quanto aos negócios, por mim o que o senhor propôs parece bom.

- Claro – disse o outro sorrindo — a cada dia o senhor fica mais parecido com seu pai. Outro dia continuamos nosso jogo – disse ele se levantando – tenha um bom dia!

- Obrigado!

E os dois se despediram com um aperto de mão. Sebastian já aguardava na porta já preparada para encaminhar o conde Lionheart até a porta, retornando logo em seguida até o escritório encontrando Ciel jogado na poltrona.

- Bocchan! O senhor tem certeza de que está bem? Está doente? – perguntou o mordomo colocando a mão na testa dele para checar a temperatura.

- Não me toque assim tão facilmente – esbravejou o garoto tirando as mãos do mordomo dele- eu já disse que estou bem.

Sebastian suspirava – não é o que parece, o senhor não está conseguindo se concentrar nos negócios e estava perdendo a partida de xadrez, creio que seja melhor cancelar o almoço de negócios.

- Nem pensar e trate de me avisar quando o conde Bertucci chegar, enquanto isso terminarei meus relatórios – disse o garoto voltando para sua mesa de trabalho e olhando desanimado para a pilha de papéis que tinha se acumulado ali.

- Sim, jovem mestre – e o mordomo se retirou.

Ciel voltou a trabalhar em seus documentos, ou ao menos tentou, pois definitivamente ele não estava conseguindo se concentrar sentia seu rosto queimar e se sentia extremamente indisposto, mas ele não iria admitir para Sebastian que não estava se sentindo bem.

Por volta do meu dia, o mordomo bateu novamente na porta do escritório do mestre já esperando encontrar o jovem mestre dormindo sob os documentos, mas Ciel não estava dormindo sobre os documentos, apensa olhava apático para a pilha de papeis que parecia crescer a cada instante.

- Bocchan! O conde Bertucci já chegou e o almoço já está servido.

- Sim, Sebastian – e o garoto se levantou e foi recepcionar o conde na mesma apatia do restante da manhã.

O almoço transcorreu de forma tranqüila, o conde desfrutava das maravilhosas iguarias que Sebastian tinha preparado enquanto falava animadamente sobre os negócios. Ciel, por outro lado, mal tocava na comida e parecia não ouvir nada do que estava sendo falado.

Por fim, logo depois do almoço o conde foi embora e Ciel se dirigiu a sua sala de aula, pois teria aulas o restante da tarde.

Quando Sebastian terminou de retirar a mesa e se dirigiu à sala de aula, ele encontrou Ciel dormindo em cima dos livros.

- Bocchan! – disse ele acordando-o

- Ahn?! — murmurou o garoto acordando

- Acho que não seria a melhor solução o senhor ter aula hoje, o senhor esteve sonolento a manhã toda, não está conseguindo se concentrar, não está conseguindo se quer ficar acordado, além disso, mal tocou na sua comida – disse ele colocando a mão na testa do garoto para checar se ele tinha febre.

- Eu já disse para não me tocar – gritou o garoto tirando as mãos do mordomo dele.

- Eu devia ter feito isso enquanto dormia – suspirou o mordomo colocando novamente a mão na testa do garoto, mas o segurando com a outra mão – Eu devia imaginar, o senhor está doente, está febril, não devia nem ter saído da cama – e ele o pegou no colo.

- Sebastian, me coloque no chão.

- Lamento, o senhor vai descansar o restante do dia antes que piore – disse o mordomo se dirigindo ao quarto do garoto.

- Isso é uma ordem Sebastian.

- Lamento, jovem mestre, mas eu não obedeço a esse tipo de ordem – disse o mordomo o colocando na cama e começando a despi-lo para lhe colocar pijamas.

- Então eu vou romper o contrato, se você não é capaz de cumprir uma ordem simples como essa, não é capaz de me proteger.

Sebastian apenas o olhava sem responder nada apenas ponderando as palavras dele, sabia que o garoto estava sendo irracional. Após terminar de vestí-lo, ele o colocou debaixo das cobertas e já colocou um pano úmido em sua fronte – logo o senhor deverá melhorar, se precisar de algo é só me chamar.

- Sebastian!!?? Eu estou falando com você, preste atenção quando os outros falam.

- Yes My lord – e ele fez uma reverencia e se retirou.

Com raiva de ser ignorado, Ciel atirou uma travesseiro em direção a porta. Sebastian fechou a porta e saiu sorrindo, indo cuidar de seus afazeres.

Por mais que Ciel estivesse com raiva do mordomo, sabia que ele tinha razão e sua cabeça voltava a pesar de novo e logo ele já tinha adormecido.

No final do dia o mordomo adentrou o quarto do patrão trazendo chá e algumas torradas, mas ele encontrou o rapaz dormindo tranqüilo, a febre parecia ter baixado então ele desistiu de acordá-lo, deixou o chá quente com as torradas em cima da mesa caso ele acordasse com fome e quisesse comer algo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.