Notas iniciais
Ano após ano, Elis vem tendo uma série de trágicas experiências em Gotham que a fez odiar a cidade o tanto que odeia, e aqui acabamos de nos encontrar em outro desses momentos!!!

Assim que conseguimos chegar ao terraço, paramos e recuperamos o fôlego antes de seguirmos por uma trilha até um portão alto nos fundos.

— Acho que nenhum deles virá até nós, pelo menos não aqui — Observei enquanto mantinha o olhar fixo na porta que tínhamos usado para escapar.

— Com toda essa confusão, nem consegui me apresentar — Declara o jovem erguendo a mão para me cumprimentar — Sou Allan Garden, fui enviado para ajudar a cobrir sua matéria — Olho para ele espantada.

— Ajudar? Eu disse ao Ben que podia cuidar de tudo sozinha — Reclamo com uma raiva profunda crescendo em mim, odiava quando alguém me considerava incapaz.

— Acho que ele reconsiderou e decidiu que seria melhor me enviar, mas não precisa se preocupar, eu sou estagiário do Planeta Diário, não vim roubar sua vaga como melhor jornalista da cidade — Meu ânimo não melhorou.

— Acredite, se eu visse alguém com potencial de me superar já teria me aposentado.

— A senhora não é velha — Declarou Garden tentando ser gentil, mas ele não entendia. Nada mudaria meu ânimo.

— Vou enviar você de volta. Esse lugar não é pra você — Decido procurando um jeito de escapar, pois o portão era alto demais.

— Ben disse que somos uma equipe, eu posso te ajudar, você não precisa gostar de mim.

— Que bom que percebeu — Observo o muro pensativa, mas não tinha como escapar por ali -Me ajude a encontrar uma saída depressa — De repente, assim que me viro, vejo um homem nas sombras. Sua postura era firme e ele parecia ser incomum.

— Quem é você? Identifique-se, não quero matar ninguém, mas se precisar — Retiro uma pistola da bolsa — A segurança desse lugar é muito fraca — O homem sai das sombras e finalmente enxergo quem era, uma pessoa que até então pensava não existir.

— Sou o Batman. Não se assustem, vim ajudar — Fico paralisada, enquanto meu ajudante observava o vigilante fantasiado por cima do meu ombro — O Asilo foi invadido, estão tentando libertar um dos criminosos e a situação está caótica lá dentro.

— Eu percebi — Falo com ironia — É o Espantalho. Ele vai tetar escapar — O morcego olha para o prédio com raiva e retorna a olhar para nós — Não tem como escapar e daqui a pouco aqueles malucos vão começar a nos perseguir.

— Não vão — Ele se abaixa e arranca um pouco de mato procurando algo, então tira uma tampa de bueiro, entrando no buraco e retornando pouco depois — A passagem está segura. Tem uma passagem na segunda direita que leva ao primeiro bueiro fora do Arkham, está há seiscentos metros daqui, vá depressa senhorita Turler — Como ele sabia meu nome? Assim que Allan desce pelo bueiro e me viro para agradecer, o morcego tinha desaparecido, então desço o buraco surpresa, quem era aquele homem? Será que era normal? Tomada por dúvidas, me concentro na tarefa e retiro minha lâmpada de bolso, que ficava junto ao meu chaveiro, e assim andamos eu e Allan seguindo a instrução do Batman, que nos levou diretamente a uma escada e, posteriormente, a um bueiro distante do Asilo Arkham. Assim que saímos do bueiro, encaro Garden espantada.

— Essa vida não é pra ninguém. Vou ligar pro Ben assim que chegar onde me hospedei.

— Não quer que eu te leve? — Pergunta o jovem de bom grado.

— Que diferença faria? Você e nada dá no mesmo. Vou até um ponto de táxi, ainda está cedo — Nos cumprimentamos e logo estou me dirigindo ao ponto, e o táxi não demora a chegar. Quando entro no meu quarto, começo a pensar em tudo que tinha me acontecido e me pergunto "como eu consegui sobreviver?"

Logo depois de pensar nisso, me lembro de telefonar para Ben, que não me deixa esperando na linha.

— Ben? Sou eu, Elis.

— Oi Elis, como vão as coisas?

— Por que não avisou que iria enviar um assistente ou seja lá como chama aquele projeto de jornalista?

— Por que você teria dito não.

— Exatamente. Não gosto que hajam pelas minhas minhas costas e menos ainda que pensem que não sou capaz, pois se tem uma coisa que provei todos esses anos é que sou muito capacitada.

— Eu sei Elis, mas fiquei preocupado.

— À toa, o Asilo Arkham foi invadido e toda aquela proteção não serviu de nada.

— Como assim? Você está bem? — Pergunta desesperado.

— Não graças ao seu assistente. Fomos ajudados por um cara que pode levar essa matéria além do que esperava.

— Do que está falando?

— Antes era uma lenda de Gotham, mas deixou de ser uma lenda oficialmente hoje. Eu o vi Ben.

— Quem?

— O Batman — Respondo ansiosa.

— Me conta tudo.

— Não posso ainda, mas liguei por que quero renegociar nosso acordo. Quero continuar em Gotham investigando o Batman. Só voltarei à Metrópolis quando tiver uma matéria satisfatória escrita sobre o Batman, algo que vai elevar nosso jornal como ninguém jamais testemunhou.

— Mas é perigoso, Elis. E se ele fizer algo com você?

— Se ele quisesse teria feito hoje. Além disso, nunca vi um assunto com tanto potencial de sucesso — Nunca tinha estado tão estusiasmada com uma matéria.

— Certo. Pode ficar quanto tempo for preciso, mas meu novato vai continuar com você para garantir.

— Ben, posso falar uma coisa não profissional? — Pergunto como uma criança ansiosa.

— Mas é claro.

— Vai se fuder — Desligo o telefone na cara dele e começo a anotar o que Crane tinha me dito, parando depois para estudar minhas anotações e revisar tudo antes de tomar banho após uma noite tão cumprida. Depois de me esticar de todas as maneiras possíveis debaixo do chuveiro, visto meu pijama vermelho listrado e me deito na cama. A todo instante pensava em meu encontro com o Batman, a cena não saía da minha cabeça de jeito nenhum. Além do mais, tinha a impressão de conhece-lo de algum lugar, e queria entender essa familiaridade. Na manhã seguinte levanto com dificuldade, pois minhas pernas estavam dormentes e doloridas, então resolvo levantar somente quando a arrumadeira bate à porta.

— Bom dia moça.

— Bom dia senhora, e vamos combinar que não sou tão nova assim — Comento sorrindo docemente.

— Mas a senhorita parece ser jovem, muito jovem, acredito que basta. Não parecer uma velha destentada que nem eu já é o suficiente — Declara caindo na gargalhada.

— Não se julgue tanto — Peço sem jeito.

— Então — Começa mudando de assunto — Se quiser posso voltar mais tarde — É quando percebo que estou de pijama.

— Não se preocupe, pode entrar — Ela entra e fecho a porta em seguida — Vou me trocar depressa sem atrapalhar seu trabalho, espero que não se incomode.

— Pois então moça, todas as minhas filhas são mulheres, não se incomode a senhora com a minha presença.

— Certo — Ao invés de ir para o banheiro, me troco ali mesmo, colocando uma combinação de roupas íntimas azul-marinho e vestindo por cima uma camisa branca com dobras e uma saia azul escuro que se estendia até pouco depois do joelho. Depois de colocar um relógio marrom e arrumar meu cabelo de maneira que ficasse mais volumoso que de costume, me despeço da arrumadeira e, pegando minha bolsa, saio do quarto de hotel e me dirijo à delegacia mais próxima, nada que uma busca rápida no guia de Gotham não resolvesse. Ao chegar lá me torno rapidamente o centro das atenções, mas não deixo isso interferir na minha tarefa.

— Onde está o responsável desta unidade? — Pergunto ao primeiro policial que vejo.

— O responsável teve de sair — Responde secamente.

— Faz um favor? — Minha paciência vai a zero repentinamente — Vai pra — Antes que eu termine a frase, um homem que aparentava meia idade, cabelos grisalhos penteados para o lado, óculos castanhos e camisa branca com as mangas dobradas como as minhas se aproxima e assobia como um chamado.

— Moça, me acompanhe por favor — Entro em seu escritório, acompanhada por ele, que fecha a porta assim que passa e para em frente a mim colocando a mão sobre a cabeça, suspirano de impaciência.

— Me desculpe aparecer desse jeito, juro que não vim atrapalhar o trabalho de vocês.

— Não é a senhorita, não precisa se preocupar.

— Por que aquele policial disse que o responsável estava fora?

— Por que é a verdade. Eu estou servindo de substituto enquanto ele não volta, mas receio que me tornarei efetivo se essa situação for sustentada.

— Por que? — Pergunto intrigada.

— Sei que vai entender se eu disser que não posso dar essa informação.

— Entendo. Gotham é uma cidade extremamente corrupta, e ás vezes duvido dos números de corruptos quando ando pelas ruas todas as manhãs, parecem estar por todo o lado. O senhor me parece um bom homem, e bons homens são mal vistos, e o senhor é mal visto por seus companheiros. Acredito que eu tenha uma informação que seja do seu interesse.

— Me contaria?

— Tenho que arriscar confiar em alguém, não?

— O que deseja contar afinal?

— Eu vi o Batman no Asilo Arkham ontem à noite.

— Ah sim, o Batman — Ele não parecia tão surpreso quanto eu esperava e, depois de raciocinar um pouco ao observar algumas matérias de jornais locais expostas em cima da mesa dele (todas falavam sobre o Batman), sorri como uma tola.

— Trabalha com ele, não é?

— Como é senhorita?

— Trabalha com o vigilante de Gotham.

— Isso é uma acusação muito séria moça — Declara o policial sentindo-se ameaçado.

— Não se preocupe, qualquer um que seja parceiro do Batman já me dá mais segurança, tanto sobre ele quanto sobre essa pessoa.

— Quem é a senhorita, afinal?

— Sou Elis Turler, uma — Ele me interrompe abrindo um sorriso.

— É a jornalista de Metropolis que veio entrevistar Jonathan Crane.

— Sim senhor.

— Seu entrevistado escapou do Arkham ontem à noite.

— Como é?

— Escapou, mas não se preocupe, ele será encontrado em breve.

— Não por vocês, suponho — Mostro um sorriso esperto — Esse Batman é realmente muito útil — Afirmo surpresa.

— Num lugar como Gotham pessoas como ele são necessárias — Argumenta.

— Nisso concordamos. Gostaria que soubesse que estou disposta a ajudar no que precisarem.

— Como é?

— Estou disposta a ajudar na forma que puder.

— Sinto muito, mas não queremos mídia em cima do trabalho da polícia, isso costuma terminar com escândalos e pessoas erradas na cadeia.

— Você tem tão pouca fé nas pessoas quanto eu.

— Acredite senhorita Turler, quando se vê as coisas que eu vejo você abre mão de certas coisas, e passei a ter mais fé numa coisa real chamada ponto

trinta e oito na coxa e mente alerta o tempo todo.

— Que seja — Declaro exausta da conversa — Se ver o vigilante, avise a ele que Crane tem planos bem específicos e não planeja ajudar mais a máfia atual de Gotham.

— Direi — Responde com ironia, embora eu duvidasse da seriedade de seu tom. Ele abre a porta para mim e eu me retiro, mas não sem antes perguntar seu nome.

— Tenente James Gordon.

— Prazer conhece-lo, tenente.

Notas finais
Não tivemos Gordon no DCEU ainda, mas procurei colocá-lo de maneira mais alinhada com esse Universo. Que acharam?