Crônicas de um Mundo Irreal

11 Extra: Rapinos são Emocionalmente Instáveis, Certo?


Eram onze horas da manhã quando eu acordei. Pois é, eu acordei tarde. Na verdade, eu havia acordado às nove horas, mas só fui levantar da cama às onze porque.... Espera, isso não lhe diz respeito, não é?

ENFIM, depois de fazer as coisas que sempre faço – escovar os dentes, tomar café, assistir alguns episódios de My Little Pegasus (um desenho muito másculo, por sinal) -, peguei minha bicicleta e fui até o mercado. Finalmente estava de folga da Mama Choco, então queria aproveitar para por as tarefas em dia e, se desse, ir à convenção anual dos fãs de MLP.

O mercado estava a lotado. Tive que falar “com licença” umas trinta mil vezes até finalmente chegar à área de frutas e legumes. E, por algum motivo, aquela sessão do mercado estava praticamente vazia. Se não fosse por uma garota leporídea de pelos cinzentos. Bonitinha até. Procurei com os olhos as laranjas. Estavam ao lado das cenouras, onde a leporídea estava.

Ótimo. Quem sabe eu poderia dizer “oi” e então ganhar uma amiga? Eu não tenho nenhum na cidade... Mas por favor, não pense que sou carente ou solitário, PORQUE NÃO SOU. Recapitulando, eu caminhei até as laranjas e comecei a procurar pelas que estavam em bom estado. Olhei de esguelha para a garota e, CARAMBA, era a amiga da Lay. No mesmo instante me desanimei. Se era amiga da Lay, talvez fosse implicante como ela, ou talvez até mesmo batesse em mim como ela. Só para conferir, olhei mais uma vez para o seu rosto.

CAAARA, ela era bonitinha demais. Dava até vontade de ir lá e afagar sua cabeça. Mas, MEU DEUS, O QUE EU ESTAVA PENSANDO? Nem conhecia a garota. Por fim, fiquei enrolando nas laranjas tentando decidir como agiria. Isso até ela começar a olhar para uma caixa de cenouras egípcias com uma expressão de dúvida. AHAA. Essa era minha chance, comecei a ensaiar o que falar enquanto andava quando um funcionário do mercado se aproximou dela. AH, FILHO DA MÃE!

Tinha perdido minha chance, mas pude ouvir a conversa. O funcionário, um rapino, perguntou educadamente.

—Está precisando de ajuda?

A garota disse algo, mas não pude ouvir. Deve ter sido bem baixo, porque o funcionário olhou com um olhar de incompreensão.

—Hã... Me desculpe, pode repetir? Não consegui te ouvir. – Perguntou ele.

Mais uma vez, a garota respondeu baixo demais para que ele pudesse ouvir.

—Moça, eu ainda não...

—QUANTO É? – Gritou a garota, repentinamente, apontando para a caixa de cenoura egípcias.

É de conhecimento comum que os rapinos são bastante instáveis emocinalmente falando. Então, depois de se assustar com a o grito da garota, o funcionário começou a soluçar e chorar alto. MUITO ALTO. A leporídea pareceu não saber muito como reagir, porque ficou olhando com medo para o rapino.

Eu, que estava lá, tenho que dizer: FOI ASSUSTADOR. Naquele mesmo instante decidi desistir de fazer amigos por um tempo. Peguei minhas laranjas, fui para casa e depois para a convenção anual dos fãs de MLP que, por sinal, foi muito boa. Muitos colegas machos vestidos de pegasus apostando braços de ferro. Até o Guido Firelli apareceu, apesar de eu não gostar muito de luta livre.

Pois é, e esse foi mais um dia comum da minha vida. Eu queria poder contar os meus grandes feitos diplomáticos e as vezes em que provei a minha ultra masculinidade, como no dia em que chorei até ficar desidratado ao assistir O Navio que Bateu num Iceberg e Teve um Final Fantasioso. Só os machões choram. Agora me dá licença, amanhã minha rotina insana no Mama Choco recomeça e não quero a Lay puxando meu pé. Até sei-lá-quando, caro leitor.