Notas iniciais
Reflexão, resposta parte 2.

O canivete cai no chão, e ela faz o mesmo. Fica olhando fixamente para o lago, e seus olhos Laranjas perderam todo o sinal de vida mesmo que seu coração ainda esteja batendo. Os do irmão são o contrário, mas ainda expressam tristeza com aquele mesmo tom de laranja avermelhado, ele a abraça por traz, e observa o lago junto com ela.

– O que foi isso...? – Ela não mexe um músculo além da boca, e continua encarando o lago.

– Não sei... Talvez um sinal para não se suicidar, sua louca. – Ele solta o cabelo vermelho da irmã, e a ajuda a se levantar. – Vamos, o outro louco chega em algumas horas, e isso talvez vire um hospício.

– Sim...

Sentada em um velho sofá e embolada em uma coberta verde, ela está vidrada em uma borboleta que está em cima de um pote, perto da janela, mas ela logo sai dali com o vento que bate.

– Borboletas...

– Sim – ele dá a caneca para a irmã, e se senta ao seu lado – borboletas... o que vamos fazer a respeito?

– Não é um bom momento para pensar nisso, mas não quer que nossas respostas sejam individuais?

– Eu prefiro que não.

– Quer voltar a aquela de fazermos tudo juntos?

– Acho que na verdade, ainda não largamos disso.

– Hmph... só ficou um pouco, infelizmente...

A porta se abre, o moreno arruma o cabelo, e avisa:

– Vamos para Amsterdã em 3 horas.

– Quer chá, Senhor Ellysten? – Heine finalmente consegue ser sarcástica, o homem se serve e senta ao lado de Jonii.

Os três dividem o cobertor que estava com Heine e deixam somente em cima de suas pernas.
– Se refiram a mim normalmente, por favor.

– O chá está bom, tio Greg? – Jonii, como sempre, é o último a entrar na conversa.

– Ótimo.

– Você nunca usa outro elogio, seu merda. – A garota reclama- Jonii merece mais do que isso.

*– Mas é claro... eu estava apenas prorrogando a conjuração de toda a magnificência desse sumptuoso chá verde, que ressoa simpaticamente com a alma de quem o bebe, levando todo o corpo ao nirvana que abranda qualquer inquietação inata. Feito por mãos de natureza casta, cuja a habilidade vai além do éter do universo, poderia servir com todo o rigor como causa inicial para o desenvolvimento do remédio universal que os alquimistas tanto procuram. *

– Obrigada, tio... – mas foram tantas palavras para a cabeça de Jonii... que ele quase fica perplexo.

– Bem melhor, você realmente virou um poeta como disse ano passado?

– Por enquanto, será somente um hobby.

– E você provavelmente só vai praticar esse hobby com a gente. – reclama Jonii.

– Provavelmente sim.

Duas horas conversando sobre temas livre em completa formalidade, Jonii entra pouco no diálogo, mas não é despercebido:

– Você foi tele transportado para outro planeta, a criatura que lhe recebe explica a situação e agora precisa de sua ajuda para combater o causador de todo o caos...aceita?

– Sim, aceito.

– Que resposta seca. – Reclama Heine.

– Quer que eu jogue o resto do chá na sua cara então, querida? Está no seu período ou o que? – foi a falta de inteligência do momento, já que ele já sabia o que ela tinha.

– Estou tentando ao máximo ter um bom senso de humor, mas... não estou... conseguindo...

– Bem, você presenciou tudo quando mataram o seu pai... então não vou simplesmente dizer para você esquecer tudo, sei que não vai adiantar. Mas tente.

– Mas também não exagere, Heine... é ruim te ver sem cor nos olhos. – as vezes Heine achava que não merecia o irmão mais novo, ele poderia muito bem ser gêmeo de outra pessoa, ela mereceria muito mais.

Nos 45 minutos restantes eles arrumam suas malas para sair de Lisse, já estavam no meio do caminho, e a estrada era cercada por uma mata.

– Esse lugar me inspira a explicar o porquê do “sim seco e espontâneo”.

– Prossiga. – os ruivos dizem em coro.

– Vocês gostam desse ar, dessa natureza... e todas essas coisas da vida natural?

– Sim! – Heine

– Claro...- Jonii

– Mesmo que a criatura precisasse que eu protegesse algo distante e que não tivesse nada a ver com a Terra... Eu estaria protegendo outros seres que tem o mesmo sentimento que eu quanto ao planeta deles, e gente com os mesmo interesses normalmente se ajuda, e é aí que também entra a minha crença em vida fora do planeta Terra.

– Obrigada. – Os dois agradecem, e, trocam olhares como se estivessem conversando por telepatia. Em seguida, sorriem atoa um para o outro.

***

Coloca imediatamente o cigarro de volta a boca, mas ainda fica parado na estrada, só sai do lugar quando volta a realidade por inteiro e percebe que vai atrapalhar a passagem dos carros, mesmo que ali não seja lugar de muito movimento. Estaciona perto de uma poça de chuva que mais parece com um pequeno lago, e se senta na grama molhada. Cerca de uma hora observado aquela água suja de terra, até surgirem nuvens que aparentam trazer chuva para aumentar mais a poça, então ele vai embora.

Estaciona na frente de uma pequena casa, e a mulher o recebe nada surpresa. Se sentam na mesa de jantar, e ela lhe serve um copo d’água.

–Como um adulto de boa vida social, eu até poderia lhe indicar sair por aí para ir a algumas festas, se divertir com algumas garotas, ou garotos também, caso tenha descoberto recentemente que é bissexual... mas acho que não seria agradável nesse momento...

– Também não é muito agradável discutir sobre a minha vida pessoal com a minha mãe.

– Eu também acho, você já é velho demais para isso, mas você veio aqui aproveitando da minha profissão de psicóloga mesmo sabendo que sou sua mãe, não posso fazer nada sem falar de algumas coisas pessoais.

– Só me diga uma forma de eu me expressar, sei que não vai ser bom se eu sempre ficar andando de carro sem rumo por aí.

– Um bem óbvio: Fala pra mim sobre a sua convivência e os sentimentos que tinha por ela.

– Natalia foi... a primeira pessoa que eu conheci quando chegamos a Moscou, ela... – ele encara o copo vazio, e seus olhos verde-água ficam focados.

– Vai, faz aquela chuva cliché de histórias de amor sem hesitar.

– Ela era radiante... A única em que eu podia confiar. O jeito que ela me tratava e tratava os outros... e, no verão, quando íamos a aquela mata aonde tinha um lago, que quando refletia a luz do sol, deixava aquele cabelo vermelho maravilhosos... aquele cabelo que eu nem posso tocar mais...

– E pior que você já teve várias namoradas, e, nunca ficou mal por causa da separação de nenhuma delas. Mas, quando é uma garota do seu amor adolescente, que nem chegou a namorar, ela somente te deu UM beijo antes de ir para Dubai... você quer morrer só por descobrir que ela já é casada e tem duas filhas. É uma história de amor bem desastrosa, até uma pessoa fria como eu ficaria meio acabada. Só que ao mesmo tempo é espantoso, já que olhando por outros núcleos, você meio que também traiu o seu amor por ela.

– Isso são experiências da vida, mãe, que eu sabia que seriam curtas. Também não teria nada contra por ela fazer a mesma coisa, e também sei que não posso obriga-la a ficar comigo...-

– Mas dói, mas dói. Eu sei. Já senti esse tipo de dor quando o seu pai preferiu ficar naquele vilarejozinho no Japão e se separar de mim, ao invés de vir conosco para cá. Fica aqui por uns dias, até pelo menos voltar a lógica pra sua cabeça e ver que o mundo não é um maravilhoso mar de rosas, assim como aquele cabelo vermelho, você nunca vai ter ele de volta. – no meio do corredor, ela ainda se vira para fechar de vez a conversa. — ... a não ser que ela seja um tipo de pessoa que quando acontece alguma coisa “milagrosa”, prefere largar os próprios filhos e o amado marido pra ficar com um amor antigo que ela mal se lembra da convivência.

No dia seguinte, eles vão ao restaurante da amiga da mãe dele, ele escolhe uma mesa para dois e ela vai ver a amiga, de repente, uma senhora se senta no outro lugar da mesa sem nem pedir. Uma mulher de cerca de 80 anos com cada fio do cabelo grisalho, um vestido... amarelo extravagante... e uma bengala... roxa.

– É.. Senhora...?

– Oh, sim meu filho? – mais calma do que nunca, ela nem percebe o que está acontecendo.

– Bem, acredito que você não está sentada no lugar certo...

– Ah, me desculpe! Meu dia está um pouco bagunçado... ou eu simplesmente não gosto de falar uma coisa idiota como “é a idade” ... mas já que eu estou aqui, qual seu nome, garoto?

– Alan Shinmyoumaru, e o seu...?

– Me chamam de Elisa, mas não é meu verdadeiro nome.

– E qual seria seu verdadeiro nome?

– Também não sei, foi queimado junto com minha antiga casa.

– Ah...

– Então, Alan... Me conte seus problemas.

– Tão de repente assim?

– É claro, é super normal. Não? Normalmente eu nem preciso pedir para as pessoas que me falem... por que com você foi diferente...? – ela dá uma breve pausa, e olha profundamente os olhos de Alan – Ah... pois bem, comece.

Ele conta o que está acontecendo em sua vida com cada detalhe, e a senhora fica pensativa por um ou dois minutos.

– Esse outro assunto em que você “precisa” pensar... – Ele só não detalhou Eukylepisbin- é tão importante assim?

– Extremamente.

– Me visite durante 5 dias – Ela dá o endereço de sua casa – Vou te consolar até o 3° dia, e nos outros dois, se você quiser, eu também te ajudarei neste outro assunto. – ela vai embora do restaurante.

Então, os três dias de consolação se passam, e a senhora consegue o fazer diminuir a dor. Alan está disposto a pensar na resposta para Mithica, e quando precisa de um conselho dela ele consegue inventar algum assunto nada a ver. Com o grande conversa sobre “o porquê do sim e talvez também o não” na cabeça, ele volta para a poça, que agora já estava um pouco menor e não parecia mais um lago e uma nuvem com formato de borboleta o faz rir.

***

*- Escola Yamachi... – ela lia o panfleto- Fundada pela professora Ao Kanatsu... o nome é por que fica no pé de uma montanha*, e essas coisas... Bem, o uniforme é bonito, e aquela louca – ela passa a mão nos cabelos cor-de-rosa – disse que era uma escola calma...Então, talvez não deva me preocupar... – “A partir de amanhã, eu vou treinar não pensar alto.”

Ela entra na escola em meio a uma multidão de alunos, evitando tocar em cada um deles. Avista um curto cabelo laranja, e, começa a seguir a dona dele. Até que a garota para, e olha para trás, ela sentiu que estava sendo seguida.

– Por que? – uma pergunta calma, que não causa nem entorta nas sobrancelhas.

– O que...? – “Ah!” – Você me lembrou alguém...

– A garota que disse “não” em Eukylepisbin.

– Sim. – elas se sentam em um banco no meio do pátio, e os olhos violetas da garota se surpreendem com a imagem linda que se formava ali. Os cabelos rosas de Lindsay voavam junto com aquelas últimas flores de cerejeira, e, como o cabelo tinha o mesmo tom das flores, parecia que a garota tinha nascido junto com elas e vice-versa.

– O seu nome é Sakura...?

– Não...Lindsay. Lindsay Angely. Por que...?

– Deviam ter colocado Sakura, por causa do cabelo, e dos olhos...

– Eu nem nasci aqui! Mas quem que nasce com cabelo rosa??? E você pode ver a cor certa dos meus olhos...?

– Sim. Pelo jeito isso é só entre os “Generais”, você consegue ver os meus violetas também, não?

– Sim...é Kotori Harunoyo, certo?

– Hikari Harunoyo. Kotori foi o nome que ficou pra mim em um jogo com minha irmã mais velha, o nome dela ficou Sayaka, mas seu verdadeiro nome é Akari. Só quem presenciou nós jogando que também vai nos chamar por esse nome durante uma semana, e só a minha mãe estava lá, então você pode me chamar de Hikari.

– Como de Hikari foi pra... Kotori? E de Akari pra Sayaka...?

– É um jogo bem complicado para iniciantes, ainda mais quando se usa kanjis, que foi o caso desse jogo, é mais fácil quando se usa malaio ou inglês. Eu já tenho 14 nomes em malaio, 23 em inglês, 5 em francês e 9 em japonês, um dia, talvez, eu te explique como esse jogo funciona...

– Sim...

– Então aonde você nasceu?

– Austrália. Vim pra cá quando tinha 10 anos, os meus pais se separaram e eu fiquei com a minha mãe, que já planejava vir para o Japão.

– Mas você não parece ter vindo direto para Kyoto.

– Não, eu fui para Tóquio, mas... eu sofri em todas as escolas que fui... então eu vim para Kyoto, por que me disseram que essa escola era-

– Sim, é bem calma. Muita gente vem para cá só por isso... Bem, boa sorte, apesar de que não vai precisar. – ela vai embora, mas Lindsay fica ali até o sinal bater, por ser aluna nova, entraria mais tarde, para ser apresentada aos outros. Ela consegue falar normalmente na frente deles, e não é zoada pelo cabelo rosa, e os garotos não falam coisas como “belos seios, não vejo necessidade alguma de usar tantas roupas”, o que aconteceu muito na maioria das escolas em Tóquio.

No meio da aula, um pensamento lhe vem à cabeça “Pelo que eu entendo no japonês, a mãe dela meio que ‘brincou’ com o nome das filhas, formando ‘brilhante luz’. É até bonito, mas redundante já que toda luz é brilhante, bem, a maioria pelo menos. Mas, em outro sentido, talvez ela quisesse insinuar que brilhante = o quanto a pessoa é esplêndida em certas coisas, luz= a pessoa que possui essas características, um ‘herói’, talvez ela esteja desprezando uma das filhas, mas tudo se complementa, já que se fosse somente um herói sem características boas, não serviria de nada. Brilhante da as características e o jeito de ser da luz. Ótimo, tirando o fato de que eu estou buscando aperfeiçoar o que eu já sei do japonês, como eu vou pensar na resposta para aquela ‘criatura’, sendo que eu nem sei como começar isso?”

A sala de Hikari ficava ao lado, o que a deixava muito desconfortável, mesmo que conhecesse pouco da ruiva, gostaria de ficar com alguém confiável por perto. Ela sempre fica assustada quando alguém de sua classe puxa assunto com ela, o trauma daquele incidente não vai passar tão cedo.

Aquelas garotas falsas a levando para um lugar fechado com uma bela desculpa, a jogando nos braços daqueles garotos nojentos... eles seguram ela pelos braços e pernas, e as garotas somente assistindo com aquele enorme sorriso no rosto... o líder dos 6 garotos está quase rasgando a blusa dela, quando a polícia chega, graças a um dos professores.

Em todas as escolas em que estudou desde que chegou a Japão, sempre acontecia algo ruim... mas quando aconteceu algo tão sério quanto este, sua mãe decidiu se mudar com ela para Kyoto, e a colocou em Yamachi, uma escola recomendada pelo professor que a salvou. A escola é considerada uma das mais pacíficas do Japão, e tem um dos melhores ensinos.

No almoço, ela fica sozinha em algum lugar do pátio para tentar pensar em Eukylepisbin, mas chegam três garotas, todas do mesmo 9° ano, que começam a conversar sobre literatura com ela, o assunto a acalma um pouco, mas ainda não consegue falar direito com elas. A mais alta, com cabelos pretos até as costas e olhos-cor-mel se chamava Kurayami e era do, a mais baixinha de cabelo curto e marrom claro, com duas mechas rosa Pink se chamava Aria. A com cabelos loiros presos em um rabo-de-cavalo e com olhos azuis escuro era Renko, a presidenta do clube de literatura a qual as três faziam parte.

As garotas ainda conversam com ela na hora da saída, mas quando chegam no portão elas vão para o lado oposto de Lindsay. “Ao menos eu consegui não ter um ataque quando elas chegaram perto de mim... mas ainda não consigo ter muito jeito para falar com as pessoas... A não ser com aquela... Hikari. Passamos pelo mesmo acontecimento sobrenatural, acho que temos ao menos uma certa ligação de intimidade, mesmo que ela ainda queira responder não... bem, mas eu também não sei o que vou responder...” .

Ela e sua mãe sempre moraram em apartamentos, a experiência de morar em uma casa, mesmo que minúscula, era maravilhosa. Principalmente para a mãe de dela, Elissa, ela era ligeiramente mais baixa que a filha, com cabelos loiros curtos e olhos azuis claros. A mulher recebe a filha gritando, o que a deixa irritada.

– Para, sua demente! – Ela mal entra em casa e já está estressada – Pra que isso!?

– Já que não moramos mais em um apartamento, podemos fazer qualquer merda possível! – ela se joga no sofá.

– Não ache que está tão livre assim.... – ela se deita, e apoia a cabeça no colo da mãe.

– Vou tentar colocar essa lógica na minha cabeça. – ela começa a fazer carinho naquele cabelo rosa, e as duas ficam silenciosas por um tempo.

– Umas garotas do clube de literatura... eu consegui conversar normalmente com elas... mesmo que pouco...

– Já é um bom começo. Não tente forçar muito, sabe que não vai ser bom.

– Sim, sim... eu sei... você ajudaria alguém mesmo que tivesse de fazer algo extremamente perigoso?

– É claro! Por que?

– Nada... eu só queria confirmar a sua bondade...– no resto do dia, ela fica somente deitada em sua cama, tentando, de algum modo, “conversar” com a sua alma. Mas sempre tem algo que a faz sair do assunto, e ela desiste, ou começa tudo de novo.

Nos dias seguintes, ela ainda conversa um pouco com as garotas, mas procura ao máximo ficar sozinha para pensar na resposta. Consegue pensar em uma boa possibilidade, mas tudo se desmancha com o surgimento da lógica e do medo. As vezes ela procura Hikari, para ver se a garota já pensou em uma resposta.

– Harunoyo, você consegue pensar... com clareza, sobre aquilo?

– Às vezes a minha mente se concentra em pensar só nisso... Mas depois começa a pressionar o não, sem ao menos um porquê ... – como sempre, com uma expressão reservada, ela responde.

Ela estranha aquela resposta, mas também não consegue nem pensar no porquê de uma coisa dessas, é como um bloqueio, que depois de um tempo, apaga totalmente o assunto da cabeça dela.

Dois dias depois, após a escola, ela encontra a ruiva na cidade, e a acompanha até uma pequena loja de mangás.

– Então você gosta dessas coisas... otaku?

– Minha irmã ainda gosta dessas coisas. Toda a quinta, eu venho aqui para comprar os mangás que ela acompanha.

– Por que ela não vem?

– Ela e minha mãe moram no campo, para terem uma vida mais calma... e não piorarem o câncer.

– Oh... mas as duas tem...?

– Sim. Minha mãe câncer de mama, e a minha irmã leucemia.

– Deve ser-

– É difícil, sim, com certeza..., mas as duas já estão bem, no dia do “estado emocional”... foi só um susto.

– Que bom...

– Que droga.

– O que foi?

– Não tem One Piece essa semana, ela vai...bem, tanto faz... não posso fazer nada. – Elas saem da loja, e ainda andam um pouco pelo lugar.

– Então você vai para o campo todo dia?

– Não, compramos um apartamento aqui para eu ficar nos dias de semana, eu vou para lá sexta à noite.

– Sozinha em um apartamento ... com 16 anos?

– A minha mãe tem uma amiga que também mora no prédio, ela é minha vizinha, então... bem, até algum outro dia ... ou outro, planeta....

– Até... – cada uma vai para um lado, e Lindsay escolhe ir pelo caminho mais longo de sua casa, para ver se consegue pensar sobre a resposta, e consegue chegar a uma conclusão.

– Bem-vinda. – Dessa vez a mulher não recebe a filha gritando, mas recebe um abraço, e pode-se dizer que o porquê dele era gritante. – Que repentino... – ela abraça de volta.

– Coisas repentinas fazem parte da vida.

***

Quando ela já ia bater na porta, sua mãe a abre, mas não fazia a mínima ideia de que a filha estava ali. Era uma mulher de cabelos preto médios, com uma roupa casual, que deixava na cara que ela não iria ficar em casa.

– Oi! – Ela abraça carinhosamente a garota, mas não dura muito tempo- já posso te chamar pelo seu verdadeiro nome?

– Pode... aonde você vai?

– Está tão obvio assim?

– Vai sair com o Senhor Izumi! – Uma grita do fundo da casa.

– Não tenha a deselegância de voltar para casa toda desarrumada, ou dormir fora, mesmo que você já seja uma adulta.

– Tá bom, tá bom. Boa noite, e cuide da sua irmã.

Não preciso de cuidados! – Grita de novo. A mulher beija a testa da filha, e vai embora.

Ela entra na casa, e vai direto para a sala, aonde sua irmã está deitada de cabeça para baixo no sofá, jogando algo a qual Hikari tinha completo desinteresse.

– Oi.

– Oi! – Ela se levanta rapidamente — Cadê ????

– Aqui. – Ela dá uma sacola para a irmã, e se senta em uma poltrona, só esperando a reação dela.

– Tá faltando um...

– É, é.... não tem essa semana.

– AH MAS QUE DROG- ela consegue tapar os ouvidos antes da irmã terminar, e pela noite inteira, ela tem que aguentar a irmã reclamando, e ainda a chamando de Kotori, pois ela insiste que o prazo é até sábado à tarde.

Nos próximos dois dias, as irmãs irritam a mãe com o fato de ela estar namorando, mesmo que ela não tenha confirmado isso. E Akari – ou Sayaka – consegue obrigar a irmã a jogar um monte de jogos, mesmo que ela não tenha nenhum interesse. Domingo de noite, após ela conseguir fazer a irmã dormir, sai de casa, e passeia pelo vilarejo... até chegar em uma grande árvore, e sentar ali nas raízes dela.

Fica tentando pensar em uma resposta mesmo que esteja na última hora, mas a mente dela sempre fica “bloqueada”. Ela olha em seu celular : 00:00 . O tempo para, e a borboleta aparece de novo, eles relam nela...

– Repostas diretas, por favor.

– Sim.

– Sim.

– Sim...

– Sim!

– Sim.

– Sim.

– Não.

– S-sim...

– Sim.

Notas finais
O capitulo três já está sendo escrito, dependendo se tudo for bem, principalmente agora que as minhas aulas voltaram... vai sair no mês que vem. Também espero ganhar o caralho de mais leitores porque eu já tô querendo morrer achando que não leem porque tá ruim.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.