Notas iniciais
Olá, gente! Cá estou eu - Vanessa BR - pra postar mais um capítulo de Crônicas para vocês! Boa leitura!

— Aonde os pequenos Lordes pensam que vão? – o Subcomandante Rickon perguntava aos meninos com um olhar reprovador.

Os dois garotos se entreolham surpresos. Não contavam que ainda houvesse alguém circulando pelo palácio àquela altura. E como aquele homem aparecera ali nos estábulos?

Antes que a dupla tentasse bolar qualquer resposta, ouviram sons agudos bastante desesperados. Tanto Rickon, quanto Marden e Robert estranharam o barulho e correram até a fonte daquilo. Era um grifo que estava muito agitado, e aquela criatura parecia muito aflita.

— É o Poseidon... – Marden murmurou.

— Ele está muito agitado desde que o Landon desapareceu. – Robert acrescentou.

— Eu pensei que a ligação dos grifos com a Família Real de Zardren fosse apenas um mito... – Rickon disse pensativo. – Eu nunca tinha visto isso acontecer pessoalmente.

— O que o Poseidon todo agitado teria a ver com o Landon? – o pequeno Lorde da Água questionou.

— Dizem que existe uma ligação extremamente forte entre os nascidos na Casa Real de Zardren e seus grifos. – o Subcomandante respondeu enquanto coçava o queixo. – Quando uma criança nasce, um grifo nasce no mesmo dia e é dado como presente ao recém-nascido. Ele vai viver o mesmo tempo de vida do seu dono e só morrerá quando o seu dono morrer. Esse tipo de ligação entre grifo e seu dono só acontece com quem tem o sangue da realeza.

— Senhor Rickon – o Lorde da Terra começou a raciocinar. – Se isso acontece, então com o Landon e o Poseidon é igual, certo?

— Será que o Poseidon está agitado por causa dele, Robert?

— Pode ser, Marden! E acho que o Poseidon quer dizer algo!

— Será que o Landon está sendo maltratado e é por isso que o Poseidon está tão agitado? Vamos pegar os nossos grifos, então! Precisamos tirar o Landon de lá!

Os dois saíram correndo para pegar seus grifos, porém sentiram que estavam sendo seguros pela gola, o que fez com que a dupla se lembrasse de que Rickon ainda estava lá.

— Nada disso, Milordes. – ele disse. – Vocês dois não podem ir. E vou levar os dois para terem uma conversa com os seus pais.

*

Novamente envolto pela penumbra e pelo frio daquele ambiente, Landon sentia as suas costas arderem como nunca. Sabia que ali a sua pele estava repleta de cortes violentamente abertos por aquele maldito chicote usado por aquele maldito príncipe alkavampiano. As lágrimas caíam de seus olhos sem qualquer controle, enquanto ele soluçava fracamente.

Seu corpo estava completamente fraco não só por conta dos ferimentos, mas também por não ter recebido nenhuma alimentação e por estar completamente imobilizado. Tudo doía, tudo ardia e tremia de frio, muito frio.

Sentia-se cada vez mais fraco a cada minuto e estava cada vez mais difícil de respirar. Suas costelas ainda eram o lugar onde mais doía de todo o seu corpo, atrapalhando-o de fazer algo tão simples. Sua pele nos pulsos e nos tornozelos estava completamente esfolada e em carne viva, bem como os demais ferimentos e todos eles doíam na mesma intensidade, fossem mais recentes ou não.

Queria sair dali de qualquer maneira, mesmo assim. Queria que o tirassem dali, pois não suportava mais tudo o que sofria! Odiava aquele lugar! Odiava aqueles que o visitavam! Odiava os Lordes e os Grandes Lordes de Alkavampir! Odiava o rei de Alkavampir! Odiava Alkavampir! Mas, principalmente, odiava o príncipe! Aquele príncipe Daithi era quem ele mais odiava!

A dor e o ódio cresciam na mesma proporção dentro de Landon. O príncipe zardreniano o odiava a ponto de querer a sua cabeça! Se ele saísse dali com vida, iria se tornar mais forte para fazer aquele maldito alkavampiano pagar por tudo! Pagar por cada ferimento e por cada gota de sangue e de lágrimas que ele o fizera derramar naquele lugar!

*

Conduzidos por Rickon, os dois meninos adentraram a sala do trono completamente emburrados. O trio se curvou rapidamente diante de Cassius e o Subcomandante disse:

— Majestade, Milordes, Excelência... Desculpem-me por ser inconveniente, mas precisava evitar um problema maior.

— O que aconteceu, Subcomandante? – Ferdinand perguntou olhando para Marden.

— Milorde, eu peguei os dois nos estábulos se preparando para ir a Alkavampir.

— Robert! – William questionou o filho. – O que vocês dois têm na cabeça para fazer isso?

— A gente quer ajudar a tirar o Landon de lá, pai! Assim como é o seu dever ajudar o rei Cassius, o meu é de ajudar o Landon! Além disso, ele é o nosso amigo e não podemos deixá-lo na mão!

— O Robert tem razão! – o filho de Ferdinand concordou. – Não podemos ficar parados enquanto o Landon tá lá esperando pela gente!

— Marden – o Grande Lorde da Água disse. – Vocês não podem fazer isso. Não é tão simples quanto parece. Vocês são apenas meninos de dez anos. São fortes, mas não podem se arriscar em algo tão perigoso. Se vocês forem a Alkavampir, os inimigos logo quebrariam suas espadas de treinos ao meio e cortariam as suas cabeças facilmente. Os homens de Alkavampir não têm piedade de ninguém e não pensariam duas vezes em matar vocês dois.

— Meninos – o Grande Lorde da Terra se aproximou da dupla. – O Ferdinand tem razão. É muito perigoso, vocês ainda não estão prontos para saírem daqui para enfrentar alkavampianos com larga experiência em batalhas.

— Pai, você não entende! – Robert protestou. – O Landon está em perigo! O Poseidon está muito agitado no estábulo, então deve estar acontecendo algo com o Landon!

Cassius, desde o dia em que seu filho desaparecera, passava no estábulo e via o quanto o grifo dele estava agitado. Ele sabia que algo ocorria ao menino, o que o deixava ainda mais aflito. Mas aquilo iria ter um fim ao amanhecer!

Passou por entre os dois Grandes Lordes e ficou frente a frente com os garotos. Precisava tranquilizar aqueles dois de algum modo.

— Os pais de vocês estão certos, meninos. – disse. – Vocês ainda não têm condições de ir a um campo de batalha, nem mesmo têm uma espada de verdade. Mesmo assim, eu me alegro por vocês quererem ajudar. Mostra o quanto vocês são amigos do Landon. Mas acho que ele iria gostar de ver vocês bem quando voltar. Nós vamos trazê-lo de volta.

— Por que estão demorando tanto pra fazer isso? – Marden questionou. – Desculpe parecer chato, Majestade, mas os homens de Zardren são fortes e conseguem.

— Quem dera se fosse tão simples, Lorde Marden. – Cassius suspirou. – Quando assumirem os postos de seus pais, vocês também vão passar por isso. O Landon realmente corre perigo, por isso não podemos sair de qualquer maneira. Um passo em falso e o matam. Não posso esconder isso de vocês, ele corre o risco de ser morto. Por isso demoramos, porque fizemos um plano para não acontecer isso.

Diante daquilo, os dois meninos permaneceram em silêncio. A situação era pior do que eles imaginavam.

— Amanhã, logo ao amanhecer, nós vamos colocar esse plano em prática. Tivemos que fazer isso para não ter erros, entendem, garotos? Assim como vocês não querem perder o seu amigo, eu não quero perder o meu filho. Eu também estou muito preocupado com o Landon e quero trazê-lo de volta, mas quero trazê-lo vivo. Por isso vou ter a ajuda dos pais de vocês e também do Comandante Alexander e do Subcomandante Rickon. Espero que tenham entendido o que eu quis dizer.

— Nós entendemos. – Robert disse. – Vamos ficar esperando pelo Landon!

— Ótimo. Porque ele vai estar de volta, vamos tirá-lo de Alkavampir.

*

Cassius entrou nos aposentos com cautela, a fim de não acordar Astrid, que dormia profundamente. Trocou-se e sentou-se à beira da cama, ainda pensativo e bastante tenso. A execução do plano definido na reunião seria ao amanhecer. Estava bem ansioso para isso, pois, mesmo com a grande chance de tudo dar certo, não queria cometer erros.

Viu, em seu criado-mudo, uma xícara com um chá calmante que pedira a Gregory que lhe preparasse. Realmente, iria precisar dele para tentar dormir. Estava preocupado demais e sabia que, assim, não conseguiria descansar o necessário e precisaria estar descansado para ter condições totais de ir ao encontro de Ramsay e executar a sua parte no plano.

Após sair da sala do trono e antes de chegar ao seu quarto, havia passado nos estábulos e viu que o que o jovem Lorde Robert descrevera era verdade. Poseidon continuava muito agitado, como se avisasse que Landon estava correndo perigo... Tal como ele tinha aquela sensação ruim desde que seu filho fora raptado dali de forma tão inexplicável.

A forma como ele fora raptado já não importava mais! A prioridade agora era tirá-lo das garras de Ramsay e trazê-lo a salvo... E acabar com aquele sofrimento pelo qual tanto ele quanto Astrid passavam.

Olhou para trás e viu que sua esposa continuava a dormir profundamente. Estava preocupado com o filho, mas também estava preocupado com ela. Odiava vê-la no estado em que se encontrava, tão frágil quanto a mais fina e delicada porcelana. Aquilo também lhe cortava o coração.

Pegou a xícara de chá e bebeu seu conteúdo. Em seguida, se deitou, frente a frente com Astrid ainda dormindo. Afastou delicadamente uma mecha de cabelo de seu rosto empalidecido e passou a mão pelo seu rosto enquanto murmurava:

— Amanhã nosso sofrimento vai acabar, meu amor... Vamos trazer o nosso filho para casa.

Notas finais
CONTINUA...