Notas iniciais
Olá, gente! Vanessa Sakata aqui trazendo mais um capítulo de Crônicas! Boa leitura a todos! :)

Uma semana depois...

Landon se via sozinho em meio a uma densa neblina. Onde estava todo mundo? O que ele fazia sozinho ali? Onde ele exatamente estava?

Tomado pela incerteza e pela angústia que começava a dominá-lo, o jovem príncipe começou a andar com alguma cautela, mesmo sem saber que rumo estava tomando, mesmo correndo o risco de se deparar até mesmo com um precipício. No entanto, continuou a caminhar. Sentiu que tinha que caminhar.

Foi quando conseguiu ver, alguns passos à sua frente, duas pessoas. Mesmo essas duas pessoas estando de costas para ele e seguindo em frente rumo a uma densa névoa que parecia incerta, ele as reconheceu.

— Pai...? Mãe...? – ele questionou. – Aonde vocês vão?

Viu que eram, de fato, Cassius e Astrid. O casal olhou para trás e viu o filho. Ambos sorriram para ele, mas aquilo trazia para Landon uma sensação muito estranha.

Era como se... Como se o sorriso de seus pais parecesse mais um sorriso de despedida. Por quê...? Por que eles estavam sorrindo como se dessem um adeus a ele?

Seus pais seguiam caminhando, ambos com trajes nas cores de sua casa real. Pareciam partir para nunca mais voltarem. Landon viu que eles tomavam ainda mais distância dele, então decidiu correr. Porém, não conseguia alcançar seu pai e sua mãe, que desapareceram em meio ao denso nevoeiro.

Em meio à madrugada, Landon se levantou bruscamente, tentando abafar um grito de susto sem sucesso. Catelyn, que estava em um sono tranquilo, acordou e viu o marido, que tinha uma expressão assombrada em sua face, sentado na cama ao seu lado.

— Landon...? – ela o chamou, arrancando-o de seu momentâneo estupor. – O que aconteceu, meu amor?

— Me desculpa, Cat... – ele, meio constrangido, passou a mão pelo rosto. – Acabei te acordando...!

— Não precisa se desculpar, acontece. O que houve? Teve um pesadelo?

— Não é nada de mais, Cat... – ele forçou um sorriso. – Pode dormir, eu vou ficar bem.

— Tem certeza? Não sente nada?

— Não. – a voz de Landon agora estava mais tranquila. – Foi apenas um susto, nada a ponto de me causar um colapso.

— Landon, pode fazer uma esfera de luz para mim?

O príncipe zardreniano fez surgir na palma de sua mão uma pequena esfera de luz, a qual foi suficiente para iluminar os rostos de ambos. Assim, Catelyn percebeu que o marido estava menos assustado e ele, que sua esposa agora parecia ficar mais tranquila.

— Cat, não precisa se preocupar. Já estou melhor, foi apenas um susto.

— Agora me sinto mais tranquila em ver isso. – ela o beijou.

— Que bom. Pode dormir sossegada. Vou procurar dormir também.

Catelyn logo voltou a dormir, mas Landon já não tinha mais sono. Aquele pesadelo lhe causara insônia, porque aquela cena de seus pais sorrindo como se eles se despedissem dele, antes de desaparecerem, não saía de sua cabeça.

No lugar do sono, vinha agora a angústia, pouco a pouco tomando conta do seu ser...

*

O sol deu as caras, mas logo se viu ocultado por espessas nuvens cinzentas. Parecia que poderia chover a qualquer hora do dia que se iniciava. Tudo estava pronto para a partida de todos que iriam ao Festival da Colheita no vilarejo próximo onde, como de costume, todo o alto escalão de Zardren comparecia, especialmente a família real. Após o festival – cuja duração costumava ser de uma semana, estava previsto no fim um baile em comemoração à fartura da última colheita e ao otimismo para a colheita seguinte.

Todos no palácio zardreniano estavam duplamente animados. Não só com o festival que começaria, como também com a vinda iminente do filho de Landon e Catelyn. Porém, o príncipe-herdeiro tentava esconder aquela angústia crescente que sentia. Toda vez que olhava para seus pais sorrindo animadamente, sua mente o transportava por alguns instantes para aquele pesadelo que tivera de madrugada.

Por que ele se sentia assim? Parecia que seu coração se apertava como se algo ruim estivesse prestes a acontecer...

Pelos deuses... O que poderia acontecer de tão ruim? Era uma ida breve até um vilarejo vizinho à Capital! Não iriam para fora do reino de Zardren!

“Landon, pare com isso!”, recriminou-se em pensamento.

— É uma pena que desta vez você não vá, Landon. – Cassius disse. – Ainda mais porque você sempre gostou de comparecer ao festival.

— Verdade. – Landon respondeu, tentando não pensar em sua angústia. – Mas é por uma boa causa. O nosso filho pode nascer a qualquer momento e eu quero ficar aqui quando isso acontecer. Não quero deixar a Cat sozinha. No próximo festival eu irei, e junto com ela e o nosso filho.

— Uma ótima escolha. Eu faria o mesmo no seu lugar.

Landon sorriu meio forçado, mas seu pai não percebera. Ele ainda estava tenso, procurava disfarçar isso da melhor forma possível. Porém, isso não havia passado despercebido pelos olhos atentos de Marden, que, acompanhado de Victoria – agora sua esposa – e Robert, havia notado algo diferente no amigo.

— Vicki – Marden chamou sua esposa pelo apelido. – Você se importa de não irmos desta vez ao festival?

— Algum problema, Marden?

— Não... – ele respondeu. – Eu só quero estar à disposição do Landon, da Catelyn e do Reid para qualquer eventualidade.

— Como é por uma boa causa, não me importo. Podemos ir no próximo festival.

— E você, Robert? – o Lorde da Água questionou enquanto dirigia para o Lorde da Terra um olhar preocupado.

— Eu ficarei. Não tenho nada a perder, e no próximo festival eu vou. Também vou me colocar à disposição, porque o bebê do Landon e da Catelyn pode nascer a qualquer momento.

Tão logo os grifos foram devidamente aparelhados, a comitiva formada por Lorde Christian, Lady Jacqueline, Lorde Ferdinand, Lady Adrienne, Lorde William, Lady Elise, Comandante Alexander, Rei Cassius e Rainha Astrid se dirigiu para o pátio onde eles estavam. Os pais se despediram de seus filhos e se prepararam para partir. Por último, o casal real se despediu de Landon e Astrid o abraçou forte.

Aquele abraço fez com que ele, sem saber exatamente a razão, também abraçasse a sua mãe de forma igualmente intensa. Parecia que sentia um medo inconsciente de perdê-la, pois o abraço dela lhe dava a sensação de que ela o abraçava como se fizesse aquilo pela última vez em sua vida.

E outra vez aquele pesadelo vinha à sua mente. Céus...! Era apenas um abraço como qualquer outro! Por que via nisso algo que não existia?

— Landon – ela lhe disse ainda abraçada ao filho. – Nunca se esqueça de que eu te amo mais do que a minha própria vida, e que você vai estar sempre em meu coração.

O jovem ficou sem reação. Pelos deuses... O que ela acabava de dizer...? E por que essas palavras começaram a aumentar ainda mais a sua angústia?

Assim que o abraço de mãe e filho se desfez, Cassius e Astrid se dirigiram aos seus respectivos grifos, caminhando exatamente como em seu pesadelo e olhando para trás e sorrindo como se fosse a última vez. O casal real montou em seus respectivos grifos e levantou voo com os demais, sob o olhar angustiado do filho que ficava no palácio junto com a esposa e os dois amigos, contemplando a partida de todos.

Pelos deuses... Por que ele ficava assim? Eles estavam indo apenas a um festival ali perto!

Landon tentava, em vão, se convencer com essas palavras, porém não conseguia...

Por que essa angústia crescia mais e mais, tomando conta de seu coração?

Notas finais
CONTINUA...