Crônicas de Luz e Sombra
28 Sonhos vermelhos e o retorno do relâmpago prateado.
Notas iniciais
Durante uma noite tranquila na casa dos Stewart, o lindo casal Sarah e Samantha está dormindo em seu quarto, abraçadas embaixo das cobertas, uma noite silenciosa e perfeita para um sono agradável, quando Sarah desperta deitada sobre uma mesa de pedra em meio a antigas ruinas sozinha, ela ainda esta com suas roupas de dormir, um short curto e uma blusa folgada e confortável, isso faz com que a garota sinta um pouco de frio devido as corretes de ar que passam entre os corredores do local. Sarah levanta-se e começa a caminhar pela área tentando entender o que esta acontecendo e como foi parar ali, ela caminha um pouco até ver ao fim do corredor um pequeno foco de luz e barulho de água, ao adentrar no local Sarah se depara com um enorme salão aberto no topo, bastante frio, existe uma pequena queda d’água no canto de uma das áreas e essa forma um pequeno lago, este cercado como uma fonte, nas paredes e colunas a vegetação se espalha, as raízes grossas de um tipo de árvore parecem ter destruído uma das paredes da construção, espalhadas pela área armações de madeira similares a pedestais com tochas que iluminam o local, sentada na pequena mureta que cerca o lago esta uma jovem mulher de longos cabelos ruivos, pele bem clara, um corpo bem chamativo e belo coberto apenas por um vestido de seda, descalça, a jovem foi logo reconhecida por Sarah como sendo a mesma que falou com ela quando a Sarah se transformou em princesa de luz em sua primeira vez. Sarah fica um pouco receosa de se aproximar talvez por não entender quem de fato seria a jovem, já que se ela era a rainha branca então quem seria a mulher a sua frente? Seria ela um espirito? Fruto de sua imaginação? Uma manifestação física de seus poderes? Ou um eco do passado tentando lhe ensinar o caminho para cumprir com sua tarefa? O fato é que Sarah ao ver a bela mulher admirando as águas daquela fonte natural parecia não querer quebrar aquela linda imagem atrapalhando a moça com sua presença. Neste momento a dama olha para a menina tremendo de frio a sua frente e sorri, seus olhos vermelhos e penetrantes parecem foca nos olhos da menina de forma intensa como se a chamasse.
— Não tenha medo Sarah, eu a trouxe aqui para conversarmos novamente, disse que tinha muito a lhe falar, muito a lhe ensinar e na verdade eu estava ansiosa por isso. — A jovem sorri e estende a mão para Sarah pedindo que ela se aproxime.
Sarah estende sua mão tremendo de frio para a bela mulher que a segura firme se mostrando real, ela conduz a garota pela mão até que sente ao seu lado, depois a cobre com um manto de cor vermelha que estava jogado a beira da fonte reduzindo assim o frio que Sarah sentia a jovem ainda segurando as mãos de Sarah sorri para ela.
— Esta se sentindo melhor? Desculpe pelo clima, esse local costumava ser cheio de vida e abrigado do frio noturno, agora repousa no silêncio do esquecimento, mas esse é o destino daqueles que são deixados para trás. — A jovem mulher questiona as condições de Sarah que apenas faz sinal positivo com a cabeça, ainda se recuperando do frio.
— Desculpe se eu estiver sendo indelicada, mas porque me trouxe a esse lugar? Quem é a senhorita afinal? E onde esta a Sam? Ela dormia ao meu lado e quando eu acordei estava aqui. E que lugar é esse? — Questiona Sarah ainda insegura.
— Este local é meu refugio e já foi um lindo castelo onde imensos bailes e festividades ocorriam para todo o povo. Quanto a sua amiga ela ainda dorme ao seu lado em sua cama, eu apenas conduzi até aqui o seu espirito para que pudéssemos conversar como fiz da primeira vez. — A dama de longos cabelos vermelhos responde a menina enquanto mexe na água.
— Então é como uma espécie de sonho ou algo parecido? Mas você ainda não me disse quem é você? — Sarah insiste com a mulher a sua frente que se identifique.
— É complicado, mas complicado ainda é explicar quem eu sou, mas vou falar da forma mais simples que eu puder, eu sou você Sarah, eu já tive diversos nomes em infinitos corpos e infinitas vidas, seu mundo é apenas um dentre muitos que eu criei, muitos desses mundo foram destruídos e escravizados pela contaminação, ao longo dos séculos eu venho enfraquecendo, a luz no coração das pessoas vem diminuído cada vez mais, ódio, medo, vingança, inveja, ganancia, hipocrisia, discriminação, escárnio, tudo isso alimenta a contaminação e cada vez mais corações vão sendo corrompidos e passam a agregar a contaminação, com medo de ser derrotada por ela e deixar de existir eu dividi meu poder vinte e duas vezes, para que cada centelha desse origem a uma nova vida. Estas são suas companheiras, elas devem seguir rumo ao futuro protegendo os povos dos muitos mundos que eu criei, pois vocês são o legado que deixei para eles, mas eu cometi um erro tolo, não imagina que ao me dividir tanto, eu mesma acabaria enfraquecida. — A bela mulher parece triste enquanto explica sobre o passado e sobre quem é.
— As meninas me disseram, a contaminação tomou seu corpo e o corrompeu, dando origem à rainha negra, mas ela é bem diferente da senhorita se me permite dizer. — Sarah explica sobre tudo que ouviu durante sua jornada como princesa ao lado das demais, sobre a rainha negra, neste momento a mulher coloca a palma da mão no peito de Sarah onde fica seu coração.
— Esta sou eu, este corpo é um reflexo da linda mulher que você se tornará Sarah, pois agora você sou eu e eu sou você, assim como eu fui infinitas jovens durante infinitos tempos, enquanto o mundo precisar de mim eu estarei lá, mas esse tempo já passou, esse destino não é mais meu de verdade e sim seu e daquelas garotas, você precisa reuni-las e precisa ajudar algumas delas, antes que elas se percam em seus medos, vocês enfrentarão um inimigo poderoso.
— Mas por que acha que eu consigo fazer isso? Eu sou apenas uma garota comum, uma estudante nem um pouco brilhante ou atlética, sei que existem muitas outras garotas capazes de realizar essa tarefa de uma forma bem melhor do que eu. — Sarah dúvida de sua capacidade e parece quase chorosa enquanto nega ser capaz de realizar tão difícil e cruel tarefa.
— Na verdade só você pode realizar essa tarefa e você esta bem mais preparada do que eu jamais estive, pois só você possui algo que eu nunca tive, em você não só descansa a luz, existe um poder ainda muito maior que repousa em seu coração e para alcança-lo uma dura decisão deverá ser tomada, mas eu sei que você fará a escolha certa e conduzirá aquelas garotas a vitória, pois se quiser você pode voar por todo esse mundo e ser o anjo guardião para aquelas pessoas. — A bela mulher levanta e anda um pouco pela sala.
— Poder? Decisão difícil? Voar? Isso parece tão confuso e assustador, eu nunca tive tamanho peso em minhas costas, ainda sou muito nova para entender essas coisas e temo que se fracassar talvez não viva para saber se serei capaz. Os inimigos são cruéis e já mataram uma das meninas em nossa frente, eu não fui capaz de fazer nada por ela, ela tinha a minha idade e não pude protegê-la. — Sarah se levanta deixando o manto cair.
— Eu não seria a prova de que você viverá sim para ver isso? Mesmo que eles queiram não podem mata-la e nem vão, você representa muito mais do que eles jamais compreenderam, você esta acima do que acredita ser, mas esta jornada pode ser solitária como pode ver, mas isso dependerá de você e suas decisões. Nisso eu não posso te ajudar, mas numa coisa eu posso... Venha comigo. — A garota segura Sarah pela mão e a conduz pelas ruinas daquele vasto lugar até uma sala com muitas estatuas femininas, nela um enorme baú no centro, a mulher se ajoelha a frente do baú e o abre, mas dele ela apenas retira uma pequena fita vermelha e dourada, ela amarra a fita no punho da menina dando um laço e depois beija o laço carinhosamente.
— O que seria isso? — Pergunta Sarah sem entender o que esta acontecendo.
— Este é um presente meu para ti, uma prova de que és capaz de realizar tudo que desejar e que quando mais precisar isso lhe protegerá, dando a ti a chave para um novo e vasto mundo com fronteiras ainda mais distantes. Mas por agora apenas volte a dormir criança, sua amiga lhe aguarda. — A bela mulher ao terminar de falar beija os lábios de Sarah intensamente, o beijo doce e carinhoso faz com que a menina feche seus olhos se deixando beijar e quando torna a abri-los ela esta beijando Sam que acaba de ser acordada com um beijo intenso e inesperado.
— Uau! Eu não esperava um beijo tão incrível como esse pela manhã, o que foi Sarah esta com saudades de nossos carinhos? Mas ficamos até tarde ontem nos beijando, não me diga que quer algo mais? — Brinca Sam ainda meio sem folego e bastante excitada com o beijo maravilhoso que recebeu.
— Não é isso, eu tive um sonho estranho novamente e precisava de você comigo, apenas isso. — Sarah ainda confusa tenta desconversar.
— Nossa você sabe que pode contar comigo para o que quiser, somos melhores amigas né? E sou sua namorada eu sempre vou estar com você. Olha mais uma coisa que fita é essa no seu braço? É para não esquecer alguma coisa? — Sam aponta para a fita no braço de Sarah.
— Não acredito! Então tudo foi real? — Sarah assustada ao perceber que a faixa amarrada em forma de laço em seu braço enquanto estava sonhando permanecia lá, a garota então não tinha sonhado com tudo aquilo, mas de alguma forma tinha vivido aquilo.
— Tudo o que Sarah? Você esta me assustando meu amor. — Sam começa a ficar confusa com tudo que Sarah esta falando.
— Enquanto eu dormia sonhei que acordava em um lugar bem antigo em ruinas, cercado por mato, lá eu encontrei a rainha branca, mas não aquela que foi a rainha negra, mas sim eu, ou uma versão mais velha de mim segundo ela, me disse que eu teria que tomar decisões difíceis e proteger vocês, sem falar encontrar as demais meninas e me deu esse laço para que eu pudesse me proteger, ela disse que na hora certa ele me protegeria. — Sarah explica sua experiência durante o sonho.
— Uma versão mais velha de você? E ela era tão linda quanto você é agora? — Pergunta Sam sorrindo.
— Ela era muito linda, madura e tinha um corpo muito bonito bem diferente do meu, eu quase não acreditei que ela era eu, afinal ela tinha seios enormes, mas deixando isso de lado ela me disse que os inimigos não podem me matar, pois sou bem mais do que eu acredito ser, mas não sei o que ela quis dizer com isso. — Sarah falar sobre tudo que viu e sobre as coisas que ela mal podia acreditar ou entender.
— Uau! Ela era ainda mais linda, nem da pra acreditar, nossa então eu estarei com ainda mais sorte no futuro porque você é linda agora e se vai ficar ainda mais, uau! Eu tirei a sorte grande como sua namorada... Sam fica imaginado como Sarah ficaria quando ficasse mais velha e logo faz uma cara de boba e safada com todos os pensamentos indecentes que tem.
— Deixa de ser boba, temos que contar para as meninas sobre o sonho e principalmente para a Flora, ela pode saber que lugar era aquele do meu sonho, talvez ele guarde respostas e nos de uma forma de ficarmos mais fortes para derrotarmos nossos inimigos. — Sarah se levanta da cama indo se arrumar.
— Ok! Ok. Mas vem cá, você falou peitões? — Sam questiona Sarah que foi para o banheiro se arrumar, enquanto ela se levanta da cama fazendo gesto com as mãos como se segurasse os seios de Sarah e eles fossem grandes — Peitões, mal posso esperar! Falando em esperar eu estou indo ai também, espera por mim eu também quero tomar banho. — Sam termina com suas imaginações pervertidos e vai correndo para o banheiro.
Enquanto isso em outro lugar quando o sol esta ainda no inicio de sua jornada diária, duas garotas parecem duelar ao amanhecer, uma linda garota de corpo espetacular, cabelos lisos e curtos quase tocando o ombro numa cor que fica entre prata e branco, uma cicatriz que vai da testa sobre o olho direito até quase a orelha, seus olhos são de um castanho âmbar tão claro que são quase amarelos, sua pele macia e branca esta molhada com o suor produzido pelo rigor de seus movimentos neste duelo que parece já durar bastante, ela veste um short de lycra negro e uma blusa regata branca um pouco molhada, deixando bem claro as provas daquela fria manhã, em suas mãos faixas amarradas para proteger seus pequenos, porém fortes punhos que seguram firme uma espada de madeira. Já sua adversaria uma jovem de mesma idade igualmente bela, de um corpo impressionante, seus cabelos amarrados como um rabo de cavalo negro como a noite, seus olhos verdes que acentuam ainda mais sua beleza, feições exóticas e belíssimas, uma pele clara com varias tatuagens espalhadas pelos braços, costas, barriga e seguem pelos fartos seios da jovem, ela veste uma calça folgada, faixas cobre um pouco seus seios para que não fiquem expostos, a garota também suada parece segurar firme uma espada de madeira que usa para defender-se dos golpes de sua oponente.
— Você parece cansada Mi! O que foi? Só se passaram três horas que estamos aqui, só lembrando que a ideia foi sua de começar o treinamento tão cedo, ou quer desistir agora? — A garota de cabelos negros parece provocar sua adversaria enquanto lhe aponta a espada.
— Claro que não estou cansada, te vencer não cansa, sem falar que você não pode falar de cansaço eu quase não consigo lhe tirar da cama pela manhã! Então deixe de me provocar e admita logo à derrota Cora e aceite a punição de limpar o dojo mais tarde. — A garota de cabelos claros responde as provocações da adversaria enquanto usa sua espada para bater na da oponente de forma a fazê-la para de apontar contra ela.
— Chega de brincadeiras meninas, esta na hora de entrarem, precisam tomar um banho e ir para escola ou ficarão as duas de castigo e tratem de acordar as outras meninas e manda-las se prepararem também, o café será servido no horário e não espera por ninguém. — Uma velha senhora de cabelos grisalhos, óculos e um vestido longo marrom coberto por um casaco verde escuro, chega ao local saída de uma enorme mansão próxima dali e chama as duas garotas para retornarem de uma forma dura.
— Tá bem vovó. Respondem as duas garotas que param o que estão fazendo e seguem correndo uma empurrando a outra para dentro da enorme casa.
Elas limpam os pés na entrada, correm para uma área que parece um enorme dojo, que fica a lateral da casa, depois a Mi coloca a cabeça embaixo de uma torneira que da para o lado de fora do dojo em uma fonte e abre deixando a água cair sobre sua cabeça a refrescando, logo sua companheira Cora faz o mesmo e começa a jogar água na colega que tenta se proteger e acaba sorrindo e revidando, depois as duas meninas correm para entrada dos fundos, seguem por dentro da enorme mansão cheia de cômodos e vão subindo as escadas, elas seguem batendo nas portas dos quartos chamando outras meninas que estão dormindo para se arrumarem, então Cora segue para seu quarto para pegar suas coisas e ir se banhar. Mi entra num dos quartos onde existem garotas bem pequenas dormindo, ela vai até a cama de uma delas e senta na ponta.
— Esta na hora de levantar preguiçosas, o dia já raiou e esta lindo. — A garota fala sorrindo enquanto chama a atenção de varias garotas que estavam dormindo em camas neste quarto.
— Mi bom dia... Nossa você esta suada, estava treinando com a Cora novamente, a essa hora da manhã? Quem ganhou desta vez? — Fala a pequena garotinha da cama a qual a Mi sentou-se, em seguida ela abraça a garota percebendo que ela esta suada.
— Que pergunta boba Tama, logico que foi a Mi, ela é a garota mais forte do mundo todo, ela é tão forte que poderia ser a campeã do mundo. A feiosa da Cora jamais conseguiria derrotar ela. — Fala outra garotinha que esta se levantando na cama do lado.
— Quem você esta chamando de feiosa sua ratinha miniatura! — Cora que acabará de entrar no quarto trazendo as coisas de Mi para o banho, questiona irritada a provocação.
— Não chama a Atane assim Cora. Quanto a vocês meninas esta na hora de levantar, já para o banho e depois tomar café, a vovó não esta de bom humor hoje! — Mi falar repreendendo sua amiga pela brincadeira e depois diz para as meninas se apressarem.
— Sim Mi, estamos indo, obrigada por nos acordar! — Respondem as meninas ainda sonolentas e se levantando e juntando suas coisas para ir se banhar.
— Enquanto a você menininha esta na hora de ir também, vamos eu te ajudo. — Mi abraça a garota com força enquanto ela se apoia na jovem, depois Mi a levanta da cama a colocando na cadeira de rodas ao lado da cama.
— Obrigada Mi, você é a melhor do mundo todo. —Tama sorri agradecendo pela ajuda, ela vai seguindo movimentando as rodas da cadeira para andar, até que outra menina entrega suas coisas a ela e começa a empurrar a cadeira para ajudar, as meninas saem do quarto acenando para Mi.
— Você mima muito essas meninas, principalmente a Tama, elas sofreram muito eu sei, mas você sabe o que a vovó diz, ajuda sim exagero não, o problema de locomoção da Tama não pode ser desculpas para ela não fazer as coisas sozinhas, ela não poderá viver aqui para sempre você sabe. — Cora repreende Mi por seu excesso de atenção as meninas menores.
— Eu sei nenhuma de nós e sei que elas sofreram tanto quanto todas nós nesse mundo cruel, mas elas são tão pequenas ainda e algumas delas tiveram experiências tão traumáticas, não posso ignorar Cora. Quando as vejo quero protege-las. — Mi fala quase com lagrimas nos olhos.
— Então é para isso que você luta senhora certinha? Ou será que ainda não sabe o que quer? — Cora provoca sua companheira e em seguida joga suas coisas sobre ela.
— Vamos embora sua boba ou a vovó ficará brava com a gente. — Mi levanta pegando suas coisas e indo para o banho com a Cora.
As meninas entram num enorme cômodo similar a um box gigantesco, nele existem vários chuveiros que vão da metade do cômodo até o canto, junto à porta existem suportes como armários sem portas para guardar os pertences e mantê-los secos. Neste lugar todas as muitas meninas estão se banhando e se preparando para o começo do dia, Mi começa a tomar seu banho e ao lado dela sua companheira Cora que também começa a se banhar passa a lhe provocar jogando água nela, as meninas começam a brincar durante banho fazendo o mesmo que Cora e Mi uma com outra. Após algum tempo as meninas já arrumadas, muitas delas com uniformes escolares descem para um grande salão de jantar, com muitas mesas, elas vão se sentando em seus lugares e começam a tomar o café da manhã. Na ponta de uma das mesas onde estão as meninas mais velhas esta sentada a senhora que falou com Mi e Cora durante o treinamento.
— Mi como estão às coisas no colégio, ouvi dizer que a professora lhe deu a nota máxima em seu trabalho sobre economia mundial. Você tem se dedicado muito aos estudos isso é bom, ainda sonhando em ser uma médica? — A velha senhora questiona durante o jantar.
— Não sei vovó eu apenas quero ajudar as pessoas, eu ainda acho muito cedo para decidir o futuro, mas quero me dedicar ao máximo para retribuir tudo que a senhora fez por mim quando eu mais precisei. — Mi que agora esta de óculos no rosto responde com um tom um pouco triste.
— Mas você sente que esta na hora de seguir seu destino, mas não quer se desapegar da vida que tem aqui ao lado das meninas, as amigas que fez. Você sente que tem que protege-las e cuidar delas. — A Vovó parece firme no que diz.
— Me desculpe, eu deixei coisas dolorosas para trás, assim como todas aqui, mas sinto que o que deixei para trás não estava resolvido, negligenciar meu passado pode prejudicar meu futuro, mas não quero ser mal-agradecida por tudo que fizeram por mim, quando eu cheguei aqui eu era apenas uma alma atormentada que ficava furiosa por tudo. — Mi responde com um tom apreensivo.
— Deixe de ser boba, todas aqui foram acolhidas como minhas netas e receberam um lar, se tornaram irmãs, uma família, a certeza de que estariam seguras e esqueceriam o passado se quisessem, mas com a promessa que construiriam um futuro para onde ir, todas aqui são sua família, elas nunca esquecerão de você e torcem pelo melhor para ti, se você acha que existe algo no passado a ser resolvido volte. Mas saiba que não iria sozinha, você leva todas nós em seu coração não é isso meninas? — Fala a velha senhora sorrindo.
— Nós te amamos Mi! Você é nossa irmã! Estaremos torcendo por você sempre! — Todas as meninas do lugar falam em coro o que faz a garota chorar de felicidade.
— É pelo visto eu estou ficando velha, o meu corpo já não se meche mais como antigamente, nem tenho o vigor dos velhos tempos para lutar por esse mundo, mas ao menos pude educar e treinar netas lindas, fortes e que me enchem de orgulho... Já consegui muito mais do que muitas das minhas companheiras da época, me pergunto onde a Nil deve estar? Conhecendo ela deve estar enlouquecendo a cabeça de alguém e falando de coisas como vestidos e maquiagem, ela sempre dedicada à aparência, quem diria que se tornaria mãe. Mas eu estou vagueando aqui... Faça-me um favor Mi? — A vovó fala de uma forma nostálgica como se pensasse no passado.
— Sim vovó o que a senhora quiser. — Mi responde rapidamente de forma bem dedicada.
— Leve esse traste que eu chamo de Neta com você, esta na hora dela conhecer o mundo e sair desta casa. Não me envergonhe Cora, diferente destas meninas que eu amo como se fossem minhas netas, você é minha Neta de verdade, carrega meu sangue e meu legado, esta na hora de se juntar àquelas garotas em nome da família. — Vovó fala com bastante seriedade, mas como se não tivesse dando tanta importância.
— Serio eu posso ir com a MI? Que demais uma aventura de verdade longe dessa cidade, eu mal posso esperar, vovó eu juro que não vou te decepcionar. — Cora fica incrivelmente animada com a noticia e abraça com muita força Mi que esta a seu lado.
As garotas vão se despedir das meninas que partirão em uma jornada em outra cidade e uma por uma elas desejam boa sorte e se abração, numa espécie de cerimonia informal de carinho e despedida das irmãs que deixaram a casa. Após o café da manhã vão para a aula, na escola Mi e Cora dão a noticia aos professores que ficam tristes com a partida das meninas, mas desejam sorte em sua jornada, as meninas vão então se despedir de suas amigas da escola e delegar suas obrigações para com os clubes que participavam, já que se ausentaram por algum tempo de sua escola, após as aulas elas voltam para casa e arrumam suas coisas a vovó entrega um brinco que usava para Cora que o coloca, um belo brinco com uma joia da cor do cobre, depois elas são abraçadas pela velha senhora que se despede delas, as meninas com mochilas prontas e arrumadas para viagem descem para o estacionamento, Mi esta vestindo uma calça jeans justa, botas de couro, uma blusa branca, uma jaqueta de couro e luvas, já Cora esta com uma calça jeans, tênis, uma blusa azul, um casaco marrom folgado e um boné. As garotas abrem a porta da garagem e começam a falar entre si.
— Como é a cidade que você morava? Aposto que é uma cidade enorme cheia de pessoas andando para todos os lados, você é tão calma agora, mas quando chegou era o oposto disso, aposto que a cidade combina bem mais com a Mi antiga. — Fala Cora provocando sua amiga.
— É uma cidade bonita, cheia de pessoas sim, mas muitas são educadas, trabalham duro e vivem suas vidas com suas famílias, existem pessoas dispostas a te ajudar e dedicadas a fazer o que for preciso para dar alegria a alguém, mas existem também aqueles que fazem da vida de outras pessoas algo ruim, mas se eu tivesse que falar algo sobre aquela cidade eu diria que ela já foi meu lá, um lugar onde tenho amigas, um lugar onde um dia eu queria te levar. Assim que eu tivesse pronta para encarar o meu passado. — Mi responde um pouco insegura.
— Nós somos família e estamos com você, todas elas estão em seu coração e eu sempre estarei ao seu lado, afinal quem vai te perturbar se eu não estiver com você? Vamos toca aqui. — Cora fala com a garota e depois elas levantam o braço um oposto ao outro e fecham seus punhos, depois batem um contra o outro. — Agora vê se não vai me derrubar desta coisa. — Cora fala com um pouco de insegurança.
— Não se preocupa, eu sei pilotar, só se segura. — Mi fala sorrindo, montando em sua velha moto, parada na garagem desde o dia que chegou ao lar para meninas da senhora Ultia. Depois ela da o segundo capacete para Cora que retira o boné o coloca em seguida monta na garupa da moto segurando a garota pela cintura.
— Vamos para nossa aventura! — Cora já em sua posição e pronta para partir aponta para frente animada.
— Esse é o espirito! Para cidade de Santa Ana lá vamos nós! Aguardem amigas eu estou chegando. — Mi responde a sua amiga toda animada e em seguida murmura algo e parte com a moto a toda velocidade.
As meninas pegam a estrada bem animadas, nas maletas na lateral da moto, em suportes para viagens longas, suas mochilas e em seus rostos sorrisos encobertos pelos capacetes, o vento forte e o mundo de muitas oportunidades em seus caminhos, as garotas seguem para a capital de seu país para a maior aventura de suas vidas, em busca de respostas Mi quer recuperar sua identidade e responder a seu coração a pergunta que se fez desde que chegou ao lar da senhora Ultia há meses atrás.
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