Crônicas de Moria: Aprendiz de aço
7 O inimigo se aproxima, que venha a batalha de Themas!
Erick saca sua espada e fica a posto próximo do rei com três soldados, dois dos outros soldados ficam de guarda entre as portas do grande salão. Aviso que irei para a cidade ajudar os soldados e aproveitando esse tempo para buscar cidadãos para ficarem seguros aqui no palácio. Belmi fica amedrontado por alguns segundos, entretanto, quando se lembra do que eu falei respira bem fundo e avisa que também irá para o campo de batalha, ele ordena seus soldados para organizar o grande salão para que todos os cidadãos possam ficar lá em segurança e caso algo dê errado, use as passagens dentro da montanha para as salas seguras protegidas na montanha, ordena também que o tragam sua armadura para que possa lutar, em poucos minutos o vejo com sua reluzente armadura dourada e rapidamente caminha ao meu lado para os corredores do palácio.
— Está sendo muito corajoso rei Belmi. — Ele respira bem fundo enquanto andamos para fora do palácio, empunhando sua espada suas mãos estão bem tremulas.
— É, pensei muito bem o que disse e como rei não posso abandonar mais meu povo. Minha família está no comando deste reino a pelo menos quatro gerações e agora não posso mais se esconder neste palácio.
Ao chegar na entrada podemos observar um aglomerado de pessoas, desde os mais ricos com seus serviçais até os mendigos desabrigados e famintos. O povo de Themas estão em total desespero esperando o rei se pronunciar enquanto inúmeros soldados partem para o centro e entrada da cidade nas muralhas. Todos olham fixamente para o rei, ele respira bem fundo e dá um passo à frente.
— Cidadãos de Themas...meu povo...minha família. Os boatos que acercam nossas terras é verdade, o inimigo está caminhando para cá e estão chegando em nossa porta. — Todos murmuram desesperados, Belmi estende sua mão para que façam silêncio.— Eu sei que o medo parece prevalecer em meio ao que parece ser o fim, mas acreditem em seu rei, este não é o fim, este não será a destruição de nosso reino, o inimigo caminha para sua própria morte enquanto nossos guardiões protegem nossas muralhas, nossos cavaleiros, pais e maridos empunham seus arcos e flechas para dar fim sem misericórdia a esses que juraram destruir nosso reino. Hoje, nós iremos triunfal contra as trevas.
Os soldados gritam em nome do rei e encorajam o povo a se manter unidos e mais calmos, de maneira organizada alguns dos soldados levam em pequenos grupos a população para dentro do palácio enquanto Belmi ordena que os arqueiros se posicionem nas muralhas na parte mais elevada. Começamos a trotar para a parte de cima das muralhas, ao chegarmos e todos se posicionarem, Dantul parece estar focado, murmurando em uma língua que não entendo empunhando de seu cajado.
— O ddyfnderoedd y ddaear i'r uchaf o'r mynyddoedd, bydded i'r lle hwn gael ei warchod ac efallai na fydd unrhyw niwed yn ymosod arno.
Ele levanta seu cajado com suas duas mãos em sua frente e o bate com força no chão, criando uma pequena explosão de luz branca por entre a fumaça abaixo de seu cajado, enquanto os orcs se aproximam no horizonte com gigantes acorrentados puxando catapultas de madeira revestidos com metal por entre as montanhas, podemos ver uma parede branca transparente descendo do céu criando um ruído tão alto e único. Ao tocar o chão a parede fica totalmente invisível, os arqueiros contemplam a tropa de orcs caminhando para a muralha, cada passo que dão aumenta o barulho do metal batendo por entre seus corpos, eles batem suas espadas e lanças em seus escudos para amedrontar e urram com toda sua força ecoando pelas montanhas. Alguns dos arqueiros estão tremendo de medo observando o inimigo se aproximar, considerando que pouquíssimos estiveram em batalhas e mais pouco ainda aqueles que treinaram para um momento como esse. Olho em volta e vejo apenas desilusão por entre cada um deles. Tento chamar a atenção do rei para que ele encoraje seus arqueiros
— ARQUEIROS, SOLDADOS DE THEMAS ESTES SÃO SEUS INIMIGOS, MOSTREM PARA ELES O PODER DO REINO ENTRE AS MONTANHAS. — Ao gritar isso, os soldados olham para rei esperançosos e puxam seus arcos o mais forte que podem esperando seu comando.— Esperem! — Puxo meu arco e flecha, na ponta de minha flecha está embebedada de álcool, uso minha magia de fogo para queimar a ponta. Eles se aproximam mais da muralha.— ATIREM!
Atiro primeiro minha flecha, uma chuva de flechas é lançada pouco atrás da minha como um turbilhão sendo guiados pelo fogo, o barulho monstruoso cortando os ventos com as flechas percorrendo o horizonte é intimidador, porém parece que os orcs de nada tem medo tão pouco medo da própria morte, a linha de frente dos orcs é facilmente derrubada e alguns na direita mais ao centro do exército cai um por um, seus gritos de dor só incentivam mais e mais eles a correr para a morte, os gritos logo se cessam e uma nova onda de gritos se inicia, não um grito qualquer, um grito de ódio, um grito encarando seus inimigos, eles estavam de pé perante a nós com suas lâminas cheias de ódio e desejo de sangue humano. Eles param próximos da muralha e ajeitam os gigantes os chicoteando, obrigando os enormes guerreiros a armar as catapultas para nos atingir. Uma nova onda de ataques de flechas é lançada em meio a eles que parece não surtir efeito algum, alguns deles retiram as flechas de seu corpo nos encarando, rindo em meio a dor como se nada fosse aquelas flechas. As primeiras pedras são lançadas pelos gigantes que são completamente obliteradas em meio aquela proteção feita por Dantul virando apenas pó em meio ao ar, os arqueiros gritam em comemoração caçoando deles em meio ao silêncio e confusão do inimigo. Lançamos uma terceira onda de flechas, entretanto agora eles usam seus escudos para se protegerem da chuva de flechas, enquanto recarregamos nossos arqueiros três orcs vestidos de maneira diferentes, com túnicas de pano ao em vez de armaduras pesadas aparecem a frente do campo de batalha, eles parecem analisar a magia do ancião e através dos olhares se comunicarem de forma silenciosa, eles voltam a olhar para nós e a rir enquanto caminham de volta para as catapultas, de maneira ágil lanço uma flecha em um desses orcs sacerdotes que se vira estendendo a mão, levitando minha flecha impedindo de chegar em seu corpo, ao abaixar seu braço a flecha cai ao chão como se nunca tivesse sido lançada. Todos estavam espantados com essa demonstração de poder, isso nunca antes foi vista em meio as orcs, nenhum deles jamais usou magia desde a aparição deles a mais de dois mil anos. Ele volta a me olhar fixamente, desafiando com apenas o olhar, com um leve sorriso de provocação acena com a cabeça para que outro deles chicoteassem o gigante que recarrega a catapulta com a maior pedra que encontra. Antes de lançar os sacerdotes estendem suas mãos para as pedras e começam uma reza baixa para as pedras, de suas mãos que tocavam as pedras uma enorme fumaça negra parece se rodear e se envolver como se estivessem colocando ali um feitiço. Dantul caminha para meu lado e observa atentamente o feito até então impossível feito pelo inimigo, logo manda os arqueiros se prepararem para o ataque, ele olha para mim uma última vez e me avisa para me preparar para a verdadeira batalha. As pedras, revestidas com uma estranha fumaça negra são lançadas para a muralha que se chocam novamente no feitiço do mago e transformam as rochas em poeira, de repente, a fumaça que estava entrelaçada com as rochas logo começa a se entrelaçar com a parede e o feitiço logo começa a se corroer no meio do ar.
— Como eles aprenderam a usar esse tipo de magia ancestral? — Dantul parecia confuso demais com a situação.
Lançamos mais flechas que foram totalmente bloqueadas pelos escudos de metal, eles agora parecem totalmente excitados com a situação e com a magia do mago finalmente retirada, o exército corre para as muralhas, os golens correm agora em direção para o exército de orcs sem qualquer hesitação começando a pisotear um por um, os gigantes são envolvidos em uma magia feita pelos sacerdotes e estão totalmente em seus controles, eles são soltados de suas correntes e entregue seus gigantescos porretes que enfurecidos correm em direção aos golens. Ambos em pé de igualdade em tamanho, uma luta épica era travada entre os golens e os gigantes enquanto os orcs marchavam para os portões da muralha. Alguns orcs um pouco mais longe da muralha puxaram bestas e logo começaram a lançar flechas em nós. Dantul segura seu cajado e grita “WAL WYNT” e movimenta seu cajado como se controlasse os ventos, uma enorme onda de ventos bloqueia as flechas no ar e são lançadas para o lado esquerdo da muralha em direção ao abismo das montanhas. Enquanto os guardas lançam suas flechas nos orcs abaixo da muralha, no horizonte vindo para os portões dois pequenos goblins seguram uma espécie de bomba em suas mãos, ao chegar mais próximo ele acende o pavio e corre em direção ao portão principal, grito para um grupo pequeno de cinco arqueiros me ajudar a atirar flechas neles, mas dois dos arqueiros são atingidos com uma flecha dos orcs.
— Todos os soldados, recuar para o centro da cidade. AGORA!
O rei pede para todos que o obedecem sem pestanejar, corremos o mais rápido possível antes de ouvir a explosão que derruba totalmente o portão que racha algumas partes a direita da muralha e destroem criando um buraco na parte da esquerda permitindo a entrada deles. Os lanceiros pegam seus escudos e lanças e criam uma muralha de escudo permitindo uma defesa mais composta e ofensiva. O inimigo é implacável e à medida que entram seus ataques são extremamente agressivos, mesmo com a dor das lanças entrando em suas entranhas, eles não recuam um único minuto e aqueles que são mortos pouco antes de morrer usam seus próprios corpos para dificultar os lanceiros contra-atacarem, ouso os gritos de dor dos soldados sendo atacados pelas lâminas dos orcs enquanto corremos para o centro, um por um cada soldado sendo lançado ao chão com seus rostos amedrontados e cheios de dor esperando a morte vir lentamente, outros sem vidas logo ao cair no chão. Procuro Dantul em meio aquela correria, próximo dos estábulos no lado oeste da cidade o vejo lutar com os três sacerdotes, algo que jamais havia visto em toda minha vida. Mesmo velho, Dantul fazia acrobacias como um perito cavaleiro empunhando seu cajado com maestria, ao acertar as duas extremidades do cajado nos inimigos uma pequena luz branca jogava os sacerdotes longes, aqueles que arriscavam usar magia contra o mago era facilmente driblados pelo poder de Dantul, tamanha era sua força como experiência em duelos, para cada poder lançado pelos orcs, um contra-ataque maior vinha da Dantul que era capaz de usar das mais variáveis magias, em um dos sacerdotes, Dantul levitou uma enorme rocha e ao mesmo tempo que a mantinha no ar jogava enormes bolas de fogo para que o orc não vesse a rocha levitar por cima dele, ao chegar na altura do orc, ele a deixa cair em sua cabeça o transformando em uma enorme carne moída, isso ao mesmo tempo que lutava com os outros dois que mesclavam entre magia e o uso de uma adaga encharcada com um liquido viscoso e suspeito. Neste rápido momento, puxo uma flecha e a coloco no meu arco, sem poder mirar muito a lanço em direção a um dos sacerdotes, que acerta em cheio em suas costas na altura do pulmão. Com essa rápida distração, o mago lança um feitiço que faz com que a flecha se transforme em uma cobra que penetra e entra totalmente no corpo do inimigo enquanto ele se contorce de dor indo ao chão, quando finalmente a cobra está totalmente dentro de seu corpo Dantul bate seu cajado no chão e todo o torço do orc explode, como se a cobra se tornasse uma bomba natural deixando apenas a cintura e as pernas dele semidestruídas. O último e mais inteligente dos sacerdotes se amedronta perante tal força do ancião, ele arremessa sua lâmina no mago e aproveita o momento para lançar uma bomba no chão soltando uma enorme fumaça no ar, com seu poder o mago usa sua mão esquerda para absorver toda fumaça, entretanto já era tarde, o orc sacerdote havia fugido.
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