Crônicas de Arton

1 001 Bem-Vindo à Arton


Seja bem-vindo a Arton.

“Arton é um continente amplo. Um mundo em si. Tão vasto, que quase nada além dos oceanos importa. As nações são numerosas, as distâncias imensas. Suas terras civilizadas, o assim chamado Reinado de Arton, demandam meses de travessia a cavalo.

Arton mede pelo menos 11.000 km de norte a sul e 8.000 de oeste a leste. Tem forma ovalada, com extremidades nas direções sudoeste e nordeste. A maior parte do litoral é pouco navegável, formado por mangue pantanoso ou escarpas perigosas — tornando a navegação comercial uma prática inviável. A região central é formada pelo Deserto da Perdição ao norte, e pela Grande Savana mais abaixo. A leste temos as Sanguinárias, a maior cordilheira de Arton, covil de monstros e tribos bárbaras. A oeste, a cordilheira de Lannestull e grandes extensões de florestas.

Outro grande continente repousa mais ao sul, unido a Arton por um estreito de terra, o Istmo de Hangpharstyth. Estudiosos da Grande Academia Arcana chama essa ilha-continente de Arton-Sul, mas ela carrega um nome mais sinistro: Lamnor, o Reino Bestial, dominado por um império goblinóide. Duas grandes ilhas merecem destaque. Galrasia, próxima à costa sudoeste, um inferno verde de selvas tropicais, dinossauros e povos-trovão — tribos selvagens de humanóides com traços sáurios. E a distante Tamu-ra, no extremo nordeste, outrora lar de uma exótica civilização, mas hoje conspurcada pela Tormenta.

Quase trinta nações formam o Reinado de Arton, governadas por Deheon, o reino-capital. Quase toda a população humana do mundo vive nesta terra de imensidão incrível, em cidades muito afastadas, cercadas de áreas selvagens.

A maior e mais importante cidade de Arton é a capital de Deheon, Valkaria. Construída aos pés de uma misteriosa e gigantesca estátua, assinala o marco zero da civilização humana. A partir deste ponto o Reinado avançou até os limites do mundo conhecido, detido apenas pelo Rio dos Deuses ao norte. Ali estão sediadas importantes instituições, como a Grande Academia Arcana e o Protetorado do Reino.

Deuses. Eles podem ser distantes, misteriosos. Raramente manifestando qualquer sinal de sua existência. Sabemos que eles existem apenas através de seus milagres, apenas porque seus devotos conjuram magia divina poderosa. Em outros lugares, os deuses são assim. Em Arton, eles praticamente batem à sua porta. Ou a derrubam.

Arton foi povoada por uma família de vinte divindades, conhecidas coletivamente como o Panteão. Elas receberam esse status devido a seu poder individual, número de seguidores e, especialmente, porque eram as únicas presenças durante a criação do mundo. Essa condição mudou após a Revolta dos Três — quando Valkaria, Tilliann e Kallyadranoch foram condenados por criar o povo da Tormenta. Enquanto a primeira teve seu status mantido, os outros dois deixaram de ser deuses. Tillian foi transformado em um humano louco e maltrapilho e o Kallyadranoch foi condenado ao esquecimento eterno. Passaria a ser conhecido como “o Terceiro”, e ninguém sequer se lembra que ele um dia existiu. Para ocupar seus lugares, ascenderam as divindades Ragnar e Hyninn.

Quase nada em Arton acontece sem intervenção dos deuses — eles são extremamente atuantes, às vezes em pessoa, mas quase sempre através de seus devotos. Suas igrejas são poderosas e influentes, seus clérigos e paladinos atuam como agentes da lei. No extremo oposto, cultistas cometem crimes para cair nas graças de suas divindades malignas. As relações entre os deuses são complicadas, e afetam o mundo dos mortais ou são afetadas por ele. Alguns são aliados, outros vivem em rivalidade eterna.

Em tempos remotos, três deuses uniram-se para criar um povo perfeito. Aquela nova raça, os lefeu, logo explodiu em criatividade, ambição e sede de poder. Foram descobertos pelos demais deuses, e então dizimados. Mas seu desejo de viver era sem igual. Renasceram, cresceram, ficaram ainda mais poderosos. Tragaram seu próprio mundo nativo, sua própria cosmologia. Tornaram-se um multiverso consciente. E agora os lefeu invadem Arton, manifestando as áreas de Tormenta — infernos de chuva sangrenta, infestados de demônios insetóides, onde sua própria realidade devora a nossa. Cada área é governada por um Lorde da Tormenta, aberrações de tamanho poder que os próprios deuses são impotentes contra eles. Apenas os maiores heróis de Arton têm alguma chance — uma pequena chance — contra os invasores aberrantes.”

É neste ambiente em que vamos começar a nossa aventura. Estejam a postos e que a ação começe!