As luzes do sol batem na janela, no lado de fora os pássaros cantam suas melodias. O ar frio da manhã entra de forma sutil como uma brisa de outono e as árvores estão dançando conforme o vento as tocas. Acordo com o som estrondoso do martelo pesado batendo em aço em chamas, me levanto ainda meio tonto e caminho com calma até a sala das forjas. A casa era pequena e modesta, em sua grande maioria, mobílias de madeira. Meu pai está murmurando algo sobre uma espada que fez em outrora. “Pai o que tanto resmunga?” — Ele para imediatamente de bater e olha para mim.

O pouco dos seus cabelos acinzentados em sua grande maioria estava sempre sujo de fuligem, assim como seu rosto, que tinha muito suor. Sua barba que já está completamente branca está com as pontas do bigode cheias de sujeira e meio preta devido ao carvão das fornalhas.

— Bom dia Erick meu filho, acordou um pouco mais cedo que o costume.

Bem hoje o senhor prometeu que ensinaria a construir um machado se lembra? A propósito não respondeu minha pergunta, o que murmurava tanto? — Seu rosto cansado logo ficou sério.

— Yorlack vai chegar em algumas horas e sua maldita espada simplesmente sumiu, tinha jurado que havia botado em cima da mesa a poucos instantes.

Yorlack era um velho senhor das antigas províncias a leste, aparentava ter seus cinquenta e cinco anos e sua cabeça já havia mais branco do que antes havia um ruivo bem claro, algo como um fim de outono para o inverno frio. Seus braços tinham marcas antigas, sejam elas de fogo e cortes de lâminas. Yorlack era um antigo soldado já aposentado e vivia contando suas velhas histórias de guerras passadas, muitas das quais eu amava ouvir, falava sobre antigas criaturas das quais nosso povo considera lendas antigas, homens que sugavam sangue de outros homens e que viviam de maneira imortal, uma imortalidade tão parecida com as lendas dos magos e bruxos, que diziam viver aqui a muito tempo. espada de Yorlack foi quebrada a muitas décadas passadas e agora, com tempo e moedas, ele pediu a meu pai que a refizesse, a espada mais difícil e demorada feita pelo meu pai, o material utilizado era de um metal extremamente duro, resistente e pesado, tal qual para buscá-la meu pai demorou cerca de três dias e três noites só para pegá-la e trazer para casa.

— Pai por acaso você não deixou embaixo da mesa? – Ele se inclina levemente em dúvida, porém em um momento de espanto logo consegue visualizar a espada prateada em sua bainha.

Aqui! Não acredito que estava aqui esse tempo todo hahaha. — Ele abaixa para pegar a espada no chão próximo ao pé da mesa.

Ele coloca seu velho martelo na mesa e indica que é para me aproximar dele, vou devagar até sentir sua forte respiração, mesmo ainda afastado seu corpo ainda está bem quente e molhado de suor devido as labaredas da fornalha, seus cansados olhos mostram seu árduo trabalho. — Segure bem meu filho. — Ao segurar percebo a quão pesada era. Uma lâmina de prateada, mas puxada para o negro, seu cabo era de couro, um couro tão sutil e confortável e seu pomo era redondo, com uma pequena pedra avermelhada, a guarda era bem rustica com tons negros.

É realmente pesado. – Meu braço tremia ao empunhar a espada.

Cuidado com ela filho, o que tem de pesada tem de afiada! Nenhuma armadura será capaz de suportar tamanha e mortal lâmina. Jamais vi um aço tão formidável como essa. Venha, vou te mostrar como se faz um machado, afinal, promessa é promessa. – Ele novamente segura seu martelo com a mão direita e caminha comigo em direção mais próxima da fornalha.

O calor da fornalha era incrível, como se estivesse no núcleo de um vulcão prestes a entrar em erupção. Fiquei por horas na fornalha treinando, vendo cada forma minuciosa de meu pai em criar as mais variadas formas de machados e os tipos certos de metais para a forja até que alguém bate na porta.

MANTHIS! Manthis abra porta! — Meu pai corre sem entender o que estava acontecendo. — Ou graças a Deus, Manthis, preciso de tua ajuda!

O que houve Carl?

Carl era o único elfo que vivia aqui no vilarejo de Denavia, era uma figura relativamente misteriosa que vivia lá a pelo menos alguns anos. Foi inclusive um dos pouquíssimos amigos de meus pais e durante minha infância me ensinou a usar um arco e flechas e a sobreviver na natureza de forma mais básica possível, algo que meu pai inicialmente odiava, mas com o tempo aceito como uma forma de me defender. Ficava em sua grande parte do tempo em uma cabana próxima da floresta e perto de nossa casa. Ficou alguns dias longe do vilarejo. estava em pânico, mal respirava direito, repleto de sangue e um corte visível em seu peito.

Eu fui caçar de rotina.... e acabei.... caindo num buraco ao norte daqui próximo as montanhas.... acabei encontrando isso! – Ele se senta por um instante enquanto toma folego.

Carl você está sangrando, quase sem folego algum e está realmente pensando em algo material? — Carl retira um martelo, brilhava numa prata como se fosse a própria lua. — Isto é impressionante...

Meu pai segura o martelo e vejo seus olhos brilharem de uma forma que eu jamais havia visto na vida, o martelo tinha alguns manuscritos em suas extremidades, nas quais eram impossíveis ler já que possuía uma escrita que eu jamais havia de fato visto em toda minha vida. Carl dá uma grande tossida na porta já que perdeu muito sangue, meu pai com o martelo a coloca na mesa e pega Carl nos braços o mais rápido que pode.

Erick meu filho, preciso de sua ajuda. Leve a espada de Yorlack para ele e no caminho de volta preciso que traga a planta de tigres.

Sabe que o caminho é longo pai, provavelmente vou chegar ao anoitecer não sabe? — Ele mexe a cabeça confirmando.

Não se preocupe meu filho, tenho um pouco guardado e com isso posso fazer alguma coisa para ajudar Carl, mas depois vou precisar de mais.

Se muitas opções, Pego a espada de Yorlack e a ponho na bainha, uma bainha de couro antiga e desgastada do próprio Yorlack, amarro no meu cinto e pego minha mochila, caminho pela sala e observo a última vez o martelo estranho, que me deu uma sensação estranha, como se aquilo tivesse alguma energia ou algo do tipo e parto em direção a estrada velha. Denavia é um dos poucos vilarejos em Moria que habita outras raças, mesmo sendo território humano todos do vilarejo acolhem outras raças em busca de paz e harmonia. Pelos longos vales e riachos adentro da floresta, escuto os sons da natureza, ao norte havia colinas e montanhas enormes que bloqueavam todo tipo de vista para além dali. Em alguns minutos de caminhada chego a Menefias, um vilarejo cheio de tavernas e lar de soldados de Munnin, o grande reino, local relativamente quieto nas ruas devido ao poder militar que tinha. Adentro da vila passo por três tavernas aonde a gritaria e músicas tocam, pelo lado de fora posso ouvir vários bêbados cantarolando​ canções de antigas batalhas e contos. Finalmente chego na casa de Yorlack, aparentava estar vazia devido ao silencio e nenhuma iluminação nas janelas. Bato algumas vezes e após algum tempo a porta abre, aparentemente, Yorlack estava dormindo, pois, sua cara estava inchada.

— Quem é você rapaz? O que faz aqui? – Ele ajeita seu casaco longo de pele de lobo.

— O senhor não me reconhece velho Yorlack? – Ele me observa de cima para baixo tentando se lembrar.

— Cabelos negros como a noite e bem curtos, olhos castanhos escuro como a própria árvore de carvalho mais jovem, uma pele morena como se o sol o tocasse ao nascer e dado uma tonalidade mais forte.... Hahaha, como posso ter me esquecido. Erick, Filho de Manthis. O Ferreiro das labaredas. Hahaha como vai? entre.

Surpreso com minha vinda ele rapidamente vai para a lareira, enquanto entro devagar, vejo o velho acender sua lareira. Ao conseguir acender uma pequena chama, ele se vira a mim, onde consigo mostrar sua espada, ele pensa um pouco e se lembra.

Era hoje? Eu tinha me esquecido completamente disso hahaha. Venha, vou preparar um chá, a tarde está ficando bem fria, deveria ficar um pouco mais próximo da lareira.

Não posso senhor Yorlack, um amigo de meu pai está em nossa casa com um ferimento no peito e meu pai pediu que no caminho pegasse uma erva medicinal.

O senhor Yorlack não insistiu muito e logo foi buscar seu pequeno saco de moedas no qual pegou as 100 moedas de ouro prometidas, caminhei de volta para a estrada de pedras a caminho para Denavia, saindo de Menefias. O sol que rachava no céu agora estava se pondo e a floresta começava a escurecer conforme eu me adentrava mais e mais. Enquanto ainda tinha luz do dia, procuro a erva do tigre. O caminho parece ficar mais difícil conforme ando ao anoitecer e com o passar do tempo fica cada vez mais difícil de encontrar a erva.

Onde está minha carne seu lixo? — Escuto uma voz grossa e alta falar no meio da floresta.

— Está cego seu idiota? Está bem do teu lado!

Me assusto com a conversa alta e de longe observo um clarão, aparentemente de uma fogueira. Caminho devagar e sorrateiramente​ para que eu não possa ser visto, ao me aproximar vejo algo que só via nos livros antigos de história, "Orcs, aqui?" penso. De repenteum deles para e começa a cheirar.

Ou ta sentindo esse cheiro? cheiro suculento de humanos...

Ambos viram prontos para corre na minha direção e eu corro o mais rápido que posso na floresta, aos poucos a claridade da fogueira deles some e a escuridão toma conta, estou com medo e não vejo absolutamente nada ao meu redor, escuto seus passos vindo de trás e aos poucos meu coração acelera ainda mais e meu folego começa a se esvair.... sinto algo bater na minha cabeça e caiu no chão inconsciente.... acordo com a chuva caindo em meu rosto, o barulho da chuva ecoa em meus ouvidos enquanto cada gota de chuva recai sobre meu rosto. A escuridão da floresta é amedrontadora, não consigo escutar nenhum animal fazer barulho a não ser o toque frio da água da chuva em cada planta e árvore. Levanto-me ainda zonzo, vejo o céu negro com seus raios e trovões assustadores no horizonte consigo enxergar duas fumaças subindo em lados opostos. Corro desesperadamente para a fumaça da direita sentido a minha vila e casa...Denavia em chamas, tudo destruído, pessoas já mortas no chão cobertas pelo próprio sangue. Minhas lágrimas caem junto a chuva como se fizesse parte daquele terrível momento, corro sem fôlego até minha casa, a porta está totalmente em pedaços, cada passo sinto como se meu ar fosse arrancado e meus batimentos cardíacos reduzissem para quase zero. A sala estava coberta de sangue e totalmente destruída, toda a mobília de madeira danificada com golpes de machados ou simplesmente destruída como se não fossem nada, o corpo de Carl frio e completamente pálido no chão sem cabeça enquanto o resto de seu sangue escorria. Ao ver essa cena meu estomago embrulha e vomito completamente, meu vomito se mistura no sangue tornando aquela cena ainda mais repulsiva e nojenta.

PAI? PAI ONDE ESTÁ VOCÊ? – meu coração está explodindo de medo e ansiedade sem ter nenhum tipo de resposta momentânea.

Ouso um barulho vindo da sala de forjas, logo após meus gritos, escuto sua voz rouca me chamando bem baixo. Corro e o vejo no chão quase sem vida, seu sangue sai de uma ferida profunda na barriga, inúmeros hematomas pelos braços e pernas, o rosto cheio de roxos e sangramentos, havia perdido três dentes. Ao olhar para a fornalha, dois orcs sem vidas estavam em cima. Houve uma enorme batalha na qual ambos os lados haviam perdido muito.

O..martelo...meu.....filho...pegue o martelo — Ele aponta para o da mesa e está o martelo, escondido em meio a alguns panos que meu pai tinha. — Munnin....vá para Munnin...filho vá para Munnin...

Pai não fala nada tudo bem? A ajuda deve estar vindo...

— Eu t-te amo meu filho, por favor, cuide do martelo....proteja...

— Pai... PAI......por favor, meu Deus...Por favor- Começo a me engasgar com as lágrimas.

Seus olhos perdem o pouco do brilho que ainda restava, já não escuto mais sua respiração...seu último suspiro ecoa no escuro e frio de nossa casa, agora sem vida...

Notas finais
Gostou do capítulo ? Não se esqueça de favoritar e se possível deixe sua recomendação, assim vai me ajudar muito a melhorar e continuar escrevendo. Sua participação é muito importante, desde então, um forte abraço.