Crônicas e Contos Inadequados para Humanos
1 Capítulo 1 - A Evolução das Espécies Idiotas
Notas iniciais
Desde que veio a esse mundo, a maior questão do ser humano era tentar desenvolver algo que impressionasse outros seres humanos. Daí o fogo, que nasceu em uma tentativa desesperada de usar uma técnica diferente para fazer figuras engraçadas com as mãos através de sombras à noite, uma vez que anteriormente eles só poderiam fazer tal arte de dia. Na época, isso fazia um imenso sucesso.
Quando essa brincadeira se tornou monótona – como era de se esperar – os engraçados seres bípedes inventaram a pintura, as ferramentas de caça e as discussões sobre relacionamento, não necessariamente nessa ordem.
Porém, já não era tão fácil impressionar e várias dessas coisas foram sendo abandonadas aos poucos, se bem que as mulheres jamais abandonaram as discussões sobre relacionamento, qual adotaram como uma filha querida que odeia o sexo masculino.
Com o tempo e as decepções, os seres humanos enfim inventaram algo que já queria estar na moda a muito tempo, e que, essa sim, iria impressionar a muitos.
Os humanos inventaram a guerra.
Ah que glória! Toda a humanidade agora se sentia atraída, era uma sensação de realização tal que novas guerras foram sendo criadas sem nenhum motivo aparente. Algumas pessoas diziam ser contra as guerras, mas faziam questão de odiar alguém de outro país, raça ou credo, e logo inventavam uma desculpa para “limpar” sua terra daquela corja, no caso, chamavam essa desculpa de “moral e bons costumes” um nome um tanto estranho para uma guerra.
Enfim, as batalhas prosseguiam e deixavam os seres humanos cada vez mais excitados, e aqueles que não estavam entre os milhões que morriam nas batalhas ou de doenças e fome que estas provocavam, ajudavam a desenvolver uma história cada vez mais gloriosa que está nos hinos de quase todos os países do mundo, com palavras como sangue, morte, ódio e Deus, que provavelmente não autorizou o uso de sua imagem .
Essa forma de entretenimento dos seres bípedes inteligentes acabou desenvolvendo várias áreas importantíssimas para a humanidade viver ainda mais feliz, como, por exemplo, a tecnologia de desenvolvimento de grandes botes de madeira gigantes conhecidos como navios, o que a princípio pareceu um paradoxo, pois milhões de pessoas morreram para que a humanidade dominante parecesse feliz, uma vez que ao subir nesses navios a intenção era tomar a terra daqueles que eram considerados mais fracos e subtrair deles toda a riqueza que estes tinham.
O grande problema dessa história era que os criadores dos grandes botes de madeira gigantes, conhecidos como navios, eram seguidores de um jovem homem caucasiano de cabelos compridos e olhar muito tenro a qual chamavam de Cristo, esse homem chamado Cristo disse a muitos anos atrás que todos os homens eram iguais perante Deus, e que se devia amar muito as pessoas, sem as matar antes.
A princípio, essa questão gerou muito descontentamento e embaraçamento, resultando em pequenas expressões de compaixão e arrependimento, mas essa questão paradoxal foi facilmente resolvida moralmente ao ser decretado pelos navegadores em questão que os mortos não eram seres humanos, eram apenas índios, o que levou paz ao coração tal que logo depois foi celebrada uma missa.
A mesma situação acontecia em relação os negros, mas estes últimos, segundo os humanos dominantes, eram extremamente úteis como escravos e guerreiros do batalhão de frente dos pelotões.
Outra grande coisa potencializada através dessas grandes guerras foi a criatividade, assim nasceram as máquinas, em especial as batedeiras industriais, os aspiradores de pó e os aviões, que enfim ajudaram os homens a matar cada vez mais homens e impressionar ainda mais aqueles que não morreram.
A guerra foi a única coisa na história da humanidade de que o homem jamais enjoou, mas depois de tanto tempo apenas matando, qualquer um quer um pouco de conforto, afinal todos são filhos de Deus, e as máquinas que começaram a ser construídas trouxeram prazer e conforto, como o rádio e a TV por exemplo, o que ajudou esses seres bípedes a acompanhar as batalhas ainda mais de perto, diversão para toda a família!
Por um curto período de tempo, alguns seres humanos disseram que não queriam guerra, queriam apenas amar pelados nas praças, queimar roupas íntimas e não tomar banho, mas alguns estudiosos ingleses revelaram que esse era apenas um vírus que ataca o sistema nervoso central pelo uso excessivo de drogas, o que pareceu bem plausível pois essa onda,como eles mesmo diziam, não durou muito tempo, tendo hoje apenas alguns representantes nas praças e ruas das cidades que vivem de vender pulseiras de coquinho e brincos de penas de peru.
Assim, os seres humanos foram crescendo em sabedoria, estatura e graça perante eles mesmos, ensinando os filhos a serem como os astros da TV, até porque eles não teriam tempo de ensinar boas coisas.
Alguém vai pensar “Mas você contou a história da humanidade falando apenas de guerra?” . Sim, porque nesse momento é a única coisa que importa para Vítor, meu sobrinho, que está fazendo uma dificílima prova de História e não sabe responder quando acabou a Segunda Guerra Mundial e nem porque ele deveria saber disso.
Ele mal sabe que é a essência da sua natureza.
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