Crônicas de Feras
3 Cersei
Notas iniciais
Ela descobriu que as mãos rudes dele em seu corpo nublavam sua mente, e por um momento, os adjetivos dos quais tanto desdenhava, eram também aqueles que a atraíam. A barba que ele mantinha desleixada arranhava sua pele e fazia todo o seu corpo arrepiar cada vez que os lábios dele a tocavam. As mãos grandes e ásperas não haviam sido feitas para gentileza, e ainda assim, ele se mostrava delicado, até mesmo nos puxões mais possessivos e rudes, no delicioso descontrole do prazer. Jaime também sabia tocá-la assim… Jaime sabia exatamente como e onde tocar… E mesmo assim, ela conseguia sentir prazer com os toques desajeitados do marido.
Os carinhos que começaram no bosque sagrado foram interrompidos pelo rei, que parecia ter se lembrado repentinamente o decoro que o lugar exigia. A rainha estava ligeiramente sem folego, as mãos ainda o segurando pelas vestes, os olhos verdes o encarando com uma atenção exagerada. Cersei viu uma pontada de euforia no meio daqueles olhos enevoados, e antes que tivesse normalizado sua respiração, Eddard já havia enroscado os dedos nos seus, guiando-a pelos corredores da fortaleza, de volta para Maegor, em passos apressados. A princípio, Cersei assumiu uma postura um tanto escandalizada com os modos dele, mas à medida que avançavam na direção dos aposentos reais, a lembrança das mãos dele em seu corpo a fazia ansiosa também. Até os olhares curiosos e severos de alguns cortesãos que foram ignorados enquanto tentavam cumprimentar o casal real despertaram na Lannister um certo humor, e não o impulso imediato de corrigir o marido “selvagem”.
Eddard ainda fechava a porta do aposento atrás de si, quando Cersei laçou seu pescoço e voltou a beijá-lo. Os olhos verdes da rainha estavam abertos enquanto seus lábios encaixavam nos do marido, e sentia a língua dele procurar a sua timidamente. Encará-lo enquanto o beijava lhe causou uma sensação estranha, um frio na barriga, um arrepio na nuca, e por fim um susto, quando ele também abriu os olhos, finalizando o beijo de forma um pouco abrupta. Cersei acabou por fechar os olhos, involuntariamente, quando os lábios de Eddard avançaram em seu pescoço, a barba por fazer lhe causando arrepios, arrancando suspiros de excitação da rainha. As reações causadas por ele a deixaram irritada. Ele havia mandado Jaime para a Muralha! Precisava se lembrar disso… Precisava se lembrar de odiá-lo! Mas o maldito nortenho estava atrapalhando todos os seus planos… Era difícil odiá-lo quando suas mãos rudes desamarravam os laços de seu vestido com tanta ansiedade, e tocavam sua pele macia com aquela possessão carinhosa. Imersa nos carinhos do marido, Cersei desafivelou o cinto dele, livrando o homem do gibão logo em seguida. Ele tinha um corpo forte, ela observou melhor, seus dedos finos deslizando pelos músculos do marido, contornando as cicatrizes com as unhas. Jaime não era tão robusto, tinha um porte mais elegante.
— Oh! — A rainha se pegou arfando, quando o rei puxou seu vestido abruptamente, fazendo a peça escorregar por seu corpo até os pés.
A arredia Cersei Lannister acabou jogando a cabeça para trás quando os lábios do seu marido nortenho lhe tocaram o corpo. Eddard estava inclinado, beijando-a entre os seios, enquanto as mãos a laçavam com firmeza pela cintura. Cersei baixou os olhos felinos para o homem, deleitada com a sensação de poder que o desejo do rei lhe causou. Ele contornou um de seus mamilos com a língua, e ela acabou levando uma das mãos aos cabelos do marido, puxando-os levemente e empurrando mais o rosto dele contra seus seios. A leoa levou a mão livre, sorrateiramente, até as calças do lobo, os dedos atrevidos soltando os nós que a prendiam e acariciando o membro dele por cima do tecido. Eddard parou de beijar seus seios, e tomou os lábios dela com um fogo ainda maior que na noite de núpcias. A mulher continuou a acariciá-lo, sentindo o volume se formar e crescer, e quando ela ergueu a mão para unir a outra, acariciando os cabelos dele, as calças do rei caíram, e o corpo delicado da rainha se arrepiou por completo com o roçar do membro dele. As mãos dele desceram pelo seu corpo, e quando deu por si, Cersei estava laçando a cintura dele com as pernas, enquanto Eddard a erguia com as mãos em sua bunda. Esperava sentir a cama em suas costas muito em breve, e o corpo do marido pressionando o seu, mas em vez disso, Eddard a encostou contra a parede, seu corpo se arrepiando contra a pedra fria e as mãos se agarrando melhor a ele pelo pescoço. Assim como nas outras vezes em que ele a possuiu, ela sentiu o membro do marido a preenche-la até lhe causar uma dorzinha prazerosa, quando suas investidas eufóricas iam muito fundo.
— Olhe para mim… — Ela pode sentir o hálito quente dele contra seu rosto, antes de ouvi-lo falar, e o cheiro sutil de algum tipo de chá.
Cersei sentiu um frio gostoso na barriga quando abriu os olhos e se deparou com aquele nevoeiro profundo a encarando de forma tão intensa. Ela se segurou melhor nos ombros dele e moveu o quadril, se apertando contra ele com ajuda das pernas, e acabando por exibir um sorriso discreto e vitorioso quando o marido contorceu o rosto de prazer. As investidas dele foram ficando mais intensas, e os gemidos dela acompanhavam, seu quadril acompanhando os movimentos dele da maneira como podia, em sua posição limitada. Eddard tomou um dos seios dela com os lábios, e Cersei gemeu mais alto, baixando a cabeça para encará-lo enquanto ele sugava seu mamilo, as investidas se tornando mais intensas e vigorosas.
— Oh, Ned! — A dorzinha prazerosa havia voltado, e Cersei não conseguiu conter o gemido mais alto, enquanto as unhas marcavam as costas do marido. Nem mesmo percebeu que o chamava daquela maneira informal pela primeira vez.
A rainha teve a impressão de senti-lo tremer, e logo em seguida trocar um seio pelo outro. Cersei puxou os cabelos dele com um pouco mais de força, tentando se lembrar porque não devia sentir prazer nos braços dele, mas como conseguir pensar em qualquer coisa quando ele a possuía daquela forma? Seus seios estavam enrijecidos quando o rei afastou os lábios deles e tomou a boca dela com mais fogo do que antes. Eddard começou a andar com ela em seus braços, e pouco depois Cersei enfim sentiu a cama em suas costas, e o marido pesando sobre si, iniciando novas estocadas firmes e profundas, e antes que percebesse, ela tentava abrir melhor as pernas para que ele pudesse ir mais fundo. As mãos de Cersei desceram pelo corpo dele, até alcançar sua bunda, a pressionando e até apertando as unhas contra suas nádegas, sempre que ele a estocava.
Aquele nortenho a tomava de uma maneira diferente. Possuía-a como uma fera selvagem, e ao mesmo tempo, a tocava como o mais gentil e carinhoso dos homens. Era diferente com Jaime… Claro que era diferente com Jaime. Seu irmão nascera agarrado em seu tornozelo, e assim como no dia em que chegaram ao mundo, todos os momentos que tiveram juntos foram guiados por ela. Com Jaime, sua vontade sempre prevalecia, mas Eddard não se rendia como Jaime… O marido era gentil e carinhoso, mesmo quando era firme em sua vontade. A rainha estava descobrindo um tipo diferente de prazer nos braços dele, se rendendo à gentileza e à maneira carinhosa dele de fazer o que desejava com ela.
As unhas de Cersei afundaram nas costas de Eddard, ao mesmo tempo em que seu corpo inteiro se arqueou contra o dele, e as pernas o laçaram com mais força o prendendo contra si. Os lábios do rei deixaram os dela para soltar um uivo de prazer, que causou arrepios deliciosos pelo corpo da rainha. Eddard começou a estocá-la mais fundo, e os gemidos dele aliados à dorzinha prazerosa que passou a sentir em intervalos de tempo cada vez menores, foram demais para ela suportar. O corpo de Cersei tremeu violentamente, enquanto seus membros se agarravam ao marido como podiam, cada um de seus músculos tensionados, e o sexo apertando o membro viril dele dentro de si.
— Ohhhh!!! Cersei!!! — Ele gemeu, jogando a cabeça para trás e o quadril para frente, dando uma ultima estocada mais profunda, sentindo o corpo inteiro se colar ao dela.
O rei derramou em abundância sua semente quente dentro dela, agarrando-se à rainha com força, e soltando grunhidos de prazer ao ouvido ela, até que os dois corpos relaxassem amolecidos sobre a cama. Eles estavam ofegantes, suados, e Cersei podia sentir o rosto ligeiramente quente, devia estar corada. Os braços da rainha permaneceram onde estavam, mas o rei começou a lhe beijar o pescoço, enquanto as próprias mãos percorriam os corpo dela, e antes que Cersei pudesse prever, ele já havia girado na cama, puxando-a consigo. Ela ronronou como uma gata quando seu corpo se desencaixou do dele, percebendo que a virilidade do marido lhe permitiu ainda senti-lo dentro de si, mesmo quando ele já não estava lá. De uma maneira mais natural do que ela poderia prever, a leoa apoiou a cabeça sobre o peito dele, e se acomodou confortavelmente com o corpo parcialmente sobre o dele, as pernas meio enroscadas, e o silêncio instaurado, pelo menos enquanto tentavam recuperar o folego.
Conseguia se lembrar de cada vez em que pudera deitar no peito de Jaime e simplesmente fechar os olhos até que sua respiração normalizasse, depois daquele tipo de prazer. Seus encontros eram sempre rápidos, às escondidas, nunca tiveram tanto tempo pra aproveitar os momentos posteriores ao “delito”, contemplar o silêncio. Jaime era alto, tinha o corpo estreito e elegante, já Eddard era mais baixo, mas tinha o peito largo e muito mais robusto, lhe dando muito mais conforto enquanto ela descansava em seus braços.
— No que esta pensando, senhora? — A voz do rei fez Cersei abrir os olhos, mesmo que não se movesse, sentindo a ponta dos dedos dele tocarem sua pele preguiçosamente, acariciando seu corpo.
— Nada, meu rei. — Ela respondeu simplesmente, soltando um suspiro e se mantendo imóvel.
— Você pode me chamar de Ned. É minha esposa, não precisa de formalidades comigo. — Ele a corrigiu, levando uma das mãos até os cabelos dela e afundando os dedos entre os cachos loiros.
— Não estou pensando em nada, Ned. — Cersei respondeu novamente, mas em um tom livre de provocações. A rainha percebeu a frustração do marido quando o peito dele se moveu em um suspiro. — Perguntava-me que pratos deveria pedir que preparassem para o jantar do meu senhor. — Acabou por emendar, embora não estivesse de fato pensando naquilo.
— Jantaremos com vosso pai. — Ele lhe lembrou, afastando um pouco o rosto, a obrigando a fazer o mesmo e encará-lo. — Você pode escolher o que lhe parecer mais apetitoso. Ficarei feliz em degustar o que for de vossa escolha.
O sorriso gentil que ele lhe ofereceu foi impossível de ser ignorado, ainda mais naquele momento, estando nos braços dele como estava, depois de ele tê-la tomado daquela maneira. Cersei devolveu o sorriso para ele, um sorriso que acabou sendo mais sincero do que ela poderia esperar. A loira ergueu uma das mãos, tocando o rosto dele delicadamente, e chegando a alargar o sorriso quando ele fechou os olhos e virou o rosto, alcançando a mão dela com os lábios e beijando seus dedos. Cersei sentiu um calor no peito, um calor incomum que ela jamais sentira, ou pelo menos não se lembrava de sentir, e que acabou a fazendo se sentar na cama de repente, interrompendo o contato visual e também os carinhos do marido. Os olhos verdes acabaram girando pelo quarto, mas rapidamente se voltaram para Eddard, que a encarava um tanto confuso.
— Desculpe, meu… Ned. — Ela se apressou em dizer, começando a se levantar. — Eu preciso falar com o intendente e… Me aprontar para jantarmos com o senhor meu pai. — Explicou e desenhou um sorriso no rosto que ele logo correspondeu, embora não parecesse tão satisfeito quanto há pouco.
— É claro, minha senhora. — O rei concordou, e também se colocou de pé.
Cersei começou a por suas vestes de volta e arrumar o cabelo como podia, enquanto Eddard cobria a própria nudez apenas com um robe. O rei deu a volta na cama e abraçou a rainha por trás, afastando os cachos dourados dela do caminho, para que pudesse lhe beijar a nuca, antes de começar a ajudá-la a fechar os laços do espartilho. O contato inesperado fez Cersei se arrepiar, e soltar um suspiro de satisfação antes de se afastar dele mais uma vez. Ele não podia ter aquele tipo de poder sobre ela… Não, ela precisava odiá-lo!
— Eu preciso ir para não me atrasar. Nos vemos no jantar, meu senhor. — Disse enquanto saía do quarto meio às pressas.
Fora dos aposentos, Cersei acabou dando de cara com Sor Eustace, pronto para segui-la onde fosse. A rainha ignorou a presença do Manto Branco e seguiu andando em passos firmes e apressados. A princípio, ela queria apenas se afastar de Eddard, da confusão que começava a se instalar em sua cabeça quando ele a tocava. Ela não podia nutrir afeto por ele, não podia sentir prazer com ele, tinha que odiá-lo! Ele lhe tirara seu Jaime! Naqueles passos apressados e raivosos, mesmo estando cada vez mais distante dos toques e carinhos do marido, Cersei começava a sentir uma resistência de si mesma para odiá-lo.
A rainha parou diante de uma grande porta de madeira de um dos aposentos dentro de Maegor, onde seu pai, Lorde Tywin, havia sido instalado com a sua comitiva de servos e soldados. Demorou dois ou três minutos antes de se adiantar a abrir e entrar no apartamento, fechando a porta antes que o manto branco também pudesse entrar. Lorde Tywin estava sentado em uma escrivaninha fechando uma carta com cera vermelha selada com o brasão da casa Lannister, quando ergueu os olhos para ver quem havia chegado.
— Achei que só nos encontraríamos em algumas horas, no jantar. — Ele falou com o tom frio habitual e o rosto livre de emoções.
— Precisava lhe falar, meu pai. — Ela se explicou, adiantando-se alguns passos, mas logo parando, mantendo os olhos firmes no Protetor do Oeste.
Tywin ergueu os olhos felinos para a filha, e pareceu perceber a hesitação nos olhos dela, o que acabou lhe arrancando um olhar curioso. O senhor de Casterly Rock fez sinal pra ela se aproximar, e guardando a carta que acabara de finalizar, indicou-lhe a cadeira à sua frente.
— Diga-me… O que houve? — O homem perguntou, agora mantendo os olhos nela com a mesma atenção que a filha lhe dedicava.
— Eu… — Cersei se sentou com a cabeça meio baixa, e por alguns segundos não encarou o pai, ocupando-se em correr os olhos pelos objetos que haviam sobre a escrivaninha, antes de voltar a encará-lo. -O que vai acontecer com Jaime? — Perguntou enfim, percebendo a frustração de Lorde Tywin antes mesmo de ele lhe responder.
— Jaime vai servir na Patrulha da Noite. — O pai lhe respondeu, sem qualquer tentativa de esconder o descontentamento que aquilo lhe causava. — Como o rei já anunciou. — Completou enquanto puxava uma folha em branco e começava a escrever qualquer coisa em uma caligrafia fina e elegante.
— É isso? O senhor não vai fazer nada para impedir isso? Ele é seu herdeiro! — Cersei insistiu, um misto de desespero e descrença em sua voz. — Tudo que sempre diz sobre o legado da nossa família...
A rainha silenciou no mesmo instante que o olhar severo de Lorde Tywin se ergueu para ela. Os olhos verdes, tão parecidos com os seus, a encaravam com dureza, e um brilho felino que intimidava não somente a ela. Lorde Tywin voltou a baixar os olhos para o que escrevia, e Cersei não ousou quebrar aquele silêncio, optando pela paciência, até que o homem lhe dirigisse a palavra novamente.
— Eu fiz tudo que estava ao meu alcance. — Ele falou por fim, dobrando aquele pedaço de papel e o deixando de lado junto com os demais. Tywin encarou as próprias mãos um momento, antes de voltar a encarar a filha. — Seu avô quase nos levou à falência… — Ele começou a dizer, as costas se apoiando melhor no encosto da cadeira, e os dedos se entrelaçando sobre a escrivaninha. — O nome Lannister era motivo de piada no Oeste. Ele emprestava dinheiro e nada fazia com aqueles que não pagavam, bebia até fazer papel de tolo na frente de seus vassalos… Deu a única filha para o segundo filho de um lorde menor. Permitiu que outros zombassem dele, e até que uma prostituta roubasse as joias da minha mãe. — O pai falava com uma raiva implícita na voz, ao relembrar a desastrosa administração de Lorde Tytos Lannister. — Um dia eu vou morrer… Assim como você, seu irmão, seus tios, seus primos… Nós vamos virar nada, a única coisa que vai permanecer é o nome da família e o que nós fizermos dele. — Completou enquanto se levantava, mas sem tirar os olhos dela. — Eu fiz tudo que estava ao meu alcance… Eu vinguei os insultos contra nossa família, passei a fogo aqueles que ousaram nos desafiar. Eu pensei ter passado tudo isso para Jaime, e guardava a esperança de que ele se tornaria o homem que eu sonhei que ele seria, que levaria esta família adiante quando eu partisse… Ao invés disso, ele fugiu de suas responsabilidades em cada chance que teve, a ultima para servir como guarda de um rei louco, sabotando a si mesmo no fim. — Tywin suspirou, dando a volta na mesa e parando diante da lareira, os olhos bastante atentos às chamas.
Cersei se manteve atenta e silenciosa diante do discurso do pai, chegando a engolir o seco quando ele ficou de pé, obrigando-se a se encostar melhor no apoio da cadeira e erguer um pouco a cabeça para encará-lo. A loira o acompanhou com o olhar enquanto ele caminhava pelo aposento, e tão logo ele parou diante da lareira, ela também ficou de pé. Havia algo singular em Lorde Tywin, algo que parecia atingir seus filhos com mais força, embora também atingisse outros a sua volta. As expectativas do Protetor do Oeste iam diretamente de encontro ao desejo de seus filhos, e embora Cersei já o tivesse desafiado uma vez, através de Jaime, ela tinha aversão à ideia de ser motivo do desapontamento do pai.
— Ele era jovem, meu pai. Foi seduzido pela glória de ser um membro da Guarda Real. — “E pela esperança de me possuir todas as noites”. — Além disso, seria seguro negar um pedido do rei louco? Por favor, pai. Talvez, se nós dois falarmos juntos com o rei, ele possa voltar atrás. — Cersei argumentou, dando alguns passos na direção do homem, mas ainda mantendo uma certa distância.
— Jaime sempre mostrou desinteresse em governar, mesmo antes de entrar para a Guarda Real. Ele nunca teve paciência para aquilo que não se pode resolver com a espada… Ele nunca teve paciência para tentar resolver qualquer coisa sem a espada. — Tywin falou com um suspiro de conformidade, e então ergueu os olhos para Cersei. — Após 300 anos, os Targaryen deixaram de ser os senhores dos Sete Reinos… Eles sucumbiram na própria vaidade, assim como Jaime. — Tywin se aproximou de Cersei, e embora o primeiro instinto dela fosse recuar diante da postura severa do pai, a mulher se obrigou a manter-se firme onde estava. O pai segurou seu rosto com ambas as mãos, os olhos verdes intensos a encararam com uma seriedade que a fez tremer levemente. — Agora, nós temos um novo rei… Um com o temperamento ideal para o trabalho. Agora, também somos a família real… Seu filho será rei, todos os reis que se seguirem terão sangue dos leões dourados de Casterly Rock, e os Lannisters tem a chance de formar uma dinastia que irá durar por séculos. — Sua expressão séria misturada com aquele discurso de triunfo fez Cersei prender a respiração por um momento. — Não quero que se indisponha com o rei por causa de Jaime. Na verdade, não quero que mencione esse assunto para ele novamente. Agora ele é seu marido, seu rei! E eu preciso que você seja uma boa esposa e rainha. Pode fazer isso, ou vai me provar que eu errei com todos os meus filhos?
O brilho que foi surgindo nos olhos verdes de Tywin enquanto ele falava era assustador, e ao mesmo tempo, irresistível. Ela não conseguia pensar em qualquer resposta negativa para ele, ou qualquer argumento para insistir na defesa do irmão. A notícia de que Jaime seria mandado para a Muralha tomou conta de sua cabeça, e o pai acabara de lhe mostrar o quanto ela deixara passar. Ela era rainha… Sim, ela era rainha. Elia Martell, Lyanna Stark… Não, Cersei Lannister, rainha de Westeros. Tywin lhe prometera que ela seria rainha, e havia cumprido. Cersei sentiu um sorriso ir se formando em seu rosto, um sorriso de triunfo, como se “a ficha” de sua nova posição finalmente estivesse caindo. Eddard estava longe de ser o marido com o qual ela sonhara… Sonhava com Rhaegar, mas o príncipe fora tolo e não a escolheu, acabou perdendo a coroa.
Cersei ergueu o rosto para o pai, arrumando a postura, e lhe ofereceu um sorriso elegante e curto. Seus olhos verdes tinham o mesmo ar felino que os de Tywin segundos atrás, e um brilho de euforia bastante particular. A rainha levou as mãos ao rosto, se livrando do toque do Protetor do Oeste, e em seguida fazendo uma reverência educada e simples para ele.
— Eu não vou desapontá-lo, meu pai...
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