Crônicas de Natasha, a herdeira dos Kirke
2 Capítulo 1: Natasha conhece um novo mundo
Notas iniciais
Depois de alguns dias no hospital, e de muitas visitas, finalmente mãe e filha (e por que não, Digory também? Afinal ele passou o tempo todo ao lado de Polly, e só voltava para casa para dormir) poderiam voltar para casa. Claro que na chegada deles, toda a casa ficaria agitada, um queria pegá-la no colo e outro queria beijá-la, mas no final todos se acalmaram e ao anoitecer TODOS a colocaram em seu berço, que fora feito sob encomenda para a nova Kirke. O berço foi esculpido em madeira pelo próprio avô, que aprendeu a entalhar logo que se aposentou. Nele havia imagens de vários animais e muitas árvores. Mas o que mais chamava a atenção era a majestosa cabeça de leão, que estava bem no centro da cabeceira. Ninguém sabia exatamente por que Digory pediu para seu pai fazê-lo.
Na verdade o leão era um velho amigo do casal, eles não lembravam muito do majestoso felino e nem das aventuras vividas com ele. Apenas sabiam que era especial. Se não fosse não sonhariam com ele, não todas as noites, mas de vez em quando ele lhes fazia uma visita durante seu sono.
Depois de dois meses de muitos mimos para a pequena Natasha, durante o café da manhã, ouve-se uma sugestão tentadora.
– Por que não vamos visitar as nossas velhas casas? Agora que Digory esta de férias do emprego, podemos ficar uns tempos por lá! – Disse Polly num tom animado.
– Oh! Que ótima ideia. Acho que seria legal relembrarmos nossa infância, agora que temos uma filha. – Concordou o esposo.
– Huuum, não sei, já faz tanto tempo... – Disse tia Letícia.
– Ora, que bobagem Letícia, tenho certeza que será bom para todos. Um momento de nostalgia... – Disse o tio com saudade de sua antiga casa.
– Que dia viajaremos? – Indagou a mamãe Polly
– Por que não amanhã? Podemos nos aprontar durante o dia de hoje, e já partir ao amanhecer. Assim podemos aproveitar ao máximo as suas férias Digory. – Disse o tio olhando para seu sobrinho.
Ao entardecer tudo estava quase pronto, só faltava colocar a bagagem no carro. E como estava cansada, a pequena grande família não se demorou na janta. Enquanto subiam para seus quartos, tio André começa a murmurar algo...
– Aquele buldogue... Por que ele... Elefantes... Tromba... Aslam... – Tio André se lembrava de algo... Algo realmente assustador para ele. Pelo visto, o fato de pensar em voltar à velha casa o havia abalado, mas mesmo assim, o que tem isso a ver com que ele diz?
Essa última palavra chamou a atenção de Digory e Polly. Já haviam escutado aquele nome... Mas onde? Não importa o que fizessem não conseguiam lembrar. Até que Natasha os tira de seus pensamentos longínquos com um choro. E após acalmar a menina, um silêncio toma conta da imensa casa dos Kirke, todos haviam dormido.
A família saiu de casa bem de manhazinha, e chegaram ao seu destino na hora do almoço. Mas por sorte Margarida (uma das três criadas, que também estavam com eles) havia preparado um lanche. E depois de estarem fartos, começam a explorar a velha casa onde moravam.
– Olha! Aqui era meu quarto! Agora que está vazio parece um pouco maior. – Exclamou o jovem pai.
– Minha cozinha parece a mesma... – Lembrou Mabel, mãe de Digory.
E uma de cada vez uma lembrança do passado era contado com grande entusiasmo. Um momento feliz... Até que tio André começa novamente com seus murmúrios.
– Não eram animais normais... Qual era mesmo o nome daquela mulher da realeza? Oh céus, que mal humor... – E então os murmúrios vão tomando força até se transformarem em berros de desespero. – Ah! Não, me ponha no chão seu elefante maldito! Sou um humano, não uma árvore! – Nada que dizia fazia sentido, nem seus movimentos... E numa dessas, quase a certa a pequena Natasha.
Um ar de tensão invade a casa, a família começa a se assustar com o que vê. Digory e Polly decidem sair da casa para proteger sua filha, eles se abrigam embaixo de uma velha árvore, até que se ouve um enorme estrondo, e juntamente um grito de Mabel dentro da casa. O casal então decide ir ajudar os outros, cobrem a menina com um véu, e a deixam cuidadosamente entre as raízes da planta, onde ela se encaixava perfeitamente, sem sufocá-la, e sem deixá-la exposta ao Sol intenso daquele dia de verão. Os dois correm desesperados para ajudar.
Enquanto se ouvia estrondos, gritos de loucura e de desespero. Algo realmente mágico aconteceu a Natasha. Algo puro, que iria transformá-la pela vida inteira. Uma nuvem imensa cobre o céu, tudo fica escuro, e escuta-se um trovão, o vento começa a se agitar mais e mais. E então, um dente de leão que estava ao lado dela começou a soltar suas sementes, e estas começaram a cobrir ela inteira, até que ela aparece aos pés de uma macieira, numa paisagem totalmente diferente, não havia mais casas, asfalto, carros e nem sua família. Apenas, árvores e mais árvores.
Alguns instantes depois uma família de faunos que passava por lá, ouviram um choro esquisito. Foram investigar o que era, e encontraram uma menina, a nossa doce Natasha que agora estava morrendo de fome.
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