Crônicas de Tasartir
5 Peregrinos, quem são?
Notas iniciais
Uma semana. O tempo exato que passou desde o glorioso dia em que nós nos tornamos aprendizes de Elliot Peterfield. A única coisa que no momento posso pensar é em meu treinamento, mas ainda sim, quebro as regras. Mamãe? Ela ficou inconsolável depois de eu lhe dar minha feliz notícia, me disse que eu estava indo para a perdição, me disse que a luz fugiria de mim assim como os animais indefesos na floresta e que me tornarei uma criatura repugnante.
Repugnante eu já sou – pensei assim que ela havia dito, porém agora suas palavras tem certo peso sobre mim. A única coisa que espero da guerra é morte, mas Ephraim me disse uma coisa que me intrigou profundamente: A morte não alcança só seus inimigos não, Zira. Disse ele com suavidade, e por falar em Ephraim, ele é realmente um idiota.
– Concentração, Ziraya! – Exige Elliot enquanto eu tento incansavelmente concentrar maná assim como Jude faz, ele disse que a partir disso posso então começar a pensar em formar meus próprios ataques elementais.
Não é tão fácil quanto parece, no entanto.
Hoje o sol brilha com força sobre meus cabelos negros e eu sinto que minha cabeça vai explodir, e mesmo com tanta força eu não consigo nem mesmo uma concentração de vento. Nada.
Tento me concentrar nas palavras de Elliot: Concentração sinta a natureza... Seja a natureza. Manipule-a, faça de vós um ser só. Mas realmente isso é bem mais fácil porque não é ele que faz.
Tudo bem, isso deve ser mais difícil para mim, pois eu não tenho essa conexão doentia com a natureza como os outros, e é mais um motivo pelo qual acho que não tenho que trabalhar os elementos, tenho que trabalhar o físico. Porém, Elliot não me ouve, diz que eu serei uma boa elemental e é só eu me empenhar o bastante. Respiro fundo uma ou duas vezes, e finalmente começo a focar minha atenção em minha mão estendida em minha frente.
Puxo o ar com calma, afinal natureza é isso. Fecho meus olhos e deixo meus sentidos me guiarem, ouço o cantar dos pássaros e o vento acariciar as folhas das árvores com suavidade, posso sentir a terra pulsante em baixo de minhas botas de couro, e sinto o céu mais próximo de mim do que nunca.
De uma hora para a outra o mundo pareceu instalar-se dentro de mim, pareceu caber perfeitamente em meu coração e eu realmente gostei da sensação, poderia ficar ali por dias, mas o dever apita em meu ouvido.
Certo, concentração. Estiquei meu braço para frente e abri a palma de minha mão para cima em forma de concha, como se eu fosse coletar água que caísse do céu. E imediatamente sem muito esforço eu sinto meus dedos formigarem intensamente e permaneço com os olhos fechados. O formigamento é inofensivo de inicio, porém depois as coisas começam a mudar. Minha mão instantaneamente vai se abrindo e a forma de concha vai se esvaindo enquanto a energia natural se expande dentro de minha mão. Quando o formigamento começa a ameaçar dor eu abro meus olhos.
Diante de meu rosto uma esfera vermelho sangue, escarlate pulsa como um coração extremamente saudável e eu me surpreendo com seu tamanho. Cobre quase toda a minha visão estando perfeitamente na frente de meu rosto, apenas vejo pela visão periférica Elliot balançar os braços freneticamente enquanto parece gritar algo que eu não me importo em ouvir. Estou mais concentrada na esfera linda que tenho em minhas mãos, ali dentro posso ver de tudo. Eu me vejo ali, e o fogo dança freneticamente como se fosse preso por um vidro, mas o vidro não o contém ele roda e roda incessantemente e a cada giro que o fogo dá ele se expande consideravelmente.
A única coisa que posso ver antes de eu perceber que trago comigo mais uma bomba que um ataque certeiro, é o vermelho inflando e cobrindo toda a minha visão. O calor é quase insuportável e eu voo para trás com o impulso oco contra meu peito.
Meu traseiro se choca contra o chão e meus olhos lacrimejam que jeito incômodo enquanto eu me mantenho estirada sobre a terra que agora não pulsa como antes.
Eu sinto uma vontade incontrolável de vomitar e o primeiro movimento que faço é inclinar a cabeça para o lado e despejar toda a comida que havia ingerido no dia anterior. Solto um gemido enquanto quase me afogo comigo mesma, e Jude se ajoelha ao meu lado colocando minha cabeça sobre seu colo.
Minha tão adorada amiga me fez o favor em deslizar um pano sobre meu rosto limpando a bagunça que eu tive feito, solto um gemido em agradecimento por simplesmente não conseguir mover meus lábios dormentes.
– Sh... – Ela sussurra no meu ouvido tirando meus cabelos de minha testa suada. Jude passa alguns segundos observando minha tatuagem rubra em silêncio e depois me lança um sorriso reconfortante. Gemi novamente só que desta vez em revolta, e logo Jude tratou de cobrir minha marca com meus cabelos, e eu respiro fundo fechando os olhos.
(...)
A ardência dolorida cobre todo e cada pedaço do meu corpo, mas ainda estou perdida na inconsciência, o que eu deveria agradecer se pudesse prever o que estaria por vir.
O colchão fofo de algodão nobre se posiciona bem em baixo de mim e em qualquer outra situação eu estaria me sentindo tremendamente confortável, mas ali minhas costas estão em chamas e qualquer movimento que eu ouse fazer a chama se junta com dor aguda. Então permaneço imóvel.
Até abrir os olhos se torna uma tarefa complicada quando se está com praticamente cem por cento do corpo queimado, mas com perseverança eu o faço e vejo Ephraim e Elliot cada um em um lado da cama, e os dois me aparentam inteira preocupação.
– Você pode me ouvir? – O ancião pergunta de forma cautelosa, eu tento fazer que sim com a cabeça, mas a dor é quase tão insuportável que eu desisto na primeira tentativa. Planejo então tentar dizer algo, mas meus lábios não se movem, então como ultimo recurso solto um gemido rouco e Elliot assente com preocupação nos olhos.
A porta se abre silenciosamente e Jude se põe em minha frente com um sorriso nervoso.
– Trouxe remédio. Você estará boa em um piscar de olhos. – Diz ela, e logo depois coloca um frasco de vidro com algum liquido esverdeado em minha frente. Eu odeio remédios, mas eu quase supliquei para que ela passasse isso em meu corpo para que a queimação cessasse, mas ela não o fez, simplesmente coloca uma mão na minha nuca inclinando minha cabeça para cima e logo depois para frente, eu gemo de dor imediatamente, mas Jude não para, e despeja o líquido entre meus lábios.
É de um amargo extremo e me queima por dentro enquanto eu o engulho com dificuldade com o bolo que está formado em minha garganta.
Ótimo, agora estou queimando por dentro também.
Mas antes que eu possa reclamar, a inconsciência me abraça novamente.
Você deveria desistir, e se juntar aos peregrinos.
Acordo com uma voz muda no martelando no meu cérebro e queimação nenhuma me perturba mais. Os peregrinos? Eu nunca ouvi falar neles. Apenas um dia, enquanto minha mãe dizia-me sobre sua infância e que sua irmã havia se juntado a esse bando, mas na época eu nem me importei de saber nem o objetivo dos mesmos.
Ouso em mover meus dedos e espero a dor iminente, mas nada acontece. Movo então meus lábios e dor nenhuma me atinge, abro os olhos e encaro o teto de telhas de barro marrons, e forço meu tronco me sentando rapidamente na cama e minha visão fica turva imediatamente. Fecho meus olhos e espero alguns segundo quando me sinto finalmente segura para abri-los vejo Ephraim com uma bandeja de madeira e em cima dela um queijo de vaca bem sobre meu rosto, eu pisco algumas vezes e só o aroma do alimento faz meu estomago roncar.
– Sua pele está nova. – Ele comenta se sentando ao meu lado na cama, e com sua adaga de brilho negro corta um pedaço generoso e estende para mim. O pego e levo-o a boca com ferocidade e percebo que realmente não sinto dor alguma.
Permito-me olhar minha própria pele sob meu braço e vejo-a cintilante como nunca, e está quase rosada. Parece que troquei de pele, como uma cobra, e todas as cicatrizes de queimadura e rasgos de adaga simplesmente desapareceram de minha pele deixando apenas o rastro aveludado e uniforme cobrindo todo meu corpo.
– Como...? – É a única coisa que consigo dizer no momento, pois ao engolir o queijo minha garganta seca grita em desaprovação, e até mesmo o ato de falar é um desafio.
– Sua mãe, ela e Jude prepararam uma poção mística. Claro que boa parte foi feita por sua mãe, mas sem Jude ela não teria conseguido o resultado final. Você passou apenas uma noite desacordada... – Diz ele me estendendo um copo de barro com água dentro. Está tão gelada que me faz estremecer com a nova sensação, mas é prazeroso, e segundos depois já posso comer o queijo tranquilamente. – Olha, sua mãe é famosa por ser boa... Mas não imaginei que fosse tanto. Você ficou tostada, Zira. Você praticamente se tornou um churrasco... Pensei até em levar seu corpo para a vila para alimentar os necessitados, mas Elliot não deixou... – Ephraim está com um rabo de cavalo no topo de sua cabeça, o que o faz parecer ridiculamente feminino, eu rio disso e não de seu comentário sobre churrascos.
– Ainda bem que ele não deixou. – Digo esboçando um sorriso fraco e logo depois lhe tomo o queijo e em dentro de vinte minutos não há rastros dele.
Já devidamente dentro de minhas botas e minha calça de pano fino, coloco meu casaco de couro aveludado e me levanto atravessando a porta do quarto. Segundos depois minha mãe me envolve em um abraço desesperado e afobado enquanto sussurra palavras homicidas.
– Você não sabe o quanto fiquei preocupada Ziraya Rose! – Ela rosna me olhando nos olhos e no meio daquele lago cristalino posso ver raiva e alivio. Ela afaga meus cabelos e volta a rosnar. – Se você morresse, eu faria de tudo pra te ressuscitar, e aí então, eu te mataria! – Ela diz pouco se dando conta de sua lógica completamente errada.
A sala da casa dos Petterfield é extremamente aconchegante e tem conforto espalhado por todos os lados. O sofá parece ser preenchido com espuma, ao contrário do nosso que é totalmente de madeira velha que solta até farpas. Bem à esquerda próximo à entrada da cozinha posso ver uma lareira média que tem cinzas negras borbulhando dentro, o chão é coberto por um tapete de urso e por todas as paredes quadros à tinta óleo, desenhos feitos no grafite e cabeças de animais estão pendurados de feitio elegante.
– Mamãe... Eu só perdi o controle, não acontecerá novamente. – Me justifico tentando inutilmente a acalmar com palavras. Sissy então desliza o cabelo e o coloca atrás da orelha e me olha com concentração demasiada.
– Você não vai desistir? – Diz ela com um tom de ofensa carregado. Sem tirar meus olhos dos dela respiro fundo duas ou três vezes e quando a coragem me atinge, faço que não com a cabeça enquanto engulo em seco.
– Por céus! Você não vê? Você só está correndo em direção à escuridão. Acha que eu não sei? Essa história de amor ao nosso povo não me convence Ziraya. Eu sei que queres vingança, uma vingança que tu nunca poderá ter, é impossível minha filha! – Ela diz em tom de súplica, e eu desvio meu olhar para o chão que no momento me parece mais interessante que os olhos de minha mãe, que parecem me ver nua.
Ela sabe, então. Obvio que sabe... Fui inocente demais em pensar que talvez mamãe não descobrisse minhas reais intenções, mas ela me conhece demais para isso. Ela me conhece como parte de seu ser e eu não posso lutar contra isto. Mas ainda sim, ela não pode simplesmente acabar com meu objetivo. Ela não contaria à Elliot, contaria?
– Sissy, ouça bem o que lhe digo. Você não irá dizer uma sequer palavra para o mestre, ouve? Uma sequer! – Um grunhido escapa de mim e vejo a surpresa na expressão de minha mãe com minha atitude. Eu não quero magoá-la, mas só o pensamento de que algo vá dar errado por qualquer motivo que seja me corrói os nervos.
Segundos em silencio se passam e eu não amoleço minha expressão, mamãe pondera com angústia estampada em seu rosto que me traz sentimentos piores ainda.
O que eu fiz? Magoei-a, e pior, eu a decepcionei.
Mamãe assente em silêncio, e minha expressão se normaliza, tento lhe lançar um sorriso para tentar acalmá-la e informá-la que está tudo bem, e não há nada a temer. Mas a única coisa que recebo em troca é mamãe de costas saindo pela porta da frente, sem ao menos se despedir.
Um bolo se forma em minha garganta e eu tenho um inesperado anseio, eu quero chorar. Mas engulo o bolo imediatamente e estampo um sorriso no rosto quando vejo o mestre e Jude ao seu lado entrando na casa com expressões de questionamento.
– Pensei que fosse demorar mais um pouco para acordar... De qualquer maneira, bom dia. – Jude diz me dando um breve abraço e indo para a cozinha, provavelmente fazer algum chá que nos dará alguma resistência no treino de hoje. Se é que vão me deixar treinar.
– Sua mãe me pareceu um tanto perturbada, tem algo que queira me dizer? – Meu mestre diz se sentando no sofá e desviando toda a sua atenção para mim enquanto eu tento ignorar seu olhar meticuloso. No entanto sei que se mentir olhando em seus olhos talvez ele se dê por convencido e me deixe em paz.
– Não, mestre. Ela só está preocupada, mães... – Digo soltando uma gargalhada completamente desprovida de humor, e soou até amarga, porém Elliot sorriu calorosamente me retribuindo e dando leves tapas no assento ao lado indicando claramente que gostaria de conversar comigo.
Eu pigarreio tentando dispersar pensamentos negativos, e me sento à seu lado enquanto deslizo o dedo sobre a estampa do tecido que reveste o sofá.
– Como se sente? – O ancião pergunta enquanto mantém os olhos no chão. Não preciso nem pensar duas vezes sobre minha resposta.
– Ótima. – Digo. Obviamente no sentido físico, porque minha cabeça lateja em culpa e arrependimento.
– Se sente bem o suficiente para um treinamento? – Pergunta com cautela tentando me desvendar com os olhos. Assinto imediatamente.
– Muito bem. Mudamos de tática, nosso foco agora é controlar tua força. Ouça-me, não se entregue daquela forma, você tem que aprender a controlar. Geralmente a maioria não tem de se preocupar com isso porque o maná se esgota antes mesmo da energia se formar com metade do tamanho da que a tsua se formou. Mas você tem uma reserva generosa, e se a empolgação lhe tomar é capaz de você se matar por acidente. – Diz ele de jeito astuto enquanto gesticula e eu assinto mostrando-lhe que compreendo cada palavra que ele diz.
– Por fim, não treinarás sem teu arco. Precisará de maná, mas isto tens de sobra. Será o dobro da dificuldade, mas suponho que não será problema algum. – Eu me mantenho calada, e penso no que poderia ser mais difícil que a concentração de maná ligada diretamente à pele.
Pois bem, concentrar maná em uma arma, é ridiculamente mais complicado, e eu cheguei a pensar que fosse impossível. Depois de uma manhã cansativa tanto fisicamente quanto psicologicamente, uma pausa maravilhosamente bem vinda encaixou-se como uma luva, enquanto almoçávamos um guisado de peru silvestre e pães sem fermento, com água gelada abundante no rio que corria bem em meio à floresta esverdeada e escura que nos cerca silenciosamente, conversávamos amistosamente sobre qualquer acontecimento atípico que nos viesse ao pensamento. Até então, a lembrança de mais cedo me alcançar como um leve puxão de cabelo. Decido então perguntar ao mestre.
– Mestre? Posso lhe perguntar uma coisa? – Digo cortando uma fatia gorda de pão e a ensopando no guisado bem temperado. Ephraim rola os olhos ao meu lado.
– Você já fez uma, gênio. – Provoca de jeito risonho, porém eu o ignoro enquanto Elliot assenti rindo para o irmão desaforado.
– O que são ‘os peregrinos’? – Digo casualmente enquanto Jude abre o pote e despeja em sua tigela mais uma porção de guisado.
– São os seguidores da Deusa, Zira... Mas por quê? – Diz ele sem realmente satisfazer minha curiosidade. Todos somos seguidores da Deusa.
– Acordei com isto na cabeça. – Não é totalmente mentira, mas não lhe contei sobre a voz pedir para que eu me juntasse a eles.
– Ah. Bem, é um grupo de viajantes que peregrinam ao templo de Zitron, onde está o maior fragmento da alma de Etain, lá então de alguma forma eles não se tornam mais de Erina ou são a favor dos Darkforce, eles simplesmente buscam incessantemente alguma forma de trazê-la novamente a vida. Não vem tendo muito sucesso, no entanto. – Diz ele, enquanto eu tento assimilar os fatos.
– Eles querem instaurar o nirvana de 208 novamente. – Elliot comenta enquanto toma um gole de água que está no cantil que trouxemos conosco. Ephraim e Jude parecem também interessados na explicação, para minha alegria.
Lembro-me bem de já ter lido sobre o nirvana. Nirvana foi a época em que a Deusa era um ser vivo, e não ‘tudo’ como ela é hoje. Ela é tudo hoje em dia, pois sua alma se despedaçou e se espalhou por todos os lados, e a única forma que ela encontrou de não desaparecer da mente e do coração de suas criaturas foi se instalar na própria natureza que deu vida. Duzentos e oito foi o ano da glória quando a Deusa completou magníficos mil anos de vida, e então a felicidade simplesmente tomou de conta de todo Asmara que festejou como se não houvesse amanhã.
No entanto a queda da Deusa é algo memorável que está em praticamente todos os livros que há na vila.
No ano trezentos, na primavera, a inteligência passou a se demudar, a revolta então assolou o coração de metade da população de Asmara com as ideias medíocres do atual senhor feudal de Skrix a base Darkforce, Maeglin Miriel, ele convenceu toda a Skrix que a Deusa não passava de uma manipuladora que apenas controlava a todos e não os dava liberdade para pensar, para serem livres, questionou o porquê de ela não permitir o acesso ao Vale Setentrional que na época era conhecido por ter uma enorme e generosa fonte que o Miriel acreditava ser a fonte da juventude. Ele achou que a Deusa os privava da vida eterna, privava da ciência e da real causa de tudo, e com toda a revolta de Skrix a guerra se iniciou.
Para o nosso lado, elfos e humanos que ainda acreditam e apoiam a Deusa. E para o lado deles semi-elfos e os práticos e inteligentes Strongês que são o oposto dos elfos. Ao invés de preservar e manter a natureza conservada, o único objetivo de todos eles é a tecnologia. Os semi-elfos são proles de elfos e humanos que se tornaram criaturas mais humanas que élficas e depois de tanto tempo junto com os Strongês acabaram perdendo a força espiritual e a única coisa que os apoia na guerra são suas máquinas impetuosas que são movidas a pólvora e ódio.
Povo burro, e sem fé. Eles conseguem chegar a um estado pior que o meu, sou tão diferente dos da minha espécie. Posso até não ter tanta fé como os outros, mas olhe no que deu... Dor e morte.
A guerra se iniciou causando tremenda desestruturação de Asmara e povos antigos simplesmente foram aniquilados e jogados para fora do mapa como lixo.
A Deusa tentou, ela lutou para tentar acabar com a guerra, mas quando estourou o estopim já era tarde demais. Até mesmo nós, elfos perdemos grande parte de pureza e bondade – caso claro, eu – no meio de tanta guerra. Quando a primeira batalha dos anos quatrocentos se iniciou até os elfos já lutavam por ódio e então tudo se tornou uma imensa bola de neve sem fim, sempre crescendo e destruindo tudo que há pela frente. Incontrolável e inabalável, assim como meu desejo de ir para o campo de batalha rasgar a garganta de todos os que duvidaram de Etain, todos que a fizeram explodir em mil pedaços e se perder na escuridão do Inferno, pois os pecados de cada ser de toda Asmara foram jogados sob suas costas a fazendo se tornar um ser sujo e perdido, enquanto se alimentava de raízes podres perdida na escuridão que ainda a cerca e a atormenta em um lugar secreto onde não há ninguém que saiba de seu paradeiro.
Etain está quebrada em mil pedaços, e é quase impossível de juntá-los e trazê-la novamente. O que esses peregrinos têm na cabeça? Eles realmente estão dispostos a coletar cada fragmento da alma da Deusa e trazê-la de volta a vida? Isso demoraria cerca de mil anos se o trabalho fosse rápido. A única coisa que podemos fazer agora é lutar e acabar com os Darkforce e ai então instaurar a paz em Asmara, e suponho que a partir daí a Deusa comece a adquirir forças novamente.
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