Crônicas de Vidas Passadas
3 Capítulo 3
Notas iniciais
é bom ter um insentivo a continuar
O pranto da senhora era ouvido em toda extensão, não se sabia ser sincero o lamento da viúva. Era certo que desonra sobre agora em sua viuvez. Naquela região uma mulher que houvesse perdido o marido era mal vista, consideravam má sorte hospedá-la, por isso tinham que ter um filho varão, pois este teria a obrigação, muito embora a contra gosto de acolher sua mãe, poucos eram os genros que aceitavam a sogra viúva sob seu teto.
O luto havia sido decretado em todas as terras pertencentes ao senhor. Todos esboçavam uma falsa dor, um desalento inexistente. Lúcios sempre fora um senhor severo, explorava o trabalho de seus servos ao máximo e por vezes lhes impunha alguma punição, quase sempre injusta. Mas estava morto, morrera em seu leito durante o sono, uma morte tranqüila demais para tal tirano.
Seu corpo era velado pela sua viúva e sua filha a fora os servos ali presentes. Uma expressão tão serena num rosto de traços firmes . A expressão de Chantalera amena como nunca, não se viam vestígios de dor, parecia-se muito com a expressão de quando seu pai partia em viagem. Eu estava ali, mas foi como se não estivesse. A senhora não dava mais tanta importância a surra que dera em mim, talvez a “dor” a tivesse anestesiado. O corpo do senhor foi cremado como era costume.
Chantal ficou apenas o tempo necessário ao lado de sua mãe. Depois recolheu-se em seus aposentos.
-Emily, prepare-me um banho, preciso me livrar de toda essa energia negativa...
-Como se sente?- pergunto de modo displicente, enquanto preparava-lhe o banho.
-Como acha que me sinto?!- disse em um tom um tanto quanto debochado.
-Era seu pai...- disse num sussurro.
-Sim meu pai, errou bastante, e o fato de ser meu pai não apaga seus erros, mas o fato dele não existir nesse mundo não me impinge dor...
-Foi você que? Fez mesmo isso?- o silencio de Chantal me angustiava.
- Por que pergunta o que já sabe a resposta...- reconheci minhas palavras saídas da boca de minha jovem senhora.
- Vai casar-se quando cessar o período de luto.
-Irei, mas... Assim como meu pai me deixou prematuramente, meu marido poderá deixar-me.- um belo sorriso desenhou nos belos lábios da jovem.
- Pode acabar se complicando!
- Besteira, sei o que estou fazendo e o faço para o nosso bem.- disse retirando a própria roupa para adentrar a tina d’água.- Nunca mais tocarão em você. Ele não mais tocará em você.
- Têm noção do que fez? Pecou contra o céus!
O silencio se fez presente e por todo período do luto nenhuma de nós se atreveu a tocar nesse assunto. Ao final dos seis meses corridos, o casamento de Chantal aconteceria...
Continua
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