Notas iniciais
tramas tramas tramas e tbm pra ver um pouco como evoluiu o casamento do tywin e da cate

O caminho para Porto Real era sempre cansativo, mas quando isso se somava a um número aumentado de soldados, tornava-se também terrivelmente trabalhoso. Tywin Lannister tinha reunido sete mil homens, entre soldados da infantaria e cavaleiros montados, para marchar até a capital e auxiliar as forças de defesa da coroa. Não podiam se dar ao luxo de serem surpreendidos novamente, especialmente com o rei morto e um príncipe de Pedra do Dragão ainda em preparação.

Depois de tantos anos, Tywin chegou a acreditar que haveria uma transição pacífica da coroa, mas aparentemente era plano dos Sete era que ele passasse o resto da sua vida lutando e reconstruindo entre os escombros da incompetência de outros. Como uma frota assim poderia passar despercebida? Como o Mestre dos Sussurros não possuía nenhuma informação prévia sobre planos para matar o rei? Ou será que Tyrion o tinha mantido deliberadamente no escuro? Qualquer que fosse o motivo, as coisas seriam muito diferentes dali em diante.

Tywin avistou as muralhas da cidade já depois do meio dia, apertando o passo do cavalo e deixando para sor Kevan a responsabilidade de cuidar dos arranjos entre os homens Lannister e os soldados da coroa. Até o anoitecer eles já teriam se espalhado pelas muralhas e portões da cidade. Chegando na Fortaleza Vermelha acompanhado de um pequeno séquito de cavaleiros, apenas Sansa e Daemon aguardavam o pai no pátio principal. O protetor do Oeste, totalmente vestido em sua armadura e uma longa capa carmesim, desceu de seu cavalo com sua já conhecida postura severa e imponente.

—Pai… — Sansa se adiantou primeiro, caminhando rápido até o encontro do homem e o abraçando após uma reverência educada.

—Pai. — Daemon fez apenas um aceno com a cabeça, mantendo a postura séria que herdara do homem. — Que bom que chegou em segurança.

—Foi uma viagem relativamente tranquila. — Disse sem expressar emoções, deixando que a filha lhe tomasse o braço. — Onde está Cersei? Brandon já se recuperou?

—A rainha ainda está enclausurada em seus aposentos. Arya e Myrcella ficam com ela quase o tempo todo. Brandon ainda está inconsciente, mas o Grande Meistre disse que ele já está fora de perigo. — Daemon passou o “relatório” de maneira pragmática.

—A mamãe chegou nesta madrugada, ela está tentando fazer Cersei acompanhá-la para o chá esta tarde. — Sansa completou.

—O que?! — Tywin exclamou com uma expressão clara de surpresa. — Sua mãe está aqui?! — Ele perguntou encarando a filha e depois o filho, como se achasse que não tinha escutado direito. — Leve-me até ela, Sansa. E você, encontre Tyrion, lorde Varys, e avise que cheguei.

Algo estava errado. O que Catelyn estava fazendo na capital? Ele a tinha deixado perfeitamente acomodada no Oeste, prestes a dar a luz, quando partiu de Casterly Rock uma semana e meia antes. Enquanto Daemon ia procurar o irmão mais velho e o mestre dos sussurros, Tywin acompanhou a filha em passos apressados até um dos apartamentos da fortaleza de Maegor. Quando a porta se abriu, o velho leão pode constatar que, de fato, sua esposa estava ali, tendo chegado antes dele.

Catelyn estava sentada em uma poltrona próxima a janela, usando um vestido cinza escuro que exibia com clareza o seu ventre inchado com mais um leão da casa Lannister. Sansa soltou o braço do pai quase que imediatamente ao entrarem, se adiantando para ajudar Catelyn a levantar.

—Senhor meu marido. — Ela fez uma reverência com a cabeça, mantendo uma expressão de tranquilidade totalmente contrária ao que emanava do olhar aturdido de seu marido. — Sansa, querida, poderia nos deixar a sós? Eu acho que seu pai está prestes a me dar um sermão. — Catelyn Lannister sorriu para a filha, as palavras em um tom despreocupado.

Sansa se esticou um pouco para dar um beijo no rosto da mãe, e então se retirou tentando conter o sorriso nos lábios. Os filhos nunca tinham visto Lorde e Lady Lannister discutirem, em geral Catelyn não contrariava o marido, ainda mais em público, mas parecia ser um daqueles momentos em que a vontade de Lorde Tywin não era a mais forte.

Tão logo a porta se fechou atrás de si, Tywin soltou um suspiro longo e começou a desprender os fechos de sua armadura. Joanna também era voluntariosa, assim como Catelyn, e nenhuma das duas demonstrou sua impetuosidade nos primeiros anos de casamento. Já chegava aos cinco minutos de silêncio e o velho leão ainda ocupado em livrar-se de algo que geralmente tinha ajuda para fazê-lo, enquanto tentava se acalmar, afinal ela estava grávida, e se já não gostava de discutir com ela, o ventre inchado com mais um herdeiro apenas agrava a situação. Tywin tinha a ligeira impressão de que por isso mesmo a esposa se mostrava tão confiante em desobedecê-lo. Ele não sabia como demonstrar, mas a verdade era que estava preocupado. Se a notícia de que ela saíra de Casterly Rock naquele estado tivesse chegado a ele antes, Tywin teria deixado Kevan com o exército e voltado imediatamente para procurar por ela. Lhe apavorava a ideia de que algo podia acontecer com Catelyn da mesma maneira fatídica que acontecera com Joanna. Sempre ficou particularmente tenso no fim das duas vezes em que ela esteve grávida, mas agora tudo parecia ter dobrado. Era o terceiro o terceiro filho, afinal.

—Você ficará feliz em me ter aqui, e vai ver que eu estava certa em vir. — Catelyn quebrou o silêncio, se adiantando para ajudar o marido a se livrar das partes da armadura.

—Eu não esperaria por isso. — Se limitou a responder. — Como veio tão rápido? E por que? O que poderia justificar uma atitude tão imprudente? — Apesar das palavras duras, o tom dele era baixo e calmo, aos poucos assumindo uma postura mais de desapontado do que propriamente bravo.

—Rápido? Eu passei quase uma semana inteira viajando… Malditas carruagens, trouxeram meus enjoos de volta. — Catelyn comentou enquanto terminava de livrá-lo das proteções nos braços, e agora abria o fecho do peitoral de aço. — Não foi uma atitude imprudente. Imprudente seria ficar grávida e sozinha em Casterly Rock com menos da metade de nossos homens e nenhum lorde para liderá-los, enquanto você vem para a capital sem nem ao menos pedir que Daemon volte para casa. — O tom de Catelyn era um pouco mais irritado do que o dele. — Eu montei uma escolta significativa até o Dente Dourado, Lady Lefford soube ser discreta. De lá foi fácil pegar um barco até o ramo vermelho e seguir o tridente até a estrada do rei.

Quando terminou de abrir os fechos da armadura dele, Catelyn se afastou, indo servir uma taça generosa de água, afinal ele estivera cavalgando até ali por dias. Tywin deixou a armadura amontoada ao lado de onde a esposa estivera sentada, ficando apenas com os calções e camisa de linho negros, se dirigiu até uma bacia prateada posta junto à janela e lavou o rosto antes de aceitar a taça de água.

—Sua argumentação está melhorando Cate, mas isso ainda não é razão para se expor aos riscos de uma viagem tão longa nessa altura da gravidez. Você poderia ter entrado em trabalho de parto no meio do caminho. — Devolveu alternando o olhar entre os olhos azuis de Catelyn e o barrigão que ela ostentava.

—Se fosse esse o caso, então o senhor meu marido teria ainda mais um motivo para me querer aqui. Não sabemos quem é responsável por esses ataques, e se outra guerra começar? Ficaria por meses ou anos sem conhecer seu filho? — Perguntou apertando levemente os olhos. — Não vamos pensar no que poderia acontecer. O senhor meu marido sempre me disse para me preocupar com certezas. — Catelyn atravessou o quarto até o baú em que suas coisas estavam, e de um fundo falso retirou uma carta, estendendo a mesma para Tywin. — Isso chegou dois dias depois que você partiu. Eu vim porque não havia mais nenhum outro Lannister em Casterly Rock, e imaginei que não se tratava de algo que eu podia arriscar ser visto por outros olhos.

Ainda com os olhos verdes cheio de hesitação, Tywin manteve-se onde estava, dando um passo para frente apenas quando Catelyn enfim pareceu lhe dar um bom motivo para aquela aventura. Ela lhe entregou um pedaço dobrado de pergaminho, pequeno, mas grande demais para ter sido enviado por um corvo. O velho leão do Oeste correu os olhos com bastante agilidade pelo conteúdo, após desdobrá-lo cuidadosamente. Seguiu-se um breve momento de silêncio, em que ambos podiam fatiar a tensão. Tywin ergueu enfim os olhos para a esposa, um suspiro que deixou claro que, de fato, ela estava certa em ir atrás dele em Porto Real.

Notas finais
se quiserem dar sugestões sobre o enredo, fiquem a vontade